Passo Sella: Paisagens UNESCO, Refúgios e Trekking no Coração das Dolomitas

O Passo Sella, a 2.240 metros entre Trentino e Alto Adige, oferece paisagens espetaculares do Grupo do Sella e do Sassolungo, declarados Patrimônio da UNESCO. É um ponto de partida para caminhadas de vários níveis e um cruzamento vibrante para caminhantes e ciclistas no verão, enquanto no inverno é o coração do circuito de esqui Dolomiti Superski.

  • Paisagens UNESCO: Vista deslumbrante do Grupo do Sella, Sassolungo e outros picos dolomíticos com reflexos rosados ao amanhecer e ao pôr do sol.
  • Caminhadas para todos: Trilhas bem sinalizadas a partir do passo, desde o fácil percurso circular até o Refúgio Salei até a mais desafiadora Via Ferrata delle Mesules.
  • Refúgios acolhedores: Paradas saborosas com especialidades tirolesas e trentinas em refúgios como o Passo Sella, Jimmy Hut ou Maria al Sass Pordoi.
  • Destino o ano todo: Paraíso para trekkers e ciclistas no verão (com aluguel de e-bikes) e coração do Dolomiti Superski no inverno, conectando Val Gardena, Alta Badia e Arabba.


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Copertina itinerario Passo Sella: Paisagens UNESCO, Refúgios e Trekking no Coração das Dolomitas
Passo Sella a 2.240 metros: trilhas para famílias até o Refúgio Salei, ponto de partida para a Via Ferrata delle Mesules, refúgios com especialidades tirolesas e conexão com o circuito Dolomiti Superski. Acessível de carro a partir de Canazei.

Informações importantes


Introdução

Chegar ao Passo Sella é como entrar num postal vivo das Dolomitas. Encontra-se a 2.240 metros, rodeado por aquelas agulhas rochosas que parecem pintadas – o Sassolungo, o Sassopiatto, a Cadeia do Sella – e percebe-se imediatamente porque é que este passo é considerado o coração do Património da UNESCO. Não é apenas um ponto de passagem: é um palco natural onde a luz brinca com as rochas, criando aqueles reflexos rosados ao amanhecer e ao pôr-do-sol que deixam sem fôlego. Pessoalmente, paro sempre mais uns minutos, mesmo que esteja frio, porque aquela atmosfera é difícil de descrever. É um lugar que nos faz sentir pequenos, mas ao mesmo tempo parte de algo grandioso.

Notas históricas

Este passo nem sempre foi um destino turístico. Durante séculos, foi uma ligacao comercial e militar crucial entre os vales de Gardena e de Fassa, percorrido com dificuldade por mercadores e soldados. A sua história moderna começa verdadeiramente com o turismo alpino: em 1896 foi inaugurado o primeiro refúgio, o Refúgio Passo Sella, que deu início à hospitalidade em altitude. Durante a Primeira Guerra Mundial, as suas encostas foram palco de combates intensos entre alpinos e Kaiserjäger, e ainda hoje se podem encontrar vestígios de trincheiras e caminhos. Depois, com o advento dos desportos de inverno e do ciclismo, tornou-se o símbolo que conhecemos.

  • Até ao século XIX: Passo para comércio e deslocações locais.
  • 1896: Construção do primeiro refúgio, início do turismo organizado.
  • 1915-1918: Linha da frente durante a Grande Guerra.
  • Meados do século XX: Desenvolvimento como destino para esqui e ciclismo.
  • 2009: As Dolomitas, incluindo o maciço do Sella, tornam-se Património da UNESCO.

A porta para excursões fáceis (e não só)

Aqui não é preciso ser um alpinista experiente para desfrutar da montanha. Do estacionamento do passo partem trilhos perfeitos para famílias, como o passeio plano até ao Refúgio Emilio Comici, com uma vista deslumbrante sobre o Sassolungo que o acompanha ao longo de todo o percurso. É um daqueles percursos onde até as crianças caminham de bom grado. Mas se procura algo mais desafiante, o passo é o ponto de partida para a Via Ferrata delle Mesules ou para a ascensão ao Piz Boè, o pico mais alto do Grupo do Sella. Eu experimentei a ferrata há alguns anos – requer equipamento e alguma experiência, mas a sensação de escalar aquelas paredes é inesquecível. Uma dica? Mesmo que faça apenas o passeio fácil, leve sempre um casaco impermeável. O tempo em altitude muda num instante.

Refúgios com alma (e strudel)

Os refúgios aqui não são apenas um lugar para comer. São pontos de encontro com histórias para contar. Veja o Refúgio Maria no Sass Pordoi, acessível pelo teleférico a partir do passo: além da vista panorâmica de 360 grados das varandas, tem uma atmosfera internacional, cheia de caminhantes de todo o mundo. Depois há o já mencionado Refúgio Passo Sella, mais tradicional, com seus interiores de madeira e os aromas da cozinha tirolesa. Aqui o strudel de maçã é quase uma instituição – quente, com o creme de pastelaria a derreter… vale a pena. Estes lugares são fundamentais para a experiência: é onde se aquece, conversa, olha os mapas e planeia a próxima caminhada. São um pouco como faróis acolhedores no meio da grandiosidade da natureza.

Por que visitar

Por três motivos muito concretos. Primeiro: a acessibilidade. Atinge paisagens de sonho com uma breve caminhada do estacionamento, ideal se tem pouco tempo ou crianças a acompanhar. Segundo: a variedade. Num só lugar tem caminhadas fáceis, vias ferratas para especialistas, partidas para esqui de montanha no inverno e um ponto de observação para fotógrafos. Terceiro: a atmosfera. É um cruzamento vibrante onde se cruzam caminhantes, ciclistas exaustos da subida, famílias com carrinhos de bebé… há uma energia positiva, de pessoas que estão lá para desfrutar da montanha de formas diferentes. Não é um lugar silencioso e isolado, mas cheio de vida, e na minha opinião isso é uma das suas qualidades.

Quando ir

É bonito em todas as estações, mas se tiver que escolher um momento mágico, digo o final de setembro ou o início de outubro. As multidões de verão diminuíram, o ar está fresco e limpo, e os lariços que pontilham as encostas do Sassolungo acendem-se num amarelo dourado incrível, criando um contraste espetacular com o cinza das rochas. No inverno, com a neve, é outro mundo – silencioso e majestoso – mas a estrada pode estar fechada por neve e gelo, por isso informe-se sempre antes. No verão é ótimo, mas prepare-se para partilhar a paisagem com muitos outros visitantes, especialmente nas horas centrais do dia.

Nos arredores

Se gostaste do Passo Sella, não percas duas experiências próximas que enriquecem a viagem. A poucos minutos de carro fica Canazei, a principal aldeia da Val di Fassa. Não é apenas uma base logística: o seu centro histórico, com casas pintadas e igrejas, conta a cultura ladina. Depois, ainda da zona do passo, podes apanhar o teleférico para o Belvedere do Sass Pordoi. A vista do alto é ainda mais ampla, e lá em cima há a sensação de estar no topo do mundo. Duas experiências diferentes que completam perfeitamente o dia.

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💡 Talvez você não soubesse que…

O Passo Sella é famoso pelo Sellaronda, um circuito de esqui de 40 km que conecta quatro vales dolomíticos, criado nos anos 70 e hoje símbolo do esqui alpino. No verão, o refúgio Passo Sella frequentemente hospeda eventos musicais com coros alpinos, enquanto a lenda local conta que o nome ‘Sella’ deriva do formato de sela da montanha, visível apenas de ângulos específicos. Durante a Primeira Guerra Mundial, o passo foi palco de confrontos entre alpinos italianos e Kaiserjäger austríacos, e restos de trincheiras ainda são visíveis nas trilhas laterais.