O que ver na Província de Lecco: 5 paragens entre lago e montanha

🧭 O que esperar

  • Ideal para excursões em família e aventureiros ao ar livre
  • Pontos fortes: paisagens lago-montanha, castelos bem preservados, trilhos bem sinalizados
  • Melhor época: primavera e outono para clima ameno e menos multidões
  • Como deslocar-se: carro recomendado para chegar às aldeias e aos parques de estacionamento dos trilhos
  • Imperdível: o Desfiladeiro de Bellano e o Castelo de Vezio ao pôr do sol

Eventos nas proximidades


A Província de Lecco é um destino que surpreende, muitas vezes ofuscado pelos circuitos turísticos mais movimentados. No entanto, oferece uma mistura única de paisagens lacustres, montanhas imponentes e um património histórico feito de castelos e aldeias medievais. O Castelo de Vezio domina o Lago de Como a partir de uma posição privilegiada, enquanto o Desfiladeiro de Bellano proporciona um espetáculo natural escavado na rocha. Villa Monastero encanta com os seus jardins junto ao lago, e o Forte Montecchio Norte conta a história militar da zona. Para os amantes de caminhadas, os trilhos à volta do Museu das Grigne e do Monte Legnoncino oferecem vistas inesquecíveis. Aldeias como Corenno Plinio e Lierna conservam atmosferas de outros tempos. Neste artigo, guiá-lo-ei pelos destinos imperdíveis da Província de Lecco, com sugestões práticas para os visitar da melhor forma. Prepare-se para descobrir um cantinho autêntico de Itália, onde a natureza e a história se fundem.

Visão geral



Itinerários nas proximidades


Castelo de Vezio: história, falcoaria e vista deslumbrante sobre o Lago de Como

Castelo de VezioEmpoleirado num promontório que domina Varenna, o Castelo de Vezio é um daqueles lugares onde história e paisagem se fundem num relance. As suas origens estão envoltas em mistério, mas a tradição liga-o à rainha lombarda Teodolinda, que aqui teria mandado construir uma igreja e o próprio castelo. O primeiro testemunho escrito data de 1169, quando os exilados comacinos encontraram refúgio após a guerra com Como. Ao longo dos séculos, a propriedade passou dos condes Monti para os Serbelloni e depois para os Greppi Di Robilant, que ainda hoje a possuem. Visitar o castelo é uma experiência que mistura natureza, cultura e um toque de mistério. Subindo à torre, desfruta-se de uma vista de 360° sobre o Lago de Como – um panorama que por si só vale a viagem. Nas caves, segundo a lenda, vagueiam fantasmas, mas a verdadeira surpresa é a exposição sobre o Lariossauro, um réptil marinho pré-histórico descoberto precisamente em Perledo, com até 130 cm de comprimento. Todos os dias há espectáculos de falcoaria, com aves de rapina a voar livremente sobre o lago: emocionante para miúdos e graúdos. O castelo é acessível a pé a partir de Varenna ou da aldeia de Vezio, por um trilho bem sinalizado. À entrada encontra-se um bar, uma loja de souvenirs e serviços. Em suma, uma paragem que une história, ciência e diversão, perfeita para um passeio fora de portas.

Castelo de Vezio

Villa Monastero: um mergulho entre história e natureza no Lago de Como

Villa MonasteroVilla Monastero é uma daquelas paradas que ficam com você. Situada entre Varenna e Fiumelatte, na margem oriental do Lago de Como, é um antigo mosteiro cisterciense do século XIII transformado em residência nobiliárquica. Hoje é uma mistura perfeita de Casa Museu, jardim botânico e centro de congressos. O parque se estende por quase 2 km ao longo do lago, de Varenna a Fiumelatte, com terraços cheios de espécies exóticas: palmeiras africanas, cedros do Líbano, agaves, iúcas e a rara palmeira azul Erythea armata. Entre caminhos e escadarias, encontram-se estátuas e fontes, como a “Clemenza di Tito” de Comolli. No interior, 14 salas decoradas com móveis de época: a Sala Negra neorrenascentista, a Sala da Música com dois pianos de época, e a Sala Fermi onde Enrico Fermi deu suas últimas aulas de física em 1954. A villa abriga anualmente a Escola Internacional de Física da Sociedade Italiana de Física. A poucos passos corre o riacho Fiumelatte, um dos rios mais curtos da Itália (250 m), citado por Leonardo da Vinci no Códice Atlântico. Horários e ingressos variam: no verão (junho-agosto) está aberto todos os dias 9:30-20:00, ingresso inteiro €10 (só jardim €8). Chega-se confortavelmente de trem ou barco (atracação gratuita mediante reserva). O clima ameno do lago proporciona florações quase o ano todo. Recomendo: visita ao amanhecer ou ao entardecer para desfrutar do silêncio e da luz que se reflete na água. Um lugar que sabe surpreender a cada passo.

Villa Monastero

Orrido di Bellano: um mergulho entre lenda e natureza

Orrido di BellanoSe você ainda não conhece, o Orrido di Bellano é uma daquelas maravilhas que deixam você sem fôlego. Uma garganta profunda escavada pelo riacho Pioverna há mais de 15 milhões de anos, que hoje pode explorar caminhando sobre passarelas suspensas a pique sobre a água. O fragor da cascata de 40 metros acompanha você por todo o percurso, enquanto a luz filtra entre as rochas e a vegetação luxuriante. Uma experiência quase mística, que inspirou poetas como Stendhal e Boldoni (que a chamou de “horror de uma horrível horrendezza”).

Na entrada, recebe você a famosa Cà del Diavol, uma torre pentagonal de origem misteriosa, ligada a lendas de rituais satânicos. Hoje é um museu multimídia em três andares: você descobrirá a geologia, as lendas locais (como a de Taino sepultado com um tesouro) e poderá até fazer uma experiência VR que leva você da garganta até as montanhas de Valsassina. O percurso é simples, mas atenção: as passarelas podem tornar-se escorregadias, por isso use sapatos confortáveis. Não cabem carrinhos de bebê, mas para crianças pequenas é adequado um marsúpio.

O Orrido é visitável todo o ano, com horários que variam. No verão (junho-agosto) está aberto todos os dias até às 19-20, em março-abril um pouco menos. O bilhete custa 5-6 euros, reduzido para 3-4 para crianças e residentes. Se chegar de trem ou barco (Bellano está bem conectada), você tem também um desconto. A melhor época? No outono ou primavera, quando a água é mais abundante e o espetáculo é garantido. Leve uma blusa, a umidade faz-se sentir!

Em suma, um lugar que une natureza, história e um toque de mistério. Não perca se passar pelo Lago de Como.

Orrido di Bellano

Forte Montecchio Norte: a fortaleza que desafiou o tempo

Forte Montecchio NorteExiste um lugar onde a história da Grande Guerra permaneceu congelada: Forte Montecchio Norte em Colico. É considerado um dos fortes mais bem preservados do mundo, e quando você entra, a atmosfera é quase irreal. Construído entre 1912 e 1914 como parte da Linha Cadorna, deveria proteger a Itália de um ataque através da Suíça. Hoje é o único na Itália a preservar seus quatro canhões originais Schneider 149/35 com alcance de 14 km, montados em cúpulas blindadas giratórias. A visita guiada leva você através do abrigo, um grande edifício fortificado encaixado na rocha, e depois pelo corredor coberto de 140 metros que liga à bateria. No meio do caminho, a casa da pólvora escavada 12 metros abaixo da montanha: um labirinto de galerias onde as munições eram armazenadas. Subindo, você chega à bateria com as cúpulas de aço e pode caminhar ao lado desses gigantes de ferro. Nas paredes do alojamento ainda são visíveis inscrições da época fascista, um detalhe que faz refletir. Durante a Segunda Guerra Mundial, o forte foi guarnecido por tropas ítalo-alemãs, e em 27 de abril de 1945 os canhões dispararam cinco tiros contra a coluna automotiva que escoltava Mussolini. O forte era equipado com um avançado sistema de ventilação e aquecimento, com fogões a lenha e dutos ainda observáveis. Do telhado, apelidado de ‘varanda’ da fortaleza, a vista abrange o Alto Lário, a Reserva do Pian di Spagna e o Monte Legnone. Tarifas: 10 euros para adultos, 6 para jovens. Reserve a visita guiada, pois só se acede assim. Desde 2008 é gerido pelo Museu da Guerra Branca, que soube conservá-lo perfeitamente. Um conselho sincero: não perca a oportunidade de ver um pedaço autêntico da história.

Forte Montecchio Norte

Abadia de São Pedro no Monte: trilha e românico em Civate

Abadia de São Pedro no MonteSe você pensa que para ver uma obra-prima românica precisa ir à cidade, a Abadia de São Pedro no Monte vai fazer você mudar de ideia. Empoleirada a 630 metros nas encostas do Monte Cornizzolo, só é acessível a pé: cerca de 45 minutos de subida a partir de Civate (fração Pozzo), por uma trilha bem sinalizada que adentra a floresta. O último trecho é mais íngreme, mas o esforço é recompensado com uma vista deslumbrante do Lago de Annone e das montanhas de Lecco.

O complexo, de origem lombarda (século VIII), é um dos melhor preservados da Lombardia. Ao entrar, a inscrição “Ora et Labora” nos portais de pedra, herança dos monges beneditinos, o acolhe. A basílica abriga um ciclo de afrescos românicos do século XI que ilustra o Apocalipse: na abóbada a Jerusalém celeste, na abside o Cristo triunfante. Não perca o cibório em estuque e a cripta com colunetas e relevos.

Atenção: os interiores são visitados apenas com reserva, ligando para 3463066590 ou escrevendo para info@amicidisanpietro.it. A entrada é gratuita aos sábados e domingos, mas sempre com guia. Leve água e um lanche: aqui não há bares, mas o gramado em frente à basílica é perfeito para um piquenique. Uma excursão adequada para todos, desde que se use calçado de trekking. E se tiver energia, do planalto pode prosseguir até o Refúgio Marisa Consigliere (mais uma hora) e depois ao topo do Cornizzolo.

Abadia de São Pedro no Monte

Castelo de Corenno Plínio

Castelo de Corenno PlínioSe estiver na região, não pode perder o Castelo de Corenno Plínio. Empoleirado num esporão rochoso com vista deslumbrante sobre o Lago de Como, este castelo medieval transportá-lo-á de volta no tempo. Construído entre 1360 e 1370 por ordem da família Andreani, ergue-se sobre antigas fundações romanas. A sua estrutura é a de um castelo-recinto, concebido para proteger a população e os seus bens em caso de ataque. Passeando ao longo das muralhas ameadas, notará as duas torres: uma quadrada a norte, mais antiga (século XI), e uma em vela a sul, com o brasão dos Andreani. O fosso que outrora a rodeava, mencionado nos estatutos de 1389, foi aterrado entre 1825 e 1830 para a construção da estrada militar, hoje SP72. A visita só é possível com guia, em datas pré-estabelecidas (por exemplo, no primeiro sábado do mês de maio a setembro, ou em ocasiões especiais como a recriação medieval de agosto). O custo é de 5€, gratuito para residentes em Dervio e menores de 10 anos. A reserva é obrigatória no Infopoint de Dervio (tel. 0341 040021). Não perca a oportunidade de combinar a visita com o burgo medieval de Corenno Plínio, com as suas ruelas de pedra e a igreja de São Tomás, que guarda as arcas dos Andreani. O nome ‘Plínio’ foi adicionado em 1863 em homenagem a Gaio Plínio Segundo. Uma experiência que une história, paisagens e autenticidade. Pessoalmente, impressionou-me o contraste entre a robustez das muralhas e a delicadeza da paisagem lacustre. Recomendo chegar de barco para admirar o castelo a partir do lago, como sugerem os guias locais. A atmosfera é mágica, especialmente ao pôr do sol.

Castelo de Corenno Plínio

Torre do Barbarossa: um salto à Idade Média

Torre do BarbarossaEmpoleirada na fração de Maggiana, a Torre do Barbarossa é uma das melhores conservadas do Lago de Como. Remonta ao século XII e, segundo a tradição, hospedou Frederico Barbarossa em 1158. Uma lápide encontrada em 1828 o testemunhava, mas hoje está perdida. Seja verdade ou não, subir os seus cinco andares (todos acessíveis, atenção: escadas estreitas!) vale a viagem. A torre tem cerca de 24 metros de altura, com planta quadrada e paredes com mais de um metro de espessura. Cada nível conta um pedaço da história: dos restos de afrescos às frestas medievais. No topo, um terraço do século XIX oferece uma vista incrível sobre Mandello, o ramo lecchese do lago e as montanhas. No interior, o Museu Etnográfico gerido pelo Grupo Amigos de Maggiana exibe ferramentas agrícolas e fotos antigas: parece entrar numa casa vivida. A entrada é de contribuição livre, e todo mês de junho acontece a festa medieval “Torre em Festa” com reconstituições e culinária típica. Pequena nota: a torre não é acessível a pessoas com mobilidade reduzida. E atenção: a partir de abril de 2026 fechará para restauro, aproveitem se passarem por estas bandas!

Torre do Barbarossa

Castelo de Lierna: um burgo fortificado no lago

Castelo de LiernaSe procura um cantinho do Lago de Como fora das rotas mais movimentadas, o Castelo de Lierna é uma descoberta que vale a viagem. Não espere um castelo de conto de fadas com torres ameadas: aqui o tempo transformou uma antiga fortaleza num burgo vivo, com casas de pedra, pátios floridos e a capela de São Maurício e São Lázaro que parece saída de uma pintura. As origens? Romanas, depois remodeladas na Idade Média, com batalhas entre Como e Milão (a guerra dos dez anos terminou em 1127). Uma lenda conta que a rainha Teodolinda ali residiu, mas os documentos certos falam de um papel estratégico para o controlo do lago. Hoje chega-se a pé da estação de Lierna, seguindo um caminho empedrado de 600 metros com um desnível mínimo: adequado para todos, mas mantenha um passo firme. Entre pela Via Scura, uma viela sombria, e saia na pracinha da igreja: aqui um poço com a alavanca original e um portal datado de 1746 transportam-no de volta aos séculos. A igreja, aberta no verão, conserva frescos quatrocentistas e a relíquia de São Maurício, levada em procissão a cada 22 de setembro. O burgo ainda é habitado, por isso respeite o silêncio e desfrute da atmosfera suspensa entre o aroma do lago e as histórias de piratas como o Medeghino, que no século XVI usou o castelo como base. Um pouco mais abaixo, a praia de Lierna espera-o para um mergulho. Um conselho? Leve um livro e sente-se nos bancos à beira-rio: o tempo aqui parece parado.

Castelo de Lierna

Basílica de São Nicolau: a catedral de Lecco entre arte e história

Basílica de São NicolauSe você chegar a Lecco, a Basílica de São Nicolau é impossível de perder. Não só porque é a catedral da cidade, mas também por sua torre sineira de 96 metros que se ergue sobre tudo, marcando a paisagem. Subindo a escadaria que leva ao adro, percebe-se logo que este é um lugar importante. A fachada neoclássica, obra de Giuseppe Bovara, é elegante e solene, com suas colunas jônicas e o portal de bronze de Enrico Manfrini. No interior, três naves com abóbada de berço decorada com afrescos do século XIX. Aqui encontra também a capela do Batistério, a única parte remanescente da igreja do século XIII, com uma pia batismal de 1596. Os amantes da arte apreciarão os fragmentos de afrescos do século XIV que retratam a vida de Santo Antão, descobertos durante os restauros de 1955. E depois há o órgão de tubos, um dos maiores da Itália, com seus 5.000 tubos. Mas o verdadeiro símbolo é a torre sineira neogótica, construída sobre os restos de um bastião espanhol e inaugurada em 1904. Subir? Bem, nem sempre está aberta, mas a vista lá de cima deve ser incrível. A basílica está aberta todos os dias, com horários que variam. Um conselho: visite-a de manhã cedo, quando a luz filtra pelas vitrais art nouveau e a atmosfera é quase mística. Enfim, uma parada obrigatória para quem quer entender Lecco.

Basílica de São Nicolau

Palazzo Belgiojoso: um mergulho na história entre museus e planetário

Palácio BelgiojosoChegar ao Palazzo Belgiojoso é como mergulhar em outra época. Localizado no bairro Castello de Lecco, este palácio setecentista não é apenas uma joia arquitetônica, mas o coração pulsante dos museus cívicos da cidade. Construído em 1772 pelo marquês Giacomo Locatelli, tem uma planta em U que se abre para um grande jardim. Em 1794 passou para os príncipes Belgiojoso d’Este, de quem recebe o nome, e após várias vicissitudes, em 1927 tornou-se sede dos museus.

Hoje você encontra aqui nada menos que quatro atrações em uma. O Museu de História Natural preserva a montagem original do final do século XIX, com espécimes empalhados e o famoso fóssil do Lariossauro, um dinossauro que viveu há 240 milhões de anos nas proximidades do Lago de Como. O Museu Arqueológico conta a história do território do Paleolítico ao Alto Medievo, com peças como um menir historiado e conjuntos celtas. O Museu Histórico leva você do Risorgimento à Resistência, com documentos originais e uma sala virtual sobre a indústria do ferro.

E ainda há o Planetário Cívico, com uma cúpula de 8 metros: aqui você pode admirar 3200 estrelas projetadas digitalmente. O ingresso para os museus é gratuito, enquanto o planetário tem custo à parte (7€ inteira, 5€ reduzida). Os horários? Fechado às segundas; de terça a sexta 10-14; sábado e domingo 10-18. E, coisa rara, o palácio é acessível e oferece um percurso sensorial ‘Please touch me!’ para deficientes visuais.

Após a visita, não perca um passeio pelo parque. Enfim, um lugar que une natureza, história e ciência – e que faz você entender por que Lecco é muito mais que um lago.

Palácio Belgiojoso

Museu das Grigne: uma viagem entre fósseis e ofícios antigos

Museu das GrigneSe passar por Esino Lario, não perca o Museu das Grigne. É uma pequena joia que contém milhões de anos de história, desde a pré-história aos dias de hoje. O museu nasceu nos anos trinta por iniciativa do pároco Dom Giovanni Battista Rocca, e foi relançado em 1959 pelo engenheiro Pietro Pensa. Hoje é gerido pela Associação Amigos do Museu, com sede no parque da Villa Clotilde. A coleção está dividida em três locais: a principal na via Montefiori 19 abriga fósseis (mais de 250 espécies!), artefatos arqueológicos de túmulos celtas e romanos, e objetos da vida camponesa. Fiquei impressionado com a gruta virtual que explica os fenômenos cársticos da Grigna, e com a tapeçaria inacabada que recorda a Escola de Tapeçaria de Esino. Imperdível a reconstrução do Casel, a típica cabana dos maggenghi, visível na sede histórica na praça. Há também um diorama com animais empalhados e uma coleção de borboletas italianas. A entrada é gratuita, e o museu está aberto no verão nos fins de semana, mas pode agendar uma visita durante todo o ano ligando para a Sra. Pinuccia (329 2952910). Um lugar que sabe a autêntico, perfeito para adultos e pequenos curiosos.

Museu das Grigne

Santuário de São Jerônimo Emiliani: entre espiritualidade e vistas deslumbrantes

Santuário de São Jerônimo EmilianiEm Somasca, fração de Vercurago, encontra-se o Santuário de São Jerônimo Emiliani, joia barroca dedicada ao padroeiro dos órfãos. A basílica, elevada a basílica menor em 1959, impressiona imediatamente pelo pórtico de cinco arcadas e pela porta de bronze de Mario Toffetti, que narra a vida do santo. No interior, a nave central é afrescada com cenas da sua história; na nave direita, a Capela de São Jerônimo guarda as relíquias numa urna de prata cinzelada pelos Martinitt de Milão. Ao lado, o scurolo conserva os ossos do padre Vincenzo Gambarana. Mas o verdadeiro coração do santuário é o percurso devocional: da basílica segue-se a Via das Capelas, uma alameda arborizada com dez capelas que ilustram episódios da vida do santo. A meio caminho, a Escada Santa de 101 degraus escavada na rocha leva ao eremitério. Mais adiante, a Igreja de Maria Mãe dos Órfãos marca o local da morte de Jerônimo em 1537. O percurso culmina na Valletta, com a fonte do milagre e a Igreja da Ressurreição. Daqui, em dez minutos a pé, chega-se à Rocha do Inominado, tornada célebre por Alessandro Manzoni, que oferece uma vista espetacular sobre o Lago de Como e o Vale San Martino. Um lugar que une fé, arte e natureza, perfeito para uma parada fora dos roteiros habituais.

Santuário de São Jerônimo Emiliani

Igreja de São Dionísio em Premana: uma joia entre história e montanha

Igreja de São DionísioA Igreja de São Dionísio fica em Premana, na via Vittorio Emanuele II, ligeiramente afastada do centro histórico, mas com uma vista que, apesar da expansão urbana, ainda oferece cenários sugestivos. Suas origens são antiquíssimas: ergue-se sobre uma torre de vigia tardo-romana, cujo campanário conserva uma janela de seta de época militar – um detalhe que poucos notam. O edifício atual é resultado de séculos de ampliações: desde a cobertura gótica até as treliças românicas, passando pela abóbada barroca de 1655. A última grande intervenção, entre 1929 e 1930, infelizmente apagou os afrescos oitocentistas de Giovanni Maria Tagliaferri. No interior, de três naves, destaca-se o políptico de São Roque (século XVI) na parede esquerda, com ordens separadas e uma predela que representa os Apóstolos. Na parede direita, duas telas seiscentistas da escola de Luigi Reali contam episódios da vida do santo titular, enquanto um afresco quinhentista mostra a Virgem entre São Dionísio e São Nicolau. Desde 1678, a igreja guarda as relíquias de Santo Hilário, provenientes das catacumbas de São Calisto, doadas pelo reverendo Giacomo Gianola. Um episódio curioso: em 11 de janeiro de 1863, uma avalanche caiu sobre a igreja lotada sem causar feridos – evento ainda lembrado pela festa patronal de 9 de outubro. Informações práticas: missas aos sábados às 18h, domingos às 8h, 11h e 18h. A igreja é acessível a cadeirantes. Estacionamento dedicado. Para os amantes da arte e da história, uma parada que sabe a autêntico.

Igreja de São Dionísio

Museu do Leite e da História da Muggiasca: um mergulho na vida camponesa

Museu do Leite e da História da MuggiascaSe você pensa que o leite vem diretamente do supermercado, o Museu do Leite e da História da Muggiasca (MUU) vai fazer você mudar de ideia. Inaugurado em 2008 nas instalações da antiga queijaria rotativa de Vendrogno, fração de Bellano, este museu etnográfico preserva intacta a alma do processamento artesanal do leite. Ao entrar, você se vê imerso em uma atmosfera que cheira a madeira e história: no térreo, quatro salas exibem os equipamentos originais da queijaria, desde a balança até os tanques de creme, passando pela caldeira de queijo. Cada canto conta um ritual específico, como a batedeira de manteiga ou os moldes para dar forma aos queijos. O percurso se desenrola em seis salas temáticas: não apenas leite, mas também bosque, campos, trabalhos femininos e história local. No andar superior, objetos do cotidiano e fotografias de época restituem o esforço e o orgulho da vida na montanha. O museu é gerido pela associação “Insieme per il Museo di Vendrogno” e faz parte do Sistema Museal da província de Lecco. Os voluntários o animam com eventos, exposições e oficinas para crianças. A entrada é gratuita com contribuição livre, mas recomendo verificar os horários no site oficial, pois abre principalmente nos fins de semana. Uma parada que fará você apreciar o sabor autêntico da tradição.

Museu do Leite e da História da Muggiasca

Monte Legnoncino: a varanda panorâmica do Alto Lario

Monte LegnoncinoSe você procura uma caminhada que una paisagens deslumbrantes e um mergulho na história, o Monte Legnoncino (1711 m) é o que você precisa. Localizado no município de Sueglio, em Valvarrone, esta pequena joia oferece uma vista de 360° que vai do Lago de Como ao Monte Legnone, passando pela Valchiavenna e Valtellina. Eu fiz isso no outono, com os lariços dourados que pareciam pintados, e garanto que o esforço foi recompensado.

O percurso mais clássico parte do Laghetto di Artesso (acessível de carro a partir de Dervio, atenção à estrada estreita) e sobe suavemente entre bosques e clareiras. Ao longo do caminho, você encontrará vestígios da Linha Cadorna, com trincheiras, túneis e postos da Primeira Guerra Mundial – perfeitos para uma parada curiosa. Após cerca de uma hora e meia, chega-se ao Rifugio Roccoli Lorla (1465 m), onde você pode descansar em frente ao laguinho, observando sapos e rãs. Daqui, a subida final até o cume é mais íngreme, mas curta: em 30 minutos você estará no topo, com seu marco e a pequena capela.

No cume, não perca a Chiesetta di San Sfirio, construída em 1771: segundo a lenda, um eremita chamado Sfirio viveu nesta montanha. A vista é incrível: vê-se todo o Lário, de Bellagio aos dois braços de Como e Lecco, e com o céu limpo até o Monte Rosa aparece. Para descer, recomendo percorrer a confortável estrada militar até o refúgio, depois a trilha de ida. Leve água e um bom almoço – as mesas de piquenique no cume são ideais.

Monte Legnoncino