A Capela Colleoni ergue-se na Piazza Duomo, no coração da Città Alta de Bérgamo, junto à Santa Maria Maggiore. Foi encomendada pelo condottiero Bartolomeo Colleoni como mausoléu pessoal e confiada a Antonio Amadeo, que a concluiu a partir de 1472. A entrada é livre, o encerramento semanal é à segunda-feira e a visita encaixa-se facilmente numa manhã no centro histórico.
– Fachada em mármores brancos e vermelhos: o cartão de visita do Renascimento bergamasco.
– Sepulcros de Bartolomeo e Medea: dois túmulos em marchetaria que contam a história da família.
– Estátua equestre em madeira dourada: o condottiero domina a cena.
– Afrescos de Tiepolo: não perca a Glória de Santo Alexandre.
Capela Colleoni: obra-prima renascentista em Bérgamo
No coração da Città Alta, em Bérgamo, a Capela Colleoni é um daqueles lugares que te faz parar na entrada. Com vista para a Piazza Duomo, ao lado da basílica de Santa Maria Maggiore, exibe uma fachada de mármores brancos e vermelhos trabalhados como renda. É o primeiro impacto que permanece na memória: a profusão de cores, os relevos, o brasão do condottiero. Depois você entra e o encantamento continua. Dentro, entre os túmulos de Bartolomeo Colleoni e da filha Medea, há uma elegância sóbria, com estátuas, afrescos de Tiepolo e detalhes para observar um a um. É uma obra-prima do Renascimento italiano, mas não tem aparência de museu: ainda parece um lugar privado, desejado por um homem que conhecia o poder das imagens.
Notas históricas
Bartolomeo Colleoni, capitão de ventura ao serviço da República de Veneza, escolheu Bérgamo para o seu mausoléu. Por volta de 1472, confiou o projeto a
Giovanni Antonio Amadeo. Para dar espaço à capela, foi eliminada a antiga sacristia de Santa Maria Maior; parece que a operação, contestada pelos cónegos, foi realizada durante a noite. Colleoni morreu pouco depois e foi sepultado aqui em 1475. Para completar a história, no início do século XVIII, Giambattista Tiepolo afrescou os interiores e em 1842 foi colocada a tumba de Medeia. Só em 1969 se descobriu que o sepultamento efetivo do condottiero está numa cripta sob o monumento.
- 1472 – início das obras com projeto de Amadeo
- 1475 – morte e sepultamento de Colleoni
- 1733 – frescos de Tiepolo
- 1842 – chegada da tumba de Medeia
- 1969 – descoberta da cripta
Fachada e símbolos: arte para tocar
Aconselho-te a não correres logo para dentro. A fachada é um capítulo à parte: mármores policromos, brancos e vermelhos, que formam motivos geométricos e se acendem com o sol. No portal e no portão repete-se o brasão dos Colleoni, um símbolo heráldico ligado ao nome da família. Muitos visitantes tocam-lhe para dar sorte; a tradição diz que à meia-noite dá ainda mais sorte. A capela ocupa um espaço compacto, espremida entre os palácios do centro, e talvez por isso o olhar se concentre em cada pormenor. Admirar os relevos de perto é como ler uma história em código: volutas, figuras, decorações. Quando a luz muda, muda o humor do edifício; não sei explicar melhor, mas merece pelo menos uma paragem lenta.
Dentro: túmulos, estátuas e afrescos de Tiepolo
O interior é mais barroco do que a fachada deixa imaginar. Domina o monumento fúnebre de Bartolomeu Colleoni: dois sarcófagos de mármore sobrepostos, com relevos atribuídos a Amadeo, e acima uma estátua equestre em madeira dourada. O condottiero é representado em pose heroica, com o barrete de capitão; parece ainda pronto a comandar. Nas lunetas e nas pechinas, os afrescos de Giambattista Tiepolo dão cor e movimento. Entre estes, está a “Glória de Santo Alexandre”, uma das cenas mais vivas. Pouco distante, encontras o túmulo de Medeia, a filha amada, e os bancos de madeira esculpida. O espaço não é grande, mas é riquíssimo: estátuas, pinturas e estuques sobrepõem-se sem pesar. É um daqueles lugares onde a arte do Quattrocento encontra o gosto do Settecento, permanecendo harmoniosa.
Por que visitar?
Os motivos são muitos, mas escolho três. Primeiro: é um pequeno concentrado do Renascimento lombardo, sem filas e com entrada livre; pode entrar, sair e voltar se algo lhe escapou. Segundo: lá dentro encontra obras-primas diferentes no mesmo espaço: escultura de Amadeo, madeira dourada, afrescos de Tiepolo, mobiliário barroco. Terceiro: fica no centro histórico de Bérgamo, ao lado da basílica de Santa Maria Maior. Junto esta paragem a um passeio pela Città Alta e não preciso de bilhete para desfrutar de uma das vistas mais bonitas sobre a praça. Em suma, é uma visita adequada a todos: rápida se tiver pouco tempo, aprofundada se quiser apreciar os detalhes. Para mim, vale por si só a deslocação.
Quando ir
Se puderes escolher, eu iria de manhã cedo ou no final da tarde. A luz rasante faz realçar os mármores da fachada e as salas são mais silenciosas. A meio do dia a praça enche-se, e embora a capela não seja enorme, um pouco de calma ajuda a desfrutá-la. Ao fim de semana a atmosfera é mais animada; num dia de semana é mais íntima. Não saberia dizer-te qual estação é melhor: no inverno as cores parecem mais profundas, no verão a luz permanece por mais tempo e está-se bem ao ar livre. O único conselho é evitar a segunda-feira, porque permanece fechada. Depois, obviamente, cada um tem o seu momento: eu gosto quando o pôr do sol entra por um lado da praça e tudo fica dourado.
Nos arredores
A posição é perfeita para continuar a explorar. Mesmo ao lado fica a basílica de Santa Maria Maior: um contraste interessante com a capela, e não é preciso ir longe. A poucos passos, no topo da Città Alta, fica a Praça Velha com o Palazzo della Ragione e a fonte de Contarini, uma das salas ao ar livre mais bonitas de Itália. Se quiser caminhar um pouco, suba as muralhas venezianas: a vista sobre a Baixa de Bérgamo e sobre a planície é um espetáculo. Tudo é facilmente alcançável a pé e pode fazer um percurso simples: capela, basílica, uma pausa para café na praça, depois as muralhas para o pôr do sol. Sem pressa, aqui o tempo dilata-se sozinho.