O que ver em Bérgamo: 15 paradas entre Cidade Alta e Baixa

🧭 O que esperar

  • Cidade Alta: uma joia medieval com muralhas da UNESCO, praças e vielas para explorar a pé.
  • Cidade Baixa: museus, teatros e lojas para um misto de cultura e modernidade.
  • Funiculares: duas linhas que ligam as duas cidades, oferecendo vistas panorâmicas.
  • Gastronomia: polenta e osei, casoncelli e queijos típicos para provar absolutamente.
  • Ideal para: um fim de semana cultural, um passeio em família ou um tour artístico.

Eventos nas proximidades


Bérgamo é uma cidade que surpreende: dividida entre a Cidade Alta, medieval e abrigada dentro das muralhas venezianas, e a Cidade Baixa, moderna e vibrante, oferece um concentrado de arte, história e boa gastronomia. Se você está se perguntando o que ver em Bérgamo, prepare-se para um roteiro que começa na Piazza Vecchia, coração pulsante da cidade velha, onde se encontram o Palazzo della Ragione e a Basílica de Santa Maria Maior. Não perca a Capela Colleoni, obra-prima renascentista, e o Campanone que todas as noites marca a hora com 100 badaladas. Desça então para a Cidade Baixa para visitar a Accademia Carrara, uma das pinacotecas mais ricas da Itália, e o Teatro Donizetti, dedicado ao famoso compositor. Para uma pausa verde, o Jardim Botânico e os parques da cidade oferecem relaxamento. Com este guia, você descobrirá as paradas que tornam Bérgamo um destino inesquecível.

Visão geral



Itinerários nas proximidades


Piazza Vecchia: o coração renascentista da Cidade Alta

Piazza VecchiaSe há um lugar que resume a essência de Bérgamo, é a Piazza Vecchia. Situada no coração da Cidade Alta, é a sala de estar renascentista onde o tempo parece ter parado. Aqui, os edifícios se dispõem com uma geometria perfeita, tanto que Le Corbusier disse que não se podia tocar nem uma pedra. No centro destaca-se a Fontana Contarini, doada em 1780 pelo podestà Alvise Contarini: suas bocas em forma de esfinge ainda hoje oferecem água potável. Na praça, encontram-se joias arquitetônicas como o Palazzo della Ragione (final do século XII), a mais antiga sede municipal lombarda, e o Palazzo Nuovo, que desde 1873 abriga a Biblioteca Angelo Mai com um acervo de incunábulos e manuscritos. A Torre Civica, chamada Campanone, domina a cena e todas as noites às 22h soa 100 badaladas, evocando o antigo fechamento das portas da cidade. Sob o pórtico do Palazzo della Ragione, não perca o antigo relógio de sol do século XVIII: ao meio-dia, um raio de luz filtra por um escudo indicando data e signo zodiacal. Passeando, note as ‘medidas’ medievais de ferro na lateral da Basílica de Santa Maria Maior, usadas para garantir a uniformidade das trocas. O conselho? Sente-se na mesa de um café, peça um cappuccino e deixe-se envolver pela atmosfera atemporal. Em setembro, a praça se transforma com as instalações verdes de ‘I Maestri del Paesaggio’, um evento que une natureza e arquitetura.

Piazza Vecchia

Basílica de Santa Maria Maior

Basílica de Santa Maria MaiorEntrar na Basílica de Santa Maria Maior é como passar de um mundo para outro. Lá fora, a pedra românica e os pórticos do século XIV de Giovanni da Campione – com os famosos leões vermelhos e brancos – contam a história de um voto feito em 1137 para evitar a peste. Lá dentro, porém, é uma explosão barroca: estuques dourados, tapeçarias flamengas e florentinas que narram a vida de Maria, e uma infinidade de detalhes a descobrir. O contraste é incrível, e talvez seja exatamente isso que o torna bonito. Caminhando pelas naves, você se sente envolvido por uma atmosfera quase teatral. O ponto alto? Sem dúvida o coro de madeira com as incrustações de Lorenzo Lotto (1522-1555): uma obra-prima de perspectiva e simbolismo, onde cada incrustação é uma pequena cena bíblica. Um pouco mais adiante, o monumento fúnebre de Gaetano Donizetti (de Vincenzo Vela, 1855) e o de seu mestre Simone Mayr lembram a profunda ligação entre esta basílica e a música. Sim, porque aqui a Capela Musical está ativa há séculos: basta parar na missa dominical das 11 para sentir a acústica perfeita. E se você é um entusiasta de detalhes curiosos, olhe para fora, na parede externa: estão gravadas as antigas medidas medievais de Bérgamo, o cavezzo e o braccio. Pequenas coisas que tornam a visita ainda mais especial.

Basílica de Santa Maria Maior

Capela Colleoni: a obra-prima renascentista do condottiero

Capela ColleoniNo coração da Cidade Alta, a dois passos da Catedral, a Capela Colleoni é um daqueles lugares que te deixam sem fôlego. Encomendada pelo condottiero Bartolomeo Colleoni como seu mausoléu pessoal, a construção começou em 1472 sob projeto de Giovanni Antonio Amadeo. Para abrir espaço, nada menos que a sacristia de Santa Maria Maggiore foi demolida – um gesto de poder que na época causou grande escândalo. A fachada é um triunfo de mármores brancos e vermelhos incrustados em desenhos geométricos, um esplendor renascentista que se destaca entre as arquiteturas circundantes. Ao entrar, o interior barroco te acolhe com afrescos de Giambattista Tiepolo (1733) que contam cenas de glória. Ao centro, domina a estátua equestre em madeira dourada de Colleoni, atribuída a Sisto de Nuremberga: um ícone de poder que parece observar os visitantes. Nas laterais, os sarcófagos de mármore incrustado guardam os restos do condottiero e de sua filha Medeia. Há também uma lenda: diz-se que tocar à meia-noite o brasão heráldico no portão de entrada traz sorte. A entrada é gratuita, com horários que variam: de março a outubro 9h30-12h30 e 14h00-18h30; de novembro a fevereiro 9h00-12h30 e 14h00-16h30; fechado às segundas-feiras. Resumindo, uma parada imperdível para quem ama arte e história.

Capela Colleoni

Duomo de Bérgamo (Catedral de Sant’Alessandro)

Duomo de BérgamoO Duomo de Bérgamo é o coração pulsante da Cidade Alta. Com vista para a Praça do Duomo, ao lado do Palácio da Razão e da Basílica de Santa Maria Maior, é a principal igreja da cidade e dedicada ao padroeiro Santo Alexandre. Suas origens são muito antigas: já no século V existia aqui uma igreja paleocristã. Ao longo dos séculos, o edifício foi remodelado várias vezes. A construção atual começou em meados do século XV, com projeto de Filarete, mas a fachada neoclássica em mármore branco de Botticino foi inaugurada apenas em 1889. A cúpula, revestida de cobre, foi adicionada em 1829. Um detalhe curioso: o campanário data de 1690 e foi elevado no século XIX. Ao entrar, você ficará impressionado com a harmonia do espaço: nave única com abóbadas de berço, em estilo barroco. As capelas laterais guardam verdadeiros tesouros. Não perca a Capela de Santa Catarina com o retábulo de Giovan Battista Moroni (1576) e a Capela de São Bento com a obra de Andrea Previtali. Na abside, destacam-se sete telas de mestres do século XVIII, entre eles Tiepolo e Pittoni. O coro de madeira, entalhado por Gian Carlo Sanz entre 1693 e 1698, é uma obra-prima do artesanato. Descendo à Cripta dos Bispos, você poderá admirar doze sepulcros e um Cristo ressurgente em bronze. Imperdível também o Museu da Catedral, que expõe os restos paleocristãos descobertos durante as escavações: mosaicos de pavimento do século V, afrescos medievais e sarcófagos. Em frente à fachada, encontra-se o Batistério octogonal, datado de 1340 e transferido para cá em 1900. Saiba que a entrada é gratuita, aberto todos os dias das 7h30 às 18h30. O acesso para cadeiras de rodas é parcial (a entrada lateral tem uma rampa). Seja você um amante da arte ou simplesmente em busca de um momento de paz, o Duomo de Bérgamo lhe proporcionará uma experiência única.

Duomo de Bérgamo

O Campanone: o coração pulsante de Bérgamo Alta

CampanoneSe há uma coisa que você não pode perder em Bérgamo, é subir ao Campanone. É a torre cívica, com 52,76 metros de altura, que domina a Piazza Vecchia. Mas não é apenas um monumento: é o coração que bate pela cidade. Todas as noites às 22h em ponto, o maior sino da Lombardia – fundido por Bartolomeo Pesenti em 1656 – soa cem badaladas. Uma tradição que remonta à era veneziana, quando marcava o fechamento das portas. Subir ao topo? Pode fazê-lo a pé (230 degraus) ou de elevador. Eu preferi as escadas para saborear a subida, mas se você tem pouco tempo ou tem crianças pequenas, o elevador é prático. Chegando ao cume, a vista é de tirar o fôlego: de um lado Bérgamo Alta com seus telhados, do outro a cidade baixa e no horizonte os Pré-Alpes Orobie. E depois há ela, o sino: um colosso de 5.580 kg, com decorações maneiristas e inscrições latinas. Ao lado, outros dois sinos menores: um de 1474, outro de 1948. O Campanone faz parte do Museu das Histórias de Bérgamo, portanto, com o mesmo bilhete pode visitar também o Palazzo del Podestà e o Museu do Quinhentos. Um conselho: vá ao entardecer, a luz é incrível. Leve a câmera fotográfica, mas prepare-se para ficar sem fôlego. E não se esqueça de ouvir as badaladas das 22h se ainda estiver na área: é uma experiência que fica com você.

Campanone

Accademia Carrara: a joia do colecionismo italiano

Accademia CarraraSe você pensa que Bérgamo é apenas Cidade Alta, a Accademia Carrara vai fazê-lo mudar de ideia. Fundada em 1796 pelo conde Giacomo Carrara, esta pinacoteca é considerada o museu do colecionismo italiano: nasce de legados de mecenas que quiseram partilhar os seus tesouros. Instalada num elegante palácio neoclássico na Piazza Giacomo Carrara, a coleção conta com mais de 1.800 pinturas, mais de 3.000 desenhos e 8.000 gravuras. Caminhando pelas dezasseis salas, depara-se com obras-primas que abrangem cinco séculos: do São Sebastião de Rafael (1501-1502) ao Retrato de Leonello d’Este de Pisanello, das Núpcias Místicas de Santa Catarina de Lorenzo Lotto à Catarina Cornaro de Francesco Hayez. A segunda secção do percurso é dedicada à tradição figurativa entre a Lombardia e o Vêneto, com obras de Giovan Battista Moroni e Evaristo Baschenis. Após sete anos de restauros, o museu reabriu em 2015 com uma disposição moderna, e a partir de 2024 enriquece-se com os Jardins PwC, um espaço verde gratuito com bistrô e um parque romântico. Informações práticas: aberto de terça a domingo (fechado segunda-feira), última entrada 45 minutos antes do fecho. Bilhete inteiro €10, reduzido €8, gratuito para menores de 18 anos. Recomendo a compra online para evitar filas. Tempo de visita? Duas horas voam em tanta beleza.

Accademia Carrara

Teatro Donizetti: um tesouro de música e história

Teatro DonizettiNo coração da Bergamo Baixa, na Piazza Cavour, ergue-se o Teatro Donizetti, templo da ópera e da cultura. Construído entre 1786 e 1791 como Teatro Riccardi, foi destruído por um incêndio criminoso em 1797 e reaberto em 1800. Em 1897, por ocasião do centenário do nascimento de Gaetano Donizetti, assumiu o nome atual. A sala de planta elíptica mantém o desenho original: 360 m², 532 poltronas e 102 camarotes, totalizando 1.154 lugares. Ao centro, um lustre de cristal com 78 lâmpadas ilumina um espaço reconhecido pela acústica, uma das melhores da Itália. Hoje, o teatro é um polo cultural vibrante: além da temporada de ópera e balé (Doremix), abriga o festival Donizetti Opera, o Bergamo Jazz Festival, teatro, opereta e o Festival Pianístico Internacional. Foi aqui que Giuseppe Verdi estreou o Ernani em 1844, presente na plateia. As recentes reformas (2018-2020) modernizaram as instalações e revitalizaram os espaços, tornando o teatro acessível e funcional. Informações práticas: estacionamentos conveniados a 3€ para espectadores (validar o bilhete na bilheteria) ou de ônibus (linhas 1,6,8,9,10,15, parada Porta Nuova). A bilheteria funciona de terça a sábado (tel. 035.4160601). Venham descobrir um lugar onde história e música se fundem.

Teatro Donizetti

Castelo de San Vigilio: o terraço panorâmico de Bérgamo

Castelo de San VigilioSe há um lugar que realmente faz entender por que Bérgamo é chamada de “cidade dos dois rostos”, é o Castelo de San Vigilio. Empoleirado na colina homônima a 496 metros de altitude, domina a Cidade Alta e todo o entorno. E que vista: daqui se abrange com o olhar a planície até Milão, os Pré-Alpes Orobicos, e em dias claros até o Monviso. É o ponto panorâmico por excelência, um lugar onde o tempo parece desacelerar.

A história do castelo é longa e estratificada. As primeiras fortificações datam do século VI, mas foi ampliado pelos Visconti no século XIV e depois pela República de Veneza, que lhe deu a característica forma de estrela com quatro torreões: Castagneta, Belvedere, Del Ponte e San Vigilio. Os venezianos também construíram um túnel secreto que ligava o castelo ao Forte San Marco, hoje visitável mediante reserva graças ao grupo espeleológico Le Nottole. Uma experiência sugestiva para quem ama aventura.

Hoje o castelo é um parque público, gratuito, com terraços e gramados onde parar para apreciar o panorama. Atinge-se confortavelmente com o funicular de San Vigilio (em funcionamento desde 1912, restaurado em 1991) que parte da Porta Sant’Alessandro. Se preferir, pode subir a pé por uma curta mas íngreme caminhada. No topo encontra também dois restaurantes de luxo, perfeitos para um almoço especial. Os horários mudam com as estações: no inverno abre às 8 e fecha às 17, no verão até às 21. Enfim, um lugar que une história, natureza e relaxamento, imperdível.

Castelo de San Vigilio

Rocca de Bérgamo

RoccaDo funicular da Cidade Alta, siga para a Piazzale Brigata Legnano: eis a Rocca, uma fortaleza do século XIV que domina Bérgamo do alto do morro de Sant’Eufemia. Construída entre 1331 e 1336 por João da Boêmia e concluída por Azzone Visconti, é um mergulho na Idade Média logo enriquecido pelos sinais da Sereníssima: o torreão circular (1455-1458) e a Escola dos Bombardeiros, hoje sede do Museu do Oitocentos. Aqui se respira o Risorgimento: relíquias, armas, documentos e a história dos 180 bergamascos que seguiram Garibaldi na Expedição dos Mil. Suba à torre de menagem – 23 metros de altura – e prepare-se para uma vista de 360 graus que se estende dos Pré-Alpes Orobie até a planície e, em dias claros, a Milão. O Parque das Reminiscências ao redor, com lápides e um canhão autopropulsado 75/18, convida a uma pausa contemplativa. A Rocca está aberta de terça a domingo e feriados, das 11:00 às 18:00 (última entrada às 17:30). Ingresso inteiro 5€, reduzido 3€, grátis menores de 18. Infelizmente não é acessível a pessoas com deficiência motora, mas cães de pequeno porte em transporte são permitidos. Eventos como “Rocca by night” e colônias de férias a mantêm viva o ano todo. Um conselho? Venha ao pôr do sol: a luz dourada sobre as muralhas venezianas e o silêncio do parque proporcionam uma emoção que dificilmente esquecerá.

Rocca

Palazzo Nuovo: A joia do século XVII na Piazza Vecchia

Palazzo NuovoCom vista para a Piazza Vecchia, o Palazzo Nuovo é o emblema do contraste entre o poder medieval e a sofisticação renascentista. Projetado por Vincenzo Scamozzi (aluno de Palladio), sua construção começou em 1604 e terminou… apenas em 1958 com a adição das estátuas na fachada. Hoje, parece ter sido concluído recentemente: a fachada em mármore branco de Zandobbio (1928, sobre desenho original) é um triunfo de colunas dóricas e janelas com balaustrada. Seis estátuas alegóricas de Tobia Vescovi observam do alto: Artesanato, Indústria, Agricultura… quase um manifesto da Bergamo laboriosa.

Entre no átrio e descubra a atmosfera neoclássica: mármores, lápides comemorativas e vinte medalhões em gesso de personagens ilustres. Entre os bustos, destaca-se o de Bartolomeo Colleoni, ao lado de Paolina Secco Suardo e Ambrogio Calepio. A Coluna Camozzi, uma estante em forma de árvore com os brasões de Bérgamo e Bréscia, é uma pequena joia. Mas o verdadeiro tesouro é a Biblioteca cívica Angelo Mai, que desde 1928 guarda 677.145 volumes, 2.280 incunábulos e 16.830 manuscritos. Na Sala Tassiana, admire os grandes globos de Vincenzo Coronelli (1688 e 1692) – quase três metros e meio de circunferência, feitos de 50 folhas ilustradas. Uma parada imperdível para quem ama livros antigos e histórias de papel.

Informações práticas: entrada gratuita na biblioteca, horários de inverno seg-sex 8:45-17:30, sáb 8:45-13:00 (verão horários reduzidos). Acessível com rampa e elevador para pessoas com mobilidade reduzida. E se a sede de conhecimento apertar, o centro de estudos Tassiani e João XXIII estão ao lado.

Palazzo Nuovo

Palácio do Podestà e Museu do Cinquecento

Palácio do Podestà, Museu do CinquecentoSe você passar pela Piazza Vecchia, não pode perder o Palácio do Podestà, que abriga o Museu do Cinquecento. Já na entrada, no térreo, recebem você os vestígios da Bérgamo romana: estratificações que testemunham milênios de história. Depois suba ao primeiro andar e entre em um mundo novo. Aqui, afrescos renascentistas decoram o pátio interno, mas a verdadeira magia começa nas sete salas interativas do museu. Imagens, sons e sugestões o transportam de volta no tempo, quando Bérgamo estava sob a Sereníssima. Descubra como a cidade se transformou com as Muralhas Venezianas (Patrimônio da UNESCO), ouça as histórias de nobres, mercadores e condottieri, e admire a vista aérea de Alvise Cima de 1693, que mostra o contraste entre as muralhas medievais e as novas fortificações. Entre os destaques, um raro portulano quinhentista e a reconstrução virtual da antiga Feira de Sant’Alessandro. O museu faz parte da rede Museo delle Storie di Bergamo, portanto você pode combiná-lo com outras paradas como o Campanone ou a Rocca. Horários: terça a sexta 10-18, sábado e domingo 10-19 (fechado segunda). Ingresso inteira 9 €, reduzido 6 €, grátis menores de 18. Prepare-se para uma experiência envolvente, perfeita para entender a alma renascentista de Bérgamo.

Palácio do Podestà, Museu do Cinquecento

Igreja de São Miguel do Poço Branco

Igreja de São Miguel do Poço BrancoEntre as igrejas mais antigas de Bérgamo, São Miguel do Poço Branco é um autêntico tesouro de história e arte, muitas vezes ignorado pelos turistas que lotam a Cidade Alta. Situada na via Porta Dipinta 45, reconhece-se pela fachada de pedra neorromânica de 1915, mas o seu coração pulsante é muito mais remoto: as origens lombardas remontam ao século VIII, com a primeira menção no testamento de Taidone de 774. O nome curioso deriva de um poço de mármore branco que outrora existia no adro, hoje lembrado por uma pedra circular. Ao entrar, o silêncio envolve tudo: é um dos lugares mais silenciosos de Bérgamo, ideal para uma pausa contemplativa. O interior é de nave única dividida por dois arcos ogivais em três tramos, com vigas à vista e frescos que vão do século XIII ao XVI. A verdadeira joia é a capela da esquerda, afrescada por Lorenzo Lotto em 1525 com as Cenas da vida de Maria: a Natividade, a Apresentação no templo, o Casamento e uma Anunciação muito peculiar, onde o Arcanjo Gabriel é substituído por Deus que envia o Menino Jesus para Maria. Suba as escadas e descubra a cripta, a mais antiga da região de Bérgamo, com frescos do século XIII, incluindo uma Madona entronizada. A visita é gratuita e os horários variam: de outubro a abril das 9 às 17, de maio a setembro das 9 às 18. Infelizmente, a cripta não é acessível a pessoas com deficiência devido a escadas estreitas. Se ama arte e tranquilidade, não perca este cantinho de história.

Igreja de São Miguel do Poço Branco

Jardim Botânico de Bérgamo ‘Lorenzo Rota’

Jardim Botânico de Bérgamo 'Lorenzo Rota'Se há um lugar em Bérgamo que te faz sentir longe do caos, é o Jardim Botânico de Bérgamo ‘Lorenzo Rota’. Empoleirado nas Muralhas Venezianas (patrimônio da UNESCO), a dois passos do Colle Aperto, este jardim é uma verdadeira joia. Entra-se por uma escadaria de 141 degraus e encontra-se um mundo de biodiversidade: mais de 1.000 espécies entre plantas alpinas, carnívoras como a Drosera e suculentas. O melhor? A vista sobre os Pré-Alpes Orobicos e os telhados da Cidade Alta deixa-te sem fôlego. Adoro perder tempo aqui, especialmente na primavera, quando florescem tulipas e íris. O jardim é dedicado a Lorenzo Rota, um botânico do século XIX que descreveu a flora local – o seu herbário conta com 50.000 amostras conservadas aqui! Não perca o lago das ninfas e, se tiver tempo, a secção de Astino (o ‘Vale da Biodiversidade’), acessível a pé em meia hora, com mais de 1.200 variedades de plantas alimentares. O jardim é também um centro de investigação: reintroduziu o feto Osmunda regalis e promove projetos educativos para crianças. A entrada é gratuita. Aberto de março a novembro, horários variáveis (ex.: junho até às 20h), fechado às segundas-feiras. Contactos: 035 286060, ortobotanico@comune.bg.it. Em suma, uma paragem perfeita para famílias e amantes da natureza.

Jardim Botânico de Bérgamo ‘Lorenzo Rota’

Porta San Giacomo: a joia de mármore das Muralhas Venezianas

Porta São TiagoSe há uma porta que fica gravada na memória em Bérgamo, é certamente a Porta San Giacomo. É a única das quatro portas das Muralhas Venezianas totalmente revestida em mármore branco rosado, da pedreira de Zandobbio no Vale Cavallina. Um contraste incrível com a pedra cinzenta das fortificações, que a torna visível já de longe, pela Avenida Vítor Emanuel. Projetada por Buonaiuto Lorini e concluída em 1592, era a entrada principal para quem chegava de Milão. A fachada é um esplendor de estilo clássico: dois arcos, semicolunas, um frontão triangular e dois elegantes pináculos laterais. No entablamento destaca-se o Leão de São Marcos, mas o que vemos hoje é de 1958, obra de Piero Brolis: o original foi destruído na época napoleónica. A porta tinha uma ponte levadiça de madeira, substituída em 1780 pelo atual viaduto de alvenaria por ordem do podestà Contarini. Passeando pela balaustrada, o olhar percorre desde as fortificações até à cidade baixa e aos Apeninos. Uma curiosidade: até meados do século XX, todas as noites às 22h00 a porta era fechada com os cem toques do Campanone. Hoje só se pode percorrer a pé, mas é o lugar perfeito para uma foto de postal. Desde 2017 faz parte do Património Mundial da UNESCO, e de vez em quando ilumina-se com cores especiais – como laranja contra a violência sobre as mulheres ou verde para as doenças raras. Resumindo, é imperdível para quem visita Bérgamo.

Porta São Tiago

Torre del Galgario, o birilho de Bergamo

Torre del GalgarioEm meio ao caos de cruzamentos e trânsito da Bergamo Baixa, na esquina entre a via Frizzoni e o largo Galgario, surge um curioso cilindro de pedra. É a Torre del Galgario, apelidada pelos bergamascos de “Ol Biril” (o birilho) por sua forma que se estreita para cima. Construída por volta de 1430 pelos Visconti, fazia parte das Muraine, a cinta defensiva que protegia os bairros da cidade baixa. Hoje é a única torre redonda que restou de pé depois que, em 1901, toda a cinta foi desmantelada com a abolição do imposto. A torre está fechada ao público e internamente é completamente vazia, mas de baixo ainda se notam os detalhes: os blocos de arenito maiores na base, as barras de ferro que talvez seguravam tochas, e no alto uma cobertura de tijolos que substituiu o telhado original de telhas. Olhando com atenção, vislumbram-se três brasões visconti e uma laje de mármore de 1950 que reproduz a planta das Muraine. O nome “Galgario” vem de “calchera”, ou seja, forno de cal, por causa dos cursos de água ricos em calcário na zona. Por um tempo, a torre foi usada como depósito de pólvora. Nos anos 1940, correu risco de demolição devido ao trânsito crescente, mas foi salva. Hoje está em estado de degradação, mas continua sendo um símbolo histórico que conta um pedaço de Bergamo que já não existe.

Torre del Galgario