Introdução
Entrar na Casa do Fauno é como mergulhar na Pompeia mais suntuosa. Aqui tudo fala de poder e beleza: 3.000 metros quadrados de superfície, dois átrios monumentais, dois jardins com colunatas e uma estátua de fauno dançante que o recebe com um sorriso zombeteiro. Mas a peça central é o mosaico da Batalha de Isso, uma obra-prima de um milhão e meio de peças que ainda parece contar a fúria do confronto entre Alexandre e Dario. Passear por esses ambientes faz você se sentir um convidado de honra em uma das residências mais luxuosas da antiguidade.
Notas históricas
A Casa do Fauno nasceu no século II a.C., durante o período samnita, e foi ampliada um século depois até ocupar um quarteirão inteiro. O proprietário era provavelmente um rico magistrado da família dos Satrii, como sugere uma inscrição em tufo. A domus foi soterrada pela erupção do Vesúvio em 79 d.C. e reemergiu apenas entre 1830 e 1832 durante as escavações bourbônicas. Desde então, sua fama não parou de crescer. Eis os momentos-chave:
O Mosaico de Alexandre: obra-prima em tesseras
Na exedra que dá para o primeiro peristilo, há uma cópia do mosaico da Batalha de Isso, com 5,82 metros de largura e 3,13 de altura. O original, no Museu Arqueológico de Nápoles, é um prodígio de opus vermiculatum: 1,5 milhões de tesseras minúsculas, algumas de apenas 1 mm. Conta o confronto entre Alexandre Magno a cavalo e Dário III em fuga, com um detalhe impressionante – veem-se os reflexos no escudo e o terror nos olhos dos cavalos. Aqui em Pompeia, você pode admirar a obra em sua posição original, rodeada por estuques em primeiro estilo.
Dois átrios, dois peristilos: uma residência para explorar
A casa é um labirinto fascinante: dois átrios – um toscano para a vida privada, outro tetrastilo para os negócios – e dois peristilos com jardins colunados. O primeiro peristilo tem 28 colunas jônicas, o segundo, maior, possui 44 e circunda uma imensa área verde. Não perca o mosaico ‘HAVE’ na entrada, uma saudação em latim que o proprietário exibia com orgulho. E depois há os banheiros privados, com tepidário e calidário: um luxo raríssimo para a época.
Por que visitar
Primeiro: é a maior domus de Pompeia, uma ilha inteira de luxo. Segundo: o mosaico de Alexandre (cópia) mostra a maestria dos artesãos antigos. Terceiro: a estátua do fauno (cópia) é um ícone de graça e alegria. E ainda há o piso ‘HAVE’, a vista sobre os peristilos, a atmosfera única. É uma parada obrigatória para quem quer entender o luxo romano.
Quando ir
Se puder, escolha a manhã cedo (9-10): a luz filtra entre as colunas dos pórticos e ilumina os mosaicos de forma mágica. Na alta temporada, chegue assim que abre para evitar a multidão. No inverno ou na primavera, o local é menos movimentado e a atmosfera mais tranquila. Evite as horas centrais do verão: o sol bate forte e as filas se alongam.
Nas proximidades
A poucos passos, visitar o Fórum de Pompeia e a Casa dos Vettii completa o quadro das residências patrícias. Mas para ver os originais – o verdadeiro Mosaico de Alexandre, a estátua do fauno, as joias encontradas – você precisa ir ao Museu Arqueológico Nacional de Nápoles. É uma viagem dentro da viagem, imperdível.