Palazzo Fulcis Belluno: Arte de Sebastiano Ricci e esculturas em madeira de Brustolon

O Palazzo Fulcis, antigo Museu Cívico de Belluno, é um edifício setecentista no coração do centro histórico que abriga séculos de arte local. A coleção abrange desde a Idade Média até ao século XIX, com obras dos principais artistas de Belluno, numa exposição moderna e acessível.

  • Obras-primas de Sebastiano Ricci, pintor barroco de Belluno com fama europeia
  • Esculturas em madeira de Andrea Brustolon, considerado o ‘Michelangelo da madeira’
  • Edifício histórico restaurado com fachada setecentista e interiores recuperados
  • Localização central na Piazza Duomo, integrada no tecido urbano de Belluno

Copertina itinerario Palazzo Fulcis Belluno: Arte de Sebastiano Ricci e esculturas em madeira de Brustolon
O Palazzo Fulcis, antigo Museu Cívico de Belluno, acolhe obras-primas de Sebastiano Ricci e Andrea Brustolon num edifício setecentista restaurado no centro histórico. Esculturas barrocas em madeira e pinturas da Idade Média ao século XIX.

Informações importantes


Introdução

Esperas um museu qualquer, mas o antigo Museu Cívico de Belluno, hoje Palazzo Fulcis, surpreende-te logo do exterior. A fachada setecentista, elegante e austera, recebe-te na Piazza Duomo com uma presença que fala de história. Entrar aqui não é apenas visitar uma coleção, é mergulhar num lugar que mudou de pele: de residência nobiliária a museu cívico, e agora novamente a palácio que abriga o museu. A atmosfera é peculiar, uma mistura de sacralidade da arte e cotidiano de um edifício que sempre foi parte viva da cidade. Sentes logo: não estás a caminhar numa galeria assética, mas num espaço que respirou séculos de vida bellunesa. E as obras que guarda? São a joia da coroa, com nomes que te fazem saltar se amas a arte véneta.

Notas históricas

A história deste local é um entrelaçamento de famílias e funções públicas. O palácio foi construído no século XVIII para a abastada família Fulcis, mercadores de seda. Em 1876, a Câmara Municipal de Belluno adquiriu-o para ali instalar a sede do Museu Cívico, que ali permaneceu até 2017. Uma mudança de época! Após uma restauração filológica que durou anos, em 2018 reabriu como Palazzo Fulcis – Museu Cívico de Belluno, trazendo à luz os esplendores arquitetónicos originais e reorganizando as coleções de forma moderna. A linha do tempo ajuda a compreender as viragens:

  • Século XVIII: Construção do Palazzo Fulcis para a família homónima.
  • 1876: Aquisição pela Câmara Municipal e nascimento do Museu Cívico.
  • 2017: Encerramento para a grande restauração.
  • 2018: Reabertura como Palazzo Fulcis, sede renovada do Museu Cívico.

O Tesouro de Sebastiano Ricci

Uma das razões pelas quais vale a visita é a sala dedicada a Sebastiano Ricci, pintor de Belluno do século XVIII que fez carreira em metade da Europa. Aqui não se encontra apenas uma pintura, mas um núcleo importante da sua produção juvenil e madura. As cores são luminosas, as composições teatrais, típicas do barroco. Há uma pala de altar que cativa, talvez por provir de uma igreja local desmantelada, e faz pensar em como estas obras viajaram. Não são obras-primas desconhecidas, mas vê-las no contexto da sua cidade natal dá outra perspetiva. Parece quase captar uma ligação mais íntima entre o artista e estes lugares.

A força escultórica de Brustolon

Se Ricci te conquista com a cor, Andrea Brustolon, outro filho de Belluno, te surpreende com a força da madeira. Escultor barroco, era chamado de ‘Michelangelo da madeira’ e aqui você pode entender o porquê. Suas estátuas, muitas vezes com temas sagrados, não são estáticas: têm um dinamismo, uma torção dos corpos que parece desafiar a pesantez do material. Olhe de perto os detalhes das dobras das roupas ou as expressões dos rostos: há uma maestria técnica incrível. Algumas obras vêm de igrejas da província, salvas e aqui reunidas. Dá vontade de tocar a madeira (não se faz, hein!), tanto parece viva. É uma experiência tátil mesmo só com os olhos.

Porque visitar

Primeiro: é um concentrado de arte bellunesa de excelência. Num único local temos os dois maiores expoentes, Ricci e Brustolon, com obras significativas e bem contextualizadas. Segundo: a restauração do Palazzo Fulcis é exemplar. Não apenas colocaram quadros nas paredes, mas devolveram à cidade um pedaço da arquitetura setecentista, com tetos afrescados e ambientes que contam uma história paralela à das obras. Terceiro: a localização na Piazza Duomo é perfeita. Saia e estará no coração de Belluno, entre a Catedral e os pórticos, pronto para continuar a exploração. Não é um museu isolado, mas parte integrante do tecido urbano.

Quando ir

O melhor momento? Uma tarde de inverno, quando a luz baixa filtra pelas janelas e aquece as salas, criando uma atmosfera acolhedora e íntima. No verão pode estar lotado, mas se for de manhã cedo, talvez numa terça ou quarta-feira, encontrará mais tranquilidade. No outono, com as folhas caindo na praça, o contraste entre o exterior melancólico e a vitalidade interna das obras é sugestivo. Evite os fins de semana de pleno agosto, a menos que goste de partilhar o espaço com muitos outros visitantes. Eu prefiro os dias úteis, quando pode demorar-se diante de um Brustolon sem pressa.

Nos arredores

Saindo do Palazzo Fulcis, dê alguns passos até o Museu Arqueológico Cívico de Belluno, localizado nas antigas prisões. É um salto no tempo fascinante: da arte barroca à pré-história e ao período romano da região, com artefatos encontrados bem aqui por perto. Para uma experiência tematicamente relacionada, vá até a Igreja de Santo Stefano, bem próxima. Ela conserva obras de artistas locais e permite ver a arte sacra em seu contexto original, completando o que você admirou no museu. Duas paradas que enriquecem a perspectiva sem afastá-lo do centro.

💡 Talvez você não soubesse que…

Um detalhe que torna única a visita é a Sala dos Brasões, onde se podem admirar os emblemas das famílias nobres bellunesas, testemunho do poder local ao longo dos séculos. Além disso, não perca a secção dedicada à pintura véneta do século XVIII, com obras que mostram a influência de Veneza sobre Belluno. Segundo os relatos locais, algumas salas conservam ainda vestígios dos antigos frescos originais, visíveis durante as obras de restauro. Para os apaixonados, há também uma pequena coleção de moedas e medalhas que conta a economia histórica da zona. Estes elementos, muitas vezes negligenciados, acrescentam profundidade à visita, transformando-a numa viagem no tempo autêntica e memorável.