Introdução
Confesso que, quando vi o MUSE de Trento pela primeira vez, pensei: ‘Uau, isto é um museu ou uma nave espacial que aterrou na cidade?’. O edifício projetado por Renzo Piano é verdadeiramente icónico, com essas formas futuristas que se destacam contra os Dolomitas. Não é o típico museu empoeirado – aqui respira-se inovação a plenos pulmões. O átrio principal, alto como seis andares, deixa-nos de boca aberta com o seu esqueleto de baleia suspenso e as paredes de vidro que inundam tudo de luz. Senti-me imediatamente catapultado para um mundo onde a ciência e o design se abraçam. A sensação é a de entrar num lugar vivo, que nos convida a tocar, experimentar, maravilhar-nos. E a localização é perfeita: no bairro Le Albere, uma área regenerada que outrora era industrial e agora se tornou o coração verde da cidade.
Breve Histórico
A história do MUSE é mais recente do que se pensa, mas tem raízes numa tradição científica trentina secular. O museu nasceu oficialmente em 2013, mas antes havia o Museu Tridentino de Ciências Naturais, fundado já em 1922. A viragem chegou com o projeto de Renzo Piano e a escolha de construir no bairro Le Albere, antiga área industrial Michelin completamente reconvertida.
A inauguração em 2013 marcou uma nova era para a divulgação científica em Trentino. Hoje conserva coleções históricas importantíssimas, como a botânica de Francesco Ambrosi do século XIX. A linha do tempo sintética:
- 1922: nasce o Museu Tridentino de Ciências Naturais
- anos 2000: projeto de Renzo Piano para o novo museu
- 2013: inauguração do MUSE na área Le Albere
- hoje: mais de 500.000 visitantes por ano e reconhecimentos internacionais
A experiência tátil: tocar a ciência
O que mais me impressionou no MUSE foi o quanto é interativo. Não há placas de ‘não tocar’ – pelo contrário, convidam você a interagir com tudo! No andar dedicado à biodiversidade alpina, você pode literalmente colocar as mãos em um formigueiro real e observar de perto essas criaturas incríveis em ação. Depois, há a seção das geleiras, onde você toca gelo verdadeiro, sente o frio polar e entende imediatamente o que significa o derretimento das geleiras. No andar dos picos altos, você experimenta a emoção de caminhar sobre uma passarela suspensa que simula a experiência em altitude. E nunca vou esquecer a sala dos sons da natureza: feche os olhos e parece que você está no meio de uma floresta de abetos, com o canto dos pássaros e o rangido da neve sob os pés. É essa fisicalidade da experiência que torna o museu acessível a todos, desde crianças de três anos até avós de oitenta.
O telhado-jardim: um jardim suspenso
Talvez nem todos saibam, mas o telhado do MUSE é visitável e é uma verdadeira surpresa. Subindo no elevador panorâmico (que por si só oferece vistas espetaculares de Trento), chega-se a um terraço que é um jardim botânico ao ar livre. Aqui foram recriados os ambientes típicos alpinos de Trentino, com espécies vegetais nativas dispostas de acordo com a altitude. Há zonas húmidas com pequenos lagos, prados floridos, áreas rochosas. A coisa mais bonita? A vista de 360 graus: de um lado as majestosas Dolomitas, do outro o centro histórico de Trento com a Catedral e o Castelo do Buonconsiglio. No verão organizam também aperitivos ao pôr do sol, e devo dizer que beber um copo de vinho local enquanto se observa as montanhas tingidas de rosa é uma experiência que por si só vale o bilhete. É como se o museu quisesse lembrar que a ciência aqui não está fechada em quatro paredes, mas dialoga constantemente com o território que a rodeia.
Porque visitar
Três motivos concretos pelos quais, na minha opinião, vale a pena visitar: primeiro, é incrivelmente familiar sem ser banal. As crianças adoram a estufa tropical com borboletas vivas voando ao seu redor, e os laboratórios científicos são tão bem feitos que nem os adultos resistem à tentação de participar. Segundo: a seção dedicada à sustentabilidade ambiental é uma das mais completas que já vi em um museu italiano. Não apenas dizem o que não fazer, mas mostram soluções concretas, desde casas passivas até energias renováveis aplicadas ao território alpino. Terceiro: o bilhete combinado com o Castelo do Buonconsiglio é conveniente e permite combinar ciência e história em um único dia. Um extra? A livraria tem livros científicos lindos e produtos originais que não se encontram em outro lugar.
Quando ir
A minha experiência? O melhor momento é o início da tarde de um dia útil. De manhã chegam as excursões escolares (e pode ficar muito cheio), enquanto nos fins de semana as famílias locais invadem os espaços interativos. Por volta das 14h-15h, porém, há uma pausa natural, e pode-se desfrutar das instalações com mais tranquilidade. Sazonalmente, prefiro o outono: lá fora as montanhas explodem de cores, e dentro do museu organizam-se frequentemente eventos especiais ligados à investigação científica. No inverno, depois de um dia na neve, entrar no calor da estufa tropical é um mimo especial. A única coisa: evite as segundas-feiras, que é o dia de encerramento. Ah, e se chover? Perfeito, é o local ideal para se refugiar sem abdicar de uma experiência memorável.
Nos arredores
Ao sair do MUSE, recomendo duas experiências temáticas próximas. A primeira é um passeio pelo bairro Le Albere, também projetado por Renzo Piano: casas de madeira e vidro, canais de água, ciclovias e uma atmosfera de cidade nórdica. É interessante ver como uma área ex-industrial renasceu de forma sustentável. A segunda é o muito próximo Parque do Ádige: seguindo o rio por um curto trecho chega-se à Ponte de São Lourenço, de onde se desfruta de uma vista magnífica sobre o centro histórico. Se tiver vontade de outro museu, a dois passos fica a Galeria Cívica de Trento com exposições de arte contemporânea. Para comer, no bairro encontra-se locais modernos que servem cozinha trentina revisitada – experimentar o risoto com açafrão das Dolomitas é obrigatório.