O que ver em Lucca: muralhas, torre Guinigi e 14 paragens com mapa interativo


🧭 O que esperar

  • Ideal para um fim de semana cultural com atmosfera acolhedora e sem as multidões dos destinos mais concorridos.
  • Pontos fortes: muralhas renascentistas de 4 km percorríveis a pé ou de bicicleta, torre Guinigi com azinheiras seculares no topo, praça do Anfiteatro de forma elíptica sobre ruínas romanas.
  • Arte e história na catedral de São Martinho com o Santo Rosto, basílica de São Frediano com mosaico dourado, teatro del Giglio entre os mais antigos de Itália.
  • Experiências únicas: Lucca Comics & Games no outono, jardim barroco do Palácio Pfanner, Jardim Botânico fundado em 1820.

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A Cidade de Lucca é uma joia da Toscana que te recebe com as suas muralhas renascentistas perfeitamente conservadas, um anel de 4 quilómetros que podes percorrer a pé ou de bicicleta para admirar a cidade do alto. Logo após atravessar uma das portas históricas, encontras-te num centro histórico onde o tempo parece ter parado: ruas empedradas, praças acolhedoras e palácios nobres acompanham-te na descoberta de locais icónicos como a Torre Guinigi com os seus carvalhos seculares no topo e a Praça do Anfiteatro, de forma elíptica, nascida sobre as ruínas de um antigo anfiteatro romano. Não percas a Catedral de São Martinho, que guarda o Rosto Santo, um crucifixo de madeira venerado há séculos, e o Teatro do Giglio, um dos teatros mais antigos de Itália. Se visitares Lucca no outono, podes deparar-te com o Lucca Comics & Games, um dos maiores festivais de banda desenhada da Europa, que anima a cidade com uma atmosfera única. Para uma pausa, dá uma volta pelas muralhas: é a melhor maneira de entender por que Lucca é tão especial.

Visão geral



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Muralhas de Lucca: caminhar sobre a história

Muralhas de LuccaAs Muralhas de Lucca não são apenas uma cintura defensiva, são o coração pulsante da cidade, um lugar vivo que os luqueses souberam transformar num parque urbano único em Itália. Construídas entre os séculos XVI e XVII, estas muralhas bastionadas mantiveram-se intactas por mais de 4 quilómetros, sem nunca terem sido usadas para fins bélicos. Hoje, caminhar sobre elas é uma experiência imperdível. A sensação é estranha e bela: encontra-se a cerca de 12 metros de altura, protegido por espessos baluartes de tijolo e terra, enquanto por baixo se estende o tecido medieval da cidade. O passeio é completamente plano e arborizado, com castanheiros-da-índia centenários que no verão oferecem uma sombra fresca. Move-se entre onze baluartes, cada um com um nome e uma história – do Baluarte de São Salvador ao de Santa Cruz – e seis portas monumentais, como a Porta de São Pedro, a entrada principal. A vista estende-se pelos telhados das casas-torre, pelas igrejas românicas e, nos dias limpos, pelos Alpes Apuanos. Não é raro cruzar-se com pessoas a fazer jogging, famílias de bicicleta ou simplesmente turistas que param para ver o pôr do sol. Pessoalmente, adoro percorrê-las de manhã cedo, quando o ar está fresco e a luz rasante acaricia as pedras. Às vezes pergunto-me como seria a vida aqui há séculos, com as sentinelas de guarda. Hoje, em vez disso, é um lugar de paz e partilha. Uma sugestão? Subam à Torre Guinigi para ver as muralhas de cima: do alto dos seus 44 metros, com os medronheiros no topo, compreende-se realmente a geometria perfeita deste anel verde que abraça Lucca.

Muralhas de Lucca

Torre Guinigi: o jardim suspenso no céu de Lucca

Torre GuinigiSe pensas que as torres medievais são apenas estruturas de pedra cinzenta, a Torre Guinigi vai fazer-te mudar de ideias. Esta torre do século XIV, construída pela poderosa família Guinigi, é a única no mundo a abrigar um jardim suspenso com árvores seculares no topo. Sim, leste bem: ao subir os seus 230 degraus (prepara-te, são um pouco íngremes!), chegas a 44 metros de altura e encontras sete carvalhos plantados em grandes vasos de terra. Não é um detalhe decorativo: estas árvores, que segundo a tradição simbolizam renascimento e prosperidade, têm raízes que penetram na estrutura há séculos. A vista de lá de cima é de tirar o fôlego: vês toda Lucca encerrada nas suas muralhas, com os telhados vermelhos, as outras torres e as colinas da Toscana no horizonte. Ao contrário de outras torres, aqui não há apenas uma panorâmica, mas uma experiência quase surreal: sentes-te suspenso entre história e natureza, com o vento a mover as folhas dos carvalhos e o cheiro de terra húmida. Pessoalmente, impressionou-me como as árvores são cuidadas há séculos – pensa que as raízes são verificadas periodicamente para não danificarem a torre. Uma sugestão? Vai ao pôr do sol: a luz quente torna tudo mágico, e a multidão é menor em comparação com a manhã. Atenção: a torre é estreita, por isso se sofres de claustrofobia pondera bem, mas para mim vale a pena. O bilhete custa poucos euros e inclui frequentemente o acesso ao próximo Palazzo Guinigi, onde podes aprofundar a história da família. Não é apenas uma torre, é um símbolo de Lucca que resiste ao tempo, literalmente verde e vivo.

Torre Guinigi

Praça do Anfiteatro

Praça do AnfiteatroEntrar na Praça do Anfiteatro é como dar um salto no tempo, mas sem a sensação de estar num museu. A forma oval perfeita revela imediatamente as suas origens romanas: aqui erguia-se um anfiteatro do século I d.C., depois desmantelado na Idade Média para obter material de construção. O que se vê hoje é o resultado dessa reutilização, com as casas a seguirem o perímetro antigo, criando um círculo quase mágico. Gosto de pensar que cada tijolo tem uma história para contar, talvez de gladiadores ou de espectadores de dois mil anos atrás. Hoje, a praça é uma sala de estar vibrante, cheia de pequenos restaurantes, lojas de artesanato e bancas que vendem especialidades locais. Não é raro sentir o cheiro de café acabado de fazer ou de focaccia quente, especialmente de manhã. Atenção: o acesso principal é feito através de quatro portões baixos e escuros, que quase parecem vielas. Passar por baixo deles dá a sensação de entrar num lugar secreto, protegido do caos da cidade. No interior, a atmosfera é acolhedora e íntima, apesar da forma ampla. O pavimento em tijolos vermelhos e a ausência de trânsito automóvel tornam-na uma ilha de paz, perfeita para uma pausa. Eu gosto de sentar-me num banco e observar a vida a passar: turistas a tirar fotos, habitantes de Lucca a conversar, crianças a correr. Há algo de autêntico aqui, talvez porque não é apenas um postal, mas um lugar que os locais frequentam realmente. Às vezes pergunto-me se os residentes das casas com vista para a praça se habituaram a este movimento ou se ainda se surpreendem com a sua beleza. Uma curiosidade: olhando bem para as fachadas, notam-se alturas e estilos diferentes, sinal das várias épocas de construção. Não é tudo uniforme, e na minha opinião é isso que a torna especial.

Praça do Anfiteatro

Catedral de São Martinho

Catedral de São MartinhoSe procura o coração espiritual de Lucca, não pode deixar de visitar a Catedral de São Martinho. Ergue-se numa praça ampla, um pouco escondida entre as vielas, e a sua fachada românica impressiona logo: assimétrica e rica em detalhes, com aquelas galerias sobrepostas e baixos-relevos que contam histórias medievais. Ao entrar, a atmosfera é solene mas acolhedora, com a luz que filtra pelas janelas e ilumina as naves. A peça principal é o Tempietto do Santo Rosto, uma capela renascentista que guarda o crucifixo de madeira venerado há séculos – uma relíquia que os luccheses têm verdadeiramente a peito. Depois, ao percorrer, depara-se com obras surpreendentes: a Última Ceia de Tintoretto, com as suas cores intensas, e o túmulo de Ilaria del Carretto de Jacopo della Quercia, uma obra-prima de mármore que parece quase respirar. O que me impressionou foi como cada canto conta uma história diferente, desde o púlpito românico até às capelas laterais cheias de pinturas. Uma sugestão? Reserve tempo para observar os detalhes, como os capitéis esculpidos ou os mosaicos no chão – são pequenas maravilhas que muitas vezes passam despercebidas. E se conseguir, suba à torre sineira: a vista sobre as muralhas e os telhados de Lucca é inestimável, mesmo que a escada seja um pouco estreita (vale a pena, acredite).

Catedral de São Martinho

Teatro del Giglio

Teatro del GiglioQuando pensas em Lucca, vêm-te à mente as muralhas, as torres, as igrejas românicas. Mas há um lugar que muitas vezes fica em segundo plano e, no entanto, merece toda a atenção: o Teatro del Giglio. Não é apenas um teatro, é um pedaço de história viva da cidade, que desde 1675 continua a emocionar. Encontras-no na Piazza del Giglio, mesmo atrás do Palazzo Ducale, numa posição que por si só conta a sua ligação ao poder e à cultura lucchese. A fachada neoclássica, sóbria e elegante, não te prepara totalmente para o que encontras lá dentro: um interior em ferradura com três ordens de camarotes em madeira dourada, um teto afrescado, uma atmosfera que te transporta no tempo. É um dos teatros mais antigos de Itália ainda em atividade, e isso nota-se: cada vez que entras, respiras séculos de espetáculos, de estreias, de aplausos. Hoje, o Giglio é o principal teatro de Lucca, com uma temporada rica em ópera lírica, prosa, concertos e bailado. Se tiveres sorte, poderás assistir a uma produção da Fondazione Teatro del Giglio, que aqui tem a sua sede. Mas mesmo que não consigas ver um espetáculo, vale a pena fazer uma visita durante as visitas guiadas (geralmente disponíveis em certos horários, melhor informar-se antes). Contar-te-ão anedotas curiosas, como o facto de o teatro ter sido reconstruído após um incêndio no século XIX, ou que aqui se apresentaram compositores como Puccini, que em Lucca é como em casa. Pessoalmente, gosto de pensar que naquelas poltronas de veludo vermelho se sentaram figuras ilustres, nobres luccheses, artistas de passagem. É um lugar que não perdeu a sua alma, não se tornou um museu estático. Aliás, às vezes pergunto-me se os fantasmas dos atores de outrora ainda não vagueiam pelos bastidores, satisfeitos por verem que o pano continua a subir. Uma sugestão? Dá uma olhadela no programa antes de partires: assistir a um espetáculo aqui é uma experiência que completa perfeitamente a visita a Lucca, acrescentando uma peça de cultura viva ao seu património histórico.

Teatro del Giglio

Basílica de San Frediano

Basílica de San FredianoSe pensas que Lucca é apenas muralhas e torres, prepara-te para mudar de ideias. A Basílica de San Frediano é um daqueles lugares que te impressiona assim que viras a esquina: a fachada românica, simples e sólida, esconde um tesouro inesperado. O que salta imediatamente à vista é o grande mosaico dourado acima da entrada, um Cristo ascensional rodeado por anjos que parece capturar a luz da tarde. É raro encontrar mosaicos do século XII tão bem conservados nas fachadas das igrejas da Toscana, e isso torna San Frediano única. Ao entrar, a atmosfera muda: o interior é escuro, fresco, quase húmido, com colunas romanas recuperadas a sustentar as naves. Há um silêncio palpável, quebrado apenas pelos passos dos visitantes no pavimento de pedra. Não percas a Fonte Lustrale, uma antiga pia batismal do século XII decorada com cenas da vida de Moisés – os detalhes são tão minuciosos que te perdes neles durante minutos. Depois, há a capela de Santa Zita, a santa padroeira das empregadas domésticas: o seu relicário contém o corpo mumificado, e ver as flores frescas deixadas pelos devotos acrescenta um toque de devoção quotidiana que comove. Pessoalmente, impressionou-me o contraste entre a majestade do mosaico exterior e a intimidade dos espaços interiores. Atenção aos horários: a basílica por vezes fecha para as funções, por isso verifica antes. E se conseguires, visita a cripta onde estão guardadas as relíquias de San Frediano – um recanto acolhedor que poucos notam, mas que encerra séculos de história lucchese.

Basílica de San Frediano

San Michele in Foro: a igreja que parece um castelo

San Michele in ForoChegar à Piazza San Michele é um golpe de vista que não esquecerás facilmente. A Basílica de San Michele in Foro domina o espaço com uma fachada em listras brancas e verdes que parece quase uma renda de mármore. O que impressiona logo de início é a arquitetura: parece uma igreja, mas tem algo de encantado, como se tivesse saído de um livro de contos de fadas. A própria praça já foi o fórum romano, e caminhar ao seu redor faz-te sentir o peso da história sob os pés. Ao entrar, o interior é mais sóbrio em comparação com a explosão exterior, mas nem por isso menos interessante. Procura a Madonna com o Menino de Filippino Lippi na sacristia – uma pequena obra-prima muitas vezes negligenciada pelos fluxos turísticos mais apressados. Pessoalmente, perdi-me a observar os detalhes dos capitéis das colunas, cada um com decorações diferentes, quase como se fossem assinaturas dos artesãos medievais. Uma curiosidade? A estátua do arcanjo Miguel no topo da fachada brilha ao sol porque é revestida de cobre dourado, e quando a luz a atinge parece quase viva. Se passares por aqui ao pôr do sol, o jogo de luzes na pedra é mágico – embora tenha de admitir que às vezes as fotos não fazem justiça a essa atmosfera. Um conselho prático: verifica os horários de abertura, porque nem sempre está acessível o dia todo, e se quiseres evitar a multidão tenta as primeiras horas da manhã. Para mim, San Michele é um daqueles lugares que conta por si só a história de Lucca, sem necessidade de muitas palavras.

San Michele in Foro

Museu Nacional da Villa Guinigi

Museu Nacional da Villa GuinigiSe pensas que Lucca é apenas muralhas e torres, o Museu Nacional da Villa Guinigi vai fazer-te mudar de ideias. Este lugar é um verdadeiro cofre de tesouros, alojado numa villa do século XV que por si só já vale a visita. A villa foi construída por Paolo Guinigi, senhor de Lucca no século XV, e caminhar pelas suas salas dá-te a sensação de entrar numa residência histórica ainda viva. Não é o típico museu empoeirado: aqui a atmosfera é íntima, quase doméstica, e as coleções estão dispostas de forma a contar a história da cidade de modo envolvente. O percurso expositivo abrange um período que vai da época etrusca e romana até ao século XVIII, com uma secção dedicada à Idade Média que pessoalmente considero fascinante. Entre os pontos fortes estão os achados arqueológicos descobertos na região, como urnas cinerárias e mosaicos, mas também pinturas e esculturas de artistas luqueses. Impressionou-me particularmente a sala dos afrescos destacados, onde podes admirar obras provenientes de igrejas e palácios da cidade, salvas da degradação. A coleção de arte sacra é rica e variada, com crucifixos de madeira, retábulos e objetos litúrgicos que testemunham a devoção local. Há também uma secção dedicada às artes aplicadas, com cerâmicas, tecidos e móveis de época que dão uma ideia da vida quotidiana no passado. A villa está rodeada por um jardim tranquilo, perfeito para uma pausa após a visita. Atenção: o museu não é enorme, mas é denso em conteúdo, por isso, toma o teu tempo para saborear os detalhes. Alguns podem considerá-lo um pouco datado na montagem, mas na minha opinião isso acrescenta charme, tornando a experiência mais autêntica. Recomendo visitá-lo para ter uma visão completa da história artística de Lucca, para além das atrações mais famosas.

Museu Nacional da Villa Guinigi

Palazzo Ducal

Palazzo DucalSe pensas em Lucca, vêm-te à mente as muralhas, as torres, as igrejas românicas. Mas há um lugar que conta outra história, a do poder e da política: Palazzo Ducal. Não é o palácio mais aparatoso da cidade, aliás, à primeira vista poderia quase passar despercebido em comparação com a vizinha Torre Guinigi ou com San Michele in Foro. Contudo, atravessar o seu portão significa entrar no coração da Lucca que foi capital de um pequeno estado independente durante séculos. O edifício que vemos hoje é um conjunto de estruturas diferentes, resultado de adições e remodelações sucedidas desde a Idade Média até ao século XIX. A fachada principal na Piazza Napoleone é imponente, neoclássica, desejada por Elisa Baciocchi, irmã de Napoleão, quando governava a cidade. Mas o lado mais interessante, na minha opinião, é o que dá para a Via Vittorio Veneto, mais antigo e irregular. No interior, não esperes um museu tradicional. Palazzo Ducal hoje acolhe escritórios provinciais e da prefeitura, mas algumas partes são visitáveis. A coisa mais bonita? Os afrescos. Salas como a Sala degli Staffieri ou a Sala del Trono conservam ciclos pictóricos dos séculos XVII e XVIII que te fazem compreender a opulência da corte. Os tetos altos, as lareiras monumentais, os pavimentos em terraço veneziano: cada detalhe fala de representação. Outra preciosidade são os jardins internos, um oásis de silêncio pouco conhecido até pelos luquenses. Encerrados entre as alas do palácio, com árvores seculares e canteiros geométricos, são um lugar perfeito para uma pausa longe da multidão. Às vezes pergunto-me se vale a pena visitar um palácio que ainda é, em parte, um edifício institucional. A resposta é sim, sobretudo se se está interessado na história mais do que nos monumentos-ícone. Aqui respira-se a atmosfera de quando Lucca era uma república, depois um ducado, e os seus governantes decidiam o destino da cidade entre estas paredes. Não é uma etapa a negligenciar.

Palazzo Ducal

Museu Nacional do Palazzo Mansi

Museu Nacional do Palazzo MansiSe pensa que Lucca é apenas muralhas e torres, o Palazzo Mansi fará você mudar de ideia. Este museu nacional, alojado num palácio seiscentista da via Galli Tassi, é um concentrado de esplendor que conta como vivia a aristocracia luquesa entre os séculos XVIII e XIX. Ao entrar, a primeira coisa que impressiona é a escadaria monumental com afrescos alegóricos – sente-se imediatamente catapultado para outra época. As salas são mobiliadas com móveis originais, lustres de cristal e, sobretudo, tapeçarias flamengas do século XVI que deixam qualquer um boquiaberto com os detalhes. O quarto de casal, com a sua cama de dossel e as paredes revestidas de seda, é talvez o ambiente mais icónico: parece que os proprietários acabaram de sair. A pinacoteca no primeiro andar é outra surpresa, com obras de artistas toscanos como Pontormo e Bronzino, mas também de Tintoretto. Pessoalmente, acho que a verdadeira magia está nos pequenos detalhes: os espelhos venezianos, as lareiras de mármore, os tetos afrescados com cenas mitológicas. É um museu que se visita numa hora, tempo suficiente para não cansar, mas o bastante para mergulhar completamente. Atenção: os horários podem variar, é melhor verificar antes. Se ama arte e história, este é um must em Lucca, muitas vezes menos concorrido do que outros locais, mas igualmente rico em fascínio.

Museu Nacional do Palazzo Mansi

Praça Napoleão

Praça NapoleãoA Praça Napoleão é o coração pulsante de Lucca, um grande espaço aberto que impressiona imediatamente pela sua amplitude invulgar em comparação com outros cantos da cidade. Também chamada de Praça Grande pelos lucchesi, nasceu por vontade de Elisa Baciocchi, irmã de Napoleão, que no início do século XIX mandou demolir um bairro medieval inteiro para criar uma praça digna do poder. Hoje é um local de encontro, onde as pessoas se sentam nos bancos à sombra dos plátanos seculares, as crianças correm e no verão frequentemente acolhe concertos ou eventos. O Palácio Ducal domina um dos lados com a sua fachada neoclássica: outrora residência de Elisa, hoje alberga os escritórios provinciais e nem sempre é visitável no interior, mas vale a pena admirar o seu exterior imponente. Ao centro, a estátua de Maria Luísa de Bourbon recorda outra soberana que deixou a sua marca. O que torna esta praça especial é o contraste: por um lado, a grandiosidade histórica; por outro, a atmosfera descontraída e quotidiana. Não é um museu ao ar livre, mas um lugar vivido. Pessoalmente, gosto de observar como os luccheses a utilizam: há quem leia o jornal, quem faça uma pausa para café no bar próximo, quem simplesmente passeie. Atenção: nos dias de mercado (quartas e sábados de manhã) enche-se de bancas, transformando-se num fervilhar de cores e vozes. Se procura um canto tranquilo, talvez seja melhor vir à tarde ou em dias úteis. A vista para as Muralhas daqui é limitada, mas a sensação de espaço é libertadora depois das vielas estreitas do centro. Um detalhe curioso: os plátanos foram plantados no século XIX e hoje formam uma abóbada verde que no verão oferece uma sombra preciosa. Não é a praça mais fotografada de Lucca, mas na minha opinião capta a alma moderna da cidade, suspensa entre o passado e o presente.

Praça Napoleão

Palazzo Pfanner: um oásis barroco no coração de Lucca

Palazzo PfannerSe pensa que Lucca é apenas muralhas e torres, o Palazzo Pfanner vai fazê-lo mudar de ideias. Este palácio nobre do século XVII, escondido entre as ruas do centro histórico, é uma verdadeira surpresa. A primeira coisa que impressiona é o jardim formal à italiana, um retângulo perfeito de verde delimitado por sebes de buxo e adornado com estátuas mitológicas em pedra. É um recanto de paz onde o tempo parece parar, longe do movimento turístico. Ao entrar no palácio, ainda se respira a atmosfera de uma residência senhorial: os tetos afrescados, os móveis de época, as escadarias monumentais. Mas a particularidade do Palazzo Pfanner é a sua história ligada à cerveja. Sim, entendeu bem: no século XVIII, a família Pfanner, originária da Áustria, ali instalou uma fábrica de cerveja, uma das primeiras em Itália. Hoje, no rés-do-chão, ainda se podem ver os antigos locais da destilaria, com os barris e os instrumentos da época. Pessoalmente, impressionou-me o contraste entre a elegância barroca das salas e esta marca "industrial" um pouco invulgar. O palácio é visitável na sua maior parte, incluindo os apartamentos privados no primeiro andar, onde se podem admirar retratos de família e mobiliário original. Uma curiosidade: a fachada exterior, sóbria e linear, não deixa adivinhar o esplendor que se esconde no interior. Recomendo dedicar pelo menos uma hora à visita, sem pressa, para apreciar os detalhes e desfrutar do jardim. Atenção: os horários de abertura podem variar consoante a época do ano, é melhor verificar antes de ir.

Palazzo Pfanner

Jardim Botânico de Lucca

Jardim botânicoSe pensas que Lucca é apenas muralhas e torres, prepara-te para uma agradável surpresa. O Jardim Botânico, fundado em 1820 pela Duquesa Maria Luísa de Bourbon, é um recanto de tranquilidade que te faz esquecer que estás no coração da cidade. Ao entrar, a primeira coisa que impressiona é o silêncio, quebrado apenas pelo sussurro das folhas e pelo canto dos pássaros. Não é um simples jardim: é um laboratório vivo que acolhe mais de 200 espécies de plantas, algumas raras ou exóticas, organizadas com um cuidado quase maníaco. Caminhando pelos caminhos, deparas-te com uma coleção de fetos que parece saída de um livro de contos de fadas, e com um lago com nenúfares que no verão florescem de forma espetacular. Pessoalmente, adoro a estufa do século XIX, uma joia de ferro e vidro que guarda plantas tropicais e suculentas – no inverno, entrar ali é como fazer uma viagem a outra latitude. Muitas vezes esquece-se que este lugar tem uma dupla alma: além de ser um local de beleza, é um centro de investigação botânica ainda ativo. Talvez nem todos saibam que aqui se estudam plantas medicinais e se conservam sementes antigas, um detalhe que acrescenta profundidade à visita. Se procuras um momento de pausa do caos turístico, este é o lugar certo: leva um livro, senta-te num banco e deixa que o aroma das ervas aromáticas te envolva. Atenção, porém: o jardim é pequeno e íntimo, não esperes grandes espetáculos como num parque monumental. A sua magia está precisamente na delicadeza, nos detalhes que se descobrem devagar – como o canteiro das plantas tintureiras, que conta um pedaço da história artesanal de Lucca. Uma sugestão? Vem de manhã cedo, quando a luz é suave e tens a impressão de ter tudo para ti.

Jardim botânico

Aqueduto do Nottolini

Aqueduto do NottoliniSe pensas que Lucca é apenas muralhas e torres, prepara-te para uma agradável surpresa. Pouco fora do centro histórico, ao longo da estrada para Pisa, ergue-se o Aqueduto do Nottolini, uma obra extraordinária que parece saída de uma pintura romântica. Construído entre 1823 e 1851 por vontade de Maria Luísa de Bourbon, segundo projeto do arquiteto Lorenzo Nottolini, servia para levar a água das nascentes de Guamo até à cidade. O que impressiona de imediato é a sua arquitetura neoclássica majestosa e, no entanto, leve: uma sucessão de mais de 400 arcadas em tijolo e pedra que se estendem por cerca de 3 quilómetros na campanha. Caminhar ao longo do percurso que o acompanha é uma experiência relaxante, longe da multidão turística. Respira-se um ar diferente, quase de suspensão no tempo. As arcadas, com cerca de vinte metros de altura, criam jogos de luz e sombra que mudam com a hora do dia – ao pôr do sol, especialmente, a paisagem torna-se mágica. Notarás que algumas arcadas foram restauradas, enquanto outras mostram os sinais do tempo, mas é precisamente esta mistura que dá carácter ao lugar. O aqueduto está ainda perfeitamente integrado na paisagem, rodeado por olivais e campos cultivados. Um detalhe curioso: se observares de perto os pilares, verás as “bocas de lobo”, pequenas aberturas que serviam para o escoamento das águas pluviais. Pessoalmente, acho que é um daqueles lugares onde paramos quase sem querer, talvez sentando-nos num banco a observar as andorinhas que nidificam entre os tijolos. Não é um monumento que se visita com pressa; convida antes a um passeio lento, talvez de bicicleta, seguindo o traçado até aos sugestivos Templete de Guamo, as duas construções circulares que funcionavam como reservatórios. Se passares por Lucca, dedica-lhe uma hora: oferecer-te-á uma perspetiva inédita sobre a cidade, feita de engenho, água e silêncio.

Aqueduto do Nottolini