Introdução
Logo que entras na Piazza Maggiore de Feltre, o Teatro De La Sena captura-te com a sua fachada neoclássica elegante e sóbria. Não é um daqueles teatros monumentais que te deixam de boca aberta pelo tamanho, mas sim um lugar íntimo, que parece guardar histórias. Sentes logo: aqui a atmosfera é diferente. Talvez porque está incrustado no coração do centro histórico, entre palácios antigos, e parece quase uma sala de estar de outros tempos. Eu descobri-o quase por acaso, a percorrer as ruas calçadas, e aquela porta de entrada despertou-me a curiosidade. Lá dentro, descobrirás uma pequena joia oitocentista que ainda hoje é o coração pulsante da vida cultural feltrina, não apenas um museu. Um lugar onde a história se respira, mas que continua a viver com espetáculos e encontros.
Notas históricas
A história do Teatro De La Sena começa na primeira metade do século XIX, quando um grupo de cidadãos abastados de Feltre sentiu a necessidade de um local para a cultura e o espetáculo. O projeto foi confiado ao arquiteto feltrino Giuseppe Segusini, o mesmo que deixou sua marca em muitos edifícios da cidade. O teatro foi inaugurado em
1847 e desde então nunca deixou de ser um ponto de referência. Passou por transformações, restauros (um importante nos anos noventa) e acolheu de tudo: desde o teatro do século XIX até as operetas, passando por concertos e eventos culturais atuais. Não é simplesmente um edifício, mas uma peça da identidade da cidade que atravessou as épocas.
- 1847: Inauguração do teatro, projetado por Giuseppe Segusini.
- Final do século XIX – início do século XX: Período de grande atividade com companhias itinerantes e espetáculos para a burguesia local.
- Anos 90 do século XX: Importante intervenção de restauro que devolveu ao teatro o seu antigo esplendor, atualizando as suas tecnologias.
- Hoje: Sede de uma temporada teatral ativa e de eventos culturais para a comunidade.
O interior: uma sala de estar burguesa
Ao cruzar a soleira, entra-se num foyer não muito grande mas cuidado. A verdadeira surpresa é a sala em ferradura. A acústica é excelente, dizem, e percebe-se porquê: as dimensões acolhedoras (poucas centenas de lugares) criam uma atmosfera verdadeiramente especial. Os camarotes de madeira, dispostos em três ordens, são decorados com estuques dourados e veludos vermelhos, naquele estilo típico do século XIX vêneto. Não é tão sumptuoso como La Fenice, tem uma elegância mais discreta, quase familiar. Olhando para o teto, por vezes esperar-se-ia um fresco, mas aqui é simples, linear. O palco não é enorme, mas suficiente para companhias de teatro e concertos de câmara. O que impressiona é a sensação de se estar num lugar ‘vivido’, onde cada cadeira e cada cortina contam histórias de noites de teatro, de risos e de aplausos. Um detalhe que me agradou? As poltronas da plateia são confortáveis, não incómodas como em certos teatros históricos!
Não só teatro: a vida do De La Sena hoje
O belo do De La Sena é que não é uma relíquia fechada numa vitrine. É um teatro que respira e vive durante todo o ano. Se passar por Feltre, consulte sempre a programação: além da tradicional temporada de teatro (com companhias de bom nível), aqui realizam-se concertos, eventos infantis, lançamentos de livros e encontros culturais. Durante o Palio di Feltre (em agosto), o teatro frequentemente serve de cenário para eventos paralelos. Às vezes também organizam visitas guiadas que permitem explorar bastidores e camarins, uma oportunidade para descobrir cantos normalmente escondidos. Eu tive a sorte de assistir a um concerto de música de câmara e a intimidade da sala tornou tudo mais mágico. É isso que o torna especial: é um patrimônio da comunidade, usado e amado pelos habitantes de Feltre. Não um monumento, mas um local de encontro.
Por que visitar
Por pelo menos três motivos concretos. Primeiro: é um exemplo perfeito de arquitetura teatral oitocentista de província, autêntico e bem conservado, sem as multidões dos teatros mais famosos. Segundo: oferece a rara oportunidade de ver um teatro histórico ainda ativo. Pode visitá-lo talvez de manhã e, se calhar, voltar à noite para um espetáculo, vivendo-o de duas maneiras completamente diferentes. Terceiro: a sua localização no centro de Feltre torna-o uma paragem natural durante a exploração da cidade. Não precisa de fazer desvios: está ali, na praça, e visitá-lo dá-lhe uma chave de leitura adicional para compreender a história cultural e social deste recanto de Belluno.
Quando ir
A visita ao teatro em si é bonita em qualquer momento, mas para uma experiência mais completa, recomendo que procures o final da tarde de um dia útil na primavera ou outono. A luz rasante que entra pelas janelas ilumina a sala de forma sugestiva, e há maior probabilidade de encontrar o teatro aberto e tranquilo, talvez durante os ensaios de um espetáculo. Evita os períodos de encerramento de verão (frequentemente agosto) se quiseres garantir o acesso. Se conseguires, combina a visita com um espetáculo noturno: a atmosfera com as luzes da sala acesas é completamente diferente e verdadeiramente emocionante.
Nos arredores
Ao sair do teatro, você já está no coração de Feltre. Para continuar no tema cultura e história, dê uma caminhada até o Museu Cívico de Feltre, que está sediado no Palazzo Villabruna e conta a história da cidade através de achados arqueológicos e obras de arte. Para uma experiência diferente mas complementar, suba até a parte alta da cidade, o Castelo de Alboino e a Catedral. De lá, a vista sobre o vale é esplêndida e você entende por que Feltre é chamada de ‘cidade pintada’, pelos afrescos nas fachadas dos palácios. Se estiver com vontade de uma pausa, nas ruazinhas ao redor do teatro você encontra excelentes pastelarias e locais típicos.