Jardim dos Tarôs: 22 esculturas gigantes de Niki de Saint Phalle em Capalbio

O Jardim dos Tarôs em Capalbio é um parque artístico único criado por Niki de Saint Phalle entre 1979 e 1996, com 22 esculturas monumentais que representam os arcanos maiores do tarô. As obras, com até 15 metros de altura, são cobertas por mosaicos de vidro, espelhos e cerâmicas coloridas que brilham sob o sol da Maremma. O percurso permite caminhar entre, dentro e ao redor das esculturas, oferecendo uma experiência tátil e visual imersiva.

  • 22 esculturas monumentais inspiradas nos arcanos do tarô, com até 15 metros de altura
  • Obras cobertas com mosaicos de vidro, espelhos e cerâmicas coloridas
  • Possibilidade de entrar dentro de algumas esculturas como a Imperatriz e a Papisa
  • Criação da artista franco-estadunidense Niki de Saint Phalle com colaboradores incluindo Jean Tinguely

Copertina itinerario Jardim dos Tarôs: 22 esculturas gigantes de Niki de Saint Phalle em Capalbio
Parque artístico na Maremma com 22 esculturas monumentais inspiradas nos arcanos do tarô, com até 15 metros de altura. Descubra a Imperatriz coberta de espelhos e cerâmicas, o Mago com engrenagens metálicas e mosaicos de vidro.

Informações importantes


Introdução

Já alguma vez se sentiu catapultado para outro mundo? No Jardim dos Tarôs é exatamente isso que acontece. Não é um simples parque, mas uma experiência imersiva onde a arte se torna magia. Imagine 22 esculturas gigantes, com até 15 metros de altura, emergindo da paisagem da Maremma como sonhos de cimento e cerâmica. São os arcanos maiores do tarô, transformados em figuras coloridas e oníricas pela visão da artista Niki de Saint Phalle. O contraste entre o verde da vegetação mediterrânea e os mosaicos brilhantes de vidro, espelhos e cerâmicas é pura poesia visual. Anda-se entre a Papisa, a Imperatriz, o Mago, e parece que se entra num conto de fadas para adultos. Pessoalmente, a primeira vez que vi a Torre, toda coberta de espelhos que refletem o céu, fiquei de boca aberta. É um lugar inesquecível, único no seu género em toda a Itália.

Breve histórico

Tudo nasce da mente vulcânica de Niki de Saint Phalle, artista franco-americana. Após visitar o Parque Güell de Gaudí em Barcelona, nos anos 70, ela concebeu a ideia de criar seu próprio jardim das maravilhas. Escolheu a Maremma, terra selvagem que amava, e em 1979 iniciou os trabalhos em Capalbio, em um terreno doado por amigos. Por mais de vinte anos, até sua morte em 2002, trabalhou incansavelmente, auxiliada por artistas como seu marido Jean Tinguely (que realizou as estruturas metálicas) e muitos artesãos locais. O jardim foi aberto ao público em 1998 e é hoje gerido por uma fundação. Não é apenas uma obra de arte, mas um testamento de criatividade e determinação. A linha do tempo dos momentos-chave:

  • 1979: Início dos trabalhos na fazenda de Garavicchio.
  • 1998: Abertura oficial ao público.
  • 2002: Morte de Niki de Saint Phalle.
  • Hoje: O jardim está concluído e visitável, um legado vivo de sua arte.

Um labirinto de símbolos

Visitar o Jardim dos Tarôs não é um simples passeio, é uma viagem simbólica. Cada estátua conta uma história. Veja a Papisa: é uma estrutura imponente, habitável, que Niki usava como ateliê e residência durante os trabalhos. No interior, as paredes são um espetáculo de mosaicos, espelhos e objetos incrustados. Depois há o Sol, uma roda alegre e dourada que parece irradiar energia. Mas a minha preferida é talvez a Justiça, com sua balança e espada, coberta de tesselas azuis e prateadas que brilham à luz. Não são esculturas para se olhar de longe: convidam a aproximar-se, a tocar as texturas (onde permitido), a descobrir os mil detalhes escondidos. Os materiais usados – cerâmicas, vidros de Murano, espelhos, pedras coloridas – dão vida a superfícies vibrantes que mudam com as horas do dia. É uma experiência tátil além de visual, que estimula a curiosidade de grandes e pequenos.

A arte que se vive

Aqui a arte não está num pedestal, vive-se em primeira pessoa. Pode-se entrar dentro de algumas esculturas, como a Papisa ou o Imperador, e descobrir ambientes surpreendentes. Na barriga da Papisa, por exemplo, há uma casa de banho fantástica, com um mosaico de serpentes que parece saído de um sonho. É um aspeto que torna o local perfeito para famílias: as crianças ficam fascinadas por estes ‘esconderijos’ mágicos. O percurso não é linear, perde-se de bom grado entre os caminhos de terra, descobrindo sempre novos recantos. Por vezes, depara-se com instalações mecânicas de Tinguely, pequenas esculturas de ferro que se movem. A atmosfera é descontraída, não há pressa. Gosto de sentar-me num banco perto da Roda da Fortuna e observar as reações das pessoas: há quem medite, quem ria, quem procure o seu arcano preferido. É um lugar que inspira conexões, com a arte e com os outros.

Por que visitar

Por pelo menos três motivos concretos. Primeiro: é uma experiência artística sem igual na Toscana, longe dos museus clássicos. Aqui a arte está ao ar livre, integrada com a natureza. Segundo: é ideal para um passeio de um dia que una cultura e relaxamento. Não é necessário um dia inteiro, mas o tempo voa entre uma descoberta e outra. Terceiro: estimula a imaginação de todos, especialmente das crianças, que veem gigantes coloridos em vez das estátuas ‘sérias’ de sempre. Além disso, é uma ótima desculpa para explorar uma área da Maremma menos conhecida, autêntica e selvagem.

Quando ir

Evite as horas centrais dos dias de verão mais quentes: o final da tarde ou a manhã cedo são ideais para desfrutar da luz rasante que realça as cores das cerâmicas. Na primavera e no outono, por outro lado, pode visitá-lo quase a qualquer momento: o ar é fresco e as cores da paisagem circundante são espetaculares. No inverno, nos dias ensolarados, tem um charme especial, mais íntimo e silencioso. Uma sugestão pessoal? Eu adoro o período do final de setembro: as multidões de verão diminuíram, a luz é dourada, e talvez ainda encontre algumas flores tardias entre a vegetação.

Nos Arredores

A visita ao Jardim combina perfeitamente com outra pérola da região: a aldeia medieval de Capalbio, empoleirada numa colina a poucos minutos de carro. Vale a pena um passeio pelas suas ruazinhas, muralhas e a vista panorâmica sobre a Maremma. Para uma experiência tematicamente relacionada, se gosta de arte incomum, pode considerar a Fazenda de Celle em Santomato di Pistoia (mais distante, mas ainda na Toscana), outro local com instalações de arte contemporânea em meio à natureza. Aqui na Maremma, por outro lado, depois do Jardim, um almoço numa trattoria local à base de acquacotta ou javali é o epílogo terreno perfeito.

💡 Talvez você não soubesse que…

A criação do jardim está ligada a um sonho preciso de Niki de Saint Phalle. Depois de visitar o Parque Güell de Gaudí em Barcelona e o Jardim dos Monstros de Bomarzo, decidiu realizar o seu próprio ‘paraíso artístico’. Comprou o terreno com os proventos da sua linha de perfumes e trabalhou nele durante anos, vivendo inclusive dentro da escultura da Imperatriz durante as obras. Um detalhe que torna a visita especial é descobrir como muitas obras escondem salas e passagens internas, concebidos como espaços habitáveis. Hoje, o jardim é gerido pela Fundação Il Giardino dei Tarocchi, que preserva a sua integridade artística seguindo as vontades da artista.