Orto Botânico de Pisa: o mais antigo da Europa com estufas do século XIX e plantas raras

O Orto Botânico da Universidade de Pisa, fundado em 1544, é o jardim botânico universitário mais antigo da Europa. A dois passos da Piazza dei Miracoli, oferece um oásis de paz com percursos acessíveis e bancos para admirar as coleções.

  • Estufas do século XIX em ferro e vidro com plantas tropicais e cactos
  • Jardim dos Simples com plantas medicinais históricas
  • Coleções de citrinos e plantas raras como a árvore do dragão
  • Fontes e arquiteturas que criam cenários fotográficos


Eventos nas proximidades


Copertina itinerario Orto Botânico de Pisa: o mais antigo da Europa com estufas do século XIX e plantas raras
Fundado em 1544, o Orto Botânico de Pisa abriga mais de 5500 espécies, estufas históricas em ferro e vidro, o Jardim dos Simples com plantas medicinais e coleções de citrinos. Acessível a dois passos da Piazza dei Miracoli.

Informações importantes


Introdução

Assim que atravessas o portão, o ruído da cidade desaparece. Encontras-te no jardim botânico mais antigo da Europa, fundado em 1544, e parece que entras noutra dimensão. Não é apenas uma coleção de plantas, mas um verdadeiro museu vivo onde cada canto conta uma história. A sensação é a de descobrir um segredo bem guardado no coração de Pisa, longe da multidão da Torre. Pessoalmente, impressionou-me como este lugar consegue ser tão íntimo apesar da sua importância histórica. As palmeiras altas elevam-se contra o céu, as estufas do século XIX brilham ao sol, e há um silêncio quebrado apenas pelo sussurro das folhas. É um daqueles lugares que te fazem esquecer que estás no centro da cidade, perfeito para uma pausa revigorante.

Breve histórico

O Jardim Botânico foi criado por vontade de Cosimo I de’ Medici, a partir da ideia do botânico Luca Ghini. No início, era um pequeno jardim próximo ao Arsenal, depois mudou-se várias vezes antes de encontrar sua casa definitiva aqui em 1591. No século XVIII, tornou-se um centro de estudos muito importante, com trocas de sementes e plantas de todo o mundo. Durante o século XIX, enriqueceu-se com as estufas de ferro e vidro que ainda hoje são uma joia arquitetônica. Curiosamente, algumas plantas chegaram graças a viajantes e estudiosos pisanos que as traziam de suas explorações. Sua história é feita de contínuas expansões e adaptações, sempre mantendo esse vínculo com a pesquisa universitária.

  • 1544: Fundação por vontade de Cosimo I de’ Medici
  • 1591: Transferência para a sede atual
  • Final do século XVIII: Torna-se um centro de trocas botânicas internacionais
  • Século XIX: Construção das estufas históricas em ferro e vidro
  • Hoje: Administrado pela Universidade de Pisa, com mais de 5500 espécies

As estufas oitocentistas

As estufas de ferro e vidro do século XIX são o coração do Jardim Botânico. Entrar nelas é como fazer uma viagem no tempo: a estrutura original está intacta, com aqueles detalhes arquitetónicos que parecem saídos de um romance de Verne. Lá dentro, encontra-se um microclima perfeito para plantas tropicais e subtropicais. A estufa quente, chamada ‘Tepidário’, abriga fetos arbóreos enormes e plantas carnívoras que parecem vindas de outro planeta. Já a estufa fria tem coleções de suculentas e cactos que formam paisagens em miniatura. O que me agrada é que não são apenas recipientes para plantas, mas verdadeiras obras de engenharia da época, restauradas com cuidado. Os raios de sol que filtram através do vidro criam jogos de luz espetaculares, especialmente de manhã. É um daqueles detalhes que torna a visita especial, mesmo que não sejas um apaixonado por botânica.

O Jardim dos Simples

Esta seção é talvez a mais fascinante para quem ama a história da medicina. O ‘Jardim dos Simples’ reproduz o antigo cultivo de plantas medicinais, aquelas que outrora eram a farmácia natural. Caminha-se entre canteiros ordenados onde crescem hortelã, sálvia, lavanda e outras ervas aromáticas, cada uma com sua plaquinha que explica os usos tradicionais. Algumas dessas plantas já eram cultivadas aqui no século XVI para estudos de medicina. Impressionou-me ver como certas espécies ainda são utilizadas hoje, talvez de maneiras diferentes. O aroma que se sente nesta área é incrível, especialmente após uma chuva de verão. É um recanto que conta um pedaço da história da ciência pisana, muitas vezes pouco conhecido em comparação com as glórias arquitetônicas da cidade. Perfeito para uma pausa contemplativa, talvez sentado em um dos bancos de pedra.

Por que visitar

Primeiro: é uma experiência totalmente diferente do habitual passeio turístico pisano. Enquanto todos estão concentrados na Torre e no Duomo, você pode desfrutar de um oásis de paz a dois passos. Segundo: a variedade botânica é impressionante. Das palmeiras seculares às orquídeas raras, das plantas aquáticas às espécies montanhosas, há sempre algo florido ou interessante, em qualquer estação. Terceiro: é family-friendly de forma natural. As crianças podem correr (com respeito) entre os caminhos, descobrir plantas estranhas, e há frequentemente atividades didáticas simples mas bem feitas. Além disso, os bilhetes custam pouco em comparação com outras atrações, e se você é estudante tem descontos. Em suma, é um daqueles lugares que enriquece a visita a Pisa sem stress, acrescentando uma peça inesperada.

Quando ir

A primavera é mágica, com as flores a explodirem por todo o lado, mas na minha opinião o melhor momento é a primeira tarde de outono, quando a luz está quente e as folhas começam a mudar de cor. No verão pode fazer muito calor, especialmente nas estufas, por isso é melhor ir de manhã cedo ou no final da tarde. No inverno, nos dias de sol, as estufas tornam-se refúgios acolhedores contra o frio. Um conselho pessoal: evita as horas centrais nos fins de semana de verão, quando pode haver mais gente. Eu estive lá numa terça-feira de outubro, por volta das 15h, e havia uma paz irreal. A luz filtrava-se entre as árvores seculares criando sombras compridas, e só se ouvia o som das fontes. É em momentos assim que o Jardim Botânico mostra toda a sua magia.

Nos arredores

Saindo do Orto, recomendo que dê um passeio até ao Museu da Gráfica no Palazzo Lanfranchi, que frequentemente acolhe exposições interessantes relacionadas com a natureza e a ilustração botânica. É um complemento temático perfeito. Um pouco mais longe, mas ainda no centro histórico, encontra-se a Igreja de Santa Maria della Spina, aquela pequena joia gótica à beira-rio que parece uma escultura. Para uma experiência diferente, se gostou do aspeto ‘verde’ da visita, pode dar um salto ao Jardim Scotto, outro parque histórico pouco conhecido mas delicioso, com muralhas medievais e uma atmosfera descontraída. Ambos os locais são acessíveis a pé com uma curta caminhada pelas ruas do centro, passando por cantos menos frequentados do percurso turístico habitual.

Itinerários nas proximidades


💡 Talvez você não soubesse que…

No Orto Botânico de Pisa cresce um plátano oriental plantado em 1800, com um tronco tão largo que são necessárias três pessoas para o abraçar. Na secção das plantas aquáticas, procure a nenúfar Victoria amazonica: as suas folhas gigantes podem suportar o peso de uma criança. A lenda diz que o botânico Luca Ghini, fundador do jardim, ali cultivava ervas para poções secretas. Hoje, entre os canteiros, ainda se encontram plantas usadas nos laboratórios universitários para investigação científica.