Museu das Obras do Duomo: obras-primas em Florença

O Museu das Obras do Duomo, por trás de Santa Maria del Fiore, conserva 750 obras que contam sete séculos de arte florentina. Aqui encontra a Porta do Paraíso de Ghiberti, a Pietà Bandini de Michelangelo e a Madalena em madeira de Donatello. O bilhete único (a partir de 15€) inclui também o Duomo, o Batistério e o Campanário.
Sala do Paraíso: reconstrução 1:1 da fachada medieval com estátuas originais.
Esculturas do Campanário: 16 estátuas e 54 relevos, incluindo os Profetas de Donatello.
Cantorie de Donatello e Luca della Robbia, uma em frente à outra.
Galeria da Cúpula: modelos de madeira e ferramentas do estaleiro de Brunelleschi.


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Copertina itinerario Museu das Obras do Duomo: obras-primas em Florença
As 750 obras do Museu das Obras do Duomo em Florença: da Porta do Paraíso à Pietà de Michelangelo, num percurso de 28 salas entre arte e história do complexo monumental.

Informações importantes


Museu da Obra do Duomo: um mergulho na arte florentina

Caminhar entre as salas deste museu é como entrar no canteiro de obras mais ambicioso da Florença medieval e renascentista. Bem atrás da catedral, ainda se respira o perfume da história. Aqui, onde Brunelleschi e Michelangelo deixaram a sua marca, hoje encontram casa mais de 750 obras. Estátuas, relevos, modelos de madeira e ourivesarias que vêm do Duomo, do Batistério e do Campanário de Giotto. O percurso é enorme: 28 salas, três andares, 6.000 metros quadrados. Mas não assusta: as instalações de vídeo e os painéis claros guiam-te sem pressa. O meu conselho? Partam da Sala do Paraíso e deixem-se surpreender pela fachada reconstruída em escala real. É um espetáculo que poucos esperam.

Notas históricas

O edifício que abriga o museu é o mesmo onde, desde 1296, a Opera del Duomo geria as obras da catedral. No século XV, Brunelleschi usava o pátio como depósito para os materiais da Cúpula; Michelangelo, algumas décadas depois, esculpiu ali o Davi. O museu abre oficialmente em 1891, mas a virada acontece em 2015: após três anos de restauro, reabre com uma exposição em 6.000 m². Uma história de sete séculos, contada também por documentos e modelos originais. Em resumo:

  • 1296: nasce a Opera del Duomo, encarregada da construção da catedral.
  • 1432: cria-se uma sede para conservar as obras removidas.
  • 1500 ca.: Michelangelo esculpe o Davi no pátio.
  • 1891: o museu abre ao público.
  • 2015: reabertura após a ampliação de Adolfo Natalini.

A Sala do Paraíso: a fachada reencontrada

O ex libris do museu é esta sala monumental que reconstrói em escala 1:1 a fachada medieval do Duomo, desmontada em 1587. As estátuas originais de Arnolfo di Cambio e dos seus sucessores regressam assim ao seu lugar, numa espécie de viagem no tempo. No centro da sala, separada por uma vitrina, está a Porta do Paraíso de Lorenzo Ghiberti: dez painéis dourados que narram histórias do Antigo Testamento. Foi o próprio Michelangelo que a batizou assim. A luz rasante faz brilhar o ouro e cada detalhe. Caminhar entre estas estátuas é como assistir ao nascimento de uma obra-prima coletiva.

Donatello e Michelangelo, duas obras-primas imperdíveis

Existe um fio vermelho que une as duas obras mais célebres do museu: a Madalena e a Pietà. A Madalena penitente de Donatello é uma escultura em madeira do século XV: uma mulher idosa, consumida pelo jejum e pela oração, envolta nos cabelos. Não é certamente uma beleza clássica, mas toca diretamente o coração. Por outro lado, a Pietà Bandini de Michelangelo (c. 1547-1555) conta um momento diferente, mais íntimo. Jesus é sustentado por Nicodemos, que tem o rosto do próprio artista. Michelangelo esculpiu-a para o seu túmulo e, depois, insatisfeito, danificou-a. Ver de perto o mármore inacabado, os vestígios dos cinzéis, arrepia.

Por que visitar

A parte os nomes enormes, este museu tem algo a mais: faz-te entender como nasce um monumento. Não é um simples recipiente de estátuas, mas o relato do estaleiro de obras mais longo da história florentina. Eis os motivos para não o saltar. Primeiro: a coleção de Donatello é a segunda mais ampla do mundo, com o Zuccone e o Sacrifício de Isaac. Segundo: a Sala do Paraíso permite-te ver a fachada original do Duomo, que hoje já não existe na praça. Terceiro: o percurso é interativo, com vídeos e modelos que explicam a Cúpula de Brunelleschi, adequado também para quem não é especialista em arte.

Quando ir

O melhor momento, na minha opinião, é de manhã cedo, antes de chegarem os grupos. Em silêncio, a Sala do Paraíso tem um efeito quase teatral: as estátuas parecem despertar uma a uma. Se preferirem uma luz mais quente e menos multidão, experimentem no final do dia, quando os raios de sol entram pelas janelas e iluminam os bronzes de Ghiberti. Para uma visita mais tranquila, evitem os fins de semana e os meses de alta estação, quando a fila para o bilhete único se alonga. Mas mesmo com a multidão, vale a pena.

Nos arredores

Ao sair do museu, já estão no coração da Piazza del Duomo. A paragem natural é o Batistério de São João, com os seus mosaicos dourados e as portas de Ghiberti (caras, as verdadeiras estão no museu). Depois, se tiverem tempo, subam ao Campanário de Giotto: a vista sobre a Cúpula do Brunelleschi e sobre toda a Florença é fantástica. Sempre a dois passos, para um mergulho na cidade, podem passear até ao Palazzo Vecchio ou espreitar o Museu Galileo. Cada canto, aqui, merece uma foto.

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💡 Talvez você não soubesse que…

Ao passear pelo pátio, pense que aqui Michelangelo esboçou o David e Brunelleschi empilhou os materiais para a Cúpula. Na Pietà Bandini, o rosto de Nicodemos é o autorretrato de Michelangelo: deixou-a inacabada depois de a ter atingido com um martelo. Um lugar onde a história da arte ainda está viva.