🧭 O que esperar
Ideal para city breaks e passeios fora de portas Pontos fortes: Villa Reale, Parque de Monza, Duomo, museus Atividades: percursos naturalísticos, bicicleta, visitas culturais Conselho: pelo menos dois dias para ver tudo com calma
Eventos nas proximidades
Se pensa que a província de Monza e Brianza é apenas um subúrbio milanês, está enganado. Aqui encontram-se a majestosa Villa Reale de Monza com os seus imensos jardins, o Duomo com a Coroa de Ferro, e parques como o Parco di Monza, um dos maiores da Europa. Mas não só: aldeias como Vimercate e Desio guardam vilas históricas e museus. Este artigo guia-o entre os pontos imperdíveis, com conselhos práticos para organizar ao máximo a sua visita. Da Capela Expiatória ao MUST de Vimercate, descobrirá uma Brianza feita de arte, natureza e tradições. O Parco di Monza oferece percursos de bicicleta e a pé, enquanto o Bosco delle Querce em Seveso é uma área naturalística de grande interesse. Não perca o Palazzo Arese Borromeo em Cesano Maderno e a Villa Bagatti Valsecchi em Varedo. Para os amantes da arte contemporânea, o MAC de Lissone e o MUST de Vimercate são paragens a assinalar. Tudo regado por uma tradição gastronómica que merece ser provada. Perfeito para um fim de semana fora de portas ou um passeio em família.
Visão geral
- Vila Real de Monza: um mergulho na história e na arte
- Duomo de Monza: entre história e lenda
- O Parque de Monza, uma joia verde
- Arengário de Monza: o coração medieval da cidade
- Capela Expiatória: um memorial que toca o coração
- Jardins Reais de Monza: um pedaço do paraíso entre história e natureza
- Museu do Duomo de Monza: um tesouro subterrâneo
- Museus Cívicos de Monza: arte e história na Casa dos Humildes
- Parque Natural Bosco delle Querce: um tesouro de memória e natureza
- Villa San Martino: história e segredos da residência brianzola
- Palazzo Arese Borromeo, tesouro barroco em Cesano Maderno
- MUST: o museu do território vimercatese
- Villa Bagatti Valsecchi: uma joia eclética no coração da Brianza
- Villa Tittoni-Traversi: uma joia neoclássica em Desio
- Parque Villa Borromeo D’Adda: uma joia verde em Arcore
Itinerários nas proximidades
Vila Real de Monza: um mergulho na história e na arte
- Ir para a ficha: Vila Real de Monza: história, arte e jardins para visitar
- Viale Brianza 2, Monza (MB)
- http://www.villarealedimonza.it/
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- info@villarealedimonza.it
- +39 199 151140
A Vila Real de Monza é muito mais do que uma residência histórica: é uma viagem através de séculos de poder, arte e vida na corte. Encomendada pela imperatriz Maria Teresa da Áustria e construída por Giuseppe Piermarini entre 1777 e 1780, esta maravilha neoclássica tem mais de 700 salas em 22.000 m². Passeando pelos Aposentos Reais de Humberto I e Margarida de Saboia, você ficará impressionado com os móveis originais, os afrescos e o esplendor do Salão de Baile. Mas a maior surpresa vem com o projeto “Reggia Contemporânea”: no segundo andar, obras de artistas como Gio Ponti, Enrico Castellani e Carol Rama dialogam com a arquitetura setecentista, criando um contraste fascinante. Não perca os Jardins Ingleses, um dos primeiros da Itália, com árvores centenárias, grutas e um pequeno templo dórico no lago. E em maio, a Roseiral Niso Fumagalli oferece um espetáculo de cores e aromas. A vila está aberta qua–sex à tarde, sáb–dom o dia inteiro (ingresso 10 €). Recomendo comprar o bilhete online para evitar filas. Uma dica de viajante: combine a visita com um passeio no Parque de Monza, o maior parque murado da Europa, perfeito para uma pausa relaxante.
Duomo de Monza: entre história e lenda
- Ir para a ficha: Duomo de Monza: Coroa de Ferro e tesouros longobardos
- Via Canonica, Monza (MB)
- http://www.duomomonza.it
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Entrar no Duomo de Monza é como fazer um salto no tempo de catorze séculos. Fundado pela rainha lombarda Teodolinda no final do século VI, este tesouro de arte e fé é um dos lugares mais fascinantes da Brianza. A fachada gótica em mármore branco e verde, obra de Matteo da Campione, acolhe-nos com um rosácea majestosa e estátuas de santos. No interior, a atmosfera é solene: as três naves, os pilares octogonais com capitéis esculpidos e os afrescos barrocos contam séculos de devoção.A verdadeira joia é, no entanto, a Capela de Teodolinda, uma obra-prima do gótico internacional afrescada pelos irmãos Zavattari. Aqui, numa vitrine climatizada, repousa a Coroa de Ferro: segundo a tradição, um prego da cruz de Cristo estaria escondido no seu interior. Com ela foram coroados reis e imperadores, desde Carlos Magno a Napoleão. Emocionante, não é?
Reserve com antecedência a visita guiada para aceder à capela e ao Museu do Duomo, onde poderá admirar o famoso grupo escultórico da Galinha com os pintainhos e outros tesouros lombardos. O Duomo está aberto todos os dias, mas ao domingo fecha para almoço. Fica no centro, a dois passos da Villa Real e do Arengário. Um conselho de viajante: chegue de manhã cedo para desfrutar do silêncio e da luz que filtra pela rosácea.

O Parque de Monza, uma joia verde
Se você pensa que Monza é apenas o Autódromo e a Villa Real, prepare-se para mudar de ideia. O Parque de Monza é um imenso espaço verde de quase 700 hectares, cercado por 14 quilômetros de muros, o que o torna o maior parque murado da Europa. Criado em 1805 por ordem de Napoleão, foi concebido como uma fazenda agrícola modelo e reserva de caça. Hoje é o lugar ideal para quem busca uma fuga da cidade. Aqui você encontra o Bosco Bello, uma das últimas florestas de planície lombardas, com árvores seculares como castanheiras-da-índia, tílias e carpa. Ao longo das avenidas retilíneas, como a Viale Cavriga com 2,2 km, você pode caminhar, correr ou pedalar. Não perca as cascinas históricas, a Fagianaia Real (hoje restaurante) e as instalações de arte, como a gigantesca mesa e cadeira “O Escritor”. Para os mais esportivos, além do Autódromo, existem percursos de corrida sinalizados (amarelo 3 km, azul 5 km, vermelho 10 km e verde 21 km) e um percurso de orientação. E se você vier com crianças, o trenzinho turístico (ativo na primavera e outono) é ideal, com paradas nas residências históricas. Informações práticas: a entrada é gratuita, aberto todos os dias a partir das 7 da manhã. No inverno fecha às 19, no verão às 21:30. Você pode entrar pela Porta Monza, Porta Vedano ou Porta Villasanta, todas com estacionamento. Para explorá-lo melhor, alugue uma bicicleta na Cascina Bastia. Eu gosto de passear pelo Bosco Bello ao amanhecer, quando a névoa se levanta e só se ouve os pássaros. É uma experiência que recomendo a todos.
Arengário de Monza: o coração medieval da cidade
- Piazza Roma, Monza (MB)
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O Arengário é o palácio municipal medieval de Monza, construído em 1293 como símbolo do poder laico. Fica na Praça Roma, ao lado da Catedral, e impressiona pelo seu amplo pórtico com arcos ogivais sobre 18 pilares. No térreo, que já foi um mercado coberto, ainda se respira a atmosfera medieval. No primeiro andar, a grande sala com treliças de madeira hoje abriga exposições temporárias de arte. Na fachada sul destaca-se a ‘Parléra’, uma pequena varanda de pedra de 1380 de onde se liam os decretos. A torre sineira, com 44 metros de altura, foi acrescentada no século XIV e conserva um dos primeiros relógios de roda da Itália (1347), obra de Giovanni Dondi. Atualmente, o Arengário está fechado para obras de restauro e acessibilidade, mas normalmente está aberto para exposições (exceto às segundas-feiras, horário 10-13 e 14-19). Um detalhe curioso: sob o pórtico, um pilar tem profundas fendas deixadas por soldados que afiavam as lâminas. O edifício quase foi demolido no século XIX, mas os monzeses o salvaram com uma subscrição popular. Hoje é o coração pulsante da cidade, entre história e cultura.
Capela Expiatória: um memorial que toca o coração
- Via Matteo da Campione, Monza (MB)
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Se você passeia perto da Villa Real de Monza, não perca a Capela Expiatória, um monumento que conta uma página sombria da história italiana. Aqui, em 29 de julho de 1900, o anarquista Gaetano Bresci matou o rei Humberto I. Por desejo de Vítor Emanuel III, o arquiteto Giuseppe Sacconi – o mesmo do Vittoriano – projetou este memorial, concluído em 1910 por seu aluno Guido Cirilli.O primeiro impacto é forte: uma estela de pedra de Oggiono de 35 metros de altura, encimada por uma cruz de alabastro que se ilumina a cada 29 de julho. Aos pés, a Pietà em bronze de Ludovico Pogliaghi, desejada pela rainha Margarida, recebe você com sua intensidade. Ao cruzar o portão de ferro forjado de Alessandro Mazzucotelli, você entra em um jardim recolhido que convida ao silêncio.
No interior, a capela de planta circular é um esplendor de mosaicos bizantinos: anjos, santos e beatos da Casa de Saboia envolvem você em uma atmosfera solene. O verdadeiro coração pulsante, porém, é a cripta em cruz grega, onde um marco de mármore preto assinala o ponto exato do atentado. As abóbadas são um céu estrelado em mosaico, e ao longo das paredes, cerca de 180 coroas de bronze – doadas de todo o mundo – contam o luto coletivo.
Visitar é gratuito, mas os horários variam: de terça a quinta e domingo, 9h-14h30; sexta e sábado até as 19h (fechado segunda). Recomendo reservar por e-mail (drm-lom.cappellaespiatoria@cultura.gov.it) para garantir. É um lugar que fica dentro de você, entre arte e história, perfeito para uma pausa de reflexão após o passeio no parque.

Jardins Reais de Monza: um pedaço do paraíso entre história e natureza
Se há um lugar em Monza que te faz sentir dentro de uma pintura do século XIX, são os Jardins Reais. Eles se estendem por 40 hectares atrás da Villa Real, e estão entre os primeiros jardins ingleses realizados na Itália. O arquiteto Giuseppe Piermarini os projetou entre 1778 e 1783 para o arquiduque Ferdinando de Habsburgo, apaixonado por botânica. O resultado? Um perfeito equilíbrio entre artifício e natureza, com alamedas que se perdem entre árvores majestosas e recantos românticos.Ao entrar, você se sente imediatamente em outra época. À esquerda, o jardim italiano com canteiros geométricos; ao norte, a parte mais cenográfica: um riacho sinuoso, uma cascata, o Lago dos Cisnes com um pequeno templo neoclássico e a estátua de Netuno. Seguindo, encontrará a Gruta de Polifemo, uma gruta artificial, e a Torre neogótica projetada por Luigi Canonica, com muros em estilo medieval. Tudo é pensado para surpreender, mas sem ostentação.
Os gigantes verdes merecem menção à parte: dois carvalhos monumentais plantados por Eugênio de Beauharnais, com 26 metros de altura, um ginkgo biloba, uma sequoia americana e um cedro do Líbano. Na primavera, o tapete de narcisos aos pés do palácio é um espetáculo, enquanto em maio o Roseiral Niso Fumagalli explode em mais de 4.000 variedades de rosas. A entrada é gratuita, e os horários variam: no inverno das 7:00 às 18:30, no verão até as 20:30. Enfim, um lugar para se perder de bom grado.
Pessoalmente, adoro sentar na margem do lago e observar os cisnes: parece quase ouvir os sussurros da rainha Margarida, que aqui adorava passear. Não é apenas um jardim, é um mergulho na história.

Museu do Duomo de Monza: um tesouro subterrâneo
- Ir para a ficha: Museu do Duomo de Monza: tesouros longobardos e Coroa de Ferro
- Via Lambro 2, Monza (MB)
- http://www.museoduomomonza.it/Pages/
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- info@museoduomomonza.it
- +39 039 326383
Descer ao Museu do Duomo de Monza é como dar um salto no tempo de catorze séculos. Eu o descobri quase por acaso e fiquei fascinado. Fica na Via Lambro 2, bem à esquerda da fachada do Duomo, e a entrada é quase escondida. Uma vez lá dentro, você se encontra num percurso hipogeo moderníssimo – inaugurado em 2007 sob projeto de Cini Boeri – que contrasta com a antiguidade dos artefatos. O museu divide-se em duas seções: a Filippo Serpero, que guarda o tesouro da basílica alto-medieval, e a Carlo Gaiani, com obras do século XIV até hoje. Entre os destaques, é impossível não citar a Choca com os pintinhos, uma obra-prima da ourivesaria lombarda, e o Díptico de Estilicão. E ainda há as ampolas dos peregrinos, a cruz de Agilulfo, e até dois pães de prata doados por Napoleão. O percurso é bem planejado: telas, luzes suaves, e muitas curiosidades. Se você quiser ver a Coroa de Ferro, precisa adicionar a visita guiada à Capela de Teodolinda (reserva obrigatória, bilhete combinado a 14€). O museu sozinho custa 8€, e para mim é um achado. Aberto de terça a domingo (9-13 e 14-18), fechado às segundas. Recomendo reservar, especialmente nos fins de semana. Não é gigantesco, mas dá para ficar umas boas duas horas. E se tiver oportunidade, dê uma olhada na exposição temporária sobre o políptico redescoberto – até abril.
Museus Cívicos de Monza: arte e história na Casa dos Humildes
- Ir para a ficha: Museus Cívicos de Monza: arte lombarda da Idade Média ao século XX no Arengário
- Via Regina Teodolinda 4, Monza (MB)
- https://www.museicivicimonza.it/
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- info@museicivicimonza.it
- +39 039 2307126
Os Museus Cívicos de Monza esperam por você no coração da cidade, na sugestiva Casa dos Humildes, um edifício medieval que foi local de oração da ordem religiosa homônima. Após um fechamento de trinta anos, o museu reabriu em 2014 e hoje oferece um percurso de aproximadamente 900 metros quadrados em dois andares. No térreo, o claustro e as salas acolhem achados arqueológicos da Idade do Bronze à Idade Média: entre estes, destaca-se o Ara dos Modiciates, uma epígrafe que recorda o antigo nome dos monzeses. Subindo ao primeiro andar, você mergulha na arte do século XVI ao XX: o núcleo da coleção provém da doação Galbesi Segrè de 1923, depois enriquecida por obras vencedoras do Prêmio Cidade de Monza. Aqui você pode admirar obras-primas de Mosè Bianchi, Pompeo Mariani, Eugenio Spreafico e Emilio Borsa, ao lado de esculturas de Arturo Martini e Marino Marini. Não perca a seção dedicada à cerâmica e as duas preciosas cômodas de Giuseppe Maggiolini. O museu é completamente acessível, com elevador, percursos táteis e guias em formato Easy to Read. O bilhete inteiro custa 6 €, o reduzido 4 €, e é gratuito todo primeiro domingo do mês. Aberto de quarta a domingo, com horários variáveis conforme a estação. Um lugar perfeito para descobrir a história de Monza através da arte.
Parque Natural Bosco delle Querce: um tesouro de memória e natureza
Em Seveso e Meda, no coração da Brianza, há um parque que conta uma história de renascimento. O Parque Natural Bosco delle Querce, 43 hectares de verde, nasce na área mais contaminada pelo desastre da ICMESA em 10 de julho de 1976. Após a descontaminação, o solo poluído foi selado em dois tanques subterrâneos e coberto com terra limpa, e hoje sobre esses tanques cresce uma floresta exuberante. O percurso é simples: uma trilha de 2,5 km sem desnível, perfeita para famílias e carrinhos de bebê. Entre carvalhos, bordos campestres e carpa branca ouvem-se os cantos de pica-paus-vermelhos-grandes e garças-cinzentas. Há também laguinhos com nenúfares e uma área de jogos para crianças. Eu apreciei o silêncio – apenas passos na cascalho e folhas movidas pelo vento. No centro de visitantes, na via Ada Negri, pode-se ver um curto filme sobre a história do parque. E é bom saber: desde 2023 o Bosco delle Querce é ‘Guardião de orquídeas’ graças ao projeto LIFE Orchids. Em suma, um lugar onde memória e natureza se fundem, longe do caos da Brianza urbanizada. Horários variáveis conforme a estação (dezembro-fevereiro apenas sábado e domingo 9-17). A entrada é gratuita.
Villa San Martino: história e segredos da residência brianzola
- Ir para a ficha: Villa San Martino em Arcore: afrescos setecentistas e jardim à italiana
- Viale San Martino, Arcore (MB)
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Se você passar por Arcore, não pode deixar de notar o imponente portão da Villa San Martino. Sim, é a histórica residência de Silvio Berlusconi, mas suas raízes mergulham muito mais no tempo. Originalmente era um mosteiro beneditino, adquirido em 1713 pelos condes Giulini, que o transformaram em uma suntuosa vila neoclássica. A estrutura em forma de U abre-se para uma avenida prospetiva que, em teoria, chegava até o rio Lambro – hoje está um pouco escondida pela vegetação, mas o fascínio permanece. No século XIX passou para os Casati, uma das famílias mais influentes do Risorgimento (pense que Gabrio Casati foi o promotor da lei Casati sobre a educação). Aqui se hospedava frequentemente Benedetto Croce, amigo do conde Alessandro Casati. Depois, em 1974, o empresário Berlusconi a adquiriu por 500 milhões de liras, metade em ações. Fez uma restauração conservadora e acrescentou um toque pessoal: o mausoléu “Volta Celeste”, um monumento de 100 toneladas em mármore e travertino assinado por Pietro Cascella, com uma câmara hipógea e 36 lóculos. Pena que nunca foi autorizado para sepultamentos, então permaneceu vazio. No interior, a vila abriga uma pinacoteca com mais de 25.000 obras – pinturas, esculturas, cerâmicas – colecionadas por Berlusconi sem muitos critérios, a ponto de os especialistas a definirem como um exemplo de kitsch. A biblioteca conta com 10.000 volumes e a sala de recepções tem uma mesa para 36 lugares. Hoje a vila ainda é privada e não pode ser visitada, mas se você olhar bem além do portão, verá o parque de 17 hectares com rosas, tulipas e um lago. Um lugar que fez história na Itália, entre intrigas, política e um toque de mistério.
Palazzo Arese Borromeo, tesouro barroco em Cesano Maderno
- Piazza Esedra, Cesano Maderno (MB)
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Se você pensa que a Brianza é só casas e shoppings, está muito enganado. Em Cesano Maderno, a poucos quilômetros de Monza, ergue-se um dos palácios barrocos mais belos da Lombardia. Construído a partir de 1626 por vontade de Bartolomeu III Arese, o palácio é uma joia autêntica. Entre no pátio de honra e logo percebe que está em um lugar especial. As salas do térreo abrigam exposições de arte contemporânea, mas o verdadeiro espetáculo está no Piso Nobre: 25 salas inteiramente afrescadas pelos maiores pintores do Seiscentos lombardo, como Ercole Procaccini, o Jovem, os irmãos Montalto, Antonio Busca e Giovanni Ghisolfi. A Sala dos Feitos Romanos vai deixá-lo de queixo caído, com arquiteturas falsas e cenas da história de Roma. E depois há o Ninfeu, uma gruta das maravilhas decorada com pedrinhas de rio brancas e pretas, onde a natureza se funde com a arte. Lá fora, o Jardim Histórico se estende por 10 hectares com mais de 1.000 árvores, 60 estátuas e fontes barrocas como a Fonte dos Dromedários. Passeie entre o jardim italiano e o parque inglês. Informações práticas: o palácio pode ser visitado com visita autônoma (€5) ou guiada (€9) aos sábados e domingos, das 10h às 13h e das 15h às 19h. É acessível a deficientes. Resumindo, um mergulho no Seiscentos que você não pode perder.
MUST: o museu do território vimercatese
- Via Vittorio Emanuele Secondo 53, Vimercate (MB)
- https://www.museomust.it/
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- +39 039 6659488
Se você acha que um museu de cidade pequena é chato, não conhece o MUST. Inaugurado em 2010 dentro da setecentista Villa Sottocasa em Vimercate, este museu cívico conta a Brianza-leste (entre Lambro e Adda) de forma moderna e interativa. O percurso se desenvolve em 14 salas em dois andares: no térreo, a história corre cronologicamente, desde os primeiros assentamentos romanos até o século XIX, com artefatos arqueológicos, mármores medievais e retratos de feudatários. Subindo ao primeiro andar, a montagem torna-se temática: aqui se fala de produção industrial, transformações da paisagem e identidade local, com vídeos, modelos 3D e instalações touch-screen. Não perca a capela com a Imaculada do Legnanino e os retratos de Mosè Bianchi. O MUST ganhou o Prêmio ICOM Itália 2012 como melhor montagem e foi nomeado para o European Museum of the Year Award. Aberto de quarta a domingo (fechado segunda e terça), ingresso inteiro € 5, reduzido € 3. Aos domingos às 16h30 há visita guiada (€ 2 extra, reserva obrigatória). Adequado para famílias: entrada gratuita para menores de 14 anos e bilhete família a € 8. Em resumo, um museu que surpreende e dá vontade de explorar o território.
Villa Bagatti Valsecchi: uma joia eclética no coração da Brianza
- Via Vittorio Emanuele Secondo 48, Varedo (MB)
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Em Varedo, a poucos passos de Monza, encontra-se a Villa Bagatti Valsecchi, uma residência que mistura estilos e séculos. Construída a partir de 1881 pelos irmãos Giuseppe e Fausto Bagatti Valsecchi sobre uma antiga casa rural setecentista, a vila é um exemplo de ecletismo lombardo: neobarroco e neorrenascentista se fundem com elementos recuperados de edifícios históricos milaneses. A loggia no topo, por exemplo, utiliza colunas provenientes do convento de Sant’Erasmo, enquanto o pórtico aproveita materiais do Lazzaretto de Milão. Passeando pelo parque, que se estende por 64.500 m², encontra-se a famosa Porta de São Gregório, único testemunho sobrevivente do lazareto juntamente com breves trechos em Milão e Bellagio. O jardim é uma fascinante mistura entre estilo italiano (geométrico e ordenado) e inglês (informal e romântico), com uma geleira circular, uma fonte com mosaico bicolor de mármore branco de Carrara e calcário negro, e uma estátua de Júlio César. Aqui natureza e história convivem, embora a vila atualmente se encontre em estado de semi-abandono, gerida pela Fundação La Versiera 1718 do Município de Varedo. Felizmente, é possível visitá-la durante as aberturas de Ville Aperte in Brianza ou participando em visitas guiadas organizadas pela Milanoguida (bilhete inteiro 15€). Não perca o passeio até à Igreja dos Santos Pedro e Paulo, projetada por Giuseppe Bagatti Valsecchi, que conserva a relíquia da costela de Santo Aquilino. Um cantinho da Brianza que merece ser redescoberto.
Villa Tittoni-Traversi: uma joia neoclássica em Desio
- Via Giovanni Maria Lampugnani, Desio (MB)
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Se você pensa que a Brianza oferece apenas a Villa Real de Monza, prepare-se para mudar de ideia. A poucos quilômetros, em Desio, encontra-se a Villa Cusani Tittoni Traversi, uma joia menos conhecida, mas igualmente fascinante. Projetada por Giuseppe Piermarini (sim, o mesmo do Teatro alla Scala) para os marqueses Cusani no século XVIII, a villa viu passar reis e diplomatas: em 1785 hospedou Ferdinando IV de Nápoles, e mais tarde foi cenário de encontros internacionais sob Tommaso Tittoni, Presidente do Conselho. A arquitetura é uma mistura surpreendente: no exterior, um elegante neoclássico com portão de ferro fundido e estátuas de mármore; no interior, Pelagio Palagi criou ambientes ecléticos, da Sala Neogótica com vitrais de Bertini (hoje no Poldi Pezzoli) à sugestiva Sala Mourisca, com teto arabesco. Mas o verdadeiro destaque é o parque inglês, obra de Antonio Villoresi: outrora enorme, hoje reduzido, mas ainda encantador, com laguinho e fonte de Netuno. E é tudo público! Desde 2012, no verão, o Parco Tittoni ganha vida com concertos e espetáculos. A villa é visitável com guia e abriga a biblioteca municipal e a coleção de esculturas de Giuseppe Scalvini. Um lugar que une arte, natureza e história, perfeito para um passeio fora da cidade. Conselho: não perca a capela privada Cusani, uma joia setecentista.
Parque Villa Borromeo D’Adda: uma joia verde em Arcore
- Arcore (MB)
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Se você pensa que a Brianza é só vilas e galpões, está muito enganado. Em Arcore, a poucos passos da estação, há um cantinho do paraíso: o Parque Villa Borromeo D’Adda. São mais de 30 hectares de verde, um jardim inglês projetado pelo grande Giuseppe Balzaretto em meados do século XIX. Ele moveu 160.000 metros cúbicos de terra para criar suaves colinas e lagos, plantando árvores exóticas que ainda hoje fazem sombra aos caminhos. Eu percorri tudo, e garanto que cada canto reserva uma surpresa: desde a Montagnola, a vila setecentista que domina o parque, até os dois lagos povoados por patos e tartarugas. Se vier com crianças, elas ficarão felizes na área de jogos; se tiver um cão, há uma área dedicada. E para os desportistas, um percurso de ginástica. O parque está aberto todos os dias gratuitamente, das 7 da manhã até o pôr do sol (horários variáveis conforme a estação). A vila histórica, reaberta em 2018 após restauro, pode ser visitada aos domingos ou em eventos como “Ville Aperte in Brianza”. No interior, salões com afrescos e uma escadaria monumental. Não perca a Cappella Vela, obra-prima neorrenascentista com esculturas de Vincenzo Vela, dedicada à esposa de Giovanni D’Adda. E as cavalariças oitocentistas hoje abrigam a Academia de Brera. Enfim, um lugar que mistura história, natureza e relaxamento: perfeito para um passeio fora de portas.






