Introdução
Se você pensa em Villa Monastero, imagine um lugar que guarda séculos de história em um abraço entre lago e jardim. Com vista para a margem oriental do Lago de Como, entre Varenna e Fiumelatte, esta antiga morada monástica transformada em residência nobre é hoje uma rara combinação: um jardim botânico de quase 2 km que margeia a orla do lago, uma casa-museu com 14 salas repletas de móveis de época e um centro de convenções internacional que já recebeu ninguém menos que Enrico Fermi. O contraste entre a elegância eclética da vila e a exuberante natureza exótica tira o fôlego. É um lugar para ser vivido com calma, entre um perfume de cítricos e uma vista que se estende até as montanhas.
Notas históricas
Tudo começa no
século XIII, quando os monges cistercienses fundam o mosteiro de Santa Maria. No século XVI, passa para os Mornico, que o transformam em uma vila renascentista. O engenheiro Pietro Genazzini em 1862 e a nobre Carolina Maumari em 1869 acrescentam seu toque. Desde 1918 é propriedade estatal, e em 1953 nasce o Centro de Congressos. O ponto alto? Em
1954, Enrico Fermi dá aqui suas últimas aulas de física.
- Séc. XIII: fundação do mosteiro cisterciense
- 1869: aquisição por Carolina Maumari
- 1918: passagem para o Estado
- 1953: instituição do Centro de Congressos
- 1954: Enrico Fermi dá aulas
- 2003: abertura ao público da Casa Museu
O jardim botânico: uma viagem entre espécies raras
O jardim da Villa Monastero é um percurso botânico com quase 2 km que serpenteia em terraços sobre o rochedo. Aqui encontram-se palmeiras africanas e americanas, agaves, iúcas, dráceas, e raridades como a palmeira azul Erythea armata. As fileiras de ciprestes e os cedros do Líbano criam uma atmosfera solene, enquanto estátuas, pequenos templos e fontes pontuam o percurso. Imperdível o grupo escultórico “A Clemência de Tito” de Comolli. O perfume dos citrinos e das oleandras mistura-se com a brisa do lago. É um lugar que convida a sentar-se num banco e a perder-se com o olhar entre as plantas e a água.
A Casa Museu: 14 salas de história e encanto
Situada à beira do lago, a Casa Museu é um museu completamente mobilado com móveis dos séculos XVIII e XIX. Cada sala tem uma personalidade: a Sala Negra em estilo neorrenascentista, a Sala da Música com dois pianos de época, a Sala Vermelha com mobiliário neorococó. A peça central é a Fermi Hall, onde Enrico Fermi deu suas últimas aulas em 1954 – ainda está intacta, com lousa e escrivaninha. Passeando pelas 14 salas, parece que você ouve as vozes dos ilustres hóspedes que aqui se hospedaram, de cientistas a literatos. Um mergulho no passado que exala elegância e cultura.
Por que visitá-la
Três motivos concretos. Primeiro: é o único lugar no Lago de Como onde você pode combinar um passeio botânico por um calçadão florido com a visita a uma residência histórica intacta. Segundo: o fascínio de ter recebido um prêmio Nobel – na Fermi Hall a atmosfera é quase sagrada. Terceiro: entrada gratuita para crianças menores de 12 anos e a possibilidade de chegar de barco com atracação gratuita (basta reservar). Em suma, adequada para todos: famílias, casais, apaixonados por história e simples curiosos. E com o bilhete cumulativo com a Villa Cipressi, o passeio fica ainda mais rico.
Quando visitar
O momento mais encantador? Final da tarde na primavera ou no outono, quando a luz do pôr do sol ilumina as águas do lago e as plantas do jardim. Os meses de abril, maio e setembro são ideais: as temperaturas são amenas, o jardim está em plena floração e a Casa Museu tem horários prolongados (até as 19:30). Se você ama as cores quentes, outubro oferece uma folhagem espetacular. Evite janeiro e fevereiro, pois a vila está fechada. No verão, os dias são longos e você pode aproveitar os horários até as 20:00, mas os fins de semana podem ser lotados.
Nas redondezas
A poucos passos da vila, vale a pena ver a nascente do Fiumelatte, o rio mais curto da Itália (250 metros) descrito por Leonardo da Vinci. Corre apenas de março a outubro, um fenômeno curioso. Depois, um passeio pela Greenway dos Patriarcas, uma trilha que margeia o lago ligando Varenna a Fiumelatte, entre oliveiras e velhas vilas. E, claro, a vila de Varenna, com seu Passeio dos Namorados e a Igreja de São Jorge. Tudo se percorre tranquilamente a pé, talvez com um sorvete na mão.