O que ver em Catânia: um dia entre barroco e street food

🧭 O que esperar

  • Ideal para: um city break de 2-3 dias
  • Cultura e história: barroco, teatros e sítios arqueológicos
  • Enogastronomia: mercado de peixe e street food
  • Atmosfera autêntica: longe das multidões, uma mistura de tradição e modernidade
  • Fácil de percorrer: centro histórico compacto, visita-se a pé

  • Eventos nas proximidades


    Catânia é uma cidade que surpreende. A poucos passos do mar e a um sopro do Etna, seu centro histórico é um labirinto de vielas onde o barroco siciliano se mistura com a vida cotidiana. Se você está procurando o que ver em Catânia em um dia, recomendo começar pela Piazza Duomo, coração pulsante da cidade, com a Catedral de Sant’Agata e a Fonte do Elefante. Depois, perca-se no Mercado do Peixe (Pescheria), uma experiência sensorial entre barracas coloridas e aromas do mar. Imperdível o Castelo Ursino, que conta a história normanda, e o Teatro Massimo Bellini, templo da ópera. Para uma pausa verde, o Jardim Botânico oferece um oásis de paz. E para quem ama arqueologia, o Anfiteatro Romano e o Teatro Grego testemunham a antiga grandeza. Catânia também é street food: experimente arancini, cannoli e granita. Neste artigo, você encontrará um roteiro prático para descobrir o melhor da cidade, com dicas sobre horários e ingressos. Prontos para partir?

    Visão geral



    Itinerários nas proximidades


    Catedral de Sant’Agata: o coração barroco de Catânia

    Catedral de Sant'AgataSe existe um lugar que guarda a alma de Catânia, é a Catedral de Sant’Agata. De pé desde 1094, esta igreja normanda foi várias vezes destruída por terremotos e reconstruída, até o último renascimento barroco assinado por Vaccarini no século XVIII. A fachada em mármore branco e pedra vulcânica é um triunfo de colunas coríntias, estátuas e detalhes que deixam você de boca aberta. Ao entrar, o olhar corre imediatamente para a Capela de Sant’Agata à direita, onde um busto de prata do século XIV guarda as relíquias da padroeira. Não muito longe, o túmulo de Vincenzo Bellini – sim, o compositor de Norma – é uma homenagem que emociona. O interior de três naves mistura mármores, afrescos e o coro de madeira do século XVI. Se tiver tempo, desça aos subterrâneos: os restos das Termas Aquilianas romanas são visitáveis mediante pagamento. A catedral está aberta todos os dias (entrada gratuita, mas lembre-se de cobrir ombros e joelhos). E depois de tanta beleza? Saia e em menos de um minuto você está na Pescheria, o mercado de peixe mais vivo de Catânia. Aqui, o street food reina: arancini, peixe frito, granita – o verdadeiro espírito catanês. Um conselho: venha de manhã cedo, quando a luz filtra pelos vitrais e a cidade acorda. Uma experiência que une barroco e sabores, exatamente como o título promete.

    Catedral de Sant’Agata

    Teatro Massimo Bellini: uma joia de sons e história

    Teatro Massimo BelliniNo coração de Catânia, a dois passos da Piazza Stesicoro, ergue-se majestoso o Teatro Massimo Bellini, templo da ópera dedicado ao compositor catanês Vincenzo Bellini. Inaugurado em 31 de maio de 1890 com a sua Norma, é uma obra-prima do ecletismo francês do Segundo Império, assinada pelo arquiteto milanês Carlo Sada. A fachada, com o seu elegante pórtico para carruagens e as grades em ferro forjado, já promete maravilhas. No interior, a sala em forma de ferradura tem 1.200 lugares distribuídos por quatro ordens de camarotes e uma galeria, com uma acústica tão perfeita que o tenor Beniamino Gigli a considerou a melhor do mundo. Cada detalhe é suntuoso: o teto pintado por Ernesto Bellandi celebra o compositor e as suas obras mais famosas – Norma, A Sonâmbula, Os Puritanos e O Pirata – enquanto a cortina histórica de Giuseppe Sciuti retrata a vitória dos cataneses sobre os líbios. Por aqui passaram lendas como Maria Callas, Luciano Pavarotti, Placido Domingo, e maestros do calibre de Riccardo Muti e Zubin Mehta. Hoje, o teatro oferece uma rica temporada de ópera, sinfónica e dança, mas também visitas guiadas para descobrir os segredos deste tesouro. A bilheteira está aberta todos os dias das 9h às 17h, e os bilhetes custam entre 5 e 35 euros, dependendo do espetáculo. Um conselho de viajante: se passar por Catânia, não se limite a fotografar a fachada; entre, nem que seja para respirar a atmosfera de um local onde a música é rainha.

    Teatro Massimo Bellini

    Castelo Ursino: uma fortaleza entre história e street food

    Castelo UrsinoO Castelo Ursino é um daqueles lugares que te surpreendem. Você chega pensando num castelo medieval normal, mas descobre que é muito mais. Construído por ordem de Frederico II da Suábia entre 1239 e 1250, projetado por Ricardo de Lentini, era um baluarte em defesa do golfo. Hoje, após a erupção de 1669 e o terremoto de 1693, encontra-se no interior, rodeado de palácios e avenidas. Sua planta quadrada de cerca de 50 metros de lado é imponente, com quatro torreões circulares (de até 30 metros de altura) e muralhas de pedra lavica com 2,5 metros de espessura. A entrada principal ainda é protegida por uma ponte levadiça, e sobre o arco destaca-se uma águia suábia que agarra uma lebre – símbolo do poder imperial. No interior, o pátio acolhe-te com uma escada gótico-renascentista, e as quatro grandes salas abobadadas em cruzaria fazem-te sentir dentro de um filme histórico. Mas a parte mais fascinante? Os grafites deixados pelos prisioneiros entre os séculos XVI e XIX: brasões, barcos, orações. A data mais antiga legível é 1526. Abriga o Museu Cívico com as coleções Biscari. Uma visita aqui é um mergulho na história, talvez com um arancino na mão comprado em algum lugar no centro.

    Castelo Ursino

    Anfiteatro Romano: o gigante escondido de Catânia

    Anfiteatro RomanoSe você caminhar pela praça Stesicoro, logo notará uma grande depressão no calçamento. É o Anfiteatro Romano, um dos maiores da Sicília, mas por séculos enterrado sob terra e casas. Construído no século II d.C. entre os imperadores Adriano e Antonino Pio, podia conter 15.000 espectadores sentados, o dobro se incluirmos as arquibancadas temporárias. Hoje se vê apenas um décimo: o resto dorme sob a via Neve, via Manzoni e via Penninello. A estrutura é em pedra lavada do Etna com tijolos vermelhos e mármores; os degraus são 14, divididos em três ordens. Passeando pelos corredores (ambulacros), quase se ouve o barulho da multidão que aclamava os gladiadores. Depois, no século V, o anfiteatro tornou-se uma pedreira: suas colunas foram parar na Catedral de Sant’Agata, encomendada por Rogério II. O terremoto de 1693 o enterrou completamente. Apenas no século XVIII o príncipe de Biscari iniciou as escavações, e em 1907 a área foi aberta ao público. Após a Guerra das Vésperas, as entradas foram muradas, e durante a Segunda Guerra Mundial os hipogeus serviram como abrigo antiaéreo. Desde 3 de julho de 2024 a gestão passou para o Município de Catânia, com horários variados: 9:00-19:00 de abril a outubro, 9:00-17:00 no inverno, fechado em 25 de dezembro. O bilhete custa 4 euros (reduzido 3), gratuito para menores de 10 anos, deficientes e acompanhante. Pequeno inconveniente: não é acessível para deficientes motores. Recomendo visitá-lo de manhã cedo, quando a luz baixa ilumina os tijolos e a lava, e você pode desfrutar do silêncio antes que chegue a multidão. Traga um pouco de imaginação: aquele buraco no chão era a arena onde as feras duelavam. E se erguer o olhar, imagine o velário que protegia do sol.

    Anfiteatro Romano

    Praça do Duomo: o coração barroco de Catânia

    Praça do DuomoTu estás no centro de tudo. A Praça do Duomo é a sala de estar de Catânia, um triunfo de branco e preto que conta o renascimento após o terremoto de 1693. No centro domina u Liotru, o elefante de pedra lavica que sustenta um obelisco egípcio: símbolo da cidade, entre lenda e história. Ao redor, a Catedral de Sant’Agata com sua fachada barroca assinada por Vaccarini, o Palácio dos Elefantes (prefeitura) e a Fonte do Amenano, onde os cataneses jogam moedinhas. Daqui parte a Via Etnea, reta em direção ao Etna. Mas o verdadeiro espetáculo é a atmosfera: o vaivém de pessoas, os bares nas laterais, e dali a poucos passos a Peixaria, o mercado de peixe mais animado da cidade. Recomendo parar para provar comida de rua: arancini, cartocciate e peixe frito. Se tiver tempo, desça abaixo da praça nas Termas Aquilianas, termas romanas do século IV, onde corre o rio Amenano. Um dia aqui é um mergulho na história e nos sabores de Catânia.

    Praça do Duomo

    Um mergulho no verde no Jardim Botânico de Catânia

    Jardim Botânico de CatâniaDepois do caos do centro, uma parada no Jardim Botânico de Catânia é exatamente o que se precisa. Fundado em 1858 pelo monge beneditino Francesco Tornabene, este jardim de 16.000 m² é um cantinho de paz escondido na via Etnea. Assim que se entra, o ar muda: perfume de terra e folhas, o farfalhar das palmeiras. O jardim divide-se em duas partes: o Hortus Generalis, com canteiros geométricos e plantas exóticas, e o Hortus Siculus, dedicado à flora espontânea siciliana. Aqui destaca-se a raríssima Zelkova sicula, uma espécie em risco de extinção. A coleção de plantas suculentas é fantástica: mais de 2.000 espécies, com exemplares ultracentenários de Echinocactus grusonii. Imperdível o Tepidarium, a estufa de ferro e cristais reconstruída em 2008, onde crescem café e mamão. Se vier na primavera, pode pegar o evento ‘Jardim em flor’ (domingo às 11, bilhete 7,50 €) com visitas guiadas sensoriais e uma olhadela nas abelhas. A entrada é gratuita de segunda a sexta (9-17, sábado 9-13, fechado domingo). Para mim foi uma lufada de oxigénio: super-recomendado para desligar um pouco do tour barroco.

    Jardim Botânico de Catânia

    Mosteiro de São Nicolau da Areia: a Versalhes siciliana

    Mosteiro de São Nicolau da AreiaSe você pensa que já viu tudo em Catânia, prepare-se para mudar de ideia. O Mosteiro de São Nicolau da Areia, segundo na Europa apenas ao de Mafra, é uma experiência que o transporta por séculos de história. Aqui, entre as paredes que hoje abrigam o Departamento de Ciências Humanas, ainda se respira o ar de um passado feito de erupções, terremotos e renascimentos. Fundado em 1558 pelos beneditinos fugidos de Nicolosi, o complexo foi reconstruído após a erupção de 1669 e o terremoto de 1693, e hoje se mostra em todo o seu esplendor tardo barroco.

    Entre pelo portal da Praça Dante e deixe-se surpreender pela fachada inacabada da igreja: as colunas param no meio, um aviso de ambições demasiado grandes. No interior, a planta em cruz latina se estende por 105 metros de comprimento, e o olho corre em direção à cúpula de 62 metros desenhada por Stefano Ittar. Não perca o grande órgão barroco de Donato Del Piano, com 2.378 tubos, e o relógio de sol de 40 metros que marca o tempo com precisão.

    Mas o verdadeiro coração é o mosteiro: dois claustros – o dos Mármores com colunas jônicas e fonte, e o de Levante com o delicioso Caffeaos – ligados pelo Corredor do Relógio de 214 metros. Nos subterrâneos, acessíveis com visita guiada, escondem-se uma domus romana do século II d.C. e o “Ventre”, um poço profundo de 32 metros. Um conselho: reserve o passeio para não perder os cantos mais secretos. Horários: todos os dias 9:00-17:00 (domingo fechado). Bilhete inteiro 10 €, mas vale cada centavo.

    Mosteiro de São Nicolau da Areia

    Palazzo Biscari: a joia do barroco catanês

    Palazzo BiscariSe há um lugar que personifica o espírito do barroco catanês, é sem dúvida o Palazzo Biscari. Localizado no bairro Civita, com vista para a marina, este palácio privado é o mais importante da cidade. Construído após o terremoto de 1693 por vontade dos príncipes de Biscari, foi concluído em 1763. A fachada posterior, com seus sete grandes janelões decorados, é um triunfo de alegorias: Abundância, Prosperidade, Fertilidade e Sabedoria. Mas é ao cruzar a entrada que se fica sem fôlego. O pátio interno é dominado por uma majestosa escada em pinça, que leva aos salões. O ponto alto é o Salão das Festas, em estilo rococó, com espelhos, estuques e um afresco central que celebra a família. Acima, uma escada em “nuvem” levava a orquestra. Imperdível a Quadreria, com obras dos séculos XVII e XVIII, e a Galeria dos Pássaros, com painéis decorados e pisos de cerâmica. Curiosa também a Sala de Dom Quixote. Hoje o palácio ainda é habitado pelos descendentes e pode ser visitado. Eu optei pela visita não guiada (8€, sem reserva), que permite explorar com calma. Se estiver em grupo, vale a pena a guiada (60€ para 1-4 pessoas, 15€ por pessoa para grupos maiores). Atenção aos horários: variam conforme os eventos. Um conselho: de manhã cedo há menos gente. E sim, é o mesmo palácio onde filmaram “Os Vice-Reis” e onde Goethe se hospedou em 1787. Enfim, um mergulho na história que não vai decepcionar.

    Palazzo Biscari

    Teatro Greco-Romano: a joia escondida de Catânia

    Teatro Greco-RomanoCaminhando pela Via Vittorio Emanuele, você não esperaria se deparar com um teatro romano. E no entanto, ali está ele, o Teatro Greco-Romano, encaixado entre os palácios barrocos de Catânia. Datado do século II d.C., este teatro ergue-se sobre um edifício grego anterior do século V-IV a.C. – diz-se que o próprio Alcibíades teria feito um discurso ali. Com um diâmetro de quase 100 metros, podia albergar até 7.000 espectadores. Hoje, da grandiosa estrutura são bem visíveis a cávea (as arquibancadas), a orquestra e os restos da cena. O que impressiona é a combinação de materiais: pedra vulcânica do Etna, calcário e mármores preciosos que outrora decoravam cada canto. Debaixo da cávea, os corredores abobadados (ambulacros) ainda são percorríveis e dão uma ideia da complexidade do edifício. Bem ao lado, não perca o Odeão, um teatro menor usado para concertos, que hoje acolhe espetáculos de verão. A visita dura cerca de uma hora: recomendo vir de manhã cedo, quando a luz ilumina as arquibancadas e o contraste com os telhados barrocos é espetacular. O bilhete custa 6€ (reduzido 3€) e inclui também a entrada no Antiquário. Atenção: a orquestra está frequentemente alagada pelo lençol freático do rio Amenano – um efeito sugestivo que, no entanto, impede espetáculos modernos. Um lugar que cheira a história, para ser vivido com calma.

    Teatro Greco-Romano

    Basílica Maria Santíssima da Esmola: a Colegiada barroca

    Basílica Maria Santíssima da EsmolaSe você passear pela via Etnea, não pode deixar de notá-la: a Basílica Maria Santíssima da Esmola, mais conhecida como a Colegiada, é um dos símbolos do barroco catanês. Sua fachada, obra de Stefano Ittar, é um triunfo de curvas e volutas que parecem dançar para o alto. Sim, confesso, me impressionou imediatamente: aquela escadaria em pinça, as estátuas de Santa Ágata e Santa Apolônia, a loggia com São Pedro e São Paulo… um verdadeiro espetáculo.

    A história aqui é estratificada. Sob seus pés há restos de um templo romano dedicado a Prosérpina, depois uma igrejinha bizantina. Em 1198 foi palco da conspiração do Domingo de Ramos, e em 1396 tornou-se a Capela Real dos soberanos aragoneses. O terremoto de 1693 a arrasou, mas a reconstrução – com o eixo invertido para se abrir para a nova via Etnea – presenteou a cidade com esta obra-prima.

    Entre e deixe-se envolver pela atmosfera solene. As três naves são dominadas pelos afrescos de Giuseppe Sciuti (1896) na abóbada e na cúpula: um esplendor de luz e cor que conta histórias bíblicas. Não perca as capelas laterais: Olivio Sozzi e Francesco Gramignani Arezzi deixaram telas preciosas. O altar-mor guarda uma cópia do ícone bizantino da Madonna da Esmola, enquanto o coro de madeira com 36 cadeiras é uma joia setecentista.

    Pequena nota prática: a basílica está aberta todos os dias das 09:00 às 21:00, entrada gratuita (embora algumas fontes falem em bilhete, a mim não foi pedido). Fica no número 23 da via Etnea, a poucos passos da Catedral. Após a visita, delicie-se com um lanche num dos muitos bares da rua: a comida de rua catanesa espera por você!

    Basílica Maria Santíssima da Esmola

    Fonte do Elefante: o símbolo negro de Catânia

    Fonte do ElefanteAo centro da Piazza Duomo, a Fonte do Elefante é o coração pulsante de Catânia e seu símbolo mais autêntico. Realizada entre 1735 e 1737 por Giovanni Battista Vaccarini, une uma estátua de basalto negro – chamada “U Liotru” – a um obelisco egípcio em granito com 3,66 metros de altura. O elefante, voltado para a Catedral de Sant’Ágata, tem uma história misteriosa: segundo o geógrafo árabe Idrisi, já estava na cidade no século XII, e talvez remonte à época bizantina. Suas patas traseiras, estilhaçadas pelo terremoto de 1693, foram restauradas por Vaccarini, que adicionou olhos e presas em pedra branca. Na base, duas estátuas representam os rios Simeto e Amenano, enquanto nas laterais do elefante pende uma gualdrappa com os brasões de Sant’Ágata. No topo do obelisco, uma esfera, uma palma e um ramo de lírios simbolizam martírio e pureza, e uma placa metálica traz o acrônimo “MSSHDEPL” – “Mente sã e sincera, pela honra de Deus e pela libertação de sua pátria”. O nome “Liotru” deriva da lenda de Heliodoro, um nobre do século VIII que, segundo a tradição, fabricava ídolos e montava o elefante para viajar até Constantinopla. Em 1239 o elefante tornou-se o símbolo oficial de Catânia, e hoje você o encontra no brasão municipal, no da universidade e como mascote das equipes esportivas locais. A fonte é gratuita e visível sempre: nos arredores, não perca a Catedral, o Palazzo dei Chierici e a Basílica Colegiada. Um conselho? Vá ao pôr do sol, quando a luz quente acaricia a pedra vulcânica e o elefante parece ganhar vida.

    Fonte do Elefante

    Porta Garibaldi: entrada triunfal entre história e símbolos

    Porta GaribaldiAtravessar a Porta Garibaldi é como mergulhar no passado. Construída em 1768 sob projeto de Stefano Ittar e Francesco Battaglia, esta porta foi erguida para celebrar o casamento entre Fernando IV de Bourbon e Maria Carolina da Áustria, daí o nome original de Porta Ferdinandea. Após a Unificação da Itália, foi rebatizada em homenagem a Garibaldi, que nela entrou triunfantemente em 1862.

    O que impressiona de imediato é o contraste cromático: pedra lavada preta do Etna alternada com calcário branco de Siracusa ou Lentini, uma verdadeira obra-prima do barroco siciliano. No alto, um relógio domina uma águia e um elefante, símbolos da cidade. Mas o detalhe que mais me emocionou é a fénix com a inscrição “Melior de cinere surgo” (Melhor ressurgir das cinzas): um lema que conta a resiliência de Catânia após erupções e terramotos.

    A porta marcava a entrada oeste da cidade e fazia parte de um sistema defensivo do qual hoje resta apenas o nome do bairro, Fortino (“u Futtinu” no dialeto), devido a um fortim do século XVII já desaparecido. A área foi requalificada, embora alguns edifícios ligados tenham sido demolidos nos anos 1930, deixando um pouco de assimetria.

    Visitá-la é muito simples: gratuita, ao ar livre, acessível 24 horas por dia. Chega-se a pé do centro em cerca de 15 minutos, ou de autocarro (linhas 9, 14, 29, 341). Durante a Festa de Santa Ágata, a procissão passa sob o arco, e é um espetáculo que recomendo a todos. Eu achei-a um pouco mais pequena do que imaginava, mas precisamente por isso mais íntima e carregada de significado. Se passarem pela via Garibaldi, parem um instante: a história está toda ali, esculpida na pedra.

    Porta Garibaldi

    Villa Bellini: o coração verde de Catânia

    Villa BelliniSe há um lugar que os cataneses chamam simplesmente de ‘a Villa, é o Jardim Bellini. Um enorme pulmão verde de mais de 70.000 metros quadrados no meio da Via Etnea, onde o tempo parece passar mais devagar. Entrar por aquela entrada monumental de 1932 é como dar um salto no tempo, entre canteiros outrora bem cuidados e avenidas sombreadas por palmeiras e fícus gigantes.

    As origens são setecentistas: era o jardim privado do príncipe de Biscari, com aquele curioso ‘Labirinto’ de sebes. Depois, em 1854, a câmara municipal comprou-o e abriu-o ao público, inaugurando-o oficialmente em 6 de janeiro de 1883.

    Duas colinas dominam a cena: na colina sul destaca-se o Quiosque dos Concertos em ferro forjado, estilo mourisco, que acolheu concertos de música clássica até aos anos 50. Na outra colina havia um quiosque chinês em madeira de cerejeira, infelizmente destruído por um incêndio em 2001. Mas a caminhada até ao topo oferece uma vista espetacular do Etna, especialmente quando está coberto de neve.

    E depois há a Avenida dos Homens Ilustres, com bustos de Verga, Capuana, Mazzini… E não perca a árvore monumental, um Ficus macrophylla de 30 metros de altura com uma circunferência de quase 15: é um dos maiores da Sicília.

    O parque está aberto todos os dias, com horários que variam consoante a estação. A entrada é gratuita. Um conselho: se puder, visite-o no domingo de manhã para descobrir o criptopórtico subterrâneo setecentista, aberto gratuitamente das 9h30 às 12h30.

    Claro, alguns cantos mostram algum abandono, mas a atmosfera é autêntica. É o local perfeito para uma pausa depois do street food no centro: sentar-se num banco e observar a vida a passar, entre crianças a brincar e idosos a conversar. E se tiver sorte, talvez apanhe um concerto improvisado no Quiosque da Música.

    Villa Bellini

    Fonte do Amenano: a água em lençol que encanta

    Fonte do AmenanoEm frente ao majestoso Palazzo degli Elefanti, no lado sul da Piazza del Duomo, há um canto que parece saído de um sonho: a Fonte do Amenano. Construída em 1867 pelo escultor napolitano Tito Angelini em mármore de Carrara, esta fonte não é apenas um monumento, mas um pedaço da vida quotidiana. A estátua central representa um jovem segurando uma cornucópia, de onde a água jorra para uma bacia em forma de concha. Mas a magia está no efeito: a água transborda criando uma cascata contínua que os cataneses chamam carinhosamente de “acqua a linzolu”, ou seja, água em lençol. Um nome que conta tanto a forma quanto a memória histórica: antigamente as mulheres do bairro lavavam a roupa ali. Atrás, uma escadaria em pedra lavica leva diretamente à Pescheria, o animado mercado de peixe, onde o cheiro do mar se mistura com o barulho da água. A fonte é também um símbolo do rio Amenano, que corre subterrâneo a cerca de dois metros abaixo da praça, e que aqui emerge por um instante. Entre os detalhes imperdíveis, os dois trítões nas laterais que sopram em conchas, e o brasão da cidade esculpido na base. Conselho: passe por lá de manhã cedo, quando a luz ilumina o mármore e a água parece ainda mais fresca. E se quiser um amuleto de sorte, dizem que molhar os pés traz boa sorte… mas é melhor usar sapatos confortáveis para o passeio.

    Fonte do Amenano

    Praça da Universidade: entre barroco, lendas e vida noturna

    Praça da UniversidadePraça da Universidade é uma daquelas praças que te cativam imediatamente. Com vista para a Via Etnea, a menos de cem metros da Praça da Catedral, é o ponto de encontro de estudantes, turistas e cataneses genuínos. O nome vem do Palácio da Universidade (o Siculorum Gymnasium) que domina o lado oeste, fundado em 1434 por Afonso, o Magnânimo, e reconstruído após o terremoto de 1693. Em frente, o Palácio San Giuliano (1738) e o Palácio Gioeni d’Angiò completam o cenário barroco. O piso é todo em pedra lavica, com o brasão da cidade ao centro. Mas o verdadeiro destaque são os quatro lampiões de bronze nos cantos, realizados em 1957 por Mimì Maria Lazzaro e Domenico Tudisco. Cada lampião conta uma lenda: Gammazita que se atira no poço para fugir de um soldado, os irmãos Pii que salvam os pais da erupção, o paladino Uzeta que derrota os gigantes, e Colapesce, o nadador que sustenta a Sicília. À noite a praça se ilumina: os bares montam mesas ao ar livre, artistas de rua se apresentam, e o clima se torna festivo. É o lugar certo para um aperitivo ou um sorvete, enquanto admira os palácios iluminados. Uma parada obrigatória antes de mergulhar na comida de rua catanesa, talvez com um arancino ou uma granita tomados em um dos bares próximos.

    Praça da Universidade