Introdução
Passeando por Pistoia, você se depara com um pórtico que parece saído de um sonho: é o Ospedale del Ceppo. O friso de terracota vidrada, com quase 40 metros de comprimento, cativa imediatamente com suas cores vivas. Aqui, arte e medicina se fundem em uma história que dura sete séculos. Não é um museu qualquer: é uma viagem pelo cuidado, entre obras-primas renascentistas e segredos subterrâneos. O friso das Sete Obras de Misericórdia é o primeiro abraço que o acolhe, e já basta para se apaixonar pelo lugar.
Notas históricas
Fundado em 1277, segundo a lenda, depois que a Virgem Maria apareceu ao casal Antimo e Bendinella indicando um tronco florido no inverno. O hospital cresceu enormemente após a peste de 1348, graças aos legados dos doentes. No século XV, passou para Florença e o administrador Leonardo Buonafede encomendou a loggia e o friso robbiano. No século XVI, tornou-se Escola de Medicina; em 1785 foi construído o pequeno anfiteatro anatômico. Funcionou como hospital até 2013, depois transformado em museu. Aqui foi inventado o bisturi, chamado de ‘pistorienses gladii’.
O friso robbiano
A verdadeira estrela do Ospedale del Ceppo é o friso que corre sob a loggia. Realizado entre 1525 e 1529 por Giovanni Della Robbia e Santi Buglioni, é uma obra-prima de terracota vidrada policromada. Sete painéis ilustram as Obras de Misericórdia: vestir os nus, acolher peregrinos, visitar os prisioneiros, cuidar dos enfermos – numa cena vê-se um paciente na cama com um médico a tomar-lhe o pulso. Entre as cenas, as Virtudes (Fé, Esperança, Caridade…) e o brasão médico. Em cada placa aparece o patrono Buonafede, ajoelhado. A técnica vidrada torna as cores brilhantes ainda hoje.
Subterrânea e anfiteatro anatômico
Sob o hospital desenvolve-se um percurso de 650 metros ao longo do antigo leito do riacho Brana: é Pistoia Subterrânea, o mais longo percurso hipógeo da Toscana. Caminha-se entre lavatórios medievais, uma ponte romana e antigos moinhos. Mas a joia é o Anfiteatro Anatômico, o menor do mundo: dez assentos de madeira, uma estante para o professor e uma mesa para as dissecações. Construído em 1785, testemunha a vanguarda médica pistoiese. Na Sala da Academia Médica conservam-se instrumentos cirúrgicos do século XIX e o famoso bisturi local.
Por que visitá-lo
Três motivos práticos. Primeiro: o friso robbiano é único na Itália em tamanho e estado de conservação – não se encontra um ciclo tão completo das Obras de Misericórdia. Segundo: a possibilidade de visitar os subterrâneos medievais faz entender como se vivia e cuidava no passado, com restos autênticos. Terceiro: o anfiteatro anatômico é uma raridade, quase íntimo. É um museu que conta sete séculos de medicina sem entediar, perfeito para quem ama história, arte e ciência. E se você é curioso, pergunte pelo bisturi pistoiense!
Quando ir
O melhor momento? No final da tarde de um dia útil. A luz baixa ilumina o friso de forma mágica, fazendo brilhar as cores dos Della Robbia. Durante a semana há menos gente e você pode desfrutar dos subterrâneos quase em solidão. Se puder, evite a segunda-feira fechada. No outono e na primavera o clima é ideal para um passeio pelo centro após a visita. Mas também no inverno, com a luz rasante, a loggia tem um encanto especial.
Nas imediações
O Ospedale del Ceppo fica no coração de Pistoia, portanto você tem tudo à mão. A poucos passos, a Catedral de San Zeno com sua torre sineira e o Batistério em estilo românico. Um pouco mais adiante, as muralhas medievais da cidade. Se tiver tempo, visite o Museu de Palazzo Fabroni (arte contemporânea) ou dê uma volta pelas lojas de artesanato do centro. Pistoia é compacta, caminha-se bem a pé. E depois de tanta história, delicie-se com um crostino quente em uma das trattorias da praça.