Introdução
Área arqueológica Corfinium: capital itálica e mosaicos. Em Corfinio, a antiga capital dos Pelignos mostra domus com mosaicos, templos e santuário num parque arqueológico imerso na história dos Abruzos. É um daqueles lugares onde você sente que está a caminhar dentro de um livro de história, mas sem filtros. Você chega, estaciona, e depois de poucos passos está entre estradas romanas com passeios de cascalho, bases de colunas, soleiras de antigas lojas. O melhor é que nem tudo é reconstruído: restos verdadeiros, com erva a crescer entre as pedras. A parte mais emocionante? A domus com os mosaicos policromos, ainda no seu lugar. Não há multidões, não há bilheteira barulhenta; há o silêncio, interrompido apenas pelo vento. Um lugar que recomendo a quem ama os Abruzos autênticos.
Notas históricas
Corfinium era a capital dos Pelignos, um povo itálico que controlava o vale do Aterno. Em 304 a.C. entrou na órbita de Roma, mas foi durante a Guerra Social (91-88 a.C.) que se tornou o coração da revolta: aqui os aliados itálicos a elegeram capital, cunhando a primeira moeda com a inscrição ‘Itália’. Após a derrota, o nome mudou para Valva e a cidade viveu uma longa fase romana, com um teatro, termas e ricas domus. Saqueada durante a guerra greco-gótica e pelos sarracenos, reemergiu na época medieval como Pentima, depois Corfinio. As escavações modernas, iniciadas em 1985 graças a um gasoduto, revelaram o bairro de Piano San Giacomo e o santuário.
- I milênio a.C.: capital dos Pelignos.
- 304 a.C.: aliança com Roma.
- 91-88 a.C.: capital da Liga Itálica, moeda ‘Itália’.
- 49 a.C.: chegada de César, episódio da ‘clemência’.
- séculos VI-X: saques e declínio.
- 1985: escavações do parque arqueológico.
Piano San Giacomo: mosaicos, oficinas e vida de bairro
Aqui ficava a cidade imperial: um bairro verdadeiro, densamente habitado, com ruas de saibro, passeios de gravilha e lancis de pedra. Ao longo do eixo com pórticos da via Popedio, continuação urbana da via Valeria, abriam-se tabernas e casas particulares. Depois vem a surpresa: uma domus com mosaicos policromos e aplicações de mármores preciosos. Não longe, os restos de um complexo termal. O que me impressionou? As ocupações abusivas: em época tardia, alguns telheiros de madeira tinham invadido a rua, sinal de que a cidade estava viva. Aqui também se produzia cerâmica sigillata de qualidade, como demonstram as matrizes encontradas. Caminhamos entre fundações, pórticos e soleiras, e com um pouco de imaginação revemos o vaivém de carroças e oficinas.
Templo Itálico e Santuário de Santo Hipólito
Duas almas, dois lugares. O templo itálico, datado do século I a.C., é um bloco em opus incertum (cerca de 23×16 metros) com a cella que conserva um pavimento de mosaico preto e branco; ao lado, um templo menor em opus reticulatum. Pouco distante, uma necrópole do século IV a.C. com sepulturas escavadas no cascalho. O outro polo é o santuário de Santo Hipólito, nascido em torno de uma nascente termal já explorada na antiguidade. As piscinas rituais, o altar de mármore e os ex-votos (estatuetas de Hércules, partes anatômicas, bovinos) contam um culto ligado à água e à pastorícia. Com o tempo, cristãos e pagãos deixaram aqui os mesmos sinais de devoção: um palimpsesto religioso raro.
Por que visitar
Porque é um dos raros casos no Abruzzo onde se pode ver uma cidade romana ‘in situ’, com mosaicos ainda no pavimento. Porque o parque só é visitado mediante reserva e muitas vezes ficamos quase sozinhos. E porque, no final do passeio, o Museu Cívico Arqueológico Antonio De Nino completa o quadro, com a moeda ‘Itália’ e o camafeu de Cláudio.
Quando ir
Se puder, escolho o final da tarde, quando a luz rasante acende as cores dos mosaicos e o silêncio do parque se torna mais denso. Num dia de meia estação, com a erva ainda fresca à volta do santuário, é o melhor momento. Evitaria as horas centrais do verão, quando o sol sobre o cascalho é forte.
Nos arredores
Nos arredores, vale a pena visitar a Concatedral de San Pelino, joia românica dos Abruzos. E, para quem quer manter o mesmo clima, a vila de Corfinio, com as suas ruas e fragmentos romanos. Se tiver tempo, o Parque Natural Regional Sirente-Velino fica ali, com os seus trilhos.