Área Arqueológica Corfinium: capital itálica e mosaicos

Empoleirada a 345 metros acima do nível do mar, ao longo da antiga Via Valéria, a Área Arqueológica Corfinium é a porta de entrada para a história dos Pelignos e da Liga Itálica: aqui, em 91 a.C., foi cunhada a primeira moeda com a inscrição ‘Itália’. O Parque Arqueológico Don Nicola Colella atravessa-se a pé entre três áreas: a cidade romana de Piano San Giacomo, o Templo Itálico e o Santuário de Santo Hipólito. Eis o que não perder:
Piano San Giacomo – ruas de saibro, pórticos, tabernas, termas e uma domus com mosaicos policromos.
Templo Itálico – o grande templo em opus incertum com pavimento de mosaico preto e branco.
Santuário de Santo Hipólito – uma fonte de águas terapêuticas com altar e tanques rituais.
Museu Antonio De Nino – peças únicas, incluindo um camafeu de Cláudio e a moeda com a inscrição ‘ITALIA’.


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Copertina itinerario Área Arqueológica Corfinium: capital itálica e mosaicos
Em Corfinio, a antiga capital dos Pelignos mostra domus com mosaicos, templos e santuário num parque arqueológico imerso na história dos Abruzos.

Informações importantes


Introdução

Área arqueológica Corfinium: capital itálica e mosaicos. Em Corfinio, a antiga capital dos Pelignos mostra domus com mosaicos, templos e santuário num parque arqueológico imerso na história dos Abruzos. É um daqueles lugares onde você sente que está a caminhar dentro de um livro de história, mas sem filtros. Você chega, estaciona, e depois de poucos passos está entre estradas romanas com passeios de cascalho, bases de colunas, soleiras de antigas lojas. O melhor é que nem tudo é reconstruído: restos verdadeiros, com erva a crescer entre as pedras. A parte mais emocionante? A domus com os mosaicos policromos, ainda no seu lugar. Não há multidões, não há bilheteira barulhenta; há o silêncio, interrompido apenas pelo vento. Um lugar que recomendo a quem ama os Abruzos autênticos.

Notas históricas

Corfinium era a capital dos Pelignos, um povo itálico que controlava o vale do Aterno. Em 304 a.C. entrou na órbita de Roma, mas foi durante a Guerra Social (91-88 a.C.) que se tornou o coração da revolta: aqui os aliados itálicos a elegeram capital, cunhando a primeira moeda com a inscrição ‘Itália’. Após a derrota, o nome mudou para Valva e a cidade viveu uma longa fase romana, com um teatro, termas e ricas domus. Saqueada durante a guerra greco-gótica e pelos sarracenos, reemergiu na época medieval como Pentima, depois Corfinio. As escavações modernas, iniciadas em 1985 graças a um gasoduto, revelaram o bairro de Piano San Giacomo e o santuário.

  • I milênio a.C.: capital dos Pelignos.
  • 304 a.C.: aliança com Roma.
  • 91-88 a.C.: capital da Liga Itálica, moeda ‘Itália’.
  • 49 a.C.: chegada de César, episódio da ‘clemência’.
  • séculos VI-X: saques e declínio.
  • 1985: escavações do parque arqueológico.

Piano San Giacomo: mosaicos, oficinas e vida de bairro

Aqui ficava a cidade imperial: um bairro verdadeiro, densamente habitado, com ruas de saibro, passeios de gravilha e lancis de pedra. Ao longo do eixo com pórticos da via Popedio, continuação urbana da via Valeria, abriam-se tabernas e casas particulares. Depois vem a surpresa: uma domus com mosaicos policromos e aplicações de mármores preciosos. Não longe, os restos de um complexo termal. O que me impressionou? As ocupações abusivas: em época tardia, alguns telheiros de madeira tinham invadido a rua, sinal de que a cidade estava viva. Aqui também se produzia cerâmica sigillata de qualidade, como demonstram as matrizes encontradas. Caminhamos entre fundações, pórticos e soleiras, e com um pouco de imaginação revemos o vaivém de carroças e oficinas.

Templo Itálico e Santuário de Santo Hipólito

Duas almas, dois lugares. O templo itálico, datado do século I a.C., é um bloco em opus incertum (cerca de 23×16 metros) com a cella que conserva um pavimento de mosaico preto e branco; ao lado, um templo menor em opus reticulatum. Pouco distante, uma necrópole do século IV a.C. com sepulturas escavadas no cascalho. O outro polo é o santuário de Santo Hipólito, nascido em torno de uma nascente termal já explorada na antiguidade. As piscinas rituais, o altar de mármore e os ex-votos (estatuetas de Hércules, partes anatômicas, bovinos) contam um culto ligado à água e à pastorícia. Com o tempo, cristãos e pagãos deixaram aqui os mesmos sinais de devoção: um palimpsesto religioso raro.

Por que visitar

Porque é um dos raros casos no Abruzzo onde se pode ver uma cidade romana ‘in situ’, com mosaicos ainda no pavimento. Porque o parque só é visitado mediante reserva e muitas vezes ficamos quase sozinhos. E porque, no final do passeio, o Museu Cívico Arqueológico Antonio De Nino completa o quadro, com a moeda ‘Itália’ e o camafeu de Cláudio.

Quando ir

Se puder, escolho o final da tarde, quando a luz rasante acende as cores dos mosaicos e o silêncio do parque se torna mais denso. Num dia de meia estação, com a erva ainda fresca à volta do santuário, é o melhor momento. Evitaria as horas centrais do verão, quando o sol sobre o cascalho é forte.

Nos arredores

Nos arredores, vale a pena visitar a Concatedral de San Pelino, joia românica dos Abruzos. E, para quem quer manter o mesmo clima, a vila de Corfinio, com as suas ruas e fragmentos romanos. Se tiver tempo, o Parque Natural Regional Sirente-Velino fica ali, com os seus trilhos.

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💡 Talvez você não soubesse que…

A lenda conta que a fonte de Santo Hipólito tem virtudes terapêuticas e que o santo ali foi martirizado; durante séculos, peregrinos e pastores deixaram ex-votos a Hércules, protetor da transumância. Entre as peças do museu, um camafeu com o imperador Cláudio e a moeda de prata ‘ITALIA’ contam o momento em que Corfinium desafiou Roma. Pouco distante, a ‘Clemência de Corfinium’ recorda que César perdoou os inimigos e transformou a cidade num símbolo de reconciliação.