Castel Rafenstein é uma ruína imponente que domina Bolzano a partir do alto da garganta do Talvera. Construído no século XIII para controlar as rotas comerciais, hoje é acessível por uma subida exigente mas gratificante. O panorama sobre a cidade e o Val Sarentino recompensa todos os esforços.
História: edificado por Federico Vanga, reconstruído no século XIV, residência de Marx Sittich.
Como visitar: apenas mediante pedido, grupos de pelo menos 20 pessoas com guia.
Acesso: a pé a partir do teleférico de San Genesio, com inclinação até 33%.
Arredores: o Gasthaus Rafenstein oferece cozinha alto-atesina e Törggelen no outono.
Introdução: uma ruína com vista para Bolzano
Castel Rafenstein é um daqueles lugares que você não espera. Empoleirado na rocha sobre o desfiladeiro do Talvera, na entrada do Vale de Sarentino, domina Bolzano a uma altitude de 692 metros. Já de longe você o nota: uma silhueta escura, quebrada, com muralhas que parecem fundir-se com o céu. Depois começa a subir e o cansaço transforma-se em maravilha. O panorama que se abre sobre a cidade e o vale é algo que você dificilmente esquecerá. As pedras são verdadeiras, enegrecidas pelo tempo, cheias de fendas e plantas trepadeiras. Não é um castelo restaurado e polido, mas uma ruína autêntica, com aquele fascínio melancólico que só as ruínas sabem dar. E se vocês forem sortudos, poderão ter o lugar quase todo para vocês: o acesso é mediante pedido e as visitas são guiadas.
Apontamentos históricos: corvos, bispos e uma batalha
A história do Castelo Rafenstein começa no século XIII por vontade do bispo de Trento, Frederico Vanga, que o mandou construir para controlar as rotas comerciais entre norte e sul. Em 1277, o conde Mainardo II do Tirol destruiu-o. A reconstrução, liderada por Luís da Brandemburgo, teve início em meados do século XIV e prosseguiu durante décadas. O castelo passou depois para os von Rafenstein, os von Goldegg, os Weineck e finalmente para os condes Wolkenstein. Foi aqui mesmo, por volta de 1600, que Marx Sittich von Wolkenstein escreveu a sua famosa ‘Landesbeschreibung von Tirol’. Em 1797, durante as guerras napoleónicas, um violento confronto entre franceses, austríacos e Schützen reduziu-o a escombros. Abandonado durante muito tempo, foi restaurado entre 2009 e 2014. Eis os momentos-chave:
O que resta: arquitetura e atmosfera
Hoje, o Castelo Rafenstein é uma ruína sugestiva, mas ainda imponente. Reconhecem-se a torre de menagem, uma torre de entrada, parte da muralha e a ala sul, acrescentada no século XIV. No século XVI, o castelo foi reforçado com um reduto e um bastião circular, tornando-se uma pequena fortaleza. No entanto, o interior não é visitável por motivos de segurança. Falando com os guias (se conseguirem organizar uma visita), percebe-se como deveria ser a vida aqui: escuro, frio, com o vento a assobiar entre as pedras. A atmosfera é verdadeiramente única. A vegetação tomou conta: arbustos e flores silvestres surgem entre as ameias, enquanto o contraste com a rocha escura cria uma paisagem quase nórdica. Quem veio até aqui em cima, porém, é recompensado com uma vista que se estende de Bolzano até ao Vale de Sarentino.
Como chegar: uma subida para pernas treinadas
Chegar a Castel Rafenstein já é uma aventura. A forma mais direta é de carro pela estrada provincial 99 de Bolzano em direção a San Genesio, mas a estrada é estreita e íngreme. Quem preferir transportes públicos pode apanhar o autocarro 156S. Mas a verdadeira experiência é a pé: parte-se da estação inferior do teleférico de San Genesio e sobe-se por uma estrada asfaltada que atinge inclinações de 25-33%. Não estejam demasiado confiantes: mesmo os mais treinados vão sentir as pernas a arder. O percurso faz parte do ‘Trilho dos Castelos’ (Castelronda) e durante a subida já se veem o Castelo Roncolo e as igrejas de São Tiago e São Jorge. Em alternativa, os ciclistas conhecem bem esta subida: 2,5 km com uma inclinação média de 17,7%, uma das mais difíceis da zona. Não é para todos, mas a vista lá de cima é uma recompensa memorável.
Por que visitá-lo?
Pelo menos três bons motivos para subir até aqui. Primeiro: o panorama. Do Castelo de Rafenstein domina-se toda a bacia de Bolzano e o Vale Sarentino, com uma perspetiva que não encontra nos miradouros oficiais. Segundo: a autenticidade. Não há bilhete, loja de souvenirs ou reconstrução falsa; só há ruínas, vento e história. Terceiro: a tranquilidade. Sendo visitável apenas sob pedido e em grupo, a experiência é íntima, longe da multidão. E depois há o fascínio do lugar: quem gosta de explorar os restos da Idade Média, com um toque de aventura, sente-se em casa. Se conseguirem organizar uma visita guiada (com pelo menos 20 pessoas), abrem-se-lhes recantos que de outra forma permanecem escondidos: vale mesmo a pena.
Quando ir
O momento mais bonito? O fim de tarde, pouco antes do pôr do sol. A luz rasante acende as muralhas de Rafenstein, deixando-as douradas, e o panorama sobre Bolzano torna-se espetacular. No outono, quando as florestas do Vale de Sarentino se colorem de vermelho e amarelo, a atmosfera é quase mágica. Também na primavera, porém, o ar puro e os prados floridos tornam a subida menos dura e mais agradável. No verão, nas horas quentes, o cansaço faz-se sentir mais: é melhor evitar o sol forte do meio-dia. Uma coisa é certa: qualquer momento que escolham, levem água e a máquina fotográfica. A vista compensará tudo.
Nos arredores
Depois da descida (ou mesmo antes, para ganhar coragem) podem combinar a visita ao Castel Roncolo, o famoso castelo dos ciclos cavalheirescos, que já se vê durante a subida. Ou, se quiserem provar a vida local, parem no Gasthaus Rafenstein: o terraço com vista para Bolzano é perfeito para uma pausa, e já no outono oferece o Törggelen com vinho novo e castanhas. Se por outro lado gostam de caminhar, os trilhos que sobem do centro de Bolzano (como o anel de Rafenstein ou a via Guntschna) são uma ótima forma de viver a montanha e chegar até aqui com as próprias pernas.