Catedral Metropolitana dos Santos Máximo e Jorge: história

A Catedral Metropolitana dos Santos Máximo e Jorge é o principal local de culto de L’Aquila, com vista para a Piazza Duomo. Nascida em 1256 com a criação da diocese, foi reconstruída várias vezes após os terremotos; o último, em 2009, causou o colapso do transepto e desde então está interditada. Apesar do fechamento, a fachada neoclássica e os dois campanários de 1928 dominam a praça juntamente com a igreja do Suffragio.

Pontos-chave:
– A história antiga: as origens ligadas ao papa Alexandre IV e à supressão da diocese de Forcona;
– As obras-primas perdidas: o túmulo do cardeal Agnifili, de Silvestro dell’Aquila, e a ‘falsa cúpula’ de Venanzio Mascitelli;
– A restauração em curso: obras de 37 milhões de euros iniciadas em 2023 para reconstruir a ábside e o transepto;
– A devoção a São Máximo: o padroeiro celebrado em 10 de junho, com relíquias guardadas sob o altar-mor.


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Copertina itinerario Catedral Metropolitana dos Santos Máximo e Jorge: história
A catedral dedicada aos Santos Máximo e Jorge é o símbolo religioso de L’Aquila: das origens no século XIII ao terremoto de 2009, hoje está em restauração. Eis o que ver na Piazza Duomo e a história de um monumento ferido, mas fascinante.

Informações importantes


Introdução: o símbolo ferido de Áquila

Passeando pela Piazza Duomo, o olhar vai imediatamente para a Catedral Metropolitana dos Santos Máximo e Jorge. É o símbolo religioso de Áquila, mas hoje apresenta-se como um estaleiro de obras: o terramoto de 2009 atingiu-a duramente e os restauros estão em curso. A fachada neoclássica, com as suas colunas e os dois campanários, ainda domina a cena, porém percebe-se que por detrás desses andaimes se esconde uma história de oito séculos. Não se pode entrar, mas parar para a observar é já uma forma de entrar em contacto com a cidade. Porque esta catedral não é apenas um edifício: é a memória viva de Áquila.

Notas históricas

A catedral nasce com a cidade. Em 1256, o papa Alexandre IV transfere a diocese de Forcona para Áquila, e a igreja já existente torna-se catedral. Pouco depois, em 1259, Manfredi a destrói: reconstrói-se na Piazza Duomo. Após o terremoto de 1315, toma forma o edifício medieval de três naves, do qual hoje resta apenas a parede direita com monóforas ogivais. O terremoto de 1703 é devastador: quase tudo desmorona. A reconstrução barroca começa em 1711, mas avança lentamente: a abside é consagrada em 1734, a igreja reabre apenas em 1780. Em 1928, completa-se a fachada com as duas torres. Em 6 de abril de 2009, o terremoto provoca o colapso do transepto e danos gravíssimos. Os trabalhos de restauro, iniciados em 2023, durarão cerca de cinco anos.

  • 1256/1257 – Transferência da sede episcopal de Forcona para Áquila
  • 1259 – Destruição por ordem de Manfredi
  • 1315 – Reconstrução após o terremoto
  • 1703 – Terremoto: colapso quase total
  • 1711 – Início da reconstrução barroca
  • 1780 – Reabertura ao culto
  • 1928 – Completamento da fachada neoclássica
  • 2009 – Terremoto: colapso do transepto
  • 2023 – Início dos trabalhos de restauro

Arquitetura e restauros: entre o barroco e os canteiros

O interior, hoje inacessível, é uma obra-prima barroca: planta em cruz latina, nave única com capelas laterais intercomunicantes, como na igreja de Santo Inácio em Roma. A abóbada é afrescada por Annibale Brugnoli e Gennaro della Monica (1886-87) com os santos protetores Máximo, Bernardino, Pedro Celestino e Equício. Curiosidade: a cúpula não existe, é uma tela de Venâncio Mascitelli que a simula em perspetiva. O terramoto de 2009 fez desabar o transepto e parte da abside, deixando o edifício exposto durante anos. A restauração em curso, de 37 milhões de euros, prevê também a reconstrução da ‘falsa cúpula’ sobre uma estrutura leve com video mapping. Uma intervenção complexa, que tenta devolver ao monumento a sua integridade.

As obras de arte: um museu dentro da igreja

Não se pode entrar, mas a catedral guarda tesouros que vale a pena conhecer. O monumento sepulcral do cardeal Amico Agnifili, esculpido por Silvestro dell’Aquila em 1480, é considerado uma das maiores obras-primas do Renascimento abruzzês. Nas capelas laterais encontravam-se telas de Baccio Ciarpi, Francesco da Montereale e a dramática ‘São Carlos entre os apestados’ de Teofilo Patini. O altar-mor guarda as relíquias de São Máximo, padroeiro da cidade, enquanto na capela de São Carlos se conserva a cabeça de São Vitorino. Há também um coro de madeira setecentista entalhado por Ferdinando Mosca de Pescocostanzo. À espera do restauro, estas obras permanecem invisíveis, mas a sua importância torna o lugar ainda mais misterioso.

Por que visitar

Mesmo do exterior, a catedral merece uma paragem. O principal motivo? A fachada neoclássica é um verdadeiro espetáculo: ordem gigante jónica, frontão e duas torres sineiras que emolduram a Piazza Duomo. Depois há o valor simbólico: ver um monumento que sofreu terramotos, destruições e reconstruções durante séculos, e que hoje está novamente em obras, dá a medida da resiliência de Áquila. Por fim, um passeio à volta do edifício permite notar os detalhes medievais sobreviventes, como a parede do século XIII com as monofore ogivais. Três bons motivos para não se limitar a uma foto de grupo e olhar com mais atenção.

Quando ir

O melhor momento é o fim da tarde, quando o sol baixo ilumina a pedra da fachada e os campanários projetam sombras longas na praça. No inverno, com a neve nas montanhas ou a luz rasante, a atmosfera é ainda mais evocativa. Se calhar de passar por lá no dia 10 de junho, dia de São Mássimo, a cidade reúne-se em volta da catedral para a festa do padroeiro. Mesmo que o interior esteja fechado, a praça torna-se o palco da devoção popular. De qualquer forma, evitem as horas centrais do verão: o sol bate forte e o estaleiro torna tudo mais poeirento.

Nos arredores

Depois da catedral, continuem para a Basílica de Santa Maria di Collemaggio, pouco fora das muralhas: é o símbolo do perdão, com a sua fachada românico-gótica e a Porta Santa. Outra joia é a Basílica de São Bernardino, no coração do centro histórico, onde repousa o santo senense e se admira uma obra-prima renascentista. Ambas foram danificadas pelo terramoto e representam paragens imperdíveis de um itinerário aquilano entre fé e arte. Não se esqueçam de saborear um arrosticino abruzzese numa das trattorias da zona.

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💡 Talvez você não soubesse que…

Poucos sabem que, antes do terremoto, o interior guardava uma falsa cúpula pintada por Venanzio Mascitelli: um trompe-l’œil que enganava o olho como em Santo Inácio, em Roma. Hoje, essa tela caiu, mas o projeto de restauração prevê recriá-la com videomapping. E todos os anos, em 10 de junho, a cidade lembra São Máximo, cujo corpo chegou de Forcona no século XV.