Introdução
Assim que atravessas o portão do Mosteiro de San Nicolò l’Arena, parece que entras num outro mundo. A imensidão do complexo tira-te o fôlego: claustros que se perdem de vista, escadarias majestosas, um silêncio que envolve tudo. Não é apenas um monumento, é uma experiência. Sentes-te pequeno perante esta arquitetura barroca que domina o centro de Catânia, mas ao mesmo tempo protegido pela sua grandiosidade. O que me impressionou de imediato? Aquele contraste entre a vitalidade caótica da cidade lá fora e a paz absoluta aqui dentro. Parece quase que o tempo parou.
Breve Histórico
A história deste lugar está intimamente ligada ao Etna e à tenacidade dos monges beneditinos. Fundado em 1500, foi
destruído duas vezes por fluxos de lava – em 1669 e depois pelo terremoto de 1693 – mas cada vez reconstruído maior e mais belo. Os monges nunca se renderam. No século XVIII, tornou-se um dos centros culturais mais importantes da Sicília, com uma biblioteca vasta e scriptoriums muito ativos. Depois veio a Unificação da Itália e a supressão das ordens religiosas. Hoje abriga parte da Universidade de Catania, mas a atmosfera sagrada persiste.
- 1558: Fundação do primeiro mosteiro
- 1669: Destruído pela erupção do Etna
- 1693: Arrasado pelo terremoto
- 1703-1866: Reconstrução no estilo barroco siciliano e período de máximo esplendor
- Hoje: Sede universitária e museológica
Os claustros que falam
Você deve absolutamente se perder entre os claustros. Não apenas um, mas vários, cada um com uma personalidade diferente. O Claustro de Levante é o meu favorito: árvores centenárias, poço central e aquele sentimento de paz que faz você esquecer que está na cidade. Depois, há o Claustro de Ponente, mais austero, com seus arcos de pedra branca. Mas a verdadeira surpresa? O jardim suspenso, um canto verde suspenso entre o céu e a história, onde os monges cultivavam plantas medicinais. Ainda hoje se sente o aroma de cítricos e ervas aromáticas. Caminhando, você notará os sinais do Etna por toda parte: pedras de lava incrustadas nas paredes, como um lembrete permanente da força da natureza.
Escadaria monumental e detalhes escondidos
A escadaria de honra é uma daquelas coisas que se vê nas fotografias, mas ao vivo emociona verdadeiramente. Mármores policromos, estuques dourados, uma escadaria que parece subir em direção ao céu. Mas o mais belo deste mosteiro são os detalhes que se descobrem ao percorrê-lo com calma: os azulejos setecentistas dos pavimentos, as máscaras barrocas que nos observam dos cantos, as grades de ferro forjado das antigas celas. Na igreja de San Nicolò, anexa ao mosteiro, há um órgão monumental que é uma obra-prima por si só. Gosto de me sentar num dos bancos de madeira e observar a luz que filtra pelas janelas altas, criando jogos de sombra nas paredes. Parece que cada pedra tem uma história para contar.
Porque visitar
Três motivos concretos? Primeiro: é uma imersão total no barroco siciliano sem as multidões de outros monumentos de Catânia. Pode apreciá-lo com tranquilidade. Segundo: a vista dos telhados de Catânia a partir do terraço superior é inestimável – vê-se a Catedral, o Etna ao fundo, o mar ao longe. Terceiro: aqui compreende-se verdadeiramente a relação entre Catânia e o seu vulcão. A própria arquitetura é uma resposta à força destrutiva do Etna, uma demonstração de resiliência que está no ADN dos cataneses. E depois, diga-se: é gratuito (ou quase), algo raro para uma joia como esta.
Quando ir
Eu estive lá numa manhã morna de outono e vou lembrar-me para sempre. A luz do início da tarde é mágica: entra pelas grandes janelas e ilumina os claustros com um calor dourado que realça cada detalhe barroco. No verão, procure as horas mais quentes: lá fora faz um calor tremendo, mas dentro do mosteiro há um fresco natural, graças às espessas paredes de pedra de lava. Na primavera, quando as árvores dos claustros estão em flor, a atmosfera é particularmente sugestiva. Evite os dias de chuva intensa: alguns pátios são descobertos e perderia parte da experiência.
Nos Arredores
Saindo do mosteiro, dê alguns passos até a Praça Dante, bem em frente. Aqui está a Porta Garibaldi, um arco triunfal em pedra branca e lava negra que é outro símbolo do renascimento de Catania após o terremoto. Pouco distante, no coração do mercado da Pescheria, encontra-se a Fonte do Amenano, onde a água do rio subterrâneo jorra entre barracas de peixe fresco – contrastes puramente cataneses. Se gostou da atmosfera monástica, a poucas quadras fica o Mosteiro das Beneditinas com seu parlatório de grades misteriosas.