O que ver em Veneza: 15 lugares imperdíveis com mapa e sestieri autênticos


🧭 O que esperar

  • Ideal para apaixonados por arte e viajantes que buscam autenticidade além dos percursos turísticos.
  • Inclui mapa interativo com 15 pontos de interesse e sestieri menos explorados para uma experiência única.
  • Aborda obras-primas renascentistas (Tintoretto, Tiziano) e arte moderna (Peggy Guggenheim).
  • Oferece vistas panorâmicas da Torre do Relógio e da Basílica de São Jorge Maior.

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A Cidade de Veneza não é apenas um postal: é um labirinto de canais, pontes e vielas onde cada canto conta uma história. Perde-te entre as praças silenciosas longe da multidão e descobre os segredos de uma cidade que vive sobre a água há séculos. Aqui precisas de um plano, porque andar ao acaso pode fazer-te perder tempo precioso. Neste guia encontras os lugares imperdíveis, desde a Praça de São Marcos até aos sestieri menos frequentados, com conselhos práticos sobre como te moveres entre vaporettos e barcos. Esquece as descrições poéticas: digo-te o que realmente vale a pena ver, como evitar as filas e onde encontrar aquela atmosfera autêntica que procuras. Prepara-te para caminhar, porque em Veneza as pernas são o melhor meio de transporte.

Visão geral



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Basílica de São Marcos

Basílica de São MarcosÉ impossível visitar Veneza sem parar na Basílica de São Marcos, o símbolo religioso e artístico da cidade que domina a praça homónima. Construída em 828 para guardar as relíquias de São Marcos, roubadas de Alexandria, no Egito, esta igreja é um exemplo único de arquitetura bizantina em Itália, com influências góticas e renascentistas adicionadas ao longo dos séculos. O exterior impressiona pelas cinco cúpulas e pela fachada coberta de mosaicos e mármores policromados, enquanto o interior é um triunfo de ouro e luz, com mais de 8.000 metros quadrados de mosaicos que contam histórias bíblicas e da vida do santo. Não perca os Pali d'Oro, um altar com 250 esmaltes bizantinos, e a Pala d'Oro, uma obra-prima da ourivesaria medieval. Subir ao terraço oferece uma vista deslumbrante sobre a Praça de São Marcos e a lagoa, e, se tiver sorte, poderá assistir a um concerto de órgão. Lembre-se de que a entrada é gratuita, mas para evitar longas filas, reserve online ou visite de manhã cedo. É necessário vestuário adequado: ombros e joelhos cobertos.

Basílica de São Marcos

Palácio Ducal

Palácio DucalO Palácio Ducal não é apenas um edifício, mas o próprio símbolo do poder e da grandeza de Veneza. Situado na Praça de São Marcos, esta obra-prima da arquitetura gótica veneziana foi durante séculos a sede do governo da Sereníssima, acolhendo o Doge, os tribunais e as prisões. A sua fachada em mármore rosa e branco, com as elegantes galerias e colunas, vai deixá-lo de boca aberta ainda antes de atravessar a soleira.

No interior, espera-o um percurso fascinante através de salas sumptuosas como a Sala do Grande Conselho, onde se reuniam os nobres venezianos, e a Sala do Escrutínio, rica em pinturas que celebram as vitórias da República. Não perca a Escadaria Dourada, uma imponente escadaria decorada com estuques dourados que conduz aos apartamentos do Doge. Aqui, obras de artistas como Tintoretto e Veronese contam histórias de glória e intrigas.

Uma paragem imperdível é a Ponte dos Suspiros, que liga o palácio às prisões: atravesse-a para imaginar os suspiros dos condenados que viam pela última vez a lagoa. Hoje, o palácio acolhe também o Museu da Ópera, com artefactos que ilustram a sua história arquitetónica. Recomenda-se reservar os bilhetes online para evitar filas, especialmente na alta temporada, e dedicar pelo menos um par de horas à visita para apreciar cada detalhe.

Palácio Ducal

Praça de São Marcos

Praça de São MarcosA Praça de São Marcos é o coração pulsante de Veneza, um lugar que tira o fôlego assim que se pisa nela. Carinhosamente chamada de a sala de estar da Europa, esta praça é muito mais do que um espaço aberto: é um concentrado de história, arte e vida veneziana. A primeira coisa que se nota é a imponência da Basílica de São Marcos, com as suas cúpulas bizantinas e os mosaicos dourados que brilham ao sol. Ao lado, o Campanário de São Marcos oferece uma vista panorâmica sobre a lagoa, mas lembre-se de que a subida requer um bilhete e pode ter filas, especialmente na alta temporada. À direita da basílica, o Palácio Ducal conta séculos de poder da Sereníssima, com as suas salas afrescadas e a famosa Ponte dos Suspiros que liga às prisões. Não perca a Torre do Relógio, com o seu mecanismo astronómico que marca as horas desde o Renascimento. A praça é animada pelos cafés históricos como o Florian e o Quadri, perfeitos para um café ou um aperitivo, embora os preços sejam elevados. Atenção aos pombos: são icónicos, mas evite dar-lhes comida para não incorrer em multas. O pavimento em traquito e mármore forma desenhos geométricos que guiam o olhar para o mar, criando um efeito ótico único. À noite, a iluminação e a música dos conjuntos ao ar livre proporcionam uma atmosfera mágica. Conselho prático: visite a praça de manhã cedo para evitar a multidão e desfrutar do silêncio, ou ao pôr do sol para ver os reflexos dourados na basílica. É acessível a todos, mas atenção aos passeios elevados e às zonas húmidas quando há água alta. A Praça de São Marcos não é apenas uma paragem obrigatória: é a essência de Veneza, onde cada canto conta uma história.

Praça de São Marcos

Ponte de Rialto

Ponte de RialtoO Ponte de Rialto não é apenas uma ponte, é o símbolo vivo de Veneza. Construído em 1591 com projeto de Antonio da Ponte, substituiu uma estrutura anterior em madeira que desabou várias vezes. O seu arco imponente em pedra da Ístria é uma obra-prima da engenharia renascentista, projetada para permitir a passagem das embarcações maiores do Canal Grande. Subindo os degraus, notará as vinte e quatro lojas que ladeiam a passagem central, divididas em duas filas por um pórtico. Aqui encontrará joalheiros, vidreiros e lojas de lembranças, uma tradição comercial que continua desde o século XVI. A vista da ponte é espetacular: à esquerda avista-se o mercado de Rialto com as suas bancas de peixe e legumes, à direita o Canal Grande serpenteia entre palácios históricos como a Ca' d'Oro e o Palazzo Grassi. À noite, a iluminação suave cria uma atmosfera mágica, longe da multidão diurna. Recomenda-se visitá-lo ao amanhecer para desfrutar da luz dourada no canal, ou à noite quando as luzes se refletem na água. Atenção: a ponte está sempre cheia de gente, mas vale cada minuto de espera por aquela fotografia perfeita que capta a essência de Veneza.

Ponte de Rialto

Santa Maria della Salute

Santa Maria della SaluteQuando chegas a Veneza, é impossível não notar a majestosa Santa Maria della Salute, que se destaca na entrada do Canal Grande como um farol de beleza e história. Construída no século XVII como ex-voto pelo fim da peste que atingiu a cidade, esta basílica é uma obra-prima do barroco veneziano, projetada por Baldassare Longhena. A sua forma octogonal, encimada por uma grande cúpula e rodeada por volutas e estátuas, cria uma imagem icônica que se reflete nas águas da lagoa. Ao entrar, ficarás impressionado com a luminosidade dos interiores, com mármores policromados e obras de arte de Tiziano e Tintoretto, incluindo o célebre 'San Marco in trono' na sacristia. A posição estratégica, em frente à Praça de São Marcos, torna-a um ponto de observação privilegiado para admirar a bacia de São Marcos e o Palácio Ducal. A cada 21 de novembro, durante a Festa da Salute, os venezianos atravessam uma ponte provisória para participar da missa, uma antiga tradição que testemunha a ligação profunda da cidade com este lugar. Não percas a oportunidade de subir ao terraço para uma vista panorâmica única de Veneza, perfeita para tirar fotos inesquecíveis. Lembra-te que a entrada é gratuita, mas para aceder à sacristia e ao terraço é necessário um pequeno contributo, que vale cada cêntimo pela experiência que oferece.

Santa Maria della Salute

Basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari

Basílica de Santa Maria Gloriosa dei FrariSe procura uma experiência autêntica em Veneza, longe das multidões da Praça de São Marcos, a Basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari é uma paragem imperdível. Esta imponente igreja gótica, construída pelos Franciscanos entre os séculos XIV e XV, recebe-o no tranquilo Campo dei Frari, no sestiere de San Polo. A sua fachada em tijolos vermelhos e o campanário, o segundo mais alto apenas ao de São Marcos, dão logo uma ideia da sua grandiosidade. Ao entrar, ficará impressionado com a amplitude do interior de três naves, marcado por colunas em pedra de Ístria e tetos em abóbada de cruzaria. Mas o verdadeiro tesouro são as obras de arte: aqui encontra a famosa Pala dell'Assunta de Tiziano, uma obra-prima renascentista que domina o altar-mor com as suas cores vibrantes. Não perca também o monumento funerário a Tiziano, realizado pelos seus discípulos, e a escultura em madeira de São João Batista de Donatello, um raro exemplo do mestre toscano em Veneza. A basílica alberga ainda os túmulos de doges e artistas, como o compositor Claudio Monteverdi, acrescentando um toque de história veneziana. Lembre-se de vestir-se adequadamente (ombros e joelhos cobertos) e verifique os horários de abertura, pois podem variar devido a funções religiosas. Uma sugestão: compre o bilhete combinado com a vizinha Scuola Grande di San Rocco para otimizar a visita.

Basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari

Ponte dos Suspiros

Ponte dos SuspirosO Ponte dos Suspiros é um dos símbolos mais icónicos de Veneza, uma obra-prima arquitetónica que capta imediatamente a atenção. Construído em pedra da Ístria no início do século XVII, segundo o projeto de Antonio Contin, liga o Palácio Ducal às Prisões Novas, atravessando o Rio di Palazzo. O seu nome romântico e sugestivo nasce de uma lenda: diz-se que os prisioneiros, ao passar por esta ponte coberta, suspiravam ao ver pela última vez a liberdade através das pequenas janelas. Na realidade, o termo 'Suspiros' foi cunhado apenas no século XIX pelo poeta Lord Byron, que imortalizou o seu fascínio melancólico. A estrutura é um exemplo da arquitetura barroca veneziana, com decorações intrincadas e duas janelinhas gradeadas que permitiam apenas vislumbres do mundo exterior. Hoje, a ponte é acessível durante a visita ao Palácio Ducal, oferecendo uma perspetiva única sobre a vida dos detidos da época. Não perca a vista exterior a partir da Ponte da Palha ou de uma embarcação, que proporciona fotografias inesquecíveis, especialmente ao pôr do sol, quando a luz dourada ilumina a fachada. Lembre-se de que o interior só é visitável com o bilhete para o Palácio Ducal, portanto, planeie com antecedência para evitar filas. O Ponte dos Suspiros não é apenas uma atração turística, mas um pedaço de história viva que conta séculos de poder, justiça e humanidade na Sereníssima.

Ponte dos Suspiros

Coleção Peggy Guggenheim

Coleção Peggy GuggenheimSe pensa que Veneza é apenas Renascimento e barroco, prepare-se para uma agradável surpresa: a Coleção Peggy Guggenheim é um oásis de arte moderna e contemporânea que o cativará com a sua energia. Situada no Palácio Venier dei Leoni, um edifício inacabado do século XVIII com vista direta para o Grande Canal, esta casa-museu preserva o espírito vibrante da sua fundadora, a excêntrica mecenas americana Peggy Guggenheim. Ao entrar, é recebido por uma atmosfera íntima e pessoal: não é um museu convencional, mas a residência onde Peggy viveu durante trinta anos, decorada com mobiliário de época e obras de arte que dialogam entre si. A coleção permanente, uma das mais importantes em Itália para a arte do século XX, abrange desde o Cubismo ao Surrealismo, do Abstracionismo europeu ao Expressionismo abstrato americano. Aqui pode admirar obras-primas de Picasso, Kandinsky, Magritte, Pollock e Dalí, muitas das quais Peggy adquiriu pessoalmente, muitas vezes a preços baixos, demonstrando um olho incrível. Não perca a famosa “A Espera” de De Chirico ou as esculturas de Marino Marini no jardim, incluindo a controversa “Anjo da Cidade” com o seu cavaleiro audaciosamente montado. O jardim das esculturas, com obras de Moore e Giacometti, é um recanto de paz ideal para uma pausa, enquanto a esplanada no Grande Canal oferece uma vista única sobre a água. A coleção é gerida pela Fundação Solomon R. Guggenheim e organiza frequentemente exposições temporárias de alto nível. Recomenda-se reservar online para evitar filas, especialmente aos fins de semana, e dedicar pelo menos algumas horas para explorar com calma. É uma experiência que une arte, história e uma localização de sonho, perfeita para quem procura algo diferente dos habituais itinerários venezianos.

Coleção Peggy Guggenheim

Basílica de São Jorge Maior

Basílica de São Jorge MaiorSe procura uma vista deslumbrante sobre Veneza e uma obra-prima arquitetónica sem as multidões da Praça de São Marcos, a Basílica de São Jorge Maior é o seu destino ideal. Situada na ilha homónima em frente à Bacia de São Marcos, esta igreja é um exemplo sublime da arquitetura de Andrea Palladio, concluída após a sua morte em 1610. A fachada em mármore branco, com as suas colunas coríntias e o frontão triangular, cria um contraste elegante contra o céu e a água, enquanto o interior surpreende pela sua luminosidade e austeridade, típicas do estilo paladiano. Não perca a Pintura de altar de Tintoretto, 'A Deposição', que domina a abside com os seus dramáticos claroscuros. Mas o verdadeiro destaque é o campanário, acessível por elevador: do seu topo, a 75 metros de altura, desfruta-se de uma panorâmica a 360 graus sobre Veneza, a Bacia de São Marcos e as ilhas da lagoa, muitas vezes menos concorrida do que a de São Marcos. A própria ilha, com o seu mosteiro beneditino adjacente (hoje sede da Fundação Giorgio Cini), oferece uma atmosfera tranquila, perfeita para uma pausa do caos do centro. Para lá chegar, basta uma curta viagem de ferry (vaporetto linha 2) a partir de San Zaccaria, com partidas frequentes. Lembre-se de verificar os horários de abertura, pois a basílica está ativa para funções religiosas, e considere uma visita ao pôr do sol para ver Veneza iluminar-se enquanto o sol se põe sobre a lagoa.

Basílica de São Jorge Maior

Scuola Grande di San Rocco

Scuola Grande di San RoccoSe pensa que já viu tudo em Veneza, prepare-se para uma surpresa: a Scuola Grande di San Rocco é um daqueles lugares que muitas vezes escapam aos percursos mais movimentados, mas oferece uma experiência artística inesquecível. Situada no sestiere de San Polo, a poucos passos da majestosa Basílica dos Frari, este edifício renascentista foi a sede de uma confraria leiga dedicada a São Roque, protetor dos pestíferos. O que a torna única no mundo é o ciclo pictórico de Jacopo Tintoretto, que aqui trabalhou por mais de vinte anos, de 1564 a 1587, decorando tetos e paredes com mais de 60 telas. Ao entrar, fica-se sem fôlego perante a Sala dell'Albergo, onde se destaca a dramática Crucificação, considerada uma das obras-primas do artista. Subindo ao andar superior, a Sala Capitolare oferece um triunfo de cenas bíblicas, como Moisés a fazer brotar água da rocha ou a Queda do maná, todas caracterizadas por um uso intenso da luz e do movimento típico de Tintoretto. Não perca a Sala Terrena, com obras juvenis do artista, incluindo a Anunciação e a Fuga para o Egito, que já mostram o seu estilo inovador. A escola é também um exemplo de arquitetura veneziana, com a fachada em pedra de Ístria e os interiores sóbrios que contrastam com a riqueza das pinturas. Uma dica prática: compre o bilhete combinado com a vizinha Igreja de San Rocco, onde repousam os restos mortais do santo, para uma experiência completa. Lembre-se de que está aberta todo o ano, mas evite as horas de ponta para desfrutar das obras em tranquilidade. Para os amantes de arte, é uma paragem obrigatória que rivaliza com os museus mais famosos da cidade, oferecendo uma viagem à Veneza do século XVI sem a multidão da Praça de São Marcos.

Scuola Grande di San Rocco

Gallerie dell'Accademia

Gallerie dell'AccademiaSe pensa que Veneza é apenas canais e palácios, prepare-se para mudar de ideias: as Gallerie dell'Accademia guardam a mais extraordinária coleção de pintura veneziana do mundo, uma viagem na arte que o deixará sem fôlego. Situadas no complexo da Scuola Grande di Santa Maria della Carità, ao longo do Canal Grande, estas galerias não são um simples museu, mas uma experiência imersiva na história artística da Sereníssima. A visita desenrola-se por 24 salas, organizadas por ordem cronológica, começando no Trecento bizantino até chegar ao Settecento de Tiepolo. Aqui encontrará obras-primas absolutas como 'A Tempestade' de Giorgione, uma obra envolta em mistério que continua a fazer discutir os estudiosos, ou o célebre 'Banquete em Casa de Levi' de Veronese, originalmente pintado para um refeitório e depois modificado para escapar à censura da Inquisição. Não perca as delicadas Madonas de Bellini, que marcam a transição para o Renascimento veneziano, e os dramáticos claroscuros de Tintoretto, como o 'Milagre do Escravo', onde a luz se torna protagonista. A própria montagem faz parte da magia: muitas obras ainda estão colocadas nas molduras originais, e as salas conservam afrescos e decorações da época. Um conselho prático: reserve online para evitar filas, especialmente aos fins de semana, e considere que a entrada é gratuita no primeiro domingo do mês. Lembre-se que as Galerias estão fechadas à segunda-feira, por isso organize a sua visita em conformidade. Para os apaixonados, o audioguia é um investimento que vale cada euro, com explicações detalhadas sobre as obras-primas e anedotas curiosas. À saída, pare no pátio interior: é um recanto de paz longe da multidão, perfeito para assimilar tanta beleza.

Gallerie dell'Accademia

Teatro La Fenice

Teatro La FeniceSe pensa que Veneza é apenas gôndolas e canais, prepare-se para uma surpresa: o Teatro La Fenice é uma das joias culturais mais preciosas da cidade, um lugar onde a história da ópera italiana ganha vida entre paredes douradas e veludos vermelhos. Construído em 1792, o teatro deve o seu nome à fénix, a ave mitológica que renasce das próprias cinzas, um símbolo apropriado visto que foi destruído por incêndios duas vezes (em 1836 e em 1996) e sempre reconstruído com fidelidade maníaca. Hoje, entrar na sua sala principal é uma experiência que tira o fôlego: as cinco ordens de camarotes decorados a ouro e o teto afrescado criam uma atmosfera suntuosa, enquanto a acústica é considerada uma das melhores do mundo. Não é apenas um museu: aqui ainda se realizam temporadas líricas de alto nível, concertos sinfónicos e bailados, com artistas internacionais a pisarem o palco onde estrearam óperas como La Traviata de Giuseppe Verdi em 1853. A visita guiada permite explorar também o ridotto, as salas Apollinee e o foyer, descobrindo anedotas sobre os compositores que marcaram a história da música. Recomendo verificar o calendário dos espetáculos: assistir a uma ópera aqui é uma experiência inesquecível, mas se não conseguir, a visita diurna vale na mesma o bilhete para se mergulhar em dois séculos de elegância veneziana. Lembre-se que o teatro fica no sestiere de San Marco, a poucos passos de Campo Sant'Angelo, e é facilmente acessível a pé a partir dos principais pontos de interesse. Leve consigo a máquina fotográfica (sem flash) para capturar os detalhes dourados, mas sobretudo prepare-se para se sentir parte da história.

Teatro La Fenice

Ca' d'Oro: o palácio mais belo do Canal Grande

Ca' d'OroSe procura uma obra-prima da arquitetura gótica veneziana, Ca' d'Oro é uma parada imperdível. Com vista direta para o Canal Grande, este palácio do século XV é apelidado de 'casa de ouro' pelas douraduras que outrora adornavam sua fachada de mármore policromado, hoje visíveis apenas parcialmente, mas ainda sugestivas. Projetado por arquitetos como Giovanni Bon e seu filho Bartolomeo, o edifício impressiona pela harmonia de suas triforas e dos rendilhados em pedra de Ístria, um exemplo perfeito do estilo florido veneziano.

Hoje, Ca' d'Oro abriga a Galeria Giorgio Franchetti, uma coleção de arte doada ao Estado italiano em 1916. No interior, encontrará obras de mestres como Mantegna, Tiziano e Van Dyck, além de esculturas renascentistas e móveis antigos. Não perca o pátio interno com seu poço de mármore e o mosaico do piso, um recanto de tranquilidade longe da multidão. Subindo ao primeiro andar, a loggia oferece uma vista deslumbrante do Canal Grande, perfeita para tirar fotos sem as aglomerações habituais da Ponte de Rialto.

O palácio tem uma história fascinante: passou por vários proprietários, incluindo um período de abandono, antes de ser restaurado pelo barão Franchetti. Hoje, suas salas também conservam achados arqueológicos e uma coleção de cerâmicas medievais. A entrada é paga, mas muitas vezes há descontos para estudantes e maiores de 65 anos, e o acesso é conveniente graças à parada do vaporetto 'Ca' d'Oro' na linha 1. Lembre-se de que fecha às segundas-feiras, portanto, planeje a visita em outros dias para não encontrar a porta fechada.

Ca' d'Oro

Torre do Relógio

Torre do RelógioA Torre do Relógio de Veneza, também conhecida como Torre dos Mouros, é um dos símbolos mais fascinantes da Praça de São Marcos. Construída entre 1496 e 1499 com projeto de Mauro Codussi, esta torre renascentista não é apenas um relógio, mas uma verdadeira obra-prima de engenharia e arte. Sua fachada em mármore branco e azul destaca-se entre os edifícios da praça, atraindo imediatamente a atenção dos visitantes. O relógio astronômico, criado por Gian Paolo e Gian Carlo Ranieri, é uma maravilha tecnológica do Renascimento: mostra as horas, as fases da lua, o zodíaco e a posição do sol em relação à Terra. Acima do mostrador, duas estátuas de bronze, os 'Mouros', batem as horas em um grande sino, um momento que os turistas adoram fotografar. Subindo os degraus da torre (reserva obrigatória), acessa-se um terraço panorâmico que oferece uma vista deslumbrante da Praça de São Marcos e da lagoa. No interior, podem-se admirar os mecanismos originais do relógio, ainda funcionando após mais de 500 anos. A torre foi restaurada várias vezes, a última em 2006, para preservar sua beleza. A visita dura cerca de 30-40 minutos e é uma experiência única para quem quer mergulhar na história veneziana. Lembre-se de que o acesso é limitado a pequenos grupos, portanto é recomendável reservar com antecedência, especialmente na alta temporada. Não perca o detalhe da Madona com o Menino acima do arco, adicionada em 1755, que completa a elegância deste monumento.

Torre do Relógio

Palazzo Contarini del Bovolo

Palazzo Contarini del BovoloSe pensa que já viu tudo em Veneza, prepare-se para uma surpresa: o Palazzo Contarini del Bovolo é uma daquelas joias escondidas que poucos turistas conhecem, mas que vale absolutamente a pena procurar. Situado no sestiere de San Marco, a poucos passos do Campo Manin, este palácio do século XV deve o seu nome à espetacular escadaria em caracol externa (bovolo em veneziano) que se eleva por 28 metros, envolvida por uma série de arcos e colunas em estilo renascentista. Construída no final do século XV para a família Contarini, a escadaria não tinha apenas uma função prática, mas era um verdadeiro símbolo de prestígio, projetada para impressionar os visitantes com a sua elegância e a vista panorâmica que se desfruta do topo. Hoje, após uma cuidadosa restauração concluída em 2019, o palácio está aberto ao público e permite subir os 80 degraus da escadaria para admirar uma panorâmica única sobre Veneza, longe da multidão da Praça de São Marcos. No interior, as salas acolhem ocasionalmente exposições temporárias, mas o verdadeiro protagonista continua a ser a arquitetura: a fusão de estilos gótico e renascentista, com os seus arcos de volta perfeita e as decorações em pedra da Ístria, cria um efeito cenográfico que lembra quase uma torre medieval. Um conselho prático: compre os bilhetes online para evitar filas, especialmente na alta temporada, e verifique os horários de abertura, que podem variar. Perfeito para uma visita de uma hora, o Palazzo Contarini del Bovolo é uma paragem ideal para quem quer descobrir um canto autêntico de Veneza, longe dos percursos mais batidos, e capturar fotos inesquecíveis do seu terraço.

Palazzo Contarini del Bovolo