Palácio de Venaria: 80.000 m² de palácio e 60 hectares de jardins barrocos

O Palácio de Venaria, encomendado pelo duque Carlos Emanuel II de Saboia em 1658, é um complexo barroco declarado Património UNESCO. Após uma imponente restauração, oferece uma viagem ao Piemonte do século XVII a poucos quilómetros do centro de Turim.

  • Grande Galeria: salão de 80 metros com 44 janelas, antiga sala de baile que deixa sem fôlego
  • Capela de Santo Huberto: obra-prima de luz e espaço projetada por Filippo Juvarra
  • Jardins barrocos: 60 hectares com fontes, canteiros geométricos e vista deslumbrante sobre os Alpes
  • Cavalariças Juvarrianas: acolhem exposições temporárias em espaços setecentistas

Copertina itinerario Palácio de Venaria: 80.000 m² de palácio e 60 hectares de jardins barrocos
Património UNESCO em Turim com a Grande Galeria de 80 metros, Capela de Santo Huberto de Juvarra e jardins com vista para os Alpes. Exposições temporárias nas Cavalariças.

Informações importantes


Introdução

Assim que atravessas o portão, percebes imediatamente porque é chamada de Versalhes italiana. A Reggia di Venaria impressiona-te com a sua majestade barroca, uma visão que quase te tira o fôlego. Não é apenas um palácio, é uma experiência que te transporta no tempo, entre salões dourados e jardins que parecem saídos de um conto de fadas. A Grande Galeria, com 80 metros de comprimento e iluminada por 44 janelas, é talvez o espaço mais espetacular que já vi num edifício histórico italiano. Caminhar lá dentro, com a luz a filtrar-se e os tetos altíssimos, faz-te sentir pequeno, mas parte de algo grandioso. E depois há aquele silêncio respeitoso que se respira, quebrado apenas pelos passos nos pisos brilhantes. Realmente, se passares por Turim, não podes deixar de a visitar.

Contexto Histórico

A Reggia foi construída em 1658 por vontade do duque Carlos Emanuel II de Saboia, que desejava uma residência de caça digna da sua casa. O arquiteto Amadeu de Castellamonte projetou-a como um complexo imenso, com palácio, jardins e aldeia anexa. Ao longo dos séculos, conheceu altos e baixos: esplendor sob os Saboia, declínio após a unificação da Itália, chegando a ser usada como quartel. A restauração, iniciada nos anos 90, foi colossal e devolveu-lhe o antigo esplendor. Hoje, é um dos sítios culturais mais visitados do Piemonte. Cronologia sintética:

  • 1658: início da construção por vontade de Carlos Emanuel II
  • 1675: conclusão da Grande Galeria
  • 1997: declaração UNESCO
  • 2007: reabertura ao público após décadas de restauro

Os Jardins à Italiana

Não se limite ao palácio, porque os jardins são uma parte essencial da visita. Em comparação com outros parques históricos, aqui há uma mistura interessante: a parte restaurada com canteiros geométricos e fontes, e a área deixada mais selvagem, o Jardim das Esculturas Fluídas. Pessoalmente, prefiro esta última: passear entre as instalações contemporâneas de Giuseppe Penone, com aquelas árvores de bronze que parecem crescer do nada, cria um contraste poderoso com a arquitetura barroca. É um diálogo entre antigo e moderno que funciona. E depois, se tiver sorte, pode encontrar os pavões que vivem livres no parque – um espetáculo natural que acrescenta magia.

A Capela de Santo Uberto

De todas as salas, esta capela deixou-me de boca aberta. Projetada por Filippo Juvarra, é uma obra-prima de luz e espaço. Entra-se e a primeira coisa que se nota é o altar-mor, com aquele mármore que brilha, mas depois levanta-se o olhar e vê-se a cúpula: parece desvanecer-se em direção ao céu, graças a um jogo de perspetivas genial. É dedicada a Santo Uberto, padroeiro dos caçadores, o que explica por que é tão rica em símbolos ligados à caça. Eu gosto de sentar-me um momento nos bancos laterais, mesmo não sendo religioso, só para absorver a tranquilidade do lugar. É menos concorrida do que a Grande Galeria, por isso pode-se apreciá-la com mais calma.

Por que visitar

Primeiro: pela Grande Galeria, que por si só vale o bilhete. É um daqueles espaços que as fotos não fazem justiça, é preciso vivê-lo. Segundo: porque os jardins oferecem uma pausa verde inesperada, perfeita após horas entre as salas. Terceiro: pelas exposições temporárias, muitas vezes muito cuidadas e pouco divulgadas – a última que vi era sobre os figurinos do Teatro Regio, surpreendente. E depois há um motivo prático: está bem ligada a Turim com transportes públicos, portanto não é preciso carro. Em suma, é acessível e rica em conteúdo, raro para um lugar tão majestoso.

Quando ir

Eu estive lá no final de outubro, com as folhas caindo nos jardins, e foi poético. Mas se tenho que ser sincero, o melhor momento é a primeira tarde de verão, quando a luz entra oblíqua na Galeria Grande e cria aqueles jogos de sombras que parecem pinturas. No inverno, por outro lado, o palácio é sugestivo com as primeiras luzes do pôr do sol, mas os jardins perdem um pouco. Evite os fins de semana de pleno agosto, pode ficar lotado. Uma dica? Vá na quarta-feira, geralmente é mais tranquilo. E leve sempre um casaco, lá dentro é fresco mesmo no verão.

Nos arredores

Se tiver tempo, dê um pulo até a Palazzina di Caccia di Stupinigi, também parte das Residências Sabaudas. É menor, mas tem um charme íntimo, com salões rococó que parecem de açúcar. Ou, para um contraste total, explore o próximo Parque da Mandria, uma área natural protegida onde pode dar um passeio entre cervos e cavalos selvagens. Se preferir manter o tema real, o centro de Turim com o Palácio Real e a Catedral fica a cerca de vinte minutos. Mas atenção: não tente fazer tudo num só dia, é melhor saborear com calma.

💡 Talvez você não soubesse que…

Durante a visita, procure a Diana no banho na Fonte do Cervo: diz-se que a estátua, representando a deusa da caça, traz sorte aos apaixonados que a tocam. Nas Cocheiras, observe os originais cochos de mármore do século XVIII, projetados para os cavalos reais. Se visitar na primavera, não perca a floração das tulipas holandesas nos jardins, plantadas todos os anos seguindo um desenho diferente. E lembre-se: o palácio foi cenário de filmes como ‘A Grande Beleza’ de Sorrentino, que rodou aqui algumas cenas memoráveis.