O que ver em Asti: torres, vinhos e história

🧭 O que esperar

  • Ideal para: apaixonados por história e vinho
  • Pontos fortes: torres medievais, catedral, enogastronomia
  • Imperdível: Torre Troyana e Palio de Asti
  • Melhor época: setembro para a Douja d’Or

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A cidade de Asti é uma joia do Piemonte, famosa pelo seu vinho espumante e pelas suas torres medievais. Passeando pelo centro histórico, encontrarás a majestosa Catedral de Santa Maria Assunta, o Batistério de São Pedro e a Torre Troyana, símbolo da cidade. Não percas o Museu do Risorgimento e a Cripta de Santo Anastácio. Asti é também um destino ideal para os amantes da boa comida: prova os taglierini com trufa e os queijos locais. Com a sua atmosfera vibrante e os numerosos eventos, como o Palio de Asti, esta cidade oferece uma experiência autêntica. Descobre o seu património histórico e as tradições enogastronómicas num fim de semana inesquecível.

Visão geral



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Catedral de Santa Maria Assunta em Asti: gótico e magnificência

Catedral de Santa Maria AssuntaSe há um monumento que encarna a história e a arte de Asti, é a Catedral de Santa Maria Assunta, também conhecida como Duomo. É um gigante do gótico piemontês: 82 metros de comprimento e 24 de altura, que a tornam uma das igrejas maiores do Piemonte. Entrar deixa-te sem fôlego: três naves, arcos ogivais e abóbadas afrescadas que contam histórias sagradas. A fachada exterior é um esplendor de tijolo e pedra, com três rosáceas e um portal lateral chamado ‘dos Pelletta’, em estilo gótico florido, decorado com estátuas quatrocentistas de santos. No interior, os verdadeiros tesouros são as obras de arte: a ‘Madona do banqueiro’ de Gandolfino da Roreto (1516), com o encomendante ajoelhado, e o grupo escultórico do Compianto sobre Cristo morto em terracota policromada. Não percas a torre sineira românica de 1266, originalmente de sete andares, e o mosaico pavimental do século XII que representa os rios do Paraíso. A atmosfera é recolhida, apesar das dimensões. A entrada é gratuita e podes visitá-la todos os dias das 8:30 às 12:00 e das 15:00 às 17:30. Um conselho de viajante: ergue o olhar para o tibúrio octogonal e deixa-te maravilhar pelos afrescos setecentistas de Carlo Innocenzo Carloni. É um lugar que fala de fé, poder e beleza, tudo num só.

Catedral de Santa Maria Assunta

Torre Troyana: a torre do relógio

Torre TroyanaSe há uma torre que conta a história de Asti, é a Torre Troyana. Com seus 44 metros, é a mais alta entre as torres medievais sobreviventes da cidade. Cada passo em seus 199 degraus de madeira te aproxima de um panorama que abrange toda a região de Asti. Construída no século XIII pela família Troya – ricos banqueiros com negócios em metade da Europa – esta torre deveria demonstrar poder. E conseguia: superava em altura até as torres das famílias rivais, apesar das proibições. Passeando pela Piazza Medici, não se pode deixar de notar seu perfil esguio, com as janelas góticas geminadas e a tríplice coroa de arcadas em tijolo e arenito, típicas do estilo astigiano. Subindo, o esforço é recompensado: do topo, o olhar se estende sobre telhados, colinas e vinhedos. E tem o sino: fundido em 1531, é um dos mais antigos do Piemonte ainda em uso para bater as horas. Ouviu seu toque? É o mesmo que por séculos marcou a vida da cidade, anunciando a abertura das escolas ou, em tempos mais remotos, as punições públicas. Hoje a torre faz parte do circuito Smarticket: com um único bilhete você pode visitar também o Palazzo Mazzetti, a Cripta de Sant’Anastasio e outros tesouros. Atenção: a torre está aberta todos os dias das 10:00 às 19:00, mas apenas até 31 de outubro. No inverno fecha por segurança. Então, se você passar por Asti, não perca a oportunidade de subir. É uma daquelas experiências que fazem você sentir o tempo passar – literalmente.

Torre Troyana

Batistério de São Pedro: românico e história

Batistério de São PedroSe você visitar Asti, não pode perder o Batistério de São Pedro, um complexo que reúne séculos de história. O coração é a Rotunda do Santo Sepulcro, construída entre 1100 e 1130 em tijolo e arenito. No interior, oito colunas de terracota e tufo sustentam arcos de volta perfeita e uma cúpula octogonal, criando uma atmosfera intimista. As arquitraves são decoradas com frisos zoomórficos do século XII: um detalhe que me impressionou. Ao lado, a Capela Valperga (século XV) surpreende com os ricos frisos de terracota nas janelas, com cabeças de animais e motivos florais. O claustro e a casa prioral completam o cenário. Hoje, parte do complexo abriga o Museu Arqueológico (fechado para reformas). A visita é gratuita? Na verdade, para acessar todos os locais, vale a pena o Smarticket (10 € inteira, 8 € reduzida), válido por 7 dias para seis museus, incluindo este. Os horários: de terça a domingo, 10-13 e 15-18 (no verão até as 19). Fica na Rua Vittorio Alfieri, 2, facilmente acessível a pé do centro. Um lugar que fala do passado de Asti, entre cavaleiros hospitalários e antigas tradições.

Batistério de São Pedro

O que ver no Teatro Alfieri: história, arquitetura e espetáculos

Teatro AlfieriSe você pensa que Asti é só vinho e torres medievais, deixe-me levá-lo ao Teatro Alfieri. É o principal teatro da cidade, bem no centro, a dois passos da Piazza Alfieri. Inaugurado em 6 de outubro de 1860 com o *Moisés* de Rossini, foi idealizado por um grupo de 97 acionistas liderados pelo banqueiro Zaccaria Ottolenghi. Projetado pelo engenheiro Domenico Svanascini, inspirou-se no Teatro Carlo Felice de Gênova: planta em ferradura, com 103 camarotes em quatro ordens e um galinheiro, capacidade para mais de 2000 espectadores. No interior, o salão nobre é enriquecido pelos afrescos de Costantino Sereno, enquanto o teto e o pano de boca são obra de Francesco Gonin – o pano de boca em particular retrata a apoteose de Vittorio Alfieri, o escritor a quem o teatro é dedicado. Em 1911, o engenheiro Antonio Vandone revolucionou a estrutura: eliminou a última ordem de camarotes para criar uma galeria, modificou as outras ordens e ampliou o foyer, melhorando a acústica com a adição do ‘fosso da orquestra’. A reabertura ocorreu em 26 de outubro de 1912 com *Isabeau* de Mascagni. Depois de ser usado por muito tempo como cinema e salão de dança, o teatro entrou em declínio, mas de 1979 a 2002 passou por uma imponente restauração. Hoje está de volta ao esplendor: capacidade de cerca de 700 lugares entre plateia, frisas, camarotes e galeria, e um fosso para a orquestra. Abriga uma rica temporada de prosa, música e ópera – vi na programação *La Traviata* e até concertos gospel. Se quiser visitá-lo, a bilheteria fica na Via al Teatro 2, aberta terças e quintas das 10h às 17h, e nos dias de espetáculo também à noite. Um conselho: confira o site www.teatroalfieriasti.it para eventos em andamento. É uma joia que realmente merece uma parada.

Teatro Alfieri

Museu do Risorgimento: entre relíquias e abrigos antiaéreos

Museu do RisorgimentoSe você passar por Asti, não perca o Museu do Risorgimento no Palazzo Ottolenghi (Corso Alfieri 350). Um lugar que conta a Unificação da Itália através de peças autênticas: pinturas, bandeiras, armas e moedas datadas de 1797 (a República de Asti) até 1870. A coleção nasce de doações de famílias locais e do mecenato do conde Leonetto Ottolenghi, que em 1898 encomendou aos melhores pintores retratos e batalhas. Aqui você encontra obras de Paolo Arri (Cavour, Garibaldi, Brofferio) e de Luigi Morgari, Raffaele Pontremoli e Felice Cerruti Bauduc para as cenas bélicas. Entre os itens mais impressionantes: a bandeira dos veteranos garibaldinos com a inscrição “Garibaldi gritou: venham morrer comigo. Mentana, 3 de novembro de 1867”, o uniforme do major Orazio Dogliotti, uma camisa vermelha original de 1866 e a caixa de viagem de Vincenzo Gioberti. Descendo aos porões, visite o abrigo antiaéreo da Segunda Guerra Mundial – com uma projeção de 20 minutos – e as salas dedicadas às duas guerras mundiais. Atenção: no momento o museu está fechado para restauração (informações em visit.asti.it), mas assim que reabrir vale a pena uma parada. A entrada é gratuita, o percurso acessível a pessoas com deficiência com estações táteis e multimídia. Uma viagem pela memória, entre estandartes e canhões, que fará você sentir o coração da Itália risorgimentale.

Museu do Risorgimento

Cripta e Museu de Santo Anastácio: viagem nas entranhas de Asti

Cripta e museu de Santo AnastácioA Cripta e Museu de Santo Anastácio é um daqueles lugares que não se espera. Fica na corso Alfieri, a dois passos da Catedral, mas para visitá-lo é preciso descer sob o edifício do Liceu Clássico. Sim, porque aqui em 1907, quando demoliram a antiga igreja para construir a escola, veio à luz uma cripta altomedieval que permaneceu intacta. Hoje é o coração de um pequeno museu arqueológico que conta mais de mil anos de história astigiana.

A cripta tem planta basilical, com três naves e abóbadas de cruzeiro. A parte mais antiga, do século XI, impressiona pelas colunas heterogêneas: algumas são recuperadas de edifícios romanos, outras em arenito feitas de propósito. Entre os capitéis, o da primeira coluna norte é altomedieval (primeira metade do século VIII) com incisões e cruzes gregas – um artefato de rara beleza. Passeando entre as naves, respira-se uma atmosfera de silêncio e sacralidade.

Ao redor da cripta, o museu expõe artefatos líticos do século VII ao XVI. Na zona oeste são visíveis as lajes do fórum romano de Hasta (século I d.C.) e túmulos lombardos do século VII-VIII. Na zona leste, capitéis românicos da igreja do século XII, decorados com ramos, animais e folhas, junto com brasões de palácios senhoriais. Merece atenção também o frontal de altar proveniente de São Pedro em Consavia.

O museu está aberto todos os dias das 10 às 19 (última entrada às 18). O bilhete inteiro custa 10 euros, reduzido 8. Info: 0141 437454. Em 2022 registou mais de 9.500 visitantes, mas apesar disso ainda é uma joia pouco conhecida. Se passar por Asti, não perca este mergulho no passado: parecerá entrar numa cápsula do tempo.

Cripta e museu de Santo Anastácio

Domus Romana do Varrone: um raro tesouro romano em Asti

Domus Romana do VarroneNo coração de Asti, na via del Varrone 30, esconde-se um tesouro arqueológico de valor excecional: a Domus Romana do Varrone. Datada da segunda metade do século I d.C., esta rica habitação patrícia é a única domus romana visitável no Piemonte. Descoberta sob um edifício moderno, a domus oferece um fascinante vislumbre da vida na antiga Hasta. O ponto alto é o mosaico do triclínio (sala de jantar), um raro tapete de 3×1,70 metros com tesselas brancas e pretas e inserções de mármores coloridos: serpentino, verde, amarelo númida. O motivo, único na região, representa peixes, golfinhos e raminhos de hera, emoldurado por uma trança e uma espinha de peixe. Mas não é tudo: também são visíveis os pilares de tijolo do hipocausto, o antigo sistema de aquecimento por piso radiante, e fragmentos de estuque pintado. O sítio, gerido pela Fundação Asti Museus, está aberto todos os dias das 10h às 19h (última entrada às 18h). Bilhete inteiro 5€, reduzido 3€. Recomendo combinar a visita com a vizinha Torre Rossa e o Museu de Sant’Anastásio para um mergulho completo na Asti romana. Um lugar que permite tocar com as mãos dois mil anos de história.

Domus Romana do Varrone

Palácio do Seminário Episcopal: barroco e tesouros escondidos

Palácio do Seminário EpiscopalNo coração de Asti, na pequena praça do Seminário, ergue-se o Palácio do Seminário Episcopal, um imponente edifício barroco projetado pelo arquiteto real Benedetto Alfieri em 1762. A fachada austera e rigorosa não deixa entrever a riqueza que se esconde no interior: um pátio com arcadas, uma escadaria de perspetiva setecentista e um refeitório elipsoidal. As obras, desejadas pelo bispo Paolo Maurizio Caissotti, duraram até 1775, mas por falta de verbas o edifício ficou incompleto – dos quatro frontes previstos, apenas três foram realizados. Hoje, o palácio ainda é sede do seminário, mas oferece ao visitante acesso limitado: apenas a Biblioteca do Seminário pode ser visitada, mediante contato prévio. Fundada em 1730, guarda manuscritos, livros antigos e um acervo bibliográfico entre os mais importantes do Piemonte, especializado em teologia e filosofia. No interior também se encontram pinturas preciosas, como a “Natividade com os Santos Bartolomeu e Bento” de Gandolfino da Roreto e a “Adoração dos Magos” de Jacobino e Giovanni Longo, infelizmente não acessíveis ao público. Durante a ocupação francesa de 1798, o edifício foi usado para fins militares e o seminário encerrou temporariamente. O poeta Silvio Pellico, que visitou o local, dedicou alguns versos aos clérigos. Se é apaixonado por livros antigos ou arquitetura barroca, vale a pena organizar uma visita à biblioteca: um canto de tranquilidade onde o tempo parece ter parado.

Palácio do Seminário Episcopal

Museu Diocesano São João: baú de arte e história

Museu Diocesano São JoãoNo coração de Asti, entre as torres medievais e os aromas dos vinhos, esconde-se uma joia que poucos conhecem: o Museu Diocesano São João. Instalado na antiga igreja de São João, considerada a primeira catedral da cidade, este museu é um mergulho no passado que vem de longe. Aberto em 2010, reúne o patrimônio artístico da diocese e o expõe num ambiente que já é por si só um artefato. A estrutura tem origens paleocristãs: sob seus pés, uma cripta do século VIII com colunas de pórfiro vermelho egípcio e capitéis altomedievais fará você sentir em outra época. E depois há a peça principal: o coro de madeira de Baldino da Surso, datado de 1477. Trinta e seis assentos outrora ornamentavam o presbitério da Catedral, hoje restam vinte e um, mas sua beleza tardo-gótica está intacta. Os espaldares esculpidos retratam evangelistas e doutores da igreja, com detalhes que revelam a mão de um mestre e de seu aprendiz nórdico. Não perca a estátua acéfala de São João Batista em arenito, decapitada pelo tempo mas cheia de fascínio, e o ostensório gótico de Materniganus de Filipis de 1447. O museu ainda está em fase de conclusão, mas já hoje oferece um percurso emocionante entre lápides, afrescos e objetos litúrgicos. A visita é de oferta livre, e às sextas-feiras à tarde a atmosfera é quase recolhida. Um conselho: reserve tempo para observar a cripta, onde o silêncio e as pedras contam séculos de fé.

Museu Diocesano São João

Museu arqueológico e paleontológico: um mergulho no mar pliocênico

Museu arqueológico e paleontológicoSe você pensa que Asti é só vinho e torres, está muito enganado. Sob o Palazzo del Michelerio, um edifício quinhentista que já viu de tudo (mosteiro, orfanato, até 1971), esconde-se um dos museus mais surpreendentes do Piemonte: o Museu Paleontológico Territorial do Astigiano. O nome é um pouco longo, mas a visita é simples: desce-se aos subterrâneos e somos catapultados 25 milhões de anos atrás, quando toda a Planície Padana era um mar tropical. E aqui, para ser sincero, o ponto forte são os cetáceos fósseis. A coleção é considerada a mais importante da Itália e da Europa: baleias-anãs, golfinhos e até um cachalote de 11 metros, o Leviatã de Vigliano d’Asti, exposto na antiga Igreja do Gesù (com afrescos seiscentistas, aliás). O percurso divide-se em duas partes: primeiro uma seção geral com fósseis de moluscos, corais e tubarões (imperdível a reconstrução da mandíbula do Megalodonte na entrada), depois a galeria dos cetáceos. Aqui destacam-se a Baleia de San Marzanotto (um exemplar único ainda em estudo) e o Golfinho de Settime, uma espécie nova para a ciência. Há também um pequeno aquário pré-histórico que reconstrói os fundos marinhos pliocênicos. O bilhete custa 7 euros e a visita guiada é vivamente recomendada – os paleontólogos são apaixonados e contam anedotas que as placas não dizem. E se estiver com crianças, as oficinas educativas são uma bomba: podem tocar fósseis verdadeiros e fazer moldes. Resumindo, um museu que não se espera, tal como Asti.

Museu arqueológico e paleontológico

Torre Rossa: o símbolo mais antigo de Asti

Torre RossaSe você passear pela Corso Vittorio Alfieri, não pode deixar de notar a Torre Rossa, um dos monumentos mais antigos de Asti. Sua história começa há dois mil anos, quando os romanos fundaram Hasta: a parte inferior, de 16 lados, data do século I d.C. e era provavelmente uma das torres da porta ocidental das muralhas. No século XII, foi elevada com uma estrutura cilíndrica de tijolo e arenito, típico bicromatismo românico astigiano, e transformada em campanário para a igreja de São Segundo (hoje Santa Catarina). O nome? Da família De Rubeis ou da cor vermelha dos tijolos. A lenda conta que aqui foi preso São Segundo antes do martírio: uma estátua do santo, outrora numa cela subterrânea hoje murada, encontra-se no interior. Pena que a torre não seja visitável ao público (propriedade da Ordem Mauriciana), mas vale a pena admirá-la do exterior. Na década de 1930, foram demolidas as casas encostadas para a pôr em destaque, e a praceta resultante deveria albergar uma estátua de Augusto, nunca realizada. Curiosidade: ao lado, no número 432, há uma miniatura da torre numa vitrina de ferro, perfeita para um selfie. Uma joia que mistura épocas e histórias, imperdível para quem ama a história verdadeira.

Torre Rossa

Torre Solaro: uma joia gótica entre as torres de Asti

Torre SolaroSe passear pelo Rione Cattedrale de Asti, na esquina entre a via Carducci e a via Giobert, encontra-se diante de um pedaço da história medieval: Torre Solaro, uma das chamadas ‘torres gigantes’ do segundo período. Construída na segunda metade do século XIII em estilo gótico, hoje é mais baixa do que a original – como muitas torres de Asti – mas a sua massa quadrada de 8,10 metros de lado ainda permite imaginar a imponência original. A torre é tradicionalmente atribuída à poderosa família guelfa dos Solaro, mas o historiador Niccola Gabiani enganou-se: na realidade, no século XVI pertencia aos Ponte. Ou seja, um mistério histórico que torna tudo mais fascinante.

A nível arquitetónico, destacam-se as duas biforas com arcos ogivais nos pisos superiores, invulgares para a arte astigiana da época: provavelmente são fruto do restauro ‘reconstrutivo’ de 1932. O resto da torre é liso, com simples monofore. Infelizmente, de momento a torre não é visitável no interior, mas vale a pena admirá-la pelo exterior, talvez ao pôr do sol quando a luz brinca nas suas formas. Um conselho de viajante curioso: erga o olhar e tente imaginar a sua altura original, antes do corte – era uma daquelas torres que desafiavam o céu.

Torre Solaro

Torre De Regibus: um joia gótica em octógono

Torre De RegibusSe você passeia por Asti e levanta os olhos, não pode perder a Torre De Regibus na esquina entre via Roero e corso Alfieri. É a única torre octogonal da cidade, uma pequena joia gótica que data do século XIII. Originalmente tinha nove andares, atingindo 39 metros, mas hoje restam seis, com uma altura de cerca de 27 metros. Os três andares perdidos, com suas biforas e ameias gibelinas, foram demolidos no século XVIII. O nome vem da família De Regibus (depois italianizado para Re), uma linhagem gibelina de mercadores e prestamistas ativos entre Metz, Lorena e Piemonte. A torre fazia parte de um complexo defensivo de três torres: ainda hoje se vê a Torre Quartero, mais baixa, enquanto a terceira desapareceu. A área é tradicionalmente chamada de “esquina dos três Reis”. Infelizmente, a torre não pode ser visitada por dentro, mas sua silhueta é bem visível da rua, proporcionando uma vista impressionante. Se você é apaixonado por história medieval, pare um instante para observar os detalhes em arenito e imagine o esplendor da família Re. Para mim, é um daqueles lugares que contam a alma mais antiga de Asti sem precisar de palavras.

Torre De Regibus

Torre Comentina: a segunda torre mais alta de Asti

Torre ComentinaAo passear pela Piazza Roma, é impossível não notar a Torre Comentina, que se eleva com seus 38,55 metros na esquina com a Corso Alfieri. É a segunda torre civil mais alta da cidade, mas para mim é a mais fascinante: um fuste liso em estilo gótico-piemontês, salpicado de janelas ogivais, e no topo uma dupla ordem de arcadas em tijolo e arenito que emolduram uma ameia gibelina em cauda de andorinha. Construída na segunda metade do século XIII, é a única torre medieval de Asti a manter a altura original. Durante séculos foi chamada de Torre de São Bernardino, pois servia como campanário para a igreja adjacente, demolida em 1897 para dar lugar ao palácio neogótico que hoje a incorpora. Uma pena que não possa ser visitada: seria maravilhoso subir até lá e apreciar a vista. Mas mesmo da terra, a torre conta histórias. Aqui, por muito tempo, dava-se início ao Palio de Asti, que se corria “à longa” ao longo da Contrada Maestra. Hoje é propriedade privada, mas continua sendo um símbolo da cidade, um fio direto com a Idade Média astigiana. Se passar, pare um momento para olhá-la: parece quase que ela fala com você.

Torre Comentina

Torre Natta: a sentinela de pedra dos Natta

Torre NattaSe você passeia pela via Natta, na esquina com a via Milliavacca, encontra uma torre que parece saída de outra época. É a Torre Natta, erguida no final do século XII – embora alguns historiadores a considerem mais antiga. Com sua planta quadrada de 5 metros de lado e a característica faixa dupla de frisos em gotas, é um perfeito exemplo da arquitetura gótica astigiana. Outrora mais alta, foi cortada não se sabe quando. Hoje, encostada nos palácios da família Natta, forma uma sólida casa-forte que faz imaginar lutas de poder e vida nobre. A torre não pode ser visitada – pena, porque subir aquelas escadas teria sido épico. Mas você pode admirar seus detalhes do lado de fora: o portão na via Natta é uma reforma renascentista, enquanto o da via Milliavacca é gótico, com pedras brancas e vermelhas alternadas, típicas da Idade Média astigiana. A fachada do palácio, por sua vez, é decorada com trompe-l’œil do século XIX, um capricho que adiciona um toque quase teatral. A família Natta, que aqui habitava, tem uma história mítica: diz-se que descendia de Numa Pompílio, segundo rei de Roma. Mais concretamente, o rebento Enrietto Natta (morto em 1485) possuía terras em toda a região, a ponto de dar nome ao Vale Natta. Enfim, a Torre Natta não é apenas um monumento: é o coração de um bairro que conta séculos de Asti entre vinho, poder e tijolos vermelhos.

Torre Natta