O que ver em Reggio Calabria: museus, castelos e o lungomare

🧭 O que esperar

  • Ideal para viajantes curiosos que amam história, arte e mar
  • Pontos fortes: Bronzes de Riace, lungomare, castelo aragonês, termas romanas
  • Recomendado: primavera e outono para clima ameno e menos multidão
  • Imperdível: museu arqueológico, passeio pelo lungomare, pôr do sol sobre o estreito
  • Reggio Calabria é muito mais do que uma cidade de passagem: é um destino que oferece história, arte e paisagens deslumbrantes. O Museu Arqueológico Nacional guarda os famosos Bronzes de Riace, obras-primas da arte grega. O Castelo Aragonês domina o centro com suas torres ameadas, enquanto a Pinacoteca Cívica oferece um panorama da arte calabresa. Não perca um passeio pelo lungomare Falcomatà, considerado um dos mais bonitos da Itália, com vista para o estreito. Para os amantes da história, as Termas Romanas e os restos do Odeon testemunham a antiga Rhegion. O Teatro Francesco Cilea e o Planetário acrescentam um toque cultural moderno. Dos fortins de Pentimele ao Castelo de Sant’Aniceto, cada canto conta uma história. Este guia prático leva você direto ao coração da cidade, com dicas sobre o que ver em Reggio Calabria e como organizar a visita.

    Visão geral



    Itinerários nas proximidades


    Museu Arqueológico Nacional de Reggio Calabria: obras-primas atemporais

    Museu Arqueológico Nacional de Reggio CalabriaSe existe um lugar que guarda a alma antiga da Calábria, é o Museu Arqueológico Nacional de Reggio Calabria (MArRC). Projetado por Marcello Piacentini entre 1932 e 1941, foi um dos primeiros museus na Itália criados especificamente para conservar achados arqueológicos. Após uma longa restauração, reabriu em 2016 com uma exposição moderna que leva você em uma viagem desde a pré-história até o período bizantino. O destaque? Sem dúvida os Bronzes de Riace, duas estátuas gregas do século V a.C. com quase dois metros de altura, pescadas em 1972 ao largo de Riace. Na sala climatizada, o acesso é controlado para protegê-las: você entra, fica alguns minutos em uma sala de espera e então… se vê face a face com esses guerreiros. Olhos de calcita, lábios de cobre, dentes de prata: você nunca mais os esquece. Mas o museu é muito mais: há os pínakes de Locri, tabletes votivos que contam o mito de Perséfone, o Kouros de Reggio em mármore de Paros (século VI a.C.) e a misteriosa Cabeça do Filósofo de Porticello. As coleções estão divididas em quatro níveis (mais um subsolo para exposições temporárias), com vitrines que vão desde as gravuras rupestres da Gruta do Romito (12.000 anos atrás) até os mosaicos de Kaulon. Passei horas no primeiro andar, entre os espelhos de bronze lócrios e as reconstruções 3D dos templos. E o museu fica a dois passos da orla Falcomatà: após a visita, um passeio pelo Estreito é obrigatório. Na prática: aberto de terça a domingo, 9h-20h (última entrada às 19h30), ingresso inteiro €10 (reduzido €2 para 18-25 anos). Reserve o ingresso online para evitar filas, mas para visitantes individuais não é obrigatório. Ah, e no primeiro domingo do mês a entrada é gratuita.

    Museu Arqueológico Nacional de Reggio Calabria

    Castelo Aragonês: história e belezas

    Castelo AragonêsO Castelo Aragonês é um dos símbolos mais autênticos de Reggio Calabria, juntamente com os Bronzes de Riace. Situado na Piazza Castello, entre a via Aschenez e a via Possidonea, esta fortaleza tem origens remotas: a primeira fortificação bizantina data de 536 d.C., encomendada pelo general Belisário para defender o porto. Ao longo dos séculos, passou de mão em mão: normandos, suábios, angevinos e, finalmente, aragoneses. Mas foi o rei Fernando I de Aragão, em 1458, que lhe deu a aparência atual, com a adição das duas imponentes torres cilíndricas com ameias que ainda hoje a caracterizam. A base inclinada e a moldura arredondada não são apenas decorativas: serviam para fazer ricochetear as balas de canhão e impedir a escalada. Durante o cerco turco de 1543, o castelo abrigou mais de mil reggini em fuga. Após o terremoto de 1908, grande parte da estrutura desabou, mas as torres permaneceram intactas, tanto que em 1897 foram declaradas Monumento Nacional. Hoje, o castelo é um vibrante espaço cultural, com exposições e eventos. Subindo aos terraços, a vista sobre o Estreito de Messina é de tirar o fôlego; sente-se um pouco soldado aragonês. A visita dura cerca de uma hora: percorrem-se as salas internas, admiram-se os caminhos de ronda e leem-se os grafites deixados pelos prisioneiros do Risorgimento. Quanto aos bilhetes: inteiro 5€, reduzido 2€ para residentes, gratuito para menores de 6 e maiores de 70. Aberto de segunda a sexta, das 8:30 às 13:00 e das 14:30 às 19:00, sábado à tarde, domingo de manhã. Um conselho de viajante: chegue por volta das 17h, quando a luz ilumina as torres e o Estreito se tinge de ouro. O castelo é bem ligado ao centro: a poucos passos do Museu Arqueológico e da orla marítima. Não perca!

    Castelo Aragonês

    Arena do Estreito: teatro grego moderno à beira-mar

    Arena do EstreitoSe você passear pelo lungomare Falcomatà, vai se deparar com uma estrutura que parece saída da Grécia Antiga: a Arena do Estreito, oficialmente intitulada em homenagem ao senador Ciccio Franco. É um teatro moderno, mas seu design reproduz fielmente o dos teatros gregos, com uma arquibancada semicircular que se abre diretamente para o Estreito de Messina. Na minha opinião, é um dos lugares mais encantadores da cidade, especialmente ao pôr do sol, quando a luz pinta o Etna e a costa siciliana.

    Construída onde antes ficava o Cais de Porto Salvo – destruído pelo terremoto de 1908 – a Arena é uma homenagem à tradição da Magna Grécia. No seu topo, quase sobre a água, destaca-se um Cipo de Mármore com uma estátua de bronze da deusa Atena Promachos, esculpida por Bonfiglio em 1932. Originalmente voltada para o mar, em 2001 foi girada em direção à cidade por vontade do prefeito Italo Falcomatà: um gesto que, a meu ver, lhe confere um significado ainda mais forte, quase de proteção.

    A Arena não é apenas um monumento para ver: está viva. Durante o verão, acolhe eventos como o Reggio Calabria Film Fest, o festival de moda Tesouros do Mediterrâneo, concertos e a festa Solstício de Verão da Academia de Belas Artes. As duas amplas rampas laterais tornam-na acessível também em cadeira de rodas, e há um restaurante para uma pausa. Enfim, se você passar por Régio, pare aqui: a entrada é gratuita e a vista por si só vale a viagem.

    Arena do Estreito

    Teatro Francesco Cilea

    Teatro Francesco CileaSe você passar por Reggio Calabria, pare em frente ao Palazzo San Giorgio e erga o olhar: o Teatro Francesco Cilea ocupa um quarteirão inteiro entre o Corso Garibaldi e as ruas laterais. Com 1.500 lugares, é o maior teatro da Calábria. Sua história é um romance: a primeira pedra foi colocada em 1913, mas o terremoto de 1908 já havia destruído os teatros anteriores. O projeto, dos engenheiros Domenico De Simone e Carlo Laviny, foi inaugurado em 1931. Depois, no pós-guerra, foi ampliado e reaberto em 1964 com o ‘Trovatore’ de Verdi. Nos anos 80, veio o fechamento por falta de condições, seguido por dezoito anos de restauração. Hoje está novamente esplêndido, com o exterior que remete à arquitetura clássica e o interior em ferradura com três ordens de camarotes, galeria e um amplo palco real. A atmosfera é solene, a cortina vermelha imponente. O teatro recebeu lendas como Maria Callas e Luciano Pavarotti, e hoje oferece temporadas de prosa, ópera (com o Rhegium Opera Festival) e dança. No primeiro andar também se encontra a Pinacoteca Civica, com obras de Antonello da Messina, Mattia Preti e Renato Guttuso. Um conselho: verifique a programação antes de ir – talvez você pegue um espetáculo e viva a experiência completa.

    Teatro Francesco Cilea

    Pinacoteca Cívica de Reggio Calabria: obras-primas escondidas no Cilea

    Pinacoteca Cívica de Reggio CalabriaEntrar na Pinacoteca Cívica de Reggio Calabria é como abrir um baú de tesouros que muitos turistas infelizmente perdem. Instalada no primeiro andar do Teatro Francesco Cilea, no Corso Garibaldi, esta pequena mas rica galeria de arte reúne obras que vão do Quatrocentos ao Novecentos, com foco especial nos artistas calabreses. O percurso expositivo se estende por onze salas em cerca de 500 m², inaugurado oficialmente em 26 de maio de 2008, mas as coleções têm origens muito mais antigas: provêm do antigo Museu Cívico fundado em 1882 e depois suprimido, integradas por compras e doações.

    A verdadeira joia são duas tábuas de madeira de Antonello da Messina (1460-1465): São Jerônimo penitente e Os três anjos aparecidos a Abraão, compradas pelo Município em 1890. Ao lado delas destacam-se o Retorno do filho pródigo de Mattia Preti (1656) – uma imensa tela de 216×231 cm – e Cristo e a adúltera atribuído a Luca Giordano. Mas não para por aí: a pinacoteca possui mais de 250 pinturas de artistas calabreses como Ignazio Lavagna Fieschi, Rubens Santoro, Annunziato Vitrioli e esculturas de Francesco Jerace (incluindo o busto de Nosside) e um Laocoonte atribuído a Pietro Bernini.

    Informações práticas: fica no Corso Garibaldi esquina com Via Osanna 6, e é completamente acessível para deficientes com entrada pela Via Osanna. Horários: terça a sexta 8:30-13:30 e 14:30-18:00, sábado 8:30-18:30, domingo 9:00-13:00; segunda fechado. Ingresso inteiro 5€, reduzido 2€, ou combinado com Castelo Aragonese a 7€. As visitas guiadas duram cerca de 45 minutos (máx. 25-30 pessoas), reserva obrigatória. Se passar por Reggio, não perca este cantinho de cultura: as obras-primas são muitas, mas o verdadeiro valor está na capacidade de contar a história da arte calabresa de forma íntima e surpreendente.

    Pinacoteca Cívica de Reggio Calabria

    Museu Diocesano: um tesouro de arte sacra no coração de Reggio

    Museu DiocesanoSe passar por Reggio Calabria, não perca o Museu Diocesano, dedicado a monsenhor Aurelio Sorrentino. Fica bem ao lado da Catedral, numa ala do palácio arquiepiscopal que sobreviveu ao terremoto de 1908. Inaugurado em 2010, mas fundado como instituição já em 1957, guarda um patrimônio de arte sacra que conta séculos de fé e artesanato. O percurso se desenrola por salas temáticas: do Tesouro das Catedrais com alfaias do século XVI ao XX, aos móveis das confrarias, até objetos do culto dos santos. Entre os destaques, o báculo pastoral quatrocentista do arcebispo Antonio De Ricci, em prata cinzelada e esmaltes, e a cartaglória de 1777, um objeto litúrgico já em desuso mas de uma requinte incrível. Fique de olho também no ostensório radiado desenhado por Francesco Jerace (1928) e na máquina processional “Nuvem”, setecentista, vinda de Camerino após o sismo de 2016. O museu abre de terça a sábado, de manhã das 9 às 13, e às sextas também à tarde (15-19). Bilhete inteiro 5 €, reduzido 3 €. A entrada é um pouco escondida (via Campanella 63), mas uma vez dentro parecerá que voltou no tempo. Se é apaixonado por arte sacra ou simplesmente curioso, este lugar vai deixá-lo de boca aberta.

    Museu Diocesano

    Castelo de Sant’Aniceto: um mergulho na Calábria bizantina

    Castelo de Sant'AnicetoSe você procura um lugar fora das rotas mais frequentadas, o Castelo de Sant’Aniceto é uma verdadeira joia. Empoleirado em uma colina a 670 metros de altitude, domina o Estreito de Messina com uma vista que, em dias claros, presenteia o Etna ao fundo. É um dos raros exemplos de fortaleza bizantina ainda de pé na Itália, construído entre o final do século X e o início do XI para defender a população local das incursões sarracenas. Sua planta irregular lembra um navio, com a popa voltada para o mar e a proa para o Aspromonte. As muralhas, com até 3,5 metros de altura e um metro de espessura, estão em ótimo estado e abrigam duas torres quadradas na entrada, os restos de uma cisterna e vestígios de antigas igrejinhas bizantinas. Uma delas, a igreja da Anunciada, conserva um afresco do Cristo Pantocrator, típico da arte bizantina. A entrada é gratuita e o acesso é livre, mas prepare-se para uma caminhada íngreme: o último trecho é a pé. De Reggio Calabria, se você não tiver carro, terá que pegar um ônibus para Motta San Giovanni e depois um serviço de translado com reserva. O esforço é recompensado pela sensação de caminhar na história: aqui se respira uma atmosfera medieval autêntica, longe do turismo de massa. Fique de olho nos falcões que frequentemente planam sobre as muralhas.

    Castelo de Sant’Aniceto

    Monumento à Itália

    Monumento à ItáliaPiazza Italia, ou Piazza Vittorio Emanuele II, é a sala de estar de Reggio Calabria, e no centro ergue-se o Monumento à Itália, uma obra em mármore branco de Carrara com três metros de altura. Realizada em 1868 pelo escultor Rocco La Russa, a estátua representa a Itália turrita: uma figura feminina com cabelos soltos, que empunha uma espada com a mão direita e segura uma coroa de louros com a esquerda. Um gesto que, na época, era um convite ao povo para unificar o país, lembrando os mártires de 2 de setembro de 1847, caídos na revolta contra os Bourbons. No pedestal, a inscrição “Salutando a Itália ressurgida, lembramos os mártires de 2 de setembro de 1847” e os nomes de Domenico Romeo, Domenico Morabito, Raffaele Giuffrè Billa, Giuseppe Favaro e Antonio Ferruzzano. A própria praça é uma joia: sob seus pés, através de quatro claraboias de aço e vidro, você pode ver os restos da antiga ágora grega e do fórum romano. Ao redor, palácios históricos como o Palácio San Giorgio (a prefeitura) e o Palácio Alvaro (sede da Cidade Metropolitana). Uma parada aqui é um mergulho na história, entre o Risorgimento e estratificações milenares. Traga sua câmera: o monumento é fotogênico, e a luz do pôr do sol no mármore é espetacular.

    Monumento à Itália

    Fortins de Pentimele: história e vistas sobre o Estreito

    Fortins de PentimeleSe você está em Reggio Calabria e quer unir história e vista deslumbrante, os Fortins de Pentimele são uma parada imperdível. Por que são especiais? Porque você não os vê do mar: são fortificações hipogeicas, ou seja, escavadas na colina, construídas entre 1896 e a Primeira Guerra Mundial para defender o Estreito sem serem notadas pelo inimigo. Duas estruturas gêmeas: o Fortim Norte (ou Pizzi) e o Fortim Sul (ou Pellizzeri), idênticos na planta. Ambos eram cercados por um fosso e tinham uma ponte levadiça; hoje ainda se vê parte do fosso. No interior, corredores, dormitórios, cavalariças, cisternas de água e – dizem as lendas – passagens secretas que ligariam ao porto ou ao Castelo Aragonês.

    A vista que se tem lá de cima? Reggio Calabria e o Estreito de Messina se abraçam num golpe de vista único. Mas nem tudo é perfeito: o fortim Sul foi restaurado, mas ao lado há antenas de televisão que destoam; o fortim Norte está mais descuidado, com erva entre os tijolos. E a estrada de acesso, uma tortuosa subida da antiga Agência do Território, infelizmente desabou em alguns trechos e a recuperação é lenta. Apesar dos sinais de vandalismo e degradação, o local merece uma visita – talvez ao pôr do sol, quando a iluminação cria uma atmosfera sugestiva. Em suma, um pedaço de história militar de primeira, embora um pouco maltratado.

    Fortins de Pentimele

    Planetário Pitágoras: uma viagem entre as estrelas em Reggio Calabria

    PlanetárioSe você pensa que em Reggio Calabria só existe o calçadão e os Bronzes de Riace, está enganado. No coração do Parque Mirella Carbone, perto da Faculdade de Arquitetura, esconde-se o Planetário Pitágoras, uma estrutura que desde 2004 traz o céu para debaixo de uma cúpula. E que cúpula: 12 metros de diâmetro para a externa, 8 metros para a interna suspensa, que serve como tela gigante. É um dos maiores planetários da Europa.

    Aqui não se fazem simples projeções. O sistema misto, ótico-mecânico e digital (desde 2019), permite viajar no tempo e no espaço: ver o céu como aparecia há dois mil anos ou assistir a um eclipse confortavelmente sentado. A professora Angela Misiano, diretora científica, transformou este lugar em um oratório laico onde ciência e beleza se encontram. Convidados ilustres como Margherita Hack pisaram neste palco, e todos os anos milhares de estudantes participam de laboratórios, Olimpíadas de Astronomia e percursos PCTO.

    Mas não é só para escolas. O Planetário organiza eventos para todos: conferências, noites de observação com telescópios (possuem um refrator Astro Physics 15 cm, um Schmidt-Cassegrain 30 cm), e até mostras culturais como “O rasgo do céu de papel”, que une filosofia, literatura e cinema. A entrada é gratuita, e a estrutura está aberta a famílias, jovens e adultos. Reservar é recomendado, especialmente para grupos. Em suma, uma parada imperdível se você quer ver Reggio Calabria de outra perspectiva: a das estrelas.

    Planetário

    Termas Romanas: um mergulho na história à beira-mar

    Termas RomanasSe você passear pelo Lungomare Falcomatà, a dois passos da estação, vai se deparar com um cantinho de história incrível: as Termas Romanas. Descobertas em 1886 durante o desmantelamento do Bastião de São Mateus – que as protegeu por séculos – e depois trazidas à luz após o terremoto de 1908, esses restos são tudo o que resta de um complexo termal privado da época imperial. As dimensões reduzidas (trata-se de um edifício provavelmente privado) não tiram o encanto: ainda se vê a bacia elíptica para banhos quentes, precedida por tepidário e calidário, uma bacia quadrada para água fria e um pequeno vestiário semicircular com um mosaico bicromo preto e branco datado dos séculos II-III d.C. As peças pretas são de pedra vulcânica trazida da Sicília ou das Eólias, um detalhe que conta sobre o comércio marítimo da época. Perto dali, um muro robusto pode ser uma antiga defesa normanda ou um barranco do riacho Calopinace. O acesso é gratuito, mas para visitar o interior é preciso ligar para a associação IN.SI.DE no 3661019145 (melhor reservar, especialmente se for em grupo). Se tiver tempo, passe também no Museu Arqueológico Nacional, onde estão conservados os afrescos retirados das paredes e uma reconstrução do edifício. Enfim, uma parada rápida, mas que lhe proporciona um mergulho na Régio romana.

    Termas Romanas

    A antiga assembleia dos reggini: os restos do Odeão/Ekklesiasterion

    Restos do Odeão/EkklesiasterionSe pensam que Reggio Calabria é só calçadão e museus, estão enganados. No coração do centro histórico, entre a via del Torrione e a via Tripepi, esconde-se uma joia arqueológica pouco conhecida: os restos do Odeão/Ekklesiasterion. Descobertos em 1922 pelo arqueólogo Paolo Orsi, estas ruínas contam a vida pública da colônia grega. Inicialmente confundidos com um odeão (teatro para música), hoje os estudiosos acreditam que fosse o Bouleuterion, ou seja, a sede do conselho da cidade, ou até mesmo o Ekklesiasterion, a assembleia popular. Resumindo, aqui os reggini discutiam política e tomavam decisões importantes. Datado entre os séculos IV e III a.C., o edifício tinha uma planta circular feita de blocos de calcário quadrados. Podia acomodar até 1.500-1.600 pessoas dispostas em quinze degraus. De tudo isso, hoje vê-se pouco: apenas as fundações e alguns vestígios. Mas fechando os olhos, pode-se imaginar o murmúrio da assembleia. A poucos metros, Orsi encontrou três capitéis jônicos decorados, provavelmente parte de uma tribuna de madeira para os oradores. Um detalhe que faz pensar: aqui pode ter falado Timoleonte em 344 a.C., durante a famosa assembleia que decidiu o destino da cidade. O sítio fica a cerca de cem metros da área sacra do fundo Griso-Laboccetta, dentro das muralhas. Não espere um monumento imponente: é um canto da história que convida à reflexão. Para mim, é um daqueles lugares que fazem sentir o peso dos séculos. Se passar por Reggio, dê uma passada: é gratuito e vale a viagem.

    Restos do Odeão/Ekklesiasterion