Museu dell’Opera Metropolitana de Siena: Maestà de Duccio e vista do Facciatone

O Museu dell’Opera della Metropolitana em Siena reúne os tesouros artísticos da Catedral num ambiente acolhedor. Aqui é possível admirar de perto obras fundamentais como a Maestà de Duccio e o púlpito de Nicola Pisano, além de subir à esplanada panorâmica da fachada inacabada. O bilhete cumulativo inclui também o acesso à Catedral, Batistério e Cripta.

  • Maestà de Duccio di Buoninsegna: políptico do século XIV exposto integralmente após restauro
  • Púlpito de Nicola Pisano: obra-prima da escultura gótica de 1265-1268
  • Vista panorâmica do Facciatone: esplanada na fachada inacabada do Duomo Nuovo
  • Madonna dagli Occhi Grossi: ícone do século XIII venerado antes da Maestà

Copertina itinerario Museu dell'Opera Metropolitana de Siena: Maestà de Duccio e vista do Facciatone
O museu conserva as obras-primas da Catedral de Siena: a Maestà de Duccio di Buoninsegna, o púlpito de Nicola Pisano e a Madonna dagli Occhi Grossi. Subindo ao Facciatone, desfruta-se de uma vista panorâmica sobre a cidade. Bilhete cumulativo disponível com a Catedral, Batistério e Cripta.

Informações importantes


Introdução

Logo ao cruzar a soleira do Museu da Ópera da Metropolitana, percebe-se imediatamente que se está num lugar especial. Não é apenas um museu, é o coração artístico da Catedral de Siena, um local que reúne as obras-primas que outrora decoravam a catedral. Encontra-se diante de obras que marcaram a história da arte medieval italiana, num espaço que parece guardar um segredo. A atmosfera é recolhida, quase íntima, e permite aproximar-se destes tesouros sem a multidão que costuma lotar a Catedral. Pessoalmente, impressionou-me como aqui a arte não é apenas para ver, mas para sentir – há uma quietude que faz apreciar cada detalhe. Se ama a arte medieval, este museu é uma paragem obrigatória, mas mesmo que esteja apenas de passagem, vale a pena parar para compreender verdadeiramente o que torna Siena única.

Breve Histórico

O museu foi criado para preservar as obras de arte removidas da Catedral durante restaurações ou substituídas ao longo do tempo. Sua história está intimamente ligada à da catedral de Siena, que entre os séculos XIII e XIV aspirava ser a maior do mundo cristão. O projeto ambicioso nunca foi concluído, mas deixou como legado obras-primas como a Maestà de Duccio di Buoninsegna, pintada entre 1308 e 1311, que aqui é exibida em sua totalidade após uma restauração. Outra peça de destaque é o púlpito de Nicola Pisano, esculpido entre 1265 e 1268, um exemplo extraordinário da escultura gótica. O museu foi instalado nos espaços que deveriam ter sido o transepto da “Catedral Nova”, uma ambição arquitetônica nunca realizada. Hoje, essas salas abrigam uma coleção que vai da Idade Média ao Renascimento, com obras de Donatello, Jacopo della Quercia e outros mestres.

  • 1265-1268: Realização do púlpito de Nicola Pisano para a Catedral
  • 1308-1311: Duccio di Buoninsegna pinta a Maestà para o altar-mor
  • 1870: É instituído o museu para reunir as obras da Catedral
  • 1990-2000: Restaurações importantes, incluindo a da Maestà

A Majestade de Duccio: um encontro próximo

Ver a Majestade de Duccio de perto é uma experiência inesquecível. Este políptico, com mais de dois metros de altura, estava originalmente no altar-mor da Catedral e aqui está exposto numa sala dedicada, onde se pode caminhar à sua volta e observar cada detalhe. O que impressiona não são apenas as cores brilhantes – que após a restauração voltaram a brilhar – mas a narrativa riquíssima das histórias pintadas nos painéis laterais e traseiros. Cenas da vida de Cristo e da Virgem sucedem-se com uma delicadeza incrível. Eu perdi-me a observar as expressões das personagens, tão humanas apesar da distância dos séculos. É uma obra que fala de devoção, mas também de maestria técnica: Duccio revolucionou a pintura sienesa, introduzindo uma nova suavidade. Recomendo que reserves tempo para ler as legendas, porque contam histórias fascinantes, como a do transporte da obra da oficina para a Catedral, uma memorável procissão citadina.

Subir à fachada inacabada

Uma das coisas mais peculiares deste museu é que podes subir à chamada ‘fachada da Catedral Nova’, ou seja, ao que deveria ter sido o transepto da catedral nunca concluída. A escadaria é íngreme, mas vale a pena: uma vez no topo, abre-se uma vista deslumbrante sobre Siena e as colinas da Toscana. Daí, vês a Catedral de cima, com as suas listas brancas e pretas, e a Piazza del Campo ao longe. É um ponto de observação privilegiado, pouco conhecido pelos turistas apressados. Eu estive lá ao pôr do sol e a luz dourada sobre a cidade era mágica. Além disso, da esplanada podes apreciar de perto as estátuas originais da fachada da Catedral, aqui conservadas para as proteger das intempéries. São esculturas de Giovanni Pisano e outros, cheias de expressividade – observa-as bem, porque contam séculos de arte e fé.

Por que visitar

Visitar o Museu da Ópera da Metropolitana oferece três vantagens concretas. Primeiro, você vê obras fundamentais sem a aglomeração da Catedral: aqui você pode admirar a Maestà de Duccio e o púlpito de Pisano com calma, em um ambiente silencioso que realça sua beleza. Segundo, você tem acesso a uma vista única da cidade a partir do terraço na fachada inacabada – um panorama que poucos conhecem e que proporciona fotos inesquecíveis. Terceiro, o museu oferece um contexto histórico claro: através de suas salas, você entende a evolução artística de Siena da Idade Média ao Renascimento, com obras de artistas como Donatello ou Jacopo della Quercia que completam o quadro. É uma experiência concentrada, perfeita se você tem pouco tempo mas quer mergulhar na arte sienense. Pessoalmente, achei mais envolvente do que muitos museus maiores, justamente por essa intimidade e pela ligação direta com a Catedral.

Quando ir

O melhor momento para visitar o museu? Eu recomendo logo de manhã, assim que abre, ou no final da tarde, perto do fecho. A luz natural que entra pelas janelas nas salas da Maestà é linda nessas horas, e sobretudo evita os grupos organizados que costumam chegar a meio do dia. Se puder, escolha um dia de semana: o fim de semana pode estar mais cheio, embora nunca tanto como a própria Catedral. Em termos de estação, o outono é perfeito: o ar está fresco, as cores das colinas ao redor de Siena são quentes, e depois da visita pode desfrutar de um passeio pela cidade sem o calor do verão. No inverno, o museu é um refúgio acolhedor, com aquele silêncio que faz as obras de arte destacarem-se ainda mais. Enfim, cada momento tem o seu encanto, mas para uma experiência mais tranquila, aposte nas horas mais calmas.

Nos arredores

Depois do museu, continue a imersão na arte sienesa com duas experiências próximas. Primeiro, entre na Catedral de Siena, logo ao lado: aqui verá onde muitas obras do museu estavam originalmente colocadas, como o pavimento de tarjas de mármore (visível em períodos específicos) ou a capela de São João. O contraste entre o museu e a catedral é fascinante. Depois, se se interessa pela história da cidade, dê um salto ao Santa Maria della Scala, em frente à Catedral: um antigo hospital medieval transformado em museu, com afrescos, coleções arqueológicas e exposições temporárias. Conta outra face de Siena, a da caridade e da vida quotidiana na Idade Média. Ambos os locais estão a poucos passos, ideais para um itinerário temático sem deslocações.

💡 Talvez você não soubesse que…

Sabia que a Maestà de Duccio, quando foi concluída em 1311, foi levada em procissão do seu estúdio até à Catedral com toda a cidade em festa? Hoje, no museu, pode admirar tanto o recto como o verso do políptico, algo raríssimo em obras medievais. Outro detalhe: no Facciatone, repare nas mísulas com cabeças humanas e de animais: são os únicos vestígios do projeto do Duomo Nuovo, abandonado após a peste de 1348. Estes pormenores tornam a visita uma viagem no tempo.