Rocca d’Olgisio: fortaleza impávida nas Colinas Piacentinas

A Rocca d’Olgisio é um complexo fortificado do século XI em Pianello Val Tidone, encravado a 564 metros entre os riachos Tidone e Chiarone. Guarda seis linhas de muralhas, a torre de menagem com galeria do século XVI, a Sala das Armas e um poço com cerca de 50 metros de profundidade. A visita é guiada e, de maio a outubro, realiza-se no primeiro domingo do mês ou mediante reserva para grupos.
– Lema Arx impavida e vestígios da ponte levadiça
Grutas naturais ligadas às santas Liberata e Faustina
– Panoramas sobre a Planície Padana, Milão e o Monte Rosa
Trilhos CAI e circuitos pedestres entre vinhas e bosques


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Copertina itinerario Rocca d'Olgisio: fortaleza impávida nas Colinas Piacentinas
Fortaleza milenar a 564 metros entre o Vale Tidone e o Vale Chiarone: seis linhas de muralhas, o lema Arx impavida, grutas pré-históricas e trilhos CAI. Aberta de março a outubro.

Informações importantes


Rocca d’Olgisio: fortaleza destemida nos Colli Piacentini

Há um ponto, entre a Val Tidone e a Val Chiarone, onde a pedra parece crescer diretamente da rocha. É a Rocca d’Olgisio, em Pianello Val Tidone, na província de Piacenza. Empoleirada a 564 metros, surge de repente a quem percorre as estradas dos Colli Piacentini: seis cintas de muralhas, um perfil irregular, o lema Arx impavida gravado no batente do portão. Não é a habitual ruína romântica: é um complexo vivo, restaurado pela família Bengalli desde 1979, que mistura Idade Média e Renascimento sem destoar. Lá de cima, o olhar corre sobre a planície Padana e, nos dias límpidos, chega até Milão e ao Monte Rosa. As grutas naturais ao redor contam presenças pré-históricas; os trilhos CAI fazem dela um destino também para quem caminha. A mim, impressionou-me o silêncio do pátio, quebrado apenas pelo vento: parece que ainda se ouvem os tiros de canhão do século XVI.

Notas históricas

A lenda remonta a fundação a 550, pelas mãos de Giovannato Miles, pai das santas Liberata e Faustina. A primeira notícia escrita é, no entanto, de 1037, quando o cónego Giovanni cedeu o fortim aos monges de São Savino de Piacenza. Em 1296 passou para Uberto Campremoldo, depois para Alberto Della Rocca e, em 1325, para Bartolomeo Fontana. Em 1352 entrou na órbita viscontiana; em 1378 Gian Galeazzo Visconti atribuiu-o a Jacopo Dal Verme, capitão de ventura. Os Dal Verme mantiveram-no, com interrupções, até meados do século XIX. Em 1478 um incêndio devastou parte da fortaleza; em 1485 Pietro Dal Verme morreu envenenado. No início do século XVI resistiu a 1160 disparos de canhão franceses, mas caiu por traição. Durante a Segunda Guerra Mundial foi o comando da II divisão de partisans de Piacenza e sofreu dois ataques alemães. Desde 1979 pertence aos Bengalli.

  • 1037: cessão aos monges de São Savino
  • 1378: Jacopo Dal Verme recebe o feudo
  • 1478: incêndio
  • 1500: cerco francês
  • 1979: família Bengalli

Arquitetura: seis cintas de muralhas e o lema Arx impavida

A fortaleza tem planta irregular e adapta-se ao esporão rochoso. O acesso é no lado norte, por uma estrada íngreme; o lado sul, mais vulnerável, é protegido por uma tripla ordem de muralhas. Ao todo, contam-se seis cintas de muralhas, estratificadas entre a Idade Média e o século XIX. Na terceira cinta há um arco rusticado com uma pintura desbotada de um santo e duas troneiras para a defesa rasante. Na ombreira interna lê-se o lema Arx impavida. Outrora havia ponte levadiça e grade de ferro levadiça. No pátio há um poço com cerca de 50 metros de profundidade: lendas falam de uma galeria secreta a meio do conduto. No lado oeste encontram-se o oratório, dedicado a Faustina e Liberata, e a torre de menagem retangular com salões afrescados, a Sala das Armas com bolas de catapulta e de canhão, e uma loggia quinhentista. A torre sineira foi rebaixada no início do século XIX para impedir que tocasse a rebate contra Napoleão. Detalhes como a balaustrada com 13 mascarões são do século XVI.

Grutas, jardim e microclima

Em redor da fortaleza abre-se um mundo inesperado. As grutas naturais escavadas no arenito foram usadas pelo homem pré-histórico como habitações e sepulturas; hoje algumas não são acessíveis por segurança, mas podem ver-se do exterior. A Gruta das Santas, ligada a Faustina e Liberata, conserva degraus e um altar; a Gruta do Cipreste, também conhecida como da gota, tem um tanque escavado na rocha. Há ainda a Gruta Negra, com a abóbada enegrecida pelo fumo das lareiras, e a dos Coscritti, refúgio de quem fugia ao recrutamento napoleónico. No jardim da fortaleza, o microclima do Vale do Tidone permite espécies raras: figueiras-da-índia anãs, orquídeas selvagens e amarílis amarelas. A área faz parte do sítio SIC/ZSC Rupi di Rocca d’Olgisio, com solo arenoso árido e exposição meridional: um recanto quase mediterrânico na Emília. A mim, lembrou-me mais a Ligúria do que a Planície Padana.

Por que visitá-lo

Primeiro motivo: é uma fortaleza autêntica, não uma reconstrução. As seis muralhas, o poço, a torre de menagem e o lema Arx impavida contam mil anos de cercos, incêndios e passagens entre famílias. Segundo: a vista. Do rochedo domina-se o Val Tidone e o Val Chiarone; nos dias claros avistam-se a planície do Pó, os arranha-céus de Milão e o Monte Rosa. Terceiro: é também adequada a quem viaja com cães, graças ao serviço de dog-sitting, e a quem procura um B&B dentro das muralhas, com cinco quartos duplos. As visitas guiadas permitem entrar nas salas, nos jardins e nas caves, onde estão expostas pedras de catapulta e projéteis de canhão. E depois há as grutas pré-históricas e os trilhos CAI: a visita pode transformar-se num dia inteiro entre história e natureza. Não é um lugar para uma selfie rápida: merece tempo.

Quando ir

Para mim, a melhor altura é uma manhã cedo, quando a névoa se levanta da planície e as muralhas parecem flutuar, ou o fim da tarde, com o sol a acender o arenito. Evitaria as horas centrais do verão: a pedra queima e a luz aplana a paisagem. Se apanharem um dia claro depois da chuva, a visibilidade é surpreendente: chega-se a distinguir Milão. Na primavera e no outono, as cores são mais suaves e os trilhos nos bosques são agradáveis. No inverno, a fortaleza está fechada, mas o perfil nas colinas continua sugestivo mesmo que apenas pela estrada. As datas de abertura mudam todos os anos: é melhor verificar o site oficial antes de partir.

Nos arredores

A Rocca d’Olgisio não está isolada. Em Pianello Val Tidone encontra-se o Museu Arqueológico de Val Tidone, que conserva os achados da vizinha Piana di San Martino, sítio da Idade do Bronze que se pode alcançar a pé. Ainda no mesmo município, a aldeia de Pianello merece um passeio por vielas e adegas. Para quem caminha, o Sentiero del Tidone e o sentiero CAI 209 ligam a localidade de Chiarone à fortaleza através de bosques e barrancos. Em alternativa, o circuito dos Castelos do Ducado de Parma, Piacenza e Pontremoli oferece outras fortalezas e aldeias da zona. Os apreciadores de enoturismo podem parar nas empresas de Val Tidone: as vinhas cobrem as encostas em volta da fortaleza. Um conselho: parem para observar o perfil da fortaleza ao longe, talvez de um miradouro sobre o vale. Muda de expressão a cada hora.

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💡 Talvez você não soubesse que…

Conta-se que na Gruta do Cipreste se praticava a tortura da ‘gota sobre a cabeça’ e que o poço esconde uma passagem secreta de fuga. Em 1500, a fortaleza resistiu a 1160 tiros de canhão, mas caiu devido à traição de alguns oficiais. O conde Pietro Dal Verme morreu envenenado em 1485. Hoje, o lema Arx impavida ainda se destaca à entrada.