O que ver em Forlì-Cesena: vilarejos, mar e história

🧭 O que esperar

  • Ideal para: uma viagem slow entre cultura e natureza
  • Pontos fortes: vilarejos autênticos, mar, castelos, museus únicos
  • Período recomendado: primavera e outono pelo clima ameno
  • Conselho: provar os pratos típicos romagnolos

Eventos nas proximidades


A Província de Forlì-Cesena é um destino que surpreende: não apenas as cidades de Forlì e Cesena, mas um território rico em vilarejos medievais, castelos, mar e colinas. Da Biblioteca Malatestiana, joia UNESCO de Cesena, ao Farol de Cesenatico, símbolo da costa romagnola, cada parada oferece um pedaço de história. As fortalezas de Monte Poggiolo e de Forlimpopoli contam o passado medieval, enquanto o Museu da Marinha de Cesenatico e o Museu Arqueológico de Sarsina revelam tradições antigas. Os vilarejos de Longiano, Gatteo e Meldola são perfeitos para um passeio entre vielas e sabores locais. Não perca o sugestivo Vulcão de Monte Busca e a abadia de Sant’Ellero. Um itinerário ideal para um fim de semana em busca das belezas autênticas da Romanha.

Visão geral



Itinerários nas proximidades


Biblioteca Malatestiana: um tesouro renascentista em Cesena

Biblioteca MalatestianaEm Cesena, sob os pórticos da Piazza Bufalini, esconde-se um lugar que parece suspenso no tempo: a Biblioteca Malatestiana. É considerada a primeira biblioteca cívica da Itália e da Europa, e em 2005 entrou para o Registro UNESCO Memória do Mundo. Um reconhecimento merecido, porque aqui tudo permaneceu intacto desde o século XV: o edifício, os móveis e até os livros, ainda acorrentados às estantes de leitura. Um unicum mundial, que faz você sentir como se estivesse voltando 500 anos no tempo.

A sala principal, a Aula do Nuti, foi projetada por Matteo Nuti, aluno de Leon Battista Alberti, a pedido de Malatesta Novello. O espaço tem três naves, com 58 estantes de madeira que guardam 340 códices iluminados. Entre as raridades destaca-se o menor livro do mundo legível a olho nu: 15×9 milímetros, com uma carta de Galileu Galilei. Ao lado, a Biblioteca Piana – doada pelo papa Pio VII – conserva corais, quinhentistas e um Evangelário de 1104.

A visita guiada dura cerca de 40 minutos e custa 8€ (5€ a meia-entrada). A entrada apenas na Biblioteca Antiga é 5€. Reserva obrigatória, capacidade máxima de 25 pessoas por turno. O bilhete inclui também o acesso ao Museu Arqueológico e à Pinacoteca. Atenção: a Aula do Nuti não tem iluminação artificial, portanto funciona apenas com luz natural. De abril a outubro horário contínuo, no inverno apenas à tarde. Fecha aos domingos? Não, mas todo primeiro domingo do mês a entrada é gratuita. Enfim, um lugar que todo amante da história e dos livros deveria ver pelo menos uma vez.

Biblioteca Malatestiana

Farol de Cesenatico: o guardião do porto canal

Farol de CesenaticoO Farol de Cesenatico é um ponto de referência indispensável para quem visita a cidade. Construído em 1892, localiza-se na extremidade do Molo di Levante, a poucos passos da Capitania do Porto. A sua estrutura é composta por uma casa do guarda de dois andares com reboco amarelo e branco, ladeada por uma torre branca de apenas 3 metros de altura, mas com a lanterna situada a 18 metros acima do nível do mar. De lá, emite dois flashes brancos a cada seis segundos, visíveis até 15 milhas náuticas – um farol totalmente automatizado e gerido pela Marinha Militar. Hoje, a casa do guarda abriga a Guarda Costeira, e a torre passou recentemente por uma restauração que devolveu o esplendor original aos acabamentos amarelos. Infelizmente não é visitável por dentro, mas o passeio até o molo é uma experiência imperdível: ao pôr do sol, o mar se tinge de cores quentes e a vista é deslumbrante. É o local ideal para tirar fotos e apreciar a brisa marinha. Apesar da tecnologia moderna, o farol permanece um poderoso símbolo da forte identidade marítima de Cesenatico, um ponto de referência que, por mais de um século, guiou os pescadores de volta para casa. Se passar por aqui, pare para observá-lo: parecerá quase ouvir as histórias de quem o viu brilhar por gerações.

Farol de Cesenatico

Rocca di Monte Poggiolo, o mais antigo castelo dos arredores

Rocca di Monte PoggioloA Rocca di Monte Poggiolo (ou Fortaleza de Castrocaro) é uma das fortificações mais antigas da Itália, com origens que remontam ao final do século IX. Empoleirada sobre um rochedo de “sasso spungone” rico em fósseis marinhos, oferece uma vista deslumbrante sobre a planície forlivesa até o Adriático. As primeiras notícias históricas datam de 906, quando é citado o conde Berengário. Ao longo dos séculos, o castelo foi disputado por famílias como Ordelaffi, Malatesta e Pagani, até se tornar em 1471 um baluarte dos Médici, ampliado pelo arquiteto Giuliano da Maiano entre 1482 e 1490. A estrutura é inteiramente em tijolos, com planta romboidal, bastiões circulares e muralha em talude. O perímetro mede 146,85 metros, com a torre de menagem com 18 metros de altura e os outros torreões com 12. Um pequeno poço chamado da Rainha está ligado à lenda de Caterina Sforza, que o usava como alçapão. Após a construção de Terra del Sole (1564), a fortaleza perdeu importância militar e foi desarmada em 1772. Hoje é propriedade privada e está em estado de abandono, mas pode ser admirada do exterior. Acede-se a pé desde Terra del Sole (trilho do Pianello) ou de mountain bike (percurso de 27 km desde Castrocaro Terme). A paisagem é extraordinária: um mergulho na história medieval. Nas proximidades, a antiga casa rural “Palazzo del Diavolo” recorda o refúgio de Garibaldi após a queda da República Romana.

Rocca di Monte Poggiolo

Museu da Marinha: uma viagem entre barcos históricos e tradição marinheira

Museu da MarinhaAo caminhar ao longo do porto-canal de Cesenatico, desenhado nada menos que por Leonardo da Vinci em 1502, depara-se com um espetáculo único: dez embarcações tradicionais do Alto Adriático atracadas ali mesmo, prontas para serem visitadas. É a Secção Flutuante do Museu da Marinha, o único museu flutuante em Itália dedicado aos barcos de trabalho. Entre trabaccolos, bragozzos e paranze, cada barco tem as suas velas ao terço de cores vivas – amarelo-ocre, laranja, vermelho – que outrora indicavam a pertença a uma família de pescadores. E repare bem na proa: aqueles olhos pintados não são decorações, mas antigos símbolos propiciatórios. O museu tem também uma Secção em Terra, na via Armellini 18, um pavilhão moderno onde pode subir a bordo de um trabaccolo e um bragozzo completos com velas, e descobrir como se construíam os barcos numa oficina do século XIX. Há também instalações interativas para experimentar fazer nós e manobrar paus de carga – perfeito para adultos e crianças. O bilhete custa apenas 2 euros e inclui a entrada no Antiquarium Comunal. Se vier no verão (de junho a setembro), os barcos podem ser visitados todos os dias das 10h às 12h e das 17h às 23h, e dois deles saem para saídas demonstrativas. Durante o período natalício, o porto transforma-se num presépio flutuante com estátuas em tamanho real. Em suma, um mergulho na história marítima que cheira a sal e autenticidade. Informações e reservas: 0547 79205.

Museu da Marinha

Rocca delle Caminate: história, paisagens e renascimento

Rocca delle CaminateEmpoleirada numa colina a 356 metros de altitude, a Rocca delle Caminate é um castelo medieval que domina os vales do Bidente e do Rabbi. Apelidado de “varanda da Romagna”, oferece uma vista deslumbrante sobre as colinas circundantes. As suas origens remontam ao ano 1000, mas a sua história mais recente está ligada a Benito Mussolini, que a escolheu como residência de verão. Hoje, após uma restauração financiada pela UE (não conservativa, mas com uma marca moderna), a Rocca acolhe conferências, cursos de formação e aulas universitárias. Aberta ao público aos sábados e domingos (10:00-19:00), também pode ser visitada mediante reserva com a guia Chiara Macherizzi (349-8087330). O castelo é facilmente acessível de carro ou bicicleta: a estrada provincial 126, recentemente restaurada após os danos das cheias de 2023 (investimento de 2 milhões de euros), liga Predappio, Rocca delle Caminate e Meldola. Não faltam eventos: em setembro realiza-se a recriação histórica “Falchi e archi” com acampamento medieval, falcoaria e stands gastronómicos; em junho o Slalom Predappio-Rocca delle Caminate evoca o reinício das corridas automóveis pós-lockdown. Quer sejam apaixonados por história, ciclistas à procura de uma subida panorâmica (3,8 km, inclinação média 6,4%) ou simplesmente curiosos, a Rocca delle Caminate merece uma visita.

Rocca delle Caminate

Abadia de São Mercurial

Abadia de São MercurialSe há um monumento que encarna a alma de Forlì, é a Abadia de São Mercurial. Com vista para a Piazza Saffi, esta basílica românica domina o centro com a sua torre sineira de 75 metros, uma das mais altas da Itália. Dedicada ao primeiro bispo da cidade, a sua construção começou em 1178 e foi concluída três anos depois, sobre os restos de uma paróquia do século VI. A fachada de tijolos vermelhos impressiona pela sua sobriedade, mas é o portal que rouba a cena: na luneta, um alto-relevo do século XIII representa o Sonho e a Adoração dos Magos, considerado um dos primeiros presépios esculpidos do mundo. No interior, com três naves, destacam-se obras de Marco Palmezzano, o monumento fúnebre de Bárbara Manfredi (1466) e a setecentista Arcada Ferri. Passeando pelo claustro renascentista, respira-se uma atmosfera recolhida. As relíquias de São Mercurial estão guardadas na capela homónima; estudos recentes revelaram que o santo era um homem de origem asiática falecido entre os 50 e 60 anos. A abadia está aberta todos os dias das 7:30 às 19:00 com entrada gratuita. A torre sineira só se visita em ocasiões especiais, como 26 de outubro (festa do santo) ou 4 de fevereiro (Madona do Fogo). Um conselho: estacione na Piazza XX Settembre e chegue a pé. Forlì vai surpreendê-lo.

Abadia de São Mercurial

Castelo de Longiano: entre história, arte e vistas deslumbrantes

Castelo de LongianoEmpoleirado numa colina a 179 metros, o Castelo Malatestiano de Longiano domina a vila com sua imponente mole. As suas origens? Perdem-se na Alta Idade Média, mas um pergaminho de 1059 já atesta a sua existência. Durante séculos foi fortaleza dos Malatesta, que o fortificaram com baluartes e uma dupla muralha. Depois, em 1519, o conde Guido Rangoni transformou-o em residência nobre, cancelando parte das fortificações, mas deixando-nos como herança uma loggia renascentista ainda hoje percorrível.

Ao entrar, ficamos impressionados com a Sala do Arengo: os tetos decorados no século XIX por Giovanni Canepa e Girolamo Bellani retratam personagens ilustres da história de Longiano. Mas o verdadeiro tesouro é a coleção da Fundação Tito Balestra: mais de 5000 obras, incluindo obras-primas de Guttuso, Morandi, De Pisis, Chagall e Goya. Uma viagem pela arte italiana e internacional que dialoga com as antigas muralhas.

Subam ao terraço panorâmico: em dias claros, o olhar alcança o mar Adriático. E se tiverem sorte, poderão assistir a um concerto no pátio dedicado a Carlo Malatesta, onde se destaca uma pia veneziana do século XVI, testemunha do breve domínio da Sereníssima. Conselho: visitem-no à tarde, quando a luz quente acaricia os tijolos vermelhos.

Informações práticas: aberto de terça a domingo, 10:00-12:00 e 15:00-19:00 (em agosto apenas à tarde). Bilhete inteiro 7€, reduzido 5€. Para quem ama arte e história, é uma paragem imperdível na Romanha.

Castelo de Longiano

Castelo Malatestiano de Gatteo

Castelo MalatestianoSe você passar por Gatteo, pare no Castelo Malatestiano. É o único castelo malatestiano da planície ao norte de Rimini ainda de pé, e dá para ver logo. Construído no século XIII sobre um acampamento romano, era uma verdadeira fortaleza, com fosso cheio d’água e ponte levadiça. Depois, no século XVIII, tudo mudou: as muralhas foram rebaixadas, o fosso foi preenchido com terra, a ponte levadiça substituída por uma fixa de pedra. Hoje, a entrada é um arco pleno, e acima está a torre cívica seiscentista com o relógio. Caminhando pelo pátio interno, sente-se que aqui se respira história. As restaurações de 2003 devolveram o castelo à comunidade, e em agosto o pátio recebe a festa de São Lourenço. Durante o ano, há espetáculos teatrais como ‘Zitti tutti!’ em dialeto romagnolo. A estrutura é simples: planta quase quadrada, cinco baluartes, uma torre. As muralhas originais ainda são visíveis no lado oriental, com vestígios dos canais para as vigas da ponte levadiça. Eu achei fascinante, principalmente pensar que por aqui passaram personagens como o condottiero Gattamelata. A entrada é gratuita, o pátio é acessível para pessoas com mobilidade reduzida (para as muralhas é preciso um pouco de cuidado). Estacionamento do lado de fora, fácil. Enfim, uma parada que vale a pena, entre vila e campo.

Castelo Malatestiano

A Rocca de Forlimpopoli: fortaleza e coração da cidade

Rocca de ForlimpopoliSe você passar por Forlimpopoli, a Rocca Albornoziana vai capturar seu olhar assim que entrar na Piazza Garibaldi. É uma das fortificações mais bem preservadas da Romagna, e não é apenas um monumento: aqui bate o coração da cidade. Construída entre 1360 e 1365 por ordem do cardeal Egídio d’Albornoz, ergue-se sobre os escombros da antiga catedral – os restos das absides ainda são visíveis no pátio. A planta é quadrangular, com quatro imponentes torreões circulares e um fosso que ainda se vislumbra nos lados oriental e meridional. Com o tempo, passou das mãos dos Ordelaffi para as de César Bórgia, dos Rangoni e dos Zampeschi, que no século XVI a transformaram de fortaleza militar em residência senhorial. Hoje a Rocca abriga os escritórios municipais, o Museu Arqueológico Tobia Aldini (com artefatos do Paleolítico ao Renascimento) e o Teatro Giuseppe Verdi, uma joia com plateia em ferradura e colunas de ferro fundido. Aqui, na noite de 25 de janeiro de 1851, o bandido Stefano Pelloni, conhecido como ‘o Passatore’, fez uma incursão espetacular. Suba ao primeiro andar para visitar a capela palatina com afrescos seiscentistas de Francesco Longhi: A queda do maná e O profeta Elias. O pátio interno está sempre aberto gratuitamente, e no verão enche-se de eventos. Se quiser uma visita guiada, contacte o posto de turismo. Em suma, um lugar que mistura Idade Média e Renascimento, arte e vida quotidiana – imperdível para quem ama a história autêntica.

Rocca de Forlimpopoli

Museu Arqueológico Nacional de Sarsina

Museu Arqueológico Nacional de SarsinaSe estiver na região de Forlì-Cesena e gostar de arqueologia, coloque na lista o Museu Arqueológico Nacional de Sarsina. Não espere um museu qualquer: aqui dentro respira-se a história da antiga Sassina, pátria do comediografista Plauto. O destaque? O Mausoléu de Rufo, com quase 15 metros de altura, um monumento funerário romano incrivelmente bem conservado, em torno do qual foi construído o espaço expositivo. Depois há o mosaico do Triunfo de Dionísio, que após um restauro recuperou as suas cores originais: uma cena animada com Dionísio numa carruagem puxada por tigres. A coleção abrange desde a pré-história até à Antiguidade Tardia, com estátuas de divindades orientais, cerâmicas vidradas típicas da área adriática e uma taça de vidro multicolorida intacta. Todos os artefactos provêm de escavações locais, nomeadamente da necrópole de Pian di Bezzo. Atualmente o museu está temporariamente fechado para obras de redução da vulnerabilidade sísmica – a reabertura completa está prevista para os primeiros meses de 2026. Mas não se preocupe: durante o encerramento são organizados eventos gratuitos e percursos temáticos em colaboração com o Município. Em suma, mais um motivo para voltar a Sarsina assim que reabrir.

Museu Arqueológico Nacional de Sarsina

Abadia de Sant’Ellero: história, fé e um rito milenar

Abadia de Sant'ElleroEmpoleirada numa colina que domina Galeata, a Abadia de Sant’Ellero é uma joia românica que exala história e lenda. Fundada no século V pelo eremita Ellero, foi uma importantíssima ‘quase diocese’ sobre mais de quarenta paróquias entre a Romanha e a Toscana. Da estrutura original resta a igreja, com uma fachada em blocos de arenito esculpidos: capitéis com sereias bicaudadas (símbolo de tentação) e monges cavaleiros (símbolo de oração). No interior, o presbitério elevado esconde a cripta paleocristã, coração pulsante do complexo. Aqui, numa atmosfera recolhida, encontra-se o sarcófago de Sant’Ellero (século VIII), decorado com motivos bizantinos. Mas a verdadeira joia é o chamado ‘vuco’: um orifício de 25 cm na abóbada da cela onde, segundo a tradição, enfiar a cabeça e sentar-se na pedra previne dores nas costas e de cabeça. Um rito tão enraizado que ainda hoje os peregrinos o praticam, especialmente em maio. O percurso para chegar já é uma experiência: da praça de Galeata sobe-se a pé ao longo de uma antiga procissão com edículas da Via Sacra (cerca de 40 minutos). A meio caminho, uma coluna bizantina recorda o lendário encontro entre o santo e o rei Teodorico. A abadia visita-se com marcação (tel. 0543 981655) e a entrada é gratuita. Para grupos e visitas guiadas, contactar a associação Rabisch.

Abadia de Sant’Ellero

Vulcão de Monte Busca: a chama eterna dos Apeninos

Vulcão de Monte BuscaA 740 metros de altitude, entre os vales do Montone e do Tramazzo, há um lugar que parece saído de um conto de fadas (ou de um documentário geológico): o Vulcão de Monte Busca. Sim, eu sei, o nome engana. Não é um verdadeiro vulcão, mas uma fonte ardente de metano, uma chama perene que queima entre as rochas desde antes de 1500. O primeiro a falar dela foi o frei Leandro Alberti em 1588, que em seu livro descrevia um lugar chamado ‘Inferno’ com um buraco de quatro pés de largura de onde saía fogo capaz de queimar até lenha verde. Hoje, essa chama tem a altura que o vento decide: às vezes uma fogueira, às vezes uma pequena língua de fogo. Para chegar, pegue a SP22 de Portico di Romagna em direção a Tredozio, no km 7+700 encontra um estacionamento em frente a uma casa rural abandonada. Dois minutos a pé entre árvores e arbustos, e você está em um campo aberto com um monte de pedras que cospe chamas. Parece magia, mas é apenas metano que sai do subsolo. Em 1939, a Società Idrocarburi Metano construiu uma tubulação e um edifício em estilo littorio, inaugurado pelo próprio Mussolini. Mas o gás era pouco, os custos altos, e após a guerra tudo foi abandonado. Desde então, o gás encontrou uma nova saída, e a chama voltou a ser livre. Hoje é um lugar único, especial ao pôr do sol quando o fogo se acende contra o céu que escurece. Chega-se de carro, mas a trilha é curta e não acessível a todos. Leve o cachorro, se quiser – ele é bem-vindo. E não se esqueça: não é um vulcão, mas fará o mesmo efeito.

Vulcão de Monte Busca

Rocca Caterina Sforza: a fortaleza de Meldola entre história e restauros

Rocca Caterina SforzaNo coração de Meldola, a Rocca Caterina Sforza (ou de Ravaldino) voltou a viver após anos de fechamento. Construída em 1471 por Pino III Ordelaffi sob projeto de Giorgio Marchesi, foi depois ampliada por Girolamo Riario e sua esposa, a célebre Caterina Sforza. Ela, viúva, mandou construir um terceiro revelim e o palacete chamado “O Paraíso”, onde viveu até o cerco de 1499. Caterina resistiu com coragem a César Bórgia, mas a fortaleza caiu em 12 de janeiro de 1500: no lado sul ainda é visível o brasão dos Bórgia no ponto da brecha. Nos séculos seguintes, a rocca tornou-se prisão, função que manteve até o século XX. Hoje, após uma restauração ainda em andamento, pode ser visitada com visitas guiadas gratuitas. O torreão conserva três salas sobrepostas e uma singular escada em caracol de pedra sem eixo central: 67 degraus que se sustentam por superposição. Na sala superior há a boca de um poço que desce até o pátio. Passeando entre as muralhas, respira-se uma atmosfera de outros tempos, entre história medieval e lendas de intrigas. Um mergulho no passado que merece uma parada, talvez combinada com uma caminhada pelo burgo de Meldola.

Rocca Caterina Sforza

Teatro Alessandro Bonci – Elegância e tradição em Cesena

Teatro Alessandro BonciSe você está em Cesena e ama cultura, o Teatro Alessandro Bonci é uma parada obrigatória. Esta joia neoclássica, projetada por Vincenzo Ghinelli e inaugurada em 1846, é um verdadeiro templo das artes. A fachada, com suas colunas e o frontão decorado com as alegorias dos rios Savio e Rubicão, recebe você na Piazza Guidazzi. Mas é o interior que tira o fôlego: a sala em formato de ferradura, com quatro ordens de camarotes e um balcão, é decorada com pinturas refinadas de Francesco Migliari, que imortalizou cenas da Divina Comédia. A acústica é simplesmente perfeita, motivo pelo qual artistas de fama mundial adoram se apresentar aqui. O teatro recebe o nome do grande tenor Alessandro Bonci, que cantou aqui em 1904 e o tornou famoso. Hoje a programação vai da ópera à prosa, do balé aos concertos, com uma temporada de outubro a maio. Não perca a oportunidade de visitar o foyer e a plateia: a equipe o acompanhará com explicações apaixonadas. E se tiver sorte, poderá assistir a um espetáculo e viver a emoção de um teatro que há quase dois séculos encanta o público. Após a visita, dê uma volta pelos arredores: o teatro fica perto dos Jardins Públicos, ideais para um passeio. Para informações e ingressos: 0547 355959 ou info@teatrobonci.it.

Teatro Alessandro Bonci

Catedral de Santa Cruz: o Duomo de Forlì

Catedral de Santa CruzSe você passar por Forlì, uma parada na Sé é obrigatória. A Catedral de Santa Cruz não é apenas o principal local de culto da cidade, mas também um tesouro de arte que conta séculos de história. O edifício que vocês veem hoje é em grande parte resultado de uma reconstrução neoclássica concluída em 1841 segundo projeto de Giulio Zambianchi, mas as origens remontam pelo menos ao século X. Caminhando entre as naves, vocês encontrarão duas pérolas absolutas: a Capela da Madonna do Fogo e a Capela do Santíssimo Sacramento. A primeira, construída entre 1619 e 1636, guarda a preciosa xilogravura da Madonna do Fogo, uma imagem que segundo a tradição sobreviveu milagrosamente a um incêndio em 1428. A cúpula é afrescada por Carlo Cignani com a Assunção da Virgem, uma obra-prima que por si só vale a visita. Do outro lado, a Capela do Santíssimo Sacramento, encomendada por Caterina Sforza em 1490, conserva o afresco da Madonna da Ferida. Não perca o Crucifixo de madeira românico do século XII, com Cristo triunfante de olhos abertos. A entrada é gratuita, e a catedral está aberta todos os dias das 6:30 às 12:00 e das 16:00 às 19:00. Uma dica: se vocês estiverem na região no dia 4 de fevereiro, participem da festa da Madonna do Fogo, com barracas que servem a tradicional piadina de anis. Enfim, um lugar que mistura fé, história e arte de forma autêntica.

Catedral de Santa Cruz