Villa Medici: a Academia de França no Pincio

A Villa Medici, no Pincio a poucos passos da Piazza di Spagna, é sede da Academia de França desde 1803. Os seus jardins renascentistas de sete hectares e a fachada decorada com baixos-relevos antigos oferecem um espetáculo único. Uma visita guiada de duas horas permite explorar interiores e jardins, incluindo a Sala dos Pássaros e o grupo dos Nióbides.

História: construída no século XVI para o cardeal Ferdinando de’ Medici, depois adquirida por Napoleão para a Academia.
Jardins: sebes, fontes, estátuas antigas e um panorama deslumbrante sobre Roma.
Interiores: afrescos de Jacopo Zucchi, gipsoteca e o studiolo com aves tropicais.
Visita prática: bilhete 9€, horários variáveis, fechado às segundas, metro Spagna.


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Copertina itinerario Villa Medici: a Academia de França no Pincio
Sede da Academia de França desde 1803, a Villa Medici no Pincio oferece jardins renascentistas, coleções de estátuas antigas e uma vista única sobre Roma. Visita guiada de 2 horas.

Informações importantes


Um cantinho da França no Pincio

Subo as escadas da Trinità dei Monti e, após alguns passos, encontro-me diante de um portal austero. Além do portão, a Villa Medici é um oásis de silêncio e beleza. Aqui, entre carvalhos centenários e estátuas antigas, a Academia da França desde 1803 acolhe artistas de todo o mundo. A vista sobre Roma, com cúpulas e campanários, é de tirar o fôlego. Não há aglomeração de turistas: respira-se uma atmosfera recolhida, quase privada. O caminho de acesso é ladeado por sebes geométricas e, ao fundo, surge a fachada interna decorada com baixos-relevos antigos. É um lugar que faz você se sentir em outra época, entre Renascimento e arte contemporânea.

Notas históricas

A Villa Medici ergue-se onde outrora se erguiam os Hortos Luculianos, os luxuosos jardins do general romano Lúculo. No século XVI, o cardeal Giovanni Ricci comprou o terreno e mandou construir uma villa (1564-1575). Em 1576, passou para o cardeal Fernando de Médici, que encarregou Bartolomeo Ammannati da ampliação e da criação de um jardim italiano rico em estátuas. Em 1803, Napoleão Bonaparte adquiriu o conjunto e transferiu para lá a Academia de França, substituindo a sede do Palácio Mancini. Desde então, a villa é um centro de residência para artistas vencedores do Prix de Roma. Eis os momentos-chave:

Os jardins: um museu a céu aberto

Passear pelos jardins da Villa Medici é como folhear um livro de história e mitologia. A avenida principal, com cerca de 5,50 metros de largura, conduz do obelisco de granito rosa (cópia do de Ramsés II) até a loggia. Entre os buxos surgem 47 hermas nos cantos: algumas são originais romanas, outras renascentistas. O grupo dos Niobidas, em cópia, conta a trágica história dos filhos de Níobe trespassados pelas flechas de Apolo e Ártemis. A Fonte dos Golfinhos, em estilo rococó, obra de Asprucci, acrescenta um toque cenográfico. Do lado voltado para a Trinità dei Monti, o olhar alcança Roma: um panorama que por si só já vale a visita.

A Sala dos Pássaros e os interiores Médici

Dentro, a Sala dos Pássaros (gabinete do cardeal) é uma obra-prima de Jacopo Zucchi: afrescos em trompe-l’œil retratam animais exóticos e aves tropicais, recém-descobertos das Américas, em um jogo de perspectiva que rompe as paredes. Não muito longe, a Loggia dos Leões recebe o nome de duas estátuas de mármore de felinos. A fachada interna é um triunfo de baixos-relevos antigos, incluindo fragmentos da Ara Pacis e do Arcus Novus, incrustados como em um museu a céu aberto. Os aposentos históricos preservam tetos afrescados e decorações parietais do século XVI. Cada canto conta o gosto colecionista dos Médici e seu desejo de surpreender.

Por que visitar

Três boas razões para não perder. Primeiro: a vista panorâmica de Roma. Do jardim, abraçam-se cúpulas, campanários e os telhados da Cidade Eterna, com uma vista que muda a cada hora. Segundo: a estratificação histórica. Num só lugar convivem vestígios romanos (Horti Luculliani), jardim renascentista e sede artística contemporânea. Terceiro: a atmosfera exclusiva. Menos lotado que outros locais, permite desfrutar da arte e da natureza com calma. Além disso, pode visitar as exposições temporárias organizadas pela Academia de França, muitas vezes de grande qualidade.

Quando ir

O melhor momento? O fim da tarde, pouco antes do fechamento, quando a luz dourada ilumina as fachadas e o panorama de Roma se tinge de tons quentes. Na primavera e no outono, o clima é ideal para passear entre as sebes. Se você ama o ambiente noturno, confira o programa: às quintas-feiras a exposição está aberta até as 21h, e às vezes há eventos noturnos. Evite as segundas-feiras, dia de fechamento.

Nas redondezas

Ao sair, você está a dois passos da Trinità dei Monti e da famosa Escadaria da Piazza di Spagna: desça os degraus e estará no coração do centro histórico. Para outra perspectiva, atravesse o Pincio e chegue a Villa Borghese, o grande parque romano com museus, lago e avenidas arborizadas. Ou então, siga o muro da Villa Medici para chegar à Via di Porta Pinciana e mergulhe no elegante bairro da Via Veneto.

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💡 Talvez você não soubesse que…

Durante a restauração de 2008, na loggia foi descoberta uma camada de cor azul original que colocou em questão o projeto anterior. A Fonte da Bola de Canhão está ligada a um episódio da rainha Cristina da Suécia. O grupo dos Nióbides, encontrado em 1583, está hoje nos Uffizi, mas as cópias no local mantêm a atmosfera mitológica.