O que ver em Pesaro: do centro histórico ao Monte San Bartolo

🧭 O que esperar

  • Ideal para viajantes interessados em arte, história e natureza
  • Pontos fortes: centro histórico fascinante, praias do Monte San Bartolo e ótima gastronomia
  • Imperdível: Villa Imperiale e Teatro Rossini
  • Conselho: visitar na primavera ou outono para clima ameno e menos multidões
  • Pesaro é muito mais do que uma simples cidade costeira: é um concentrado de história, arte e natureza que merece ser descoberto com calma. O centro histórico, dominado pela Piazza del Popolo com a sua imponente fonte, é o coração pulsante da cidade, onde se destacam o Palácio Ducal e o Teatro Rossini, dedicado ao célebre compositor. Passeando pelas ruas, encontram-se joias como a Casa Rossini e os Museus Cívicos, guardiões de obras de arte e artefactos arqueológicos. Mas Pesaro não é apenas cultura: o Monte San Bartolo oferece um parque natural com trilhos panorâmicos e enseadas escondidas, culminando no antigo farol. Não perca a Villa Imperiale, residência renascentista com vista para o mar, e a Rocca Costanza, fortaleza medieval que conta séculos de história. Um itinerário perfeito para quem ama arte, boa gastronomia e relaxamento na costa adriática.

    Visão geral



    Itinerários nas proximidades


    Palácio Ducal: o coração renascentista de Pesaro

    Palácio DucalSe você passar por Pesaro, pare na Piazza del Popolo. O lado norte é totalmente ocupado pelo Palácio Ducal, o mais importante edifício renascentista da cidade. A sua história começa em meados do século XV com Alessandro Sforza, que quis a fachada com o pórtico de seis arcos e os maciços pilares de cantaria, para depois ser ampliado e decorado pelos Della Rovere, duques de Urbino e Pesaro. O edifício viveu séculos de poder, passando pelos Malatesta, pelos Sforza e pelos Della Rovere, que o transformaram numa verdadeira joia maneirista.

    Ao entrar, fica-se impressionado com o Salão Metaurense: 600 metros quadrados da época sforzesca com um teto de madeira com 84 painéis octogonais pintados com os emblemas dos Della Rovere. Um pouco mais adiante, a Antecâmara dos Apartamentos abriga uma lareira monumental de Bartolomeo Genga com estuques de Federico Brandani. Não perca o Banheiro de Lucrécia, um pequeno compartimento afrescado com grotescos e figuras mitológicas, e a Loggia sobre o Jardim Secreto, afrescada com cenas bucólicas por Camilo Mantovano e Raffaellino del Colle.

    Hoje o palácio é sede da Prefeitura, mas faz parte do circuito Pesaro Musei. Visita-se apenas com guias organizados: todos os sábados às 10h (1h30) ou terças e quintas às 16h (45 minutos). O bilhete único é gratuito se já tiver o Pesaro Musei, e também vale para outros museus. Reserva obrigatória. Um conselho: não perca o Pátio de Honra e o Jardim Secreto, oásis de paz no centro.

    Palácio Ducal

    Teatro Rossini: um mergulho na história da ópera

    Teatro RossiniSe você passar por Pesaro, uma parada no Teatro Rossini é obrigatória. Não é apenas um teatro: é um pedaço da história que respira música há quase quatro séculos. O nome? Uma homenagem ao grande Gioachino Rossini, nascido aqui mesmo, que em 1818 inaugurou o Teatro Nuovo (como era chamado então) regendo a sua Gazza ladra. Na época, ele tinha apenas 26 anos. Pois é, porque a estrutura original – o Teatro del Sole de 1637 – foi construída nas antigas cavalariças ducais dos Della Rovere, cujo portal rústico de Filippo Terzi ainda se vê na entrada principal.

    Entre e deixe-se envolver pela atmosfera. A sala é um clássico teatro à italiana: em ferradura, com quatro ordens de camarotes e uma galeria que totalizam 860 lugares. O pano de boca pintado por Angelo Monticelli é uma pequena obra-prima. Após o terremoto de 1930, o teatro foi fechado para restauro e reaberto em 1934. Depois, de 1966 a 1980, outra longa paragem. Mas o renascimento coincidiu com o nascimento do Rossini Opera Festival, que todo agosto transforma Pesaro num palco mundial. Não só ópera: aqui também se realizam temporadas de prosa e dança, concertos e o Festival Nacional de Arte Dramática (desde 1948!).

    Recentemente, em 2026, foram feitas obras no telhado graças a doações (Art Bonus), para resolver infiltrações de água. Enfim, o teatro está vivo e em constante evolução. Se quiser visitá-lo, o tour guiado “Exploração do Teatro Escondido” leva você aos bastidores, entre camarins e foyer. E para a programação, dê uma olhada no site da AMAT ou passe na bilheteira na Piazza Lazzarini. Um conselho: tente pegar um espetáculo, mesmo que seja apenas um concerto. A acústica é perfeita.

    Teatro Rossini

    Museus Cívicos do Palazzo Mosca

    Museus CívicosNo coração de Pesaro, a poucos passos da Piazza del Popolo, os Museus Cívicos estão instalados desde 1936 no Palazzo Mosca, antiga residência nobre reformada no século XVIII por Luigi Baldelli. Assim que cruza a entrada, a atmosfera já é de descoberta: três amplos pátios internos e uma fachada sóbria com portal rústico introduzem um percurso completamente renovado em 2013, que se desenvolve por cinco salas no primeiro andar.

    A verdadeira joia é a Pala da Coroação da Virgem de Giovanni Bellini (cerca de 1475), proveniente da igreja de São Francisco. Uma obra-prima que encanta com seu trono de mármore perfurado que se abre para uma paisagem, quase um “quadro dentro do quadro”. Ao redor, pinturas de igrejas e conventos da cidade, e depois uma Wunderkammer de cerâmicas e artes decorativas: maiólicas historiadas dos centros do Ducado de Urbino, lustres de Deruta, e a famosa produção pesarese “alla rosa” do século XVIII. O legado da marquesa Vittoria Mosca em 1885 enriqueceu a coleção com peças únicas, enquanto a Coleção Hercolani Rossini – herdada por Gioachino Rossini – traz obras de Vitale da Bologna, Tintoretto e Guido Reni (a dramática Queda dos Gigantes).

    Não faltam naturezas-mortas com sabor vanitas, com flores murchas e crânios, e obras-primas do pintor pesarese Simone Cantarini. O museu também é pioneiro em acessibilidade: oferece videoguias em Língua de Sinais Italiana (LIS), audioguias para cegos e reproduções táteis da pala de Bellini. Um lugar que surpreende a cada sala, entre arte, história e uma extraordinária tradição cerâmica.

    Museus Cívicos

    Casa Rossini: o coração pulsante da memória do compositor

    Casa RossiniEntrar em Casa Rossini é como abrir um cofre que conta o gênio de Gioachino Rossini, o Cisne de Pesaro. O edifício, que remonta ao século XV nos pisos inferiores, fica na via Rossini 34, exatamente onde antigamente passava a antiga via do Duomo. Aqui, em 29 de fevereiro de 1792, nasceu o compositor, como recorda uma placa no primeiro andar: “A divina arte da música sorriu neste quarto ao nascimento de Gioacchino Rossini”. Passeando entre os quartos, respira-se uma atmosfera íntima: as janelas em arco, as lareiras enegrecidas pela fumaça e os restos da cozinha original contam a vida de uma família de músicos. Após a compra pela Prefeitura em 1892, a casa tornou-se museu e em 1904 foi declarada monumento nacional. Desde 2015, uma restauração completa uniu tradição e inovação: no térreo encontra-se uma loja e postos multimídia, enquanto nos andares superiores a coleção, em grande parte proveniente de Paris graças ao colecionador Alphonse Hubert Martel, expõe retratos, gravuras e o famoso desenho de Gustave Doré que retrata Rossini no leito de morte. Não perca a sala da música, com um fortepiano veneziano de 1809 e partituras autógrafas. A visita se torna interativa com telas sensíveis ao toque para consultar cartas e partituras digitalizadas, e o museu é equipado para acessibilidade com textos em braille e videoguias em LIS. No segundo andar, o espaço Rossini Gourmet celebra a paixão do maestro pela boa mesa. Um lugar que emociona, onde a música ainda se ouve entre as paredes.

    Casa Rossini

    Villa Imperiale: um mergulho no Renascimento entre afrescos e jardins

    Villa ImperialeSe pensam que Pesaro é apenas mar e música, enganam-se redondamente. A poucos minutos do centro, no monte San Bartolo, ergue-se a Villa Imperiale, uma joia do Renascimento que merece absolutamente uma visita. A sua história começa em 1468, quando o imperador Frederico III de Habsburgo colocou a primeira pedra durante uma passagem por Roma. Hoje, o que era uma residência senhorial apresenta-se como um conjunto único, fruto de duas fases construtivas: o núcleo quatrocentista dos Sforza e a ampliação quinhentista ordenada pelos Della Rovere. A acrescentar a segunda ala foi o arquiteto de Urbino Gerolamo Genga, que entre 1523 e 1538 criou uma obra-prima da arquitetura maneirista com loggias, pátios e jardins em terraço.

    Entrando, ficamos impressionados com os afrescos das oito salas do piso nobre: Dosso Dossi, Raffaellino del Colle e Agnolo Bronzino são apenas alguns dos artistas que decoraram estas salas. Vai-se da Sala do Juramento, com a falsa tapeçaria, à Sala dos Trabalhos de Hércules, com grutescos e cenas mitológicas. Um itinerário que conta as façanhas de Francesco Maria I della Rovere e o ambiente culto da corte.

    No exterior, os jardins são um oásis de paz: canteiros de buxo geométricos, citrinos em vaso e uma paisagem que se estende do vale do Foglia aos Apeninos. A villa está aberta apenas no verão, às quartas-feiras à tarde e aos sábados de manhã, e a visita é obrigatoriamente guiada – reservem com bastante antecedência, pois os lugares são limitados. Uma experiência que vos fará apaixonar pelas Marcas mais escondidas.

    Villa Imperiale

    Rocca Costanza: uma fortaleza renascentista para descobrir

    Rocca CostanzaSe estiver em Pesaro, não perca a Rocca Costanza, uma das fortificações renascentistas mais importantes da região. Construída entre 1474 e 1483 por ordem de Costanzo Sforza, a fortaleza é um perfeito exemplo de arquitetura militar: planta quadrangular, quatro imponentes torreões cilíndricos nos ângulos e um fosso que outrora se ligava ao mar. Projetada inicialmente por Giorgio Marchesi da Settignano e depois por Luciano Laurana, a fortaleza viveu séculos de história: desde o cerco de César Bórgia (1500) – que segundo uma tradição envolveu também Leonardo da Vinci – até ao seu uso como prisão de 1864 a 1989. Hoje, após uma longa restauração, foi parcialmente reaberta ao público no verão de 2024. Pode visitá-la com o Tour Capitale, que parte da Piazza del Popolo e inclui também o Teatro Rossini e a Domus. O tour levá-lo-á ao pátio interno (a praça de armas), à capela restaurada e ao torreão leste, de onde se desfruta de uma esplêndida vista sobre o mar Adriático. A visita está disponível de terça a domingo, às 11:00 e às 17:30, até setembro (reserva recomendada, máx. 25 pessoas). Atenção: as obras de renovação ainda estão em curso – financiadas pelo PNRR com 650.000 euros – para melhorar a acessibilidade e criar novos espaços. Em breve albergará a sede do Arquivo do Estado e o Museu da Fundação Dario Fo e Franca Rame. Passeando pelas muralhas, respira-se uma atmosfera única: os vestígios de munições nas cortinas contam batalhas passadas, enquanto hoje a fortaleza se tornou um vibrante centro cultural com concertos e festivais. Um conselho: verifique sempre os horários atualizados no site do Município ou contacte o posto de turismo IAT (0721 69341), porque não está aberta todos os dias de forma contínua. E se gosta de lendas, diz-se que existem subterrâneos secretos que ligam a fortaleza ao mar – quem sabe se serão alguma vez descobertos!

    Rocca Costanza

    Museu Arqueológico Oliveriano: uma viagem pelos milénios de Pesaro

    Museu Arqueológico OliverianoNo coração de Pesaro, dentro do Palácio Almerici do século XVII, esconde-se uma jóia: o Museu Arqueológico Oliveriano. Nascido da paixão de Annibale degli Abbati Oliveri, erudito do século XVIII, que doou à cidade a sua imensa coleção, hoje conta mil anos de história do território, desde o período piceno até ao final do império. O percurso desenrola-se em quatro secções: a necrópole da Idade do Ferro de Novilara (com mais de 450 túmulos e a famosa estela com batalha naval), o Lucus Pisaurensis (bosque sagrado romano descoberto pelo próprio Oliveri), o município de Pisaurum e uma sala dedicada ao colecionismo setecentista que evoca um wunderkammer. Entre as peças mais marcantes, um anemoscópio do século II d.C., cabeças romanas de Augusto e Lívia, e bronzes etruscos. A montagem, assinada pelo estúdio STARTT e curada pela arqueóloga Chiara Delpino, inspira-se na linguagem poética de Jannis Kounellis: os fragmentos de pedra são agrupados em figuras geométricas, para tornar a visita uma experiência quase artística. Atenção: atualmente o museu está aberto apenas com reserva (info 0721 33344) até 30 de março de 2025, depois fechará para obras relacionadas com o PNRR. Se estiver em Pesaro, não perca esta cápsula do tempo: vale mesmo a pena.

    Museu Arqueológico Oliveriano

    Villino Ruggeri em Pesaro: a obra-prima Liberty

    Villino RuggeriA poucos passos do mar, na Piazzale della Libertà, encontra-se um dos mais extraordinários exemplos de arquitetura Liberty na Itália: o Villino Ruggeri. Mandado construir entre 1902 e 1907 pelo industrial farmacêutico Oreste Ruggeri – que havia feito fortuna com seus produtos – e projetado pelo arquiteto de Urbino Giuseppe Brega, este edifício é um deleite de decorações marinhas e vegetais. As fachadas são cobertas por relevos em cimento hidráulico: conchas, lagostas, flores e folhas se entrelaçam em uma narrativa que parece saída de um conto de fadas. Originalmente, todo o villino – das janelas às maçanetas, dos móveis à louça – era rigorosamente em estilo Liberty, e hoje no seu interior ainda se conservam a sala de jantar e uma porta de vidro. O jardim outrora era rico em canteiros, uma estufa e um gazebo, mas agora resta apenas uma fonte circular decorada com grandes lagostas. Pena que seja propriedade privada e não visitável por dentro, mas vale a pena admirá-lo do lado de fora, talvez ao pôr do sol quando a luz realça os detalhes. A restauração de 2007 devolveu esplendor à fachada nordeste, mas a degradação devida à proximidade do mar é uma ameaça constante. Se passar por Pesaro, não perca esta joia: é um mergulho na Art Nouveau italiana, tudo para descobrir a céu aberto.

    Villino Ruggeri

    Farol do Monte San Bartolo: panorama de tirar o fôlego na costa adriática

    Farol do Monte San BartoloO Farol do Monte San Bartolo é um daqueles lugares que deixam você sem palavras. Empoleirado a 175 metros acima do nível do mar, ao longo da sugestiva Estrada dos Ciprestes, este farol branco de forma cilíndrica com cerca de 30 metros de altura domina a costa de Pesaro. Sua história está ligada à Segunda Guerra Mundial: o antigo farol “Fralon” de Casteldimezzo foi destruído por um contratorpedeiro alemão em 1944, e a atual estrutura foi concluída em 1945 (embora algumas fontes indiquem um retorno à operação em 1952).

    O farol ainda está ativo: emite dois flashes brancos a cada 15 segundos, visíveis até 25-30 milhas náuticas. Infelizmente, não é visitável por dentro (é uma zona militar administrada pela Marinha), mas o pátio ao redor é acessível e oferece uma vista espetacular. Em dias claros, avistam-se as montanhas da Croácia, o arranha-céu de Rimini, o Monte Carpegna, o Sasso Simone e, ao sul, o Monte Conero. Uma combinação perfeita de mar e Apeninos.

    Para chegar, você pode escolher entre uma caminhada a pé ao longo da trilha 152a do Parque San Bartolo (cerca de 1 km, fácil) ou uma subida de bicicleta na estrada asfaltada: 2,1 km com uma inclinação média de 9,1%, um bom teste para ciclistas. Meu conselho? Vá ao pôr do sol. O sol se pondo sobre o mar e iluminando a torre branca de laranja é um espetáculo que vale cada pedalada ou passo.

    Farol do Monte San Bartolo

    Villa Caprile em Pesaro: história, jogos de água e natureza

    Villa CaprileSe existe um lugar que encarna o fascínio da campanha pesarense, é a Villa Caprile. Empoleirada nas colinas do Monte San Bartolo, esta residência de 1640 foi encomendada pelo marquês Giovanni Mosca como refúgio de verão. Hoje sede do Instituto Técnico Agrário “Antonio Cecchi”, a villa ainda conserva a atmosfera das antigas vilas de delícias. Passeando entre os três terraços do jardim italiano, depara-se com uma profusão de sebes, estátuas e – atenção! – brincadeiras de água que espirram de repente. São as mesmas travessuras que divertiam os hóspedes ilustres de outrora: Giacomo Casanova, Stendhal, Gioachino Rossini e até Napoleão Bonaparte. Uma curiosidade? Stendhal inspirou-se no conde Francesco Maria Mosca para a sua personagem do conde Mosca em “A Cartuxa de Parma”. Mas não há só história: o parque de 25 hectares oferece também um teatro de verdura, uma roseira de rosas antigas e um percurso ligado à Linha Gótica. Durante o verão (de 8 de junho a 30 de agosto, todos os dias 15:00-19:00) pode visitar-se a villa e os jardins com visitas guiadas. Os bilhetes? 10€ por uma hora (só jardins ou villa), 15€ por duas horas (combinado). Reserva obrigatória para grupos. E se quiser uma lembrança especial, a empresa agrícola do instituto vende produtos biológicos de proximidade, como vinho e azeite, feitos pelos alunos. Em suma, um lugar que une cultura, natureza e uma boa dose de imprevisto… molhado!

    Villa Caprile

    Fonte Artístico-Monumental da Piazza del Popolo

    Fonte Artístico-Monumental da Piazza del PopoloNo centro da Piazza del Popolo, coração pulsante de Pesaro, ergue-se a Fonte Artístico-Monumental, uma obra-prima que atravessou os séculos entre esplendores e destruições. Encomendada pelo duque Francesco Maria II della Rovere entre 1588 e 1593, substituiu uma fonte malatestiana do século XIV. Inaugurada em 13 de julho de 1593, a fonte era um ponto de encontro para os pesareses que ali recolhiam água para dar de beber aos animais e lavar carroças – um uso depois proibido em 1684 por decoro. Ao longo dos anos, enriqueceu-se com detalhes: em 1605, pelo nascimento do príncipe Federico Ubaldo, foram adicionadas oito máscaras, e em 1621, por ocasião do casamento com Claudia de’ Medici, chegaram golfinhos de bronze e outros ornamentos. O aspeto atual deve-se ao escultor romano Lorenzo Ottoni, que a renovou entre 1684 e 1685. Infelizmente, em agosto de 1944, os sapadores alemães minaram-na e destruíram-na. Mas a cidade não desistiu: em 1960, a fonte foi fielmente reconstruída seguindo o modelo de Ottoni, recuperando fragmentos originais. Hoje vê-la em todo o seu esplendor, com o tanque central em pedra da Ístria branca encimado por um lírio, quatro tritões montados em golfinhos, e quatro cavalos-marinhos que nadam no grande tanque octogonal de mármore vermelho de Verona. Leia as inscrições latinas na borda: contam a sua história atribulada. Com vinte e seis jatos de água e iluminação noturna, a fonte voltou a ser, como outrora, ‘a pupila de Pesaro’. Um conselho? Pare para observá-la ao pôr do sol, quando a luz acaricia os mármores e a água dança.

    Fonte Artístico-Monumental da Piazza del Popolo

    Orti Giulii: um canto verde e histórico no coração de Pesaro

    Orti GiuliiSe passeia pelo centro de Pesaro, não perca os Orti Giulii, uma joia verde nascida entre 1827 e 1830. Foi o conde Francesco Cassi quem a quis, para celebrar o primo Giulio Perticari, ilustre literato. O projeto foi confiado ao engenheiro ferrarense Pompeo Mancini (o mesmo da Pescheria) e o resultado foi um parque arborizado com um jardim botânico, um dos primeiros exemplos de jardim público na Itália. A atmosfera é romântica: colunas recuperadas, um pequeno templo, sarcófagos e caminhos que se insinuam entre as essências exóticas aclimatadas pela Academia Agrária. No topo, no centro de uma praça, encontra-se o busto de Perticari: dali desfruta-se de uma vista deslumbrante sobre o porto, o rio e a colina San Bartolo. Hoje o jardim está aberto todos os dias das 7:30 às 19:30 (entrada gratuita) e, após um período de degradação, a Câmara Municipal destinou 1 milhão de euros para o renovar: nova iluminação, calçadas, recuperação das espécies históricas e um café literário que finalmente dará vida a este espaço. Um canto de paz onde história e natureza se fundem, perfeito para uma pausa longe do trânsito.

    Orti Giulii

    Palácio Lazzarini: uma joia setecentista a redescobrir

    Palácio LazzariniO Palácio Lazzarini, voltado para o adro da Catedral, é um daqueles edifícios que parecem guardar um segredo. Construído entre 1788 e 1790 segundo projeto do arquiteto Gianandrea Lazzarini – com a revisão de Giovanni Antinori – nasce como seminário diocesano, desejado após o Concílio de Trento. A fachada neoclássica, simples e elegante, mistura tijolo avermelhado, tufo, arenito e pedra calcária: um aparelho rústico em pedra marca o térreo, enquanto o portal central em arenito é encimado por um frontão curvo com lâmpadas sagradas. No interior, o átrio com abóbada de berço e a escadaria monumental de dois lances convergem num corredor com abóbada de cruzaria, um efeito cênico impressionante. Ao longo dos séculos, o palácio viveu muitas vidas: durante a Primeira Guerra Mundial foi hospital militar, depois entre os anos 1950 e 1960 abrigou o Instituto Técnico Comercial. Hoje, após mais de vinte anos fechado, está em plena recuperação: uma grande intervenção de 3,5 milhões de euros (com fundos do Pnrr e da Cúria) o está transformando numa residência estudantil com 70 leitos, dos quais 21 com aluguel acessível (200-270 euros por mês) para estudantes do Conservatório Rossini e da Universidade. Mas não só: no térreo surgirão três salas para eventos culturais, um pátio/praça na via Rossini (170 m²) para concertos, e já há alguns anos o subsolo abriga o Museu Diocesano, com peças do século IV, como o sarcófago de São Decêncio e fragmentos de mosaicos paleocristãos. A abertura da residência estudantil está prevista para setembro de 2026, mas o canteiro já é um canteiro de renascimento. Se passar por Pesaro, apareça no número 53 da via Rossini: o palácio merece um olhar, mesmo que apenas para imaginar o ir e vir de estudantes que em breve o animarão.

    Palácio Lazzarini