O que ver em Cagliari: 15 paragens entre Castelo, mar e mapa interativo


🧭 O que esperar

  • Ideal para uma mistura de história, mar e cultura numa cidade compacta para visitar a pé.
  • Pontos fortes: bairro medieval do Castelo, praia do Poetto e panoramas sobre o Golfo dos Anjos.
  • Inclui mapa interativo com 15 locais assinalados, desde os bastiões aos parques arqueológicos.
  • Oferece arte sarda nos museus e cozinha local como os malloreddus.

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A Cidade de Cagliari recebe-o com a sua mistura única de história, mar e vida urbana. O bairro Castello, encravado na colina, é o coração antigo da cidade: aqui pode perder-se pelas ruas medievais, admirar as torres pisanas e desfrutar de vistas deslumbrantes sobre o Golfo dos Anjos. Descendo em direção ao mar, a praia do Poetto estende-se por quilómetros, perfeita para um passeio ou um mergulho nas águas cristalinas. Não perca o Bastião Saint Remy, símbolo da cidade, com o seu terraço panorâmico ideal para um aperitivo ao pôr do sol. Para os entusiastas da arqueologia, o Anfiteatro Romano e o Parque de Tuvixeddu oferecem um mergulho no passado, enquanto o Museu Arqueológico Nacional guarda artefatos nuragicos e fenícios. A cidade é compacta e visita-se bem a pé, com muitos locais onde provar a cozinha sarda, como os malloreddus ou o pão carasau. Recomenda-se dedicar pelo menos dois dias para explorar sem pressa, talvez incluindo uma excursão à próxima lagoa de Molentargius para avistar os flamingos cor-de-rosa.

Visão geral



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Baluarte de Saint Remy

Baluarte de Saint RemySe procura o ponto panorâmico mais icónico de Cagliari, o Baluarte de Saint Remy é o ideal para si. Construído entre o final do século XIX e o início do século XX, este imponente complexo arquitetónico ergue-se sobre as antigas muralhas espanholas, unindo passado e presente com uma mestria que deixa sem fôlego. O que impressiona logo é a escadaria monumental que leva ao Terraço Umberto I: subi-la é um ritual, quase como preparar-se para um espetáculo. E que espetáculo! Dali de cima, a vista estende-se desde o Porto até ao Golfo dos Anjos, com a Sela do Diabo destacando-se no horizonte. No verão, o terraço ganha vida com eventos e aperitivos ao pôr do sol - recomendo experimentar um copo de vermentino enquanto o sol tinge o céu de laranja. Sob os pórticos, por outro lado, encontra a Galeria, um espaço expositivo que acolhe mostras temporárias. Pessoalmente, adoro perder-me entre os seus arcos neoclássicos, onde a sombra fresca oferece uma pausa do calor. Não é apenas um miradouro: é um lugar vivo, onde os habitantes de Cagliari se reúnem para um passeio ao final do dia ou para admirar a cidade iluminada. Se visitar Cagliari, saltar o Baluarte seria um pecado - é como perder a própria alma da capital da Sardenha.

Baluarte de Saint Remy

Museu Arqueológico Nacional de Cagliari

Museu Arqueológico Nacional de CagliariSe quiser compreender verdadeiramente a Sardenha, o Museu Arqueológico Nacional de Cagliari é uma paragem obrigatória. Não é apenas um museu, é a porta de entrada para a história antiga da ilha, com artefactos que contam milénios de civilização. Encontra-o na Cidadela dos Museus, no topo da colina de Castelo, e já a localização é espetacular: das suas varandas desfruta-se de uma vista incrível sobre o golfo. Lá dentro, a coleção está organizada de forma muito clara, com um percurso cronológico que começa no Neolítico e chega à era bizantina. O que mais me impressionou são os bronzinhos nurágicos, aquelas estatuetas misteriosas que representam guerreiros, animais e figuras divinas – têm uma coleção extraordinária, a mais importante do mundo. Depois há os gigantes de Mont'e Prama, as estátuas de pedra que parecem olhar para si com aqueles olhos amendoados hipnóticos. Não são réplicas, são os originais restaurados, e vê-los de perto causa um certo impacto. Outra secção que vale a pena é a fenício-púnica, com joias, amuletos e cerâmicas que mostram as trocas comerciais no Mediterrâneo. O museu é moderno, bem iluminado, com painéis explicativos em italiano e inglês – perfeito mesmo que não seja um especialista. Eu passei lá um par de horas sem dar por isso, especialmente na sala dedicada aos achados romanos, onde se destacam mosaicos e estátuas provenientes de Caralis, a antiga Cagliari. Uma sugestão? Não salte o piso dedicado ao território, com mapas e reconstruções que ajudam a entender como se vivia aqui há séculos. É um daqueles museus que não aborrece, pelo contrário: deixa-o com vontade de explorar os sítios arqueológicos espalhados pela ilha. Se viajar com crianças, também há oficinas didáticas mediante reserva, mas mesmo sozinho aprecia-se o cuidado com que está montado. A entrada custa poucos euros e muitas vezes há exposições temporárias interessantes – consulte sempre o site antes de ir. Pessoalmente, achei-o mais cativante do que muitos outros museus arqueológicos italianos, talvez porque aqui se respira realmente a essência da Sardenha antiga, sem filtros.

Museu Arqueológico Nacional de Cagliari

Anfiteatro Romano de Cagliari

Anfiteatro RomanoO Anfiteatro Romano de Cagliari é um daqueles lugares que faz sentir verdadeiramente o peso da história. Escavado diretamente na rocha calcária da colina de Buoncammino, não é uma construção que surge do nada, mas parece emergir da própria terra. Este detalhe impressionou-me logo: não é apenas um monumento, é parte integrante da paisagem. Remonta ao século II d.C. e podia acolher até 10.000 espectadores, números que fazem imaginar a animação de outrora. Hoje, caminha-se entre os restos da arena e das bancadas, com aquele silêncio que quase faz sentir o eco dos combates dos gladiadores. O interessante é que ainda é utilizado para espetáculos e eventos de verão, sobretudo concertos. Vi fotos de serenas com as luzes a iluminar as antigas pedras, deve ser uma atmosfera mágica. O acesso é pago, mas o bilhete é modesto, e há descontos para estudantes e grupos. Atenção: algumas partes estão em declive e o terreno pode ser irregular, por isso sapatos confortáveis são obrigatórios. Não espere um Coliseu em miniatura perfeitamente conservado: aqui a atmosfera é mais íntima, mais recolhida. Percebe-se o trabalho de escavação na rocha, que torna o local único no seu género na Sardenha. Pessoalmente, parei para observar os detalhes das incisões nas pedras, pequenos sinais que contam histórias esquecidas. Se visitar Cagliari, saltá-lo seria uma pena: é um mergulho no passado que ajuda a compreender as raízes antigas desta cidade.

Anfiteatro Romano

Parque Arqueológico de Tuvixeddu

Parque Arqueológico de TuvixedduSe pensa que Cagliari é apenas mar e praias, prepare-se para mudar de ideia. O Parque Arqueológico de Tuvixeddu é um daqueles lugares que fazem perceber o quanto a história desta cidade é estratificada. Trata-se da maior necrópole púnico-romana do Mediterrâneo, escavada diretamente na colina de calcário. Caminhar entre as tumbas hipogeias, algumas ainda com as antigas inscrições, dá um arrepio. Não é um museu fechado, mas uma área ao ar livre onde a história se toca com as mãos. O que mais me impressionou? A Tumba da Uréia, com aquela serpente esculpida que parece ainda olhar para si. E depois há a Gruta da Víbora, um pouco mais abaixo, com a sua fachada monumental que conta histórias de amor antigo. O parque foi durante muito tempo negligenciado, mas hoje está lentamente a recuperar-se, com percursos de visita que o levam através de séculos de história. Leve sapatos confortáveis porque o terreno é irregular, e não se esqueça de uma garrafa de água, especialmente no verão. A atmosfera é tranquila, quase suspensa no tempo. Às vezes encontram-se apenas alguns visitadores, e isso torna a experiência ainda mais autêntica. Para mim, foi como fazer uma viagem atrás no tempo de dois mil anos sem sair da cidade.

Parque Arqueológico de Tuvixeddu

Torre do Elefante

Torre do ElefanteSe visitar o bairro Castelo em Cagliari, a Torre do Elefante é uma parada obrigatória. Construída em 1307 pelos pisanos, é uma das duas torres sobreviventes das antigas fortificações, juntamente com a vizinha Torre de San Pancrazio. O nome curioso vem de uma pequena escultura de um elefante em pedra colocada num dos lados, embora hoje seja um pouco difícil de identificar sem um guia atento – eu procurei um pouco antes de encontrá-la! Subir à torre é uma experiência que vale o esforço: acessa-se por uma escada interna bastante íngreme, mas uma vez no topo, a vista sobre Cagliari é de tirar o fôlego. Vê-se tudo: desde o mar do Golfo degli Angeli até os telhados do centro histórico, com os bastiões e as igrejas surgindo entre as casas. No interior, a estrutura ainda conserva elementos originais como as seteiras e as mísulas em pedra, e frequentemente acolhe exposições temporárias ou eventos culturais. Pessoalmente, impressionou-me como esta torre, com cerca de 30 metros de altura, sobreviveu a séculos de história, desde as dominações pisanas e aragonesas até aos dias de hoje. Atenção: o acesso é pago e por vezes há filas, especialmente aos fins de semana. Se sofre de vertigens, avalie bem se deve subir – as escadas são estreitas e a altura faz-se sentir. Mas para mim, foi um dos momentos mais autênticos para compreender a alma medieval de Cagliari, longe da confusão das ruas comerciais.

Torre do Elefante

Torre de São Pancrácio

Torre de São PancrácioSe procura um ponto panorâmico que lhe faça compreender verdadeiramente a história de Cagliari, a Torre de São Pancrácio é o lugar certo. Construída em 1305 pelos pisanos, esta torre fazia parte do sistema defensivo do Castelo, o bairro mais antigo da cidade. O que a torna especial é a sua posição: ergue-se precisamente à entrada do bairro Castelo, ao lado da Porta dos Leões, e dali desfruta-se de uma vista de 360 graus que vai do mar até aos campos circundantes. Subir os seus 36 metros de altura (cerca de 130 degraus) requer algum fôlego, mas vale absolutamente a pena. Uma vez no topo, parecerá tocar com as mãos a estratificação histórica de Cagliari: verá o Bastião de Saint Remy, a Torre do Elefante (irmã de São Pancrácio), e ao longe o Golfo dos Anjos a brilhar sob o sol. Pessoalmente, impressiona-me sempre como esta torre, apesar dos séculos, se manteve tão imponente e bem conservada. No interior, encontra uma pequena exposição que conta a história das fortificações pisanas e aragonesas, mas na minha opinião o verdadeiro espetáculo é o terraço. Recomendo visitá-la ao pôr do sol: as cores do céu refletidas no mar são inesquecíveis. Atenção: o acesso é pago e por vezes há filas, especialmente aos fins de semana. Se quiser evitar a multidão, tente ir de manhã cedo. Um detalhe que poucos sabem: a torre foi também usada como prisão na época espanhola, e se observar bem as paredes, ainda encontra algumas inscrições deixadas pelos detidos. Não é apenas uma torre, é um pedaço de história viva que lhe conta séculos de dominações, batalhas e transformações urbanas.

Torre de São Pancrácio

Jardim Botânico de Cagliari

Jardim Botânico da Universidade de CagliariSe pensa que Cagliari é apenas mar e monumentos, o Jardim Botânico da Universidade vai fazê-lo mudar de ideias. Este lugar é um pequeno milagre de biodiversidade, encravado entre os bairros históricos, a dois passos do Anfiteatro Romano. Ao entrar, é recebido por um silêncio quase irreal, quebrado apenas pelo sussurro das folhas e pelo canto dos pássaros. Fundado em 1866, não é apenas uma coleção de plantas, mas um verdadeiro museu vivo que conta a história natural da Sardenha. Passeie pelos caminhos e descubra espécies raras como a Phoenix theophrasti, uma palmeira endémica do Mediterrâneo oriental, ou as suculentas do Jardim das Rochas, que parecem esculturas naturais. Pessoalmente, adoro a secção das plantas medicinais, com etiquetas que explicam os usos tradicionais sardos – um detalhe que o faz sentir mais conectado ao território. Há também um tanque com ninféias e plantas aquáticas, perfeito para uma pausa à sombra, especialmente nos dias quentes. Atenção: alguns caminhos são inclinados, por isso calçado confortável é obrigatório. Não espere um parque gigantesco, mas um espaço cuidado onde cada canto tem a sua história. Se tiver sorte, pode encontrar investigadores a trabalhar – uma atmosfera que torna tudo mais autêntico. Talvez não seja a primeira atração que lhe vem à mente para Cagliari, mas na minha opinião vale a pena por essa mistura de relaxamento e descoberta.

Jardim Botânico da Universidade de Cagliari

Pinacoteca Nacional de Cagliari

Pinacoteca NacionalSe você acha que museus são lugares empoeirados, a Pinacoteca Nacional de Cagliari vai fazer você mudar de ideia. Estar aqui, dentro do complexo da Cidadela dos Museus, é como dar um salto no tempo. O próprio edifício, com suas arquiteturas modernas que dialogam com as antigas muralhas do bairro Castelo, já vale uma visita. Mas é dentro que a magia acontece. A coleção é um concentrado da história da arte sarda, e não é algo que você encontra em qualquer lugar. Comece pela Idade Média, com aqueles polípticos góticos e retábulos que deixam você de boca aberta pelos detalhes e cores ainda vívidos. Depois o Renascimento, com obras que mostram as trocas entre a ilha e a península. Mas o coração, para mim, bate pela seção dedicada ao século XIX e ao início do século XX. Aqui você encontra os rostos e as paisagens da Sardenha através dos olhos de artistas como Giovanni Marghinotti, Giuseppe Biasi ou Mario Delitala. Suas pinturas não são apenas imagens bonitas; contam histórias, atmosferas, uma luz especial que parece a que você vê ao sair do museu. Há algo muito íntimo nesse percurso. Não é uma galeria imensa e dispersiva; tem uma dimensão humana. Permite que você pare sem pressa, talvez ficando encantado diante de uma pintura que retrata um traje tradicional com precisão fotográfica, ou de uma paisagem que você reconhece porque a viu do Bastião. A localização é estratégica: depois da visita, você já está no coração do bairro histórico, pronto para se perder pelas vielas. Uma dica? Não pule a pequena mas preciosa coleção de arte contemporânea sarda, às vezes abrigada nos espaços do térreo. É uma bela maneira de fechar o círculo, do passado ao presente.

Pinacoteca Nacional

Palácio Real - Prefeitura

Palácio Real - PrefeituraSe passeia pelo bairro Castelo de Cagliari, não pode perder o Palácio Real, hoje sede da Prefeitura. Não é apenas um palácio, é um pedaço de história que viu passar vice-reis espanhóis, governadores piemonteses e hoje acolhe os gabinetes da representação do Estado. A fachada, com aquele estilo entre o gótico catalão e o barroco, impressiona logo: parece mais severa e imponente do que outros edifícios do bairro, e percebe-se de imediato que aqui se decidia. O que me surpreendeu? O interior é visitável apenas em ocasiões especiais, como durante as Jornadas FAI de Primavera ou eventos culturais. Uma pena, porque dizem que as salas são ricas em frescos e mobiliário de época. Eu consegui ver o pátio interno durante uma visita guiada: é pequeno, acolhedor, com uma atmosfera quase íntima que contrasta com a austeridade exterior. Um detalhe que notei: na fachada, olhe bem, ainda há os brasões dos vice-reis espanhóis. Faz-nos pensar em quanta história passou por aqui, desde que era a residência oficial do representante do rei na Sardenha. Se aparecer nos dias certos, informe-se se há aberturas extraordinárias: vale a pena espreitar lá dentro, nem que seja para imaginar como vivia o poder há séculos. Caso contrário, admire-o de fora: continua a ser um ponto de referência no labirinto de ruas do Castelo, um símbolo silencioso do passado que ainda hoje 'governa' a cidade.

Palácio Real - Prefeitura

Galeria Municipal de Arte

Galeria Municipal de ArteSe pensas que Cagliari é apenas praias e história antiga, a Galeria Municipal de Arte vai fazer-te mudar de ideias. Este espaço expositivo é uma verdadeira joia escondida no bairro de Castello, mesmo ao lado do Bastião de Saint Remy. Entrei quase por acaso, atraída pela fachada elegante, e encontrei-me imersa num percurso que mistura arte sarda do século XX com obras contemporâneas. O que mais me impressionou? A coleção permanente dedicada aos artistas insulares – nomes como Giuseppe Biasi, Mario Delitala, Carmelo Floris – que contam a Sardenha com um olhar autêntico, longe dos clichés turísticos. Não sou uma grande especialista, mas ver como estes pintores interpretaram paisagens e tradições fez-me compreender melhor a alma da ilha. Depois, há as exposições temporárias, muitas vezes dedicadas a artistas emergentes ou a temas sociais, que dão um ar fresco e dinâmico aos espaços. O próprio edifício merece uma menção: as salas são luminosas e bem organizadas, com grandes janelas que oferecem vistas sobre o centro histórico. Passei quase uma hora a observar os detalhes de um quadro de Biasi que retratava uma procissão – as cores, as expressões dos rostos, parecia ouvir-se o barulho da multidão. Uma sugestão? Não saltes a loja do museu: encontras catálogos interessantes e reproduções de obras que são perfeitas como lembranças culturais. Para mim, foi uma pausa revigorante do caos da cidade, um lugar onde a arte fala sem necessidade de muitas explicações.

Galeria Municipal de Arte

Museu Cívico de Arte Siamesa "Stefano Cardu"

Museu Cívico de Arte Siamesa Se pensa que Cagliari é apenas praias e história antiga, prepare-se para uma surpresa. O Museu Cívico de Arte Siamesa "Stefano Cardu" é uma daquelas joias que o fazem dizer: "Aqui não estava à espera". Encontrá-lo já faz parte da aventura: esconde-se no bairro Castello, dentro da Cidadela dos Museus, aquele complexo que domina a cidade do alto. Entrar é como atravessar um portal. Stefano Cardu, um colecionador de Cagliari que viveu entre o século XIX e o XX, doou à cidade mais de 1.300 peças recolhidas durante as suas viagens ao Sião, a atual Tailândia. Não é o típico museu etnográfico empoeirado. Aqui respira-se o Oriente. Perdi-me entre estátuas de Buda em bronze e madeira laqueada, cerâmicas de cores vivas, instrumentos musicais que parecem prontos a tocar. A coleção de armas brancas é impressionante: punhais, espadas, lanças com decorações intricadas que contam histórias de antigas batalhas e artesanato refinado. Há também tecidos preciosos e objetos de uso quotidiano que o fazem imaginar a vida nas cortes siamesas de outrora. O que impressiona é como tudo está tão bem conservado e apresentado. As legendas são claras, sem serem monótonas, e a atmosfera é íntima, quase acolhedora. Não é um museu enorme, mas cada vitrine merece atenção. Pessoalmente, adorei os manuscritos em folhas de palmeira, com aquelas escritas elegantes que parecem desenhos. É um lugar perfeito para uma pausa cultural diferente do habitual, talvez depois de explorar as torres medievais do bairro. Recomendo verificar os horários antes de ir – por vezes têm aberturas reduzidas – mas vale a pena. É um pedaço de mundo distante que, por algum destino estranho, acabou mesmo aqui, em Cagliari.

Museu Cívico de Arte Siamesa "Stefano Cardu"

Teatro Lírico de Cagliari

Teatro Lírico de CagliariSe pensa que Cagliari é apenas história antiga, o Teatro Lírico fará você mudar de ideia. Este edifício contemporâneo ergue-se bem no centro, perto do porto, e logo do exterior impressiona pelas suas linhas limpas e pelo uso ousado do travertino sardo. Projetado pelo arquiteto romano Paolo Portoghesi e inaugurado em 1993, representa uma das obras arquitetônicas mais significativas da cidade moderna. Ao entrar, a primeira coisa que nota é o átrio espaçoso e luminoso, com aquela bela escada em caracol que parece convidá-lo a subir. A sala principal, com os seus 1.500 lugares, tem uma acústica que muitos definem como perfeita - durante um concerto, cada nota chega cristalina mesmo da última fila. Pessoalmente, adoro como a luz natural filtra pelas grandes janelas durante as matinês. Não é apenas um teatro de ópera: a programação é surpreendentemente variada, com ballet, concertos sinfónicos e espetáculos de prosa que atraem companhias internacionais. Há sempre algo em cartaz, mesmo fora de época. Um detalhe que poucos conhecem: sob o palco há um laboratório de cenografia ativo durante todo o ano, onde nascem as magias que depois vê em cena. Se passar de dia, verifique se há visitas guiadas - vale a pena ver de perto o teto em caixotões e o palco com os seus mecanismos tecnológicos. A atmosfera aqui é diferente dos teatros históricos: mais informal, acessível, sem aquela camada de pó que por vezes intimida. Talvez por isso os cagliaritanos o tenham adotado tão bem, tornando-o um verdadeiro ponto de referência cultural.

Teatro Lírico de Cagliari

Torre do Poetto: a sentinela na praia mais amada de Cagliari

Torre do PoettoSe estiveres a passear ao longo do Poetto, aquela faixa de areia branca que parece não ter fim, mais cedo ou mais tarde os teus olhos encontrarão a Torre do Poetto, uma construção em pedra que se destaca contra o céu azul. Não é apenas um elemento pitoresco da paisagem: é uma das muitas torres costeiras que os sardos construíram no século XVI para se defenderem das incursões dos piratas. Também a chamam de Torre de Meia Praia, e devo dizer que a posição é perfeita – exatamente a meio dos quase oito quilómetros de litoral, como se quisesse vigiar toda a baía. A estrutura é simples, maciça, com aquela forma tronco-cónica típica das fortificações espanholas da época. Hoje não é visitável por dentro – permanece fechada, silenciosa – mas o seu exterior já conta uma história. Gosto de pensar que, enquanto nós aproveitamos o sol e o mar, ela está ali há séculos, testemunha de mudanças épocas. A praia à volta está sempre animada: famílias com crianças, jovens a jogar voleibol de praia, locais a apanhar sol como um ritual diário. A torre parece observar tudo com uma certa indiferença histórica. Pessoalmente, acho que é um dos melhores pontos para tirar uma foto do Poetto: com ela em primeiro plano, o fundo do mar e, nos dias mais limpos, as montanhas do interior da Sardenha que aparecem no horizonte. Não esperes museus ou exposições aqui: o seu valor está todo na paisagem que ajuda a definir. Às vezes pergunto-me como seria a vista das suas seteiras, quando o perigo vinha do mar em vez do calor do verão. Um detalhe curioso: se olhares bem, notarás que a torre foi construída sobre um esporão rochoso, ligeiramente elevado em relação à praia. Uma escolha inteligente, que lhe permitiu resistir ao tempo e às tempestades marítimas. Para mim, parar para a observar é uma forma de ligar a diversão balnear à história mais antiga de Cagliari, sem necessidade de explicações complicadas.

Torre do Poetto

Parque de Monte Urpinu

Parque de Monte UrpinuSe procura um lugar para escapar do caos da cidade sem se afastar muito, o Parque de Monte Urpinu é a resposta perfeita. Não é apenas um parque, mas um verdadeiro miradouro natural que oferece uma das vistas mais espetaculares sobre Cagliari e o seu golfo. Para ser sincero, a primeira vez que lá subi não esperava um panorama tão amplo: vê-se tudo, desde o Poetto até à Sella del Diavolo, com a cidade a estender-se aos seus pés. O parque desenvolve-se numa colina de cerca de 98 metros, e é uma área verde equipada com trilhos bem mantidos que serpenteiam entre pinheiros, azinheiras e maquis mediterrâneo. Existem várias áreas de piquenique, perfeitas para uma paragem com algo para comer, e fontes de água ao longo dos percursos. Uma coisa que apreciei particularmente é a presença de pontos de observação estratégicos, como o perto da grande cruz no topo, de onde a vista é realmente de tirar o fôlego, especialmente ao amanhecer ou ao pôr do sol. O parque é frequentado por locais que vêm fazer jogging, passear com os cães (é pet-friendly) ou simplesmente relaxar. Não há grandes atrações turísticas, mas é precisamente por isso que é autêntico: respira-se uma atmosfera tranquila, longe das multidões. Pessoalmente, recomendo explorar os trilhos laterais, menos percorridos, onde por vezes se encontram também pequenas lagoas com patos e tartarugas. É um lugar ideal para uma caminhada revigorante, para ler um livro à sombra das árvores ou para tirar fotografias inesquecíveis da cidade. Lembre-se de levar sapatos confortáveis, porque algumas subidas podem ser um pouco íngremes, e uma garrafa de água nos dias quentes.

Parque de Monte Urpinu

Parque de Monte Claro

Parque de Monte ClaroSe procura uma pausa da agitação urbana sem se afastar muito do centro, o Parque de Monte Claro é a resposta perfeita. Este pulmão verde de cerca de 22 hectares fica a dois passos do bairro de Is Mirrionis, facilmente acessível também a pé do centro histórico. Não é apenas um parque qualquer: aqui encontra trilhas bem mantidas que serpenteiam entre pinheiros, carvalhos e vegetação mediterrânea, ideais para um passeio relaxante ou para correr de manhã. O que mais me impressionou? A vista. Subindo em direção ao topo, abre-se um panorama de 360 graus sobre Cagliari e o Golfo dos Anjos que, em dias limpos, chega até às montanhas do Sulcis. Há uma atmosfera tranquila, longe do caos turístico dos monumentos mais famosos. Notei muitos habitantes de Cagliari que vêm aqui para ler um livro à sombra ou levar as crianças para brincar nas áreas equipadas. Há também um bar-restaurante com terraço onde parar para um café ou um almoço rápido, embora pessoalmente prefira levar algo de casa e fazer um piquenique num dos bancos. Atenção: algumas zonas têm um pouco de inclinação, portanto sapatos confortáveis são obrigatórios. Não espere atrações espetaculares – a beleza deste lugar está precisamente na sua simplicidade e no contacto com a natureza, quase esquecendo que se está na cidade. Perfeito para uma pausa revigorante ou para observar o pôr do sol com calma.

Parque de Monte Claro