Castelo de Castelguelfo: solar medieval em Noceto

O Castelo de Castelguelfo é um solar medieval ao longo da via Emília, na localidade de Castelguelfo, em Noceto, província de Parma. As origens remontam a antes do século XII, como posto de guarda do vau do rio Taro; hoje impressionam as torres ameadas e o parque com lago. É propriedade privada da família Rovagnati e não é possível visitar o seu interior: observa-se do exterior ao longo da via Emília, entre Parma e Fidenza.
História: Torre de Sinibaldo, conquista dos Rossi, Castrum Guelphum em 1407.
Arquitetura: planta quadrada, duas torres a norte, ameias e mísulas.
Quinta: parque com pequeno lago, cavalariças, moinho e oratório oitocentista.
Visita: apenas exterior, propriedade privada, com vista para a via Emília.


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Copertina itinerario Castelo de Castelguelfo: solar medieval em Noceto
Solar medieval ao longo da via Emília em Castelguelfo, no município de Noceto: origens anteriores ao século XII, torres ameadas e parque com lago. Propriedade privada, não visitável no interior.

Informações importantes


Castelo de Castelguelfo: solar medieval em Noceto – Introdução

Chegar ao longo da Via Emília e avistar o Castelo de Castelguelfo é como encontrar um pedaço da Idade Média no meio da planície. O solar fica em Castelguelfo, uma localidade de Noceto, na província de Parma, e surpreende pelo perfil de tijolo, pelas torres ameadas e pelo amplo parque com lago que se adivinha para lá das muralhas. Não é um castelo para visitar por dentro: é propriedade privada e não está acessível no interior. Ainda assim, vale a pena a paragem, porque do lado de fora conta séculos de cercos, mudanças de mãos e restauros. Eu achei-o mais fascinante assim, com aquele ar reservado de uma casa senhorial que ainda vive. A luz sobre o tijolo, o verde em volta e o grande arco de entrada são os detalhes que ficam. Um lugar para ver com respeito, sem tentar entrar, e para associar a um passeio entre Parma e Fidenza. É um símbolo discreto da zona rural parmense.

Breves notas históricas

As origens do Castelo de Castelguelfo são antigas: a primeira fortificação remonta a antes do século XII, provavelmente como torre de menagem a proteger o vau da Via Emília sobre o Taro. Em 1189, Frederico Barbarossa investiu o marquês Oberto I Pallavicino do castelo. Em 1212, passou provavelmente para o bispo Obizzo Fieschi e depois para o seu sobrinho Sinibaldo, futuro papa Inocêncio IV, que o rebatizou como Torre de Sinibaldo. Em 1312, os Rossi conquistaram-no e usaram-no como prisão para guelfos; em 1314, Giberto III da Correggio mandou arrasá-lo, mas foi reconstruído. Em 1397, Gian Galeazzo Visconti atribuiu-o a Niccolò Pallavicino e, em 1407, Ottobuono de’ Terzi rebatizou-o como Castrum Guelphum. Nos séculos seguintes, mudou de muitos proprietários, até aos Rovagnati, em 1994.

  • Antes do século XII: primeira fortificação.
  • 1189: investidura a Oberto I Pallavicino.
  • 1212: Obizzo Fieschi e Sinibaldo.
  • 1312-1314: Rossi, depois destruição por Correggio.
  • 1397-1407: Visconti e nascimento do nome Castelguelfo.
  • 1994: aquisição da família Rovagnati.

Arquitetura: planta quadrada, torres e mísulas

A planta é quadrada, organizada em torno de um pátio central. No lado norte erguem-se duas torres, enquanto outros torreões marcam o centro das fachadas leste e sul. Tudo é revestido em tijolo, com ameias em cauda de andorinha e mísulas com mata-cães, vestígios dos antigos caminhos de ronda cobertos. A fachada norte é alta e ladeada por dois torreões de canto: daí percebe-se a função defensiva do conjunto. O acesso faz-se através de um arco de volta perfeita aberto no revelim, em direção à Via Emília, ao lado de uma construção neogótica que nasceu como portaria. A fachada sul foi remodelada no início do século XX e tem uma torre de entrada central; o canto ocidental abre-se para o parque com outro torreão. Deu-me a ideia de uma fortaleza séria, mais militar do que elegante, mas com detalhes cuidados. As torres também se veem de longe.

O parque com lago e os edifícios anexos

À volta do castelo há um mundo inteiro: a sul e a leste estende-se um amplo parque com lago, enquanto a oeste, em torno de um grande pátio, alinham-se vários edifícios anexos. Originalmente destinavam-se a estufas, cavalariças e moinho; há também um oratório oitocentista. A propriedade inclui ainda um heliporto privado, pátios e criações ligadas à atividade da família Rovagnati. Não espere um parque público: é tudo privado e percebe-se apenas do exterior, entre portões, árvores e campos cultivados. A vista da berma da Via Emília mostra o contraste entre o tijolo antigo e o verde do campo. Na minha opinião, é precisamente esta mistura que torna Castelguelfo especial: não é um monumento isolado, mas um complexo agrícola e senhorial ainda vivo. Do exterior percebe-se a sua dimensão, mas não se entra.

Por que visitá-lo

Primeiro motivo: é um raro exemplo de solar medieval ao longo da Via Emília, com torres e ameias bem reconhecíveis. Segundo: permite ler a história da província de Parma fora dos circuitos habituais, sem bilhetes nem multidões. Terceiro: é uma paragem fácil de incluir num itinerário entre Parma e Fidenza, talvez de bicicleta ou de carro, e oferece uma bela imagem do campo emiliano. Atenção, porém: não é visitável por dentro, por isso a visita é sobretudo exterior. Agradou-me precisamente por isso, pela sensação de descobrir um lugar que não se exibe. Se procura um castelo-museu, não é a escolha certa; se gosta de vislumbrar arquiteturas privadas na paisagem, sim. Melhor não parar de modo invasivo e respeitar a propriedade.

Quando ir

Não há horários de visita, porque o castelo é privado. O momento mais sugestivo, na minha opinião, é o fim de tarde, quando a luz rasante acende o tijolo e as ameias se recortam contra o céu. No outono, com a névoa ligeira da planície, o perfil das torres ganha um encanto especial; na primavera, com o verde novo em redor, o contraste é mais fresco. Evitaria as horas centrais do verão, quando o sol bate na Via Emilia e a vista é mais plana. Uma manhã límpida funciona bem para uma paragem fotográfica, mas não espere aberturas ou entradas: observa-se apenas de fora. Se passar de bicicleta, escolha um dia seco. Em todo o caso, é melhor uma luz suave do que sol pleno.

Nos arredores

Castelguelfo situa-se numa zona rica em coisas para fazer. Em Fontanellato pode visitar a Rocca Sanvitale, com o fosso e os afrescos de Parmigianino; um pouco mais adiante fica o Labirinto della Masone, feito de bambu, ideal para um passeio invulgar. Se preferir a cidade, Parma oferece o Duomo, o Batistério e uma cena gastronómica que vale a viagem. Também Fidenza é uma paragem real e prática, com o seu centro histórico e a ligação à Via Francigena. Estas paragens combinam bem com Castelguelfo, mas lembre-se de que o castelo não se visita por dentro: use-o como miradouro ao longo do percurso. Eu combinaria um dia entre arte, presunto e planície. Sem pressa, porém: a zona merece calma.

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💡 Talvez você não soubesse que…

O castelo está ligado à família Rovagnati: Paolo Rovagnati, criador do fiambre Gran Biscotto, adquiriu a casa em 1994 e frequentava-a todos os domingos com a família e todas as quartas-feiras por motivos profissionais. Após a sua morte em 2008, o filho Lorenzo voltou a frequentar o solar e a apoiar iniciativas locais. Hoje o castelo permanece privado, mas o seu perfil ameado faz parte da paisagem da via Emília.