Teatro Vittorio Emanuele Messina: o teatro com maior lotação da Sicília

O Teatro Vittorio Emanuele é o coração cultural de Messina: um edifício neoclássico na via Garibaldi, com pórtico de três arcos e uma sala em ferradura. Inaugurado em 1852, acolhe hoje prosa, ópera, sinfónica e dança, e é a sede do Ente Autónomo Regional Teatro di Messina. A bilheteira abre de terça a sábado; ao domingo, funciona apenas nos dias de espetáculo.
– Lotação recorde: é o teatro com maior lotação da Sicília, com quase mil lugares.
– Arquitetura: pórtico de três arcos e escultura em mármore de Saro Zagari.
– Interiores: teto com frescos de Renato Guttuso, com o mito de Colapesce.
– Espetáculos: temporadas de teatro de prosa, ópera lírica, música sinfónica e dança.


Eventos nas proximidades


Copertina itinerario Teatro Vittorio Emanuele Messina: o teatro com maior lotação da Sicília
O principal teatro de Messina, na via Garibaldi: edifício neoclássico com pórtico de três arcos, teto pintado por Guttuso e temporadas de teatro de prosa, ópera e música. Bilheteira e contactos.

Informações importantes


Teatro Vittorio Emanuele de Messina: o maior da Sicília

Se pensa em Messina e nos seus teatros, o nome que vem logo à cabeça é o Teatro Vittorio Emanuele. Fica na via Garibaldi, entre o Corso Cavour e o centro da cidade, e impressiona já pelo exterior: um pórtico de três arcadas, colunas dóricas e uma fachada neoclássica em pedra de Siracusa com almofadado. Não é um edifício qualquer: com cerca de 980 lugares, é o teatro com maior lotação da Sicília entre os regionais. A sala em ferradura, com plateia, camarotes, galeria e torrinha, promete uma experiência teatral daquelas que se sentem ainda antes de o pano subir. Deu-me a ideia de um lugar que atravessou a história da cidade sem perder o papel de coração cultural. Lá dentro, porém, a surpresa é outra: o teto de Renato Guttuso conta o mito de Colapesce. É, pois, um teatro para ver só pela arquitetura; depois, talvez volte para um espetáculo.

Breves notas históricas

A história do teatro vem de longe: a área era ocupada pela igreja do Carmo e, após o terramoto de 1738, pelas prisões municipais. A 2 de outubro de 1838, Fernando II de Bourbon ordenou a construção de um novo teatro; as obras começaram a 23 de abril de 1842, segundo projeto do arquiteto napolitano Pietro Valente. A inauguração ocorreu a 12 de janeiro de 1852, com o nome de Teatro Sant’Elisabetta. Em 1860, após o desembarque dos Mil, passou a designar-se Vittorio Emanuele II. O terramoto de 1908 tornou-o inutilizável, mas não apagou o perímetro nem parte das decorações; a reconstrução foi longa e complexa. Em 1985, o teatro reabriu com Aida, a mesma ópera ligada à noite de 1908. Hoje é sede do Ente Autonomo Regionale Teatro di Messina.

  • 1838: Fernando II ordena o novo teatro.
  • 1842: início das obras de Pietro Valente.
  • 1852: inauguração como Sant’Elisabetta.
  • 1860: designação como Vittorio Emanuele II.
  • 1908: terramoto e longa reconstrução.
  • 1985: reabertura com Aida.

Arquitetura: o pórtico para ler

A fachada é a parte que mais me impressionou. O pórtico de três arcos é sustentado por colunas dóricas e, por cima, há uma galeria avançada que outrora servia para a passagem das carruagens. No topo, destaca-se o grupo escultórico em mármore de Saro Zagari, intitulado “O Tempo que revela a Verdade e Messina”. O exterior é em pedra de Siracusa rusticada, de clara inspiração neoclássica. Não perca os baixos-relevos com cenas da vida de Hércules e os medalhões com perfis de músicos e dramaturgos, acrescentados no século XIX. As dimensões? Cerca de 38 metros de largura por 67 de comprimento. No interior, a sala em forma de ferradura foi completamente remodelada, mas a estrutura é a clássica: plateia, ordens de camarotes, galeria e galinheiro. A lotação é de cerca de 980 lugares, com 342 poltronas na plateia e cerca de 600 lugares nos camarotes. Um detalhe que poucos notam: a acústica era mencionada até nos manuais escolares de física.

O teto de Guttuso e o mito de Colapesce

Levante os olhos e o espetáculo já começou. O teto da sala grande está pintado a fresco por Renato Guttuso com o mito de Colapesce, uma imagem que dá imediatamente um caráter forte ao teatro. A lenda fala de Nicola, filho de um pescador, que amava o mar e conhecia os tesouros dos fundos marinhos. Frederico II pô-lo à prova lançando à água uma taça, uma coroa e um anel: ele recuperou tudo, mas à última não voltou à superfície. Conta-se que tinha visto a Sicília apoiada sobre três colunas, uma das quais quebrada, e que escolheu ficar debaixo de água para a segurar. É uma história messinense, muito sugestiva, e vê-la pintada acima da plateia muda a forma de olhar para a sala. Fez-me pensar que este teatro não é apenas um espaço onde se realizam espetáculos: é também um pedaço do imaginário da cidade. O fresco remonta a 1985, ano da reabertura.

Salas, temporadas e biblioteca

O teatro não vive apenas de uma sala. Hoje integra a Sala Grande, a Sala Laudamo e a Sala Sinopoli, além da Biblioteca Paolo Magaudda, aberta ao público e com um arquivo histórico de documentos musicais. A Sala Laudamo tem uma história própria: nasce em 1921 de um projeto de restauro que ampliou o palco para criar um espaço de concerto, e deve o seu nome à Filarmonica Laudamo, a mais antiga sociedade de concertos siciliana. A programação é variada: prosa, música sinfónica, ópera lírica, dança, teatro cómico e concertos. Todos os anos encontram também espaço o Messina Opera Film Festival e o Messina International Clarinet Competition, além de exposições, encontros, oficinas e projetos para as escolas. Se procura uma noite diferente do habitual, aqui há opções para todos os gostos. É melhor consultar o calendário antes de partir: os espetáculos mudam frequentemente e a bilheteira tem horários precisos.

Porque visitá-lo

Há pelo menos três motivos concretos para parar aqui. Primeiro: é o teatro com maior capacidade da Sicília e só isso já o torna um caso raro no panorama regional. Segundo: a sua história está intimamente ligada a Messina, desde o terramoto de 1908 até à Aida dirigida com a batuta recuperada entre os escombros em 1968; é uma memória que ainda se respira. Terceiro: a programação não é só lírica, mas mistura prosa, sinfonia, dança e concertos, com festivais e iniciativas para as escolas. Na minha opinião, vale a pena nem que seja pelo fresco de Guttuso e pelo pórtico neoclássico, que, visto de fora, parece prometer uma noite importante. Os bilhetes compram-se na bilheteira ou online, com preços que variam consoante o evento. Verifica as datas: se encontrares uma ópera ou uma peça de teatro que te interesse, o teatro passa a ser o motivo da visita.

Quando ir

O melhor momento? Na minha opinião, uma noite de espetáculo, quando o pórtico se ilumina e a entrada se enche de gente. Mas chegue com alguma luz: assim vê bem a fachada em pedra de Siracusa, os baixos-relevos e a escultura de Saro Zagari. Depois entre para a representação e a atmosfera muda por completo. Se puder escolher, opte por uma data com ópera ou prosa, e não por uma simples passagem em frente ao edifício: o teatro dá o melhor de si quando está vivo. Na primavera ou no início do outono, o passeio pela via Garibaldi é agradável, mas não é regra. Ao domingo, a bilheteira só abre nos dias de espetáculo, por isso é melhor organizar-se antes. E se apanhar um dia de chuva, tanto melhor: o interior acolhedor e um pouco retro é o refúgio certo.

Nas redondezas

Ao saíres do teatro, a visita pode continuar sem sair do centro. Um passeio pelo Corso Cavour é a forma mais simples de ver a cidade que vive em torno do teatro. Ainda no centro, podes chegar à Piazza Duomo, com a Fontana di Orione e o campanário: são lugares reais e muito ligados à identidade messinense. Se te interessa o fio histórico da encenação, tem em conta que o esboço original do pano de cena pintado por Michele Panebianco está guardado no Museo Regionale. Gosto de pensar neste percurso como um pequeno fio que une teatro, praça e museu. Não é preciso organizar grandes coisas: basta caminhares e deixares-te guiar pelo centro. E, se tiveres tempo, para um momento para olhar para a fachada de uma perspetiva diferente: a partir daí percebe-se melhor a escala do edifício.

Itinerários nas proximidades


💡 Talvez você não soubesse que…

Um detalhe que poucos conhecem: na inauguração de 1852, os Carbonários tentaram boicotar a noite de espetáculo, mas o teatro encheu-se mesmo assim. Pouco antes do terramoto de 1908 foi levada à cena a Aida; em 1985, o teatro reabriu com a mesma ópera. Em 1968, para o cinquentenário do sismo, foi recuperada entre os escombros a batuta de 1908 e usada numa edição reduzida da ópera.