Introdução Evocativa
Imagine caminhar por um caminho de terra que serpenteia entre vinhedos e castanheiros, e de repente surge uma torre de pedra cinzenta que domina o vale: é a Torre de Roncisvalle, em Castionetto. Não é um daqueles monumentos perfeitamente restaurados, aliás: é rude, autêntica, parece quase ouvir o barulho dos cascos dos cavalos medievais. Lá de cima, o olhar se estende sobre os Alpes Orobie e a Valtellina, uma paisagem de tirar o fôlego. Cheguei lá por acaso, procurando um pouco de tranquilidade, e em vez disso encontrei um pedaço de história que ainda respira.
Apontamentos históricos
A torre remonta ao
século XIII, construída pela poderosa família De Capitani para controlar a estrada que ligava a Valtellina à Engadina. Fazia parte de um sistema defensivo que incluía também o vizinho castelo de Chiuro. Ao longo dos séculos, passou para os Visconti e depois para os Sforza, até perder a sua função militar no século XVI. Hoje é uma ruína fascinante, declarada bem de interesse cultural. A história em síntese:
- 1200: construção da torre
- 1335: passa para os Visconti de Milão
- 1450: sob o domínio dos Sforza
- século XVII: abandono e degradação
- 2023: restauros de consolidação
Arquitetura e detalhes
A torre tem cerca de 15 metros de altura, com base quadrada e alvenaria de pedra local, típica das fortificações de Valtellina. As frestas abrem-se em todos os lados e, no topo, vislumbram-se os restos de uma ameia. O que me chamou a atenção foram as janelas de arco ogival no segundo andar, sinal de uma transição do uso militar para residencial, talvez quando a família De Capitani decidiu habitá-la. O interior está vazio, mas nota-se um nicho que abrigava uma capela. Use sapatos confortáveis: o caminho é íngreme, mas factível até para crianças, e a cada 100 metros há um ponto diferente para fotografar.
A paisagem e a atmosfera
Uma vez no topo, a Valtellina se estende aos teus pés como um tapete verde, com os vinhedos desenhando geometrias perfeitas e, ao fundo, os picos do Pizzo Scalino e do Monte Corno. É o lugar ideal para um piquenique ao pôr do sol, quando o sol tinge de vermelho as pedras da torre e o ar se enche do perfume das tílias. Aconteceu-me de encontrar um senhor local que contava lendas sobre passagens secretas: parece que um túnel ligava a torre à igreja de São Jorge, lá em Castionetto. Não sei se é verdade, mas acrescenta encanto.
Por que visitar
1) É gratuito e pouco movimentado: ao contrário de outros locais turísticos, aqui você pode desfrutar da história em solidão, talvez até com seu cachorro na coleira. 2) Porque é um mergulho na Idade Média autêntica: sem ingressos ou guias, apenas a pedra e o vento. 3) Perto de uma ótima loja de vinhos: após a visita, desça a Castionetto e prove o Sforzato di Valtellina, um vinho que se produz aqui há séculos. E sim, a combinação história e copo de tinto é vencedora.
Quando ir
Se você me perguntar, a melhor época é o outono, entre o final de setembro e outubro. As vinhas estão vermelhas e amarelas, a luz é quente e dourada, e o ar fresco torna a subida agradável. Mas na primavera também, com as cerejeiras em flor, é um espetáculo. Evite as horas centrais do dia no verão: o sol bate forte e não há sombra. Meu conselho? Chegue por volta das 17:00, assim você vê o pôr do sol e, se tiver sorte, ouve o som dos sinos da igreja abaixo que se perde no vale.
Nas Proximidades
A poucos passos, não perca Chiuro com seu vilarejo medieval e a Igreja de São Tiago, que abriga um ciclo de afrescos do século XVI. Se você ama vinho, pare em uma das adegas da Estrada do Vinho da Valtellina, talvez na Poggi dell’Adda em Chiuro: eles fazem degustações com queijos locais. E para os mais ativos, de Castionetto parte a trilha que leva ao Lago de Livigno (sim, o verdadeiro) através do passo do Foscagno: uma caminhada longa, mas gratificante.