🧭 O que esperar
- Ideal para apaixonados por história, arqueologia e cultura
- Pontos fortes: Arco de Trajano, Santa Sofia (UNESCO), Teatro Romano, Museu das Bruxas
- Recomendado: primavera e outono para clima ameno
- Imperdível: o Hortus Conclusus e a Igreja de Sant’Ilario
Benevento é uma cidade que encanta com sua história estratificada, dos esplendores romanos à Idade Média longobarda. O símbolo por excelência é o Arco de Trajano, um dos arcos triunfais mais bem preservados da Itália, que domina a entrada do centro histórico. A poucos passos, a Igreja de Santa Sofia, patrimônio UNESCO, com sua planta estrelada e afrescos medievais. O Teatro Romano e o Anfiteatro testemunham a importância da cidade na época imperial, enquanto o Museu do Sannio reúne preciosos achados. Passeando, encontram-se a Ponte Leproso, o Arco do Sacramento e o Obelisco do templo de Ísis, que lembram o culto egípcio. Para um toque de mistério, o Janua – Museu das Bruxas revela as tradições ligadas à feitiçaria. Não perca o Hortus Conclusus, um jardim artístico, e a sugestiva Igreja de Sant’Ilario a Port’Aurea. Cada canto de Benevento conta séculos de história, tornando-a um destino ideal para os apaixonados por arqueologia e cultura.
Visão geral
- Arco de Trajano: Uma obra-prima romana
- Igreja de Santa Sofia: uma obra-prima lombarda entre história e arquitetura
- Teatro Romano de Benevento: uma joia da era adriânica
- Rocca dos Reitores: um mergulho na história de Benevento
- Museu do Sannio
- Anfiteatro romano de Benevento, um gigante ainda por descobrir
- Ponte Leproso: a antiga entrada romana de Benevento
- Igreja de Sant’Ilario a Port’Aurea: uma joia longobarda à sombra do Arco
- Arco do Sacramento: a antiga entrada do Fórum de Benevento
- Hortus Conclusus: o jardim secreto de Mimmo Paladino
- Obelisco do templo de Ísis: um pedaço do Egito em Benevento
- Boi Ápis: o misterioso touro egípcio de Benevento
- Janua – Museu das Bruxas
- Fonte das Correntes: história e encanto barroco em Benevento
- Santos Quarenta: o criptopórtico romano esquecido
Itinerários nas proximidades
Arco de Trajano: Uma obra-prima romana
- Ir para a ficha: Arco de Trajano em Benevento: obra-prima escultórica romana
- Via Port’Aurea, Benevento (BN)
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Se há um monumento que conta Benevento num relance, é o Arco de Trajano. Construído entre 114 e 117 d.C., este arco celebrativo não é apenas um pedaço de história: é o símbolo da cidade, e há uma razão para ser considerado o arco triunfal romano com os relevos mais bem preservados do mundo. Com 15,60 metros de altura e 8,60 de largura, é feito de blocos de calcário revestidos de mármore pário. Mas a verdadeira magia está nos baixos-relevos: de um lado, cenas de guerra e conquistas; do outro, a paz e a administração. É como ler uma história em quadrinhos sobre a vida de Trajano. Durante a Idade Média, os lombardos o usaram como Porta Aurea das muralhas, salvando-o assim do esquecimento. Hoje, você o encontra no final da via Traiano, a dois passos do centro. Desde 2024, é patrimônio UNESCO (parte da Via Ápia). A visita é gratuita, 24 horas por dia, mas recomendo ir de manhã cedo ou ao pôr do sol: a luz realça aqueles mármores. E não se esqueça de olhar a inscrição no ático: é idêntica em ambos os lados, um detalhe que diz muito sobre a simetria romana. Em suma, um lugar que o faz sentir-se pequeno diante da grandeza de um império.
Igreja de Santa Sofia: uma obra-prima lombarda entre história e arquitetura
- Ir para a ficha: Igreja de Santa Sofia em Benevento: planta estelar longobarda e afrescos medievais UNESCO
- Piazza Giacomo Matteotti, Benevento (BN)
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Entrar na Igreja de Santa Sofia em Benevento é como dar um salto de mais de doze séculos. Fundada por volta de 760 pelo duque lombardo Arechi II, esta igreja é uma das joias da arquitetura altomedieval na Itália e, desde 2011, faz parte do sítio UNESCO ‘Longobardos na Itália: os lugares do poder’. Sua forma é única: uma planta estrelada composta por um hexágono central de colunas (provavelmente retiradas do antigo templo de Ísis) que sustentam a cúpula, rodeado por um anel decagonal. O jogo de luz e sombra que se cria é sugestivo, com abóbadas irregulares que mudam a cada passo. Após os terremotos de 1688 e 1702, a igreja foi restaurada em estilo barroco, mas uma intervenção em 1957 trouxe à luz parte da aparência lombarda. A fachada barroca, com seu portal românico e a luneta do século XIII representando Cristo entre a Virgem e santos, esconde no interior fragmentos de afrescos dos séculos VIII-IX: o Anúncio a Zacarias, Zacarias mudo, a Anunciação e a Visitação, obras ligadas à Escola de miniatura beneventana. Ao lado, o claustro românico (parte do Museu do Sannio) merece uma visita. A igreja está aberta todos os dias com entrada gratuita: de manhã das 8h às 12h e à tarde das 16h30 às 20h (horário de verão). Um lugar que, apesar das dimensões reduzidas (cerca de 24 metros de diâmetro), proporciona emoções intensas a quem ama a história e a arte.
Teatro Romano de Benevento: uma joia da era adriânica
- Via Manfredi di Svevia, Benevento (BN)
- http://www.polomusealecampania.beniculturali.it/index.php/il-teatro
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- pm-cam.teatrobenevento@beniculturali.it
- +39 0824 47213
Se estiveres em Benevento, o Teatro Romano é uma paragem obrigatória. Passeando pelas ruelas do Rione Triggio, deparas-te com este antigo edifício inaugurado entre 125 e 128 d.C. pelo imperador Adriano, embora as obras tivessem começado sob Trajano. Com um diâmetro de 98 metros e capacidade para cerca de 15.000 espectadores, era um dos maiores teatros de Itália. Hoje recebe-te com a sua estrutura semicircular em opus caementicium, revestida a calcário e tijolo. Da fachada original de três ordens (toscana, jónica, coríntia) resta apenas a ordem inferior com 25 arcadas, emolduradas por semicolunas toscanas. As chaves de arco eram decoradas com bustos e máscaras teatrais, algumas ainda visíveis no centro histórico.Ao entrares, notarás a cávea bem conservada e o frontescénio com três portas monumentais. Nas laterais, duas aulae: uma ainda conserva parte do revestimento de lajes de mármore policromado, um detalhe que te faz imaginar o esplendor original. O teatro foi restaurado na época severiana (como recorda uma dedicatória a Caracala), mas caiu em desuso no século IV. Na Idade Média, construíram-se casas sobre ele e, em 1782, até a igreja de Santa Maria della Verità.
A redescoberta começou em 1890 graças ao arquiteto Almerico Meomartini, que financiou as primeiras escavações. Após longos trabalhos, o teatro reabriu ao público em 26 de junho de 1957 com o espetáculo *As Mulheres no Parlamento* de Aristófanes. Desde então, voltou a ser o coração cultural da cidade, acolhendo temporadas líricas, concertos e eventos como Miss Itália 1990 e o Festivalbar 2001. A acústica é tão excelente que ainda hoje se realizam espetáculos teatrais e musicais.
Se quiseres visitá-lo, o endereço é Piazza Ponzio Telesino. Aberto todos os dias: das 9:00 às 17:40 (inverno) ou 19:20 (verão). Bilhete inteiro €5, reduzido €2, e muitas vezes há aberturas noturnas durante a mostra “Benevento Città Teatro”. Leva contigo a curiosidade: por baixo das arquibancadas, dois ambuláculos paralelos funcionam como caixa de ressonância, e as escadas atrás do palco eram a entrada dos artistas. Um lugar que sabe a história e espetáculo, tudo para descobrir.

Rocca dos Reitores: um mergulho na história de Benevento
- Piazza Castello, Benevento (BN)
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Empoleirada no ponto mais alto do centro histórico de Benevento, a Rocca dos Reitores é muito mais do que uma fortaleza: é uma viagem no tempo que começa no século VIII a.C. Sim, porque aqui existia uma necrópole etrusca, depois um terrapleno samnita e, sob os romanos, um castellum aquae – cujos restos ainda são visíveis no jardim. Mas o verdadeiro destaque é o Torreão Lombardo, com 28 metros de altura e planta poligonal, que domina a bacia abaixo. Ao lado, o Palácio dos Governadores Pontifícios (encomendado pelo Papa João XXII em 1321) desenvolve-se em três andares, com amplos salões de tetos de madeira e decorações setecentistas. Durante séculos, até 1865, a rocca foi prisão: um forte contraste, considerando que hoje é sede da Província e abriga a seção histórica do Museu do Sannio, com peças que contam a vida desta terra.Passeando pelo jardim, entre pinheiros e palmeiras, encontrará um lapidário romano com miliários da Via Trajana e fragmentos arquitetônicos. Em frente à entrada, o Leão de 1640 monta guarda: foi erguido em homenagem ao Papa Urbano VIII e simboliza a força dos Samnitas. Suba ao terraço: a vista do Monte Taburno é de cartão-postal. A entrada é gratuita (seg-sex 7:00-13:00) e, se você é fã de histórias de fantasmas, fique atento às noites de lua cheia: diz-se que o fantasma do reitor Andreone degli Artusini, decapitado em 1511, ainda vagueia pela fortaleza.

Museu do Sannio
- Piazza Arechi II, Benevento (BN)
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Se você quer entender Benevento, precisa passar pelo Museu do Sannio. Instalado no complexo de Santa Sofia (Patrimônio da UNESCO desde 2011), este museu conta a história da cidade desde as origens até o século XX. É um lugar que você não espera: começa no claustro românico do século XII, com capitéis que parecem sussurrar segredos medievais, e depois se depara com artefatos antiquíssimos. A seção arqueológica é fantástica: estátuas romanas, cerâmicas samnitas e, principalmente, os artefatos do Templo de Ísis, com esculturas egípcias únicas fora do Egito. Depois sobe e mergulha na seção lombarda: armas, joias e moedas que contam quando Benevento era capital da Langobardia Menor. E não acaba aqui: a pinacoteca tem obras de Giordano, Guttuso e até um baixo-relevo de Pericle Fazzini com a dança das bruxas. O bilhete único (6 €) vale dois dias e inclui também o Museu Arcos e Sant’Ilário. Aberto ter-dom 9-19, fechado às segundas. Conselho: comece por aqui, depois vá ver Santa Sofia e o Arco de Trajano: parecerá que você lê a cidade com novos olhos.
Anfiteatro romano de Benevento, um gigante ainda por descobrir
- Via Appia Antica, Benevento (BN)
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O Anfiteatro romano de Benevento é um dos monumentos mais fascinantes e menos conhecidos da cidade. Descoberto apenas em 1985, durante a demolição de um edifício fascista, jaz em grande parte ainda enterrado entre a via Munanzio Planco e a ponte Leproso. Ainda assim, as suas dimensões são de recorde: 160 metros por 130, com uma altura de cerca de 25 metros e capacidade estimada de 30.000 espectadores, quase como o Coliseu. Construído entre o século I a.C. e o I d.C., já era citado por Tácito pela visita do imperador Nero em 63 d.C., que veio propositadamente para assistir a um munus gladiatorio. Aqui treinavam os gladiadores do Ludus Magnus, a mais importante escola da época, e a cidade era um cruzamento da Via Ápia. Depois, terremotos e descuido: a erupção do Vesúvio de 472 encontrou o anfiteatro já sem coberturas, e nos séculos seguintes tornou-se uma pedreira de materiais – tanto que 56 colunas da Catedral de Benevento provêm daqui. Hoje, após anos de abandono entre trilhos ferroviários e vegetação, um projeto de 900.000 euros (fundos Pnrr “Regina Viarum”) promete transformá-lo num parque urbano com passarelas, iluminação LED e percursos arqueológicos. A data de abertura não é certa, mas a esperança é grande. Entretanto, no Museu do Sannio pode-se admirar o relevo do Gladiador de Benevento, um hoplomachus em plena ação, enquanto outros fragmentos ainda estão incrustados nos campanários de Santa Sofia e da Catedral. Um pedaço de história que só espera ser redescoberto.
Ponte Leproso: a antiga entrada romana de Benevento
- Via Ponte Leproso, Benevento (BN)
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Se pensa que as pontes romanas são todas iguais, o Ponte Leproso vai fazê-lo mudar de ideias. Construído no século III a.C. por Ápio Cláudio Cego para permitir a passagem da Via Ápia sobre o rio Sabato, é uma das pontes de alvenaria mais antigas ainda de pé, juntamente com a Ponte Mílvia. Mas aqui há uma atmosfera diferente: as suas cinco arcadas originais (hoje reduzidas a quatro após as restaurações setecentistas) e a característica forma de dorso de burro tornam-na quase de conto de fadas. O nome curioso – “Leproso” – vem de um leprosário medieval, mas até ao século XI chamava-se Ponte Marmóreo (ou Lapídeo) pelo revestimento em travertino. Passeando por cima, notam-se os sinais do tempo: o pilar original em opus quadratum com bossagens rústicas, os elementos de reutilização (talvez do Arco de Trajano), e as aberturas de alívio para as cheias. Desde 2004 está fechado ao trânsito, por isso podem atravessá-lo com calma, imaginando os exércitos e os viajantes que o pisaram – de Cícero a Manfredo da Suábia, que segundo alguns historiadores morreu precisamente aqui em 1266. É um daqueles lugares que fazem sentir o peso da história, mas sem retórica: simples, autêntico e incrivelmente preservado.
Igreja de Sant’Ilario a Port’Aurea: uma joia longobarda à sombra do Arco
- Via San Pasquale, Benevento (BN)
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Bem ao lado do Arco de Trajano, num prado cercado, encontra-se um pequeno tesouro de história: a ex-igreja de Sant’Ilario a Port’Aurea. Construída pelos Longobardos entre os séculos VII e VIII, ergue-se sobre ruínas romanas – debaixo do pavimento ainda se veem as estruturas da época imperial. Do exterior, chamam a atenção as duas torres desniveladas com telhado de telhas: por dentro, escondem duas cúpulas alinhadas, uma raridade arquitetônica. O interior é despojado e sem pavimento, mas uma passarela de madeira permite atravessá-lo e admirar as escavações.Durante séculos foi primeiro mosteiro beneditino, depois dessacralizada e transformada em celeiro e estábulo após o terremoto de 1688. Somente em 2003, após uma restauração radical, voltou à vida. Hoje abriga o Videomuseu do Arco: um filme de meia hora projetado nas paredes conta a história do Arco de Trajano e explica as cenas esculpidas no mármore. Uma forma imersiva de entender um dos monumentos mais importantes de Benevento.
Ao redor, veem-se os restos do mosteiro e tumbas medievais. O lugar é tranquilo, pouco frequentado, e proporciona uma atmosfera suspensa entre épocas diferentes. Se passar por aqui, pare: Sant’Ilario é uma daquelas joias que torna uma viagem especial.

Arco do Sacramento: a antiga entrada do Fórum de Benevento
- Piazza Manfredi di Svevia, Benevento (BN)
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O Arco do Sacramento é um daqueles monumentos que, à primeira vista, parece quase escondido entre as ruas do centro histórico de Benevento. No entanto, basta parar um momento para perceber o quão imponente ele é. Datado entre o final do século I e o início do século II d.C., este arco romano era a entrada principal para a área do Fórum pelo lado sul, bem ao lado do Teatro Romano. Hoje, ele se ergue sobre a Via Carlo Torre, na esquina com o Palácio Arquiepiscopal. Sua estrutura é simples, mas poderosa: dois pilares em opus latericium sobre bases em opus quadratum, um diâmetro de cerca de 5 metros e um arco de descarga em tijolos. Infelizmente, o revestimento de mármore original desapareceu quase completamente, assim como as estátuas que outrora adornavam os nichos laterais. Mas não é só isso: durante as escavações para os restauros, que culminaram em 2009 com a abertura de um percurso arqueológico urbano (custo: quase 5 milhões de euros), ressurgiu um complexo termal tardo-romano. Hoje, é possível caminhar sobre passarelas metálicas entre antigas paredes em opus mixtum e reticulatum. A área também é sede de eventos culturais de verão, como o festival em homenagem a Alessandro Verdicchio, com música, teatro e oficinas. O nome “do Sacramento” provavelmente deriva do seu reaproveitamento na época cristã, quando servia como entrada para o castellum episcopal. Durante um restauro em 1633-1635, encomendado pelo arcebispo Agostino Oregio, foi adicionado um coroamento superior. A visita é gratuita, mas se quiser entender profundamente a história, um guia pode fazer a diferença. Imperdível: combine-o com o Arco de Trajano e o Teatro Romano para um mergulho completo na Benevento antiga.
Hortus Conclusus: o jardim secreto de Mimmo Paladino
- Vico Noce, Benevento (BN)
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No coração do centro histórico de Benevento, escondido atrás do Convento de São Domingos, há um lugar que parece suspenso no tempo: o Hortus Conclusus. Realizado em 1992 pelo artista Mimmo Paladino, este jardim murado é uma instalação permanente que une esculturas contemporâneas, símbolos antigos e vegetação exuberante. Ao entrar, você é recebido pelo som da água que corre de um enorme disco de bronze cravado no chão – parece um escudo, mas é uma fonte. Numa das paredes destaca-se um cavalo com máscara dourada, que remete ao mito de Agamemnon e ao Cavalo de Troia. Ao redor, outras obras: um humanoide com braços muito longos, crânios de boi, elmos, conchas. O efeito é desconcertante, mas relaxante. A entrada é gratuita e o jardim está aberto de terça a domingo, das 9h30 às 20h (fechado às segundas). O piso de pedra irregular lembra as vielas antigas, e as plantas – rosas, lírios, palmeiras – têm significados simbólicos (pureza, renascimento). É um lugar perfeito para uma pausa para reflexão, longe da confusão. Se você está em Benevento para o Arco de Trajano ou Santa Sofia, não perca esta joia contemporânea: ela fará você ver a cidade com outros olhos.
Obelisco do templo de Ísis: um pedaço do Egito em Benevento
- Via G. de Vita, Benevento (BN)
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Se você passeia pela Piazza Papiniano, logo nota um monólito de granito vermelho com cerca de três metros de altura. É o obelisco do templo de Ísis, um dos dois que outrora ladeavam a entrada do Iseu mandado construir pelo imperador Domiciano entre 88 e 89 d.C. Esculpido no Egito (granito de Assuã), pesa 2,5 toneladas e exibe em todas as quatro faces hieróglifos que celebram a deusa Ísis como ‘senhora de Benevento’ e mencionam o fundador Lucílio Lupo, um funcionário imperial.A história é quase novelesca: o obelisco permaneceu na Piazza Duomo desde 1597, mas foi transferido para cá apenas em 1872. Na década de 2010, o Paul Getty Museum de Los Angeles o restaurou (voltou a Benevento em outubro de 2018) e o expôs numa mostra sobre o Egito clássico. Hoje é o símbolo mais visível da ligação entre Benevento e o Egito antigo, algo único fora da terra dos faraós.
Não perca a oportunidade de tocar a história com as mãos: o obelisco é fácil de alcançar, no centro da cidade. Sua superfície lisa e as inscrições bem legíveis farão você se sentir um explorador. E se você se interessar, no Museu do Sannio encontra o outro obelisco (mutilado) e estátuas de faraós e divindades. Enfim, um pedaço do Egito a dois passos de casa.

Boi Ápis: o misterioso touro egípcio de Benevento
- Viale San Lorenzo, Benevento (BN)
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Caminhando pela Viale San Lorenzo, em direção à basílica da Madonna delle Grazie, você encontrará uma estranha estátua de granito vermelho: é o Boi Ápis, um artefato egípcio que os beneventanos chamam carinhosamente de ‘a vùfera (a búfala). Descoberta por acaso em 1629 perto do rio Sabato, na localidade Casale dei Maccabei, a escultura foi imediatamente colocada em frente à antiga Porta San Lorenzo. O governador pontifício Arcasio Ricci mandou gravar uma inscrição em latim que a definia como “búfalo, preservado como monumento da fortuna bélica dos Samnitas” – mas a história é mais complicada.O egiptólogo francês Émile Étienne Guimet interpretou-a como o deus egípcio Ápis, ligando-a ao templo de Ísis construído pelo imperador Domiciano entre os séculos I e II. Outros estudiosos, como Hans Wolfgang Müller, questionaram: faltam o disco solar entre os chifres, os genitais não estão esculpidos e as patas dianteiras estão alinhadas, não em movimento como nas representações egípcias clássicas. Talvez seja uma obra do final do império, de fatura grosseira, que perdeu as características distintivas.
Hoje, o Boi Ápis encontra-se em estado de abandono: ervas daninhas, rachaduras na base, nenhuma iluminação. Em 2009, propuseram movê-lo para perto de Santa Sofia, mas os moradores se opuseram. Permanece ali, orgulhoso e maltratado, testemunha silenciosa do culto isíaco que era fortíssimo em Benevento. Se passar, pare: é uma peça única de história, embora um tanto negligenciada.

Janua – Museu das Bruxas
- Corso Giuseppe Garibaldi, Benevento (BN)
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Localizado no coração de Benevento, dentro do Palazzo Paolo V na Corso Garibaldi, o Janua – Museu das Bruxas é um mergulho no folclore local. Inaugurado em 2017 pela Cooperativa I.D.E.A.S., o museu explora o mundo das janare, as bruxas beneventanas que, segundo a lenda, se reuniam sob uma antiga nogueira às margens do rio Sabato. O percurso expositivo é dividido em seções: ‘Escongiurar’ exibe amuletos e objetos protetivos; ‘Olho mau-olhado’ mostra rituais contra o mau-olhado; ‘Curar’ é dedicada às ervas curativas e à medicina popular. Não falta uma instalação de vídeo imersiva com uma nogueira artificial, que reproduz a atmosfera dos sabás. A coleção inclui santinhos, ex-votos, pão antropomórfico, tesouras, bonequinhas apotropaicas e ‘brevi’ (saquinhos protetivos). O símbolo do museu é uma sereia bicaudada, que remete ao culto da Deusa Mãe. O ingresso custa 5 € (3 € para estudantes e grupos de pelo menos 25 pessoas). Aberto às quartas, sextas, sábados e domingos das 10:00 às 13:00 e das 16:00 às 19:00. Uma experiência que entrelaça história, magia e tradição, perfeita para quem deseja descobrir um lado incomum de Benevento.
Fonte das Correntes: história e encanto barroco em Benevento
- Piazza Orsini, Benevento (BN)
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No coração de Benevento, na praça Orsini, encontra-se a Fonte das Correntes, uma joia barroca que conta séculos de história. O nome? Vem das correntes de ferro que a cercam, outrora usadas para regular a água. A fonte foi encomendada pelo arcebispo Vincenzo Maria Orsini em 1705 e realizada pelo arquiteto Nicola Colle De Vita, provavelmente a partir de um desenho de Carlo Buratti. Em 1778, os cidadãos quiseram adicionar no topo a estátua do papa Bento XIII, ainda hoje visível. Depois veio a guerra: os bombardeios de 1943 danificaram gravemente tanto a fonte quanto a estátua. Foram necessários anos de restauro (a cargo de Giovanni Sparla) antes de vê-la novamente intacta, e a estátua voltou ao seu lugar apenas em 1992. Hoje a fonte é um ponto de encontro autêntico. Ainda funciona: você verá os locais encherem garrafas de água no bico central. O tanque é de pedra, com grades baixas de ferro oxidado, e ao redor a praça é calçada com paralelepípedos, com palácios barrocos formando um cenário. É um lugar perfeito para uma pausa, longe da agitação. No verão, a água fresca é uma bênção; no inverno, o ambiente é acolhedor. Se você estiver aqui, não perca a oportunidade de sentar um momento e observar: a Fonte das Correntes é uma daquelas coisas que tornam Benevento especial.
Santos Quarenta: o criptopórtico romano esquecido
- Via Ursus, Benevento (BN)
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Passeando perto da ponte Leproso, deparei-me com um lugar que parece saído do tempo: os Santos Quarenta. Não é fácil de encontrar – desce-se por um beco íngreme chamado via Ursus – mas o esforço compensa. Estamos diante dos restos de um criptopórtico romano do século I d.C., um corredor coberto de 60 metros com paredes em opus quase reticulatum e janelas em arco. A estrutura, que na época romana provavelmente funcionava como mercado ou fórum, foi reutilizada na Idade Média: sobre um dos corredores laterais foi construída uma igreja dedicada aos quarenta mártires de Sebaste, e os ambientes hipogeus tornaram-se um cemitério (o carnário citado pelo cronista Falcone em 1128).Os bombardeios de 1943 e décadas de abandono deixaram marcas, mas desde 2015 um grupo de voluntários limpou a área e devolveu dignidade ao sítio. Hoje é possível visitar os três corredores sobreviventes, admirar os arcos lombardos em tufo e, com um pouco de sorte, participar de reconstituições históricas. Durante a restauração dos anos 1980, vieram à luz sepulturas lombardas e uma moeda de 1287 – sinal de que o lugar foi frequentado por séculos. A atmosfera é sugestiva: o silêncio quebrado apenas pelo vento, a luz que filtra pelas frestas, a sensação de estratificação histórica. Um lugar que recomendo a quem busca algo autêntico, longe dos circuitos turísticos tradicionais.




