🧭 O que esperar
- Ideal para viajantes culturais e apaixonados por história
- Pontos fortes: Piazza del Campo, Duomo, Torre del Mangia
- Património UNESCO desde 1995
- Melhor época: primavera e outono para clima ameno
- Conselho: adquira o Cartão Siena para entradas combinadas
Eventos nas proximidades
Siena é uma cidade que deve ser vivida a pé; perder-se pelos becos medievais é a melhor forma de descobrir a sua alma. O centro histórico, património da UNESCO, é uma obra-prima gótica. A famosa Piazza del Campo, em forma de concha, é o coração pulsante onde duas vezes por ano se realiza o Palio. Logo ao lado, o Palazzo Pubblico e a impressionante Torre del Mangia oferecem vistas de tirar o fôlego. Não perca o Duomo, com a sua fachada de mármore e a Biblioteca Piccolomini, e a Pinacoteca Nacional que alberga obras-primas senenses. Para uma pausa, a Fortaleza Mediceia proporciona um panorama da cidade. E ainda, a Basílica de São Domingos, ligada a Santa Catarina, e a Fonte Gaia. Este artigo guia-o pelos pontos imperdíveis de Siena, com dicas práticas para organizar a visita, evitando as armadilhas para turistas.
Visão geral
- O Campo em Siena: praça em forma de concha
- Catedral de Santa Maria Assunta: o Duomo de Siena
- Torre del Mangia: suba até o céu de Siena
- Palazzo Pubblico: o coração político de Siena
- Pinacoteca Nacional: obras-primas em fundo dourado
- Fortaleza Mediceia: história, relax e eventos a dois passos do centro
- Basilica Cateriniana de São Domingos: o coração gótico de Siena
- Museu da Obra da Metropolitana: um tesouro de arte
- Fonte Gaia: a fonte alegre da Piazza del Campo
- Batistério de São João: a joia sob a Catedral
- Basílica de São Francisco: entre história, arte e um milagre eucarístico
- Basílica de São Clemente em Santa Maria dos Servos
- Palazzo Salimbeni: o coração medieval do banco mais antigo do mundo
- Oratório de São Bernardino e Museu Diocesano: uma joia escondida
- Jardim Botânico: um canto da natureza entre as muralhas de Siena
Itinerários nas proximidades
O Campo em Siena: praça em forma de concha
Quando chegas à Piazza del Campo, sentes-te imediatamente parte de algo maior. A sua forma única em concha, criada pela intersecção de três ruas medievais, abraça-te enquanto entras. O pavimento de tijolos vermelhos dispostos em espinha de peixe é dividido por nove linhas de travertino branco, que simbolizam os nove governadores do Governo dos Nove (1287-1355), um período de estabilidade e paz para Siena. Cada segmento converge para o Palazzo Pubblico, como que recordando a unidade da cidade.Ao centro destaca-se a Fonte Gaia, uma fonte monumental esculpida por Jacopo della Quercia em 1419 (o original está no Santa Maria della Scala, aqui há uma cópia oitocentista de Tito Sarrocchi). O ponto mais baixo da praça é ocupado pelo “gavinone”, um sistema de drenagem de águas hoje embelezado por uma escultura de Massimo Lippi. A circunferência do Campo mede 333 metros, e a parte exterior é em pedra serena: durante o Palio (2 de julho e 16 de agosto) é coberta de tufo para proteger cavalos e cavaleiros.
Não é apenas uma praça de postal: aqui vive-se todo o ano. No inverno há o Mercado no Campo de Natal, no verão concertos e eventos. Mas a verdadeira alma do Campo explode com o Palio, quando as contradas se desafiam numa corrida de tirar o fôlego. O sino “Sunto”, com a sua fissura que lhe dá um som rouco, anuncia a partida. Passeando, repara nos palácios históricos: as bifóras e trifóras impostas pelo regulamento de 1297, as ameias do Palazzo Civico. O Campo não é um museu, é a sala de estar dos senenses. Aconselho-te a sentares-te nos tijolos ao pôr do sol, ver a luz que acaricia a Torre del Mangia e ouvir o murmúrio da praça: é uma experiência que fica dentro de ti.

Catedral de Santa Maria Assunta: o Duomo de Siena
- Ir para a ficha: Duomo de Siena: Piso Marmóreo Único e Obras de Donatello
- Via dei Fusari, Siena (SI)
- https://operaduomo.siena.it/
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Eis o coração pulsante de Siena: o Duomo, dedicado a Santa Maria Assunta. Não é apenas uma igreja, é um concentrado de séculos de arte e fé. Sua construção começou no século XII, mas a tradição diz que já estava consagrada em 1179 – embora as obras tenham continuado por séculos. A fachada, dividida em duas partes, é obra de Giovanni Pisano na parte inferior e Camaino di Crescentino na superior: um esplendor de estátuas, pináculos e mosaicos. No interior, a bicromia branco e preto te envolve, e imediatamente o olhar vai para o púlpito de Nicola Pisano (1265-1268), uma obra-prima da escultura gótica. Sem falar no piso: 56 painéis em incrustação de mármore que contam histórias bíblicas e alegóricas – uma obra única que só é revelada em alguns períodos do ano. Entre as preciosidades, a Biblioteca Piccolomini afrescada por Pinturicchio, a Capela do Voto com a Madona do século XIII e as estátuas de Bernini, e o Altar Piccolomini com quatro estátuas de Michelangelo. Enfim, cada canto é uma descoberta. Para visitá-lo, fique de olho nos horários: de 1º de março a 1º de novembro abre das 10:30 às 19:00 (feriados das 13:30 às 18:00), enquanto no inverno fecha mais cedo. O bilhete para a catedral custa de 4 a 7 euros, dependendo da época. E não se esqueça: a cripta descoberta em 1999 preserva afrescos espetaculares do século XIII. Um conselho? Leve todo o tempo que precisar: aqui a beleza está em toda parte.
Torre del Mangia: suba até o céu de Siena
- Ir para a ficha: Torre del Mangia: Vista de 360° sobre Siena e as Colinas da Toscana a 88 Metros
- Via di Salicotto, Siena (SI)
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Subir na Torre del Mangia é uma daquelas experiências que ficam marcadas. Com 87 metros de altura (102 com o para-raios), é a terceira torre antiga mais alta da Itália – depois da Torre degli Asinelli em Bolonha – e domina a Piazza del Campo com sua silhueta esguia. Construída em tijolo entre 1325 e 1348, a torre deveria simbolizar o poder do Município de Siena, tanto que sua altura iguala a do campanário da Catedral, lembrando o perfeito equilíbrio entre o poder terreno e o espiritual. O nome curioso vem do primeiro sineiro, Giovanni di Balduccio, apelidado de “Mangiaguadagni” (depois abreviado para “Mangia”) porque, em vez de trabalhar, ficava na taverna gastando todo o seu salário. Um simpático aviso para quem hoje sobe seus 400 degraus: é melhor não desperdiçar o fôlego! A subida é exigente – sem elevador, escadas estreitas e às vezes claustrofóbicas – mas uma vez lá em cima, a vista recompensa todo o esforço. De um lado, os telhados vermelhos de Siena; do outro, as colinas da Toscana até o Monte Amiata. E ainda há o sino: o Campanone, chamado de “Sunto”, que pesa 6.764 kg e ainda é tocado manualmente durante o Palio. Aquele som rouco e imperfeito é a voz da cidade. Antes de subir, fique de olho nos horários (a partir das 10:00, última entrada 45 minutos antes do fechamento) e no bilhete: 10€ o inteiro, ou 15€ cumulativo com o Museo Civico. E para os pequenos? Grátis para menores de 11 anos. Mas atenção: a capacidade é limitada e só é vendido no dia. Um conselho: chegue cedo, assim evita a fila e aproveita a cidade do alto em todo o seu silêncio medieval.
Palazzo Pubblico: o coração político de Siena
- Ir para a ficha: Palácio Público de Siena: obras-primas góticas e Bom Governo
- Siena (SI)
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Entrar no Palazzo Pubblico significa mergulhar no coração da história senense. Construído entre 1297 e 1310 para o Governo dos Nove, este edifício gótico em pedra e tijolo domina a Piazza del Campo com sua fachada curva, quase abraçando a praça. Ao centro destaca-se o grande disco com o trigrama de Cristo, pintado em 1425 por Battista di Niccolò. Mas é no interior que se escondem os verdadeiros tesouros: a Sala da Paz (ou Sala dos Nove) conserva o célebre ciclo de Ambrogio Lorenzetti, Allegoria ed effetti del Buono e del Cattivo Governo (1338-1339), uma obra-prima absoluta da arte medieval que conta os ideais de justiça e prosperidade. Ao lado, a Sala do Mapa-Múndi abriga a Maestà de Simone Martini e o retrato equestre de Guidoriccio da Fogliano. Não perca a Capela da Praça, erguida em 1352 como agradecimento pelo fim da peste, e a esbelta Torre del Mangia (88 metros), que deve seu nome ao primeiro sineiro, Giovanni di Duccio, apelidado de “Mangiaguadagni”. Subindo até a Loggia dos Nove, o panorama sobre Siena e a campanha toscana é de tirar o fôlego. Hoje o palácio ainda é sede da prefeitura, mas suas salas afrescadas – da Sala do Concistoro com afrescos de Beccafumi à Sala de Balìa de Spinello Aretino – podem ser visitadas no Museu Cívico. Um conselho de viajante curiosa: dedique todo o tempo necessário para observar os detalhes dos afrescos, cada figura conta uma história. E se você é apaixonado por arte, a Sala do Risorgimento surpreenderá com obras do século XIX. Um lugar que sabe falar ao coração, entre arte, poder e vida cotidiana.
Pinacoteca Nacional: obras-primas em fundo dourado
- Ir para a ficha: Pinacoteca Nacional de Siena: obras-primas de Duccio e da escola sienense nos Palácios Buonsignori
- Via San Pietro 29, Siena (SI)
- https://www.polomusealetoscana.beniculturali.it/index.php?it/211/siena-pinacoteca-nazionale
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- pm-tos.pinacoteca-si@beniculturali.it
- +39 0577 281161
A poucos passos da Catedral, na via San Pietro 29, encontra-se a Pinacoteca Nacional de Siena, guardiã da mais rica coleção mundial de pintura senesa. Instalada em 1932 nos palácios Buonsignori e Brigidi, o museu é uma verdadeira viagem ao ouro dos séculos XIV e XV. Aqui encontras obras-primas de Duccio di Buoninsegna (a famosa Madonna dos Franciscanos e o Políptico n. 28), de Simone Martini (a Pala do Beato Agostino Novello) e dos irmãos Pietro e Ambrogio Lorenzetti (a Anunciação de 1344). Subindo ao segundo andar, mergulhas na secção do século XIII com o Paliotto do Salvador do Mestre de Tressa e obras de Guido da Siena. Prosseguindo, descobres o século XV com os polípticos de Sassetta, Giovanni di Paolo e Sano di Pietro. No primeiro andar, o maneirismo senês com Beccafumi e o Sodoma – não percas a Santa Catarina a receber os estigmas. Pena que atualmente a sede principal esteja fechada para obras de remodelação financiadas pelo PNRR (eficiência energética e eliminação de barreiras arquitetónicas). Mas não te preocupes: algumas obras estão visíveis noutros locais associados, como o Palazzo Chigi Piccolomini à Postierla (aberto quinta a sábado 9-19, segunda/domingo/feriados 9-13:30) e a Villa Brandi (mediante reserva). Para informações atualizadas, liga para 0577 281161.
Fortaleza Mediceia: história, relax e eventos a dois passos do centro
- Ir para a ficha: Fortaleza Medicea em Siena: história, eventos e vinhos na antiga fortaleza
- Viale Vittorio Veneto, Siena (SI)
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Se você pensa que Siena é apenas a Piazza del Campo e a Catedral, está muito enganado. A poucos minutos a pé do centro, bem ao lado do Estádio Franchi, fica a Fortaleza Mediceia, também conhecida como Forte de Santa Bárbara. É um lugar que adoro porque une história, natureza e muitos eventos. Construída entre 1561 e 1563 por ordem de Cosme I de Médici (projeto de Baldassarre Lanci), esta fortaleza deveria conter os sieneses após sua derrota. Na verdade, no local já existia uma cidadela espanhola, destruída pelos sieneses em revolta em 1552. Depois vieram os Médici e a reconstruíram.Hoje, caminhando sobre seus baluartes pentagonais (São Filipe, São Francisco, São Domingos e a Madona), sente-se uma atmosfera diferente. Os tijolos à vista, os brasões mediceus em travertino com cabeças de leão e aquelas alamedas arborizadas ao longo das muralhas… Transmitem uma sensação de paz. E pensar que antigamente era uma máquina de guerra! As dimensões são impressionantes: o quadrilátero interno tem 180 metros de comprimento por 125 de largura, e o perímetro externo chega a quase 1500 metros. A entrada principal, outrora protegida por uma ponte levadiça, dá para os jardins da Lizza.
Desde que foi desmilitarizada (final do século XVIII, graças ao grão-duque Pedro Leopoldo), tornou-se um parque público muito frequentado. No centro há um anfiteatro que no verão recebe concertos e espetáculos – aliás, aqui fica a Siena Jazz, que organiza eventos imperdíveis. E também há a Enoteca Italiana, dentro do baluarte São Francisco, para uma degustação de vinhos toscanos. A fortaleza está sempre aberta, a entrada é gratuita, e acho perfeita para um passeio relaxante ou para assistir a um concerto sob as estrelas.

Basilica Cateriniana de São Domingos: o coração gótico de Siena
- Ir para a ficha: Basílica Cateriniana de São Domingos: relíquias e afrescos em Siena
- Voltoni di San Domenico, Siena (SI)
- https://www.basilicacateriniana.it/
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- +39 0577 286848
Se há um lugar em Siena que toca a alma, é a Basílica Cateriniana de São Domingos. Não é apenas uma igreja gótica imponente, mas o lugar onde Santa Catarina viveu sua fé mais intensa. Subindo em direção ao monte Camporegio, a fachada de tijolos recebe você com sua simplicidade severa. Você entra e se depara com uma nave única, planta em cruz comissa, com treliças à vista e uma atmosfera intimista. Aqui se respira espiritualidade. A Capela de Santa Catarina é o ponto alto: guarda a cabeça-relíquia da santa em um relicário neogótico, e os afrescos de Sodoma – o Êxtase e a Decapitação de Niccolò di Tuldo – são de tirar o fôlego. Um pouco mais adiante, a Capela das Abóbadas, elevada, era o refúgio de oração das Mantelatas; o afresco de Andrea Vanni é considerado o retrato mais fiel de Catarina. Não perca a Maestà de Guido da Siena (1221, uma das mais antigas de Siena) e a Natividade da Virgem de Alessandro Casolani. O bom é que a entrada é gratuita, e a igreja está aberta todos os dias das 9h às 18h30 (mas verifique no site por segurança). Curiosidade: o campanário foi rebaixado após o terremoto de 1798. E da porta ao fundo da capela-mor, a vista sobre o Duomo e a Torre del Mangia é pura magia. Um conselho: vista-se com sobriedade, como convém a um local sagrado. E se quiser levar uma lembrança, a livraria tem rosários, medalhas e livros sobre Catarina. Enfim, uma parada que une arte, história e fé de forma autêntica.
Museu da Obra da Metropolitana: um tesouro de arte
- Ir para a ficha: Museu da Obra da Metropolitana: a Maestà e o Facciatone
- Piazza Jacopo della Quercia, Siena (SI)
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Se você pensa que a Catedral de Siena já é espetacular, espere para entrar no Museu da Obra da Metropolitana, um dos museus privados mais antigos da Itália (fundado em 1869). Ele está localizado na nave direita do chamado Duomo Nuovo, uma ambiciosa ampliação do século XIV nunca concluída devido à peste de 1348. Aqui estão preservadas as obras originais removidas da catedral para protegê-las das intempéries.A peça central é sem dúvida a Maestà de Duccio di Buoninsegna (1308-1311), um retábulo de dupla face que narra a vida de Cristo e da Virgem. Ao lado, a espetacular Vitral da Assunção, também de Duccio, com seus vibrantes painéis de vidro medieval.
No térreo, admire as estátuas de Giovanni Pisano que outrora adornavam a fachada da Catedral: profetas, sibilas e filósofos de expressões intensas. Não perca o tondo da Madonna do Perdão de Donatello e o baixo-relevo de Jacopo della Quercia.
Subindo, você encontrará a Sala do Tesouro com ourivesaria, relicários e a rosa de ouro berniniana. No segundo andar, a Madonna dos Olhos Grandes do Mestre de Tressa, diante da qual os sienenses rezaram antes da batalha de Montaperti.
Por fim, suba ao Facciatone para uma vista deslumbrante de Siena e da Catedral.
Informações práticas: Praça do Duomo 8. Horários variáveis: geralmente 10:30-19:00 (verão) e 10:30-17:30 (inverno). Ingresso cumulativo com o Complexo Monumental da Catedral. Audioguia gratuito disponível.

Fonte Gaia: a fonte alegre da Piazza del Campo
- Il Campo, Siena (SI)
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No coração da Piazza del Campo, a Fonte Gaia é muito mais do que uma fonte: é o símbolo da alegria coletiva pela chegada da água em 1346, após anos de trabalho nos subterrâneos Bottini. O nome “Gaia”, que significa “alegre”, nasce do entusiasmo popular. A fonte que vê hoje, no entanto, não é a original. Aquela, obra-prima de Jacopo della Quercia realizada entre 1409 e 1419, deteriorou-se com o tempo devido ao mármore poroso da Montagnola sienesa. Um dramático incidente durante o Palio de 1743 – um espectador caiu depois de quebrar uma estátua – marcou o seu destino. Assim, em 1869, o escultor Tito Sarrocchi a replicou em mármore de Carrara, mais resistente, e a deslocou ligeiramente para protegê-la. Hoje, os relevos originais estão guardados no Museu de Santa Maria della Scala, onde pode admirar a Madonna com o Menino, as Virtudes, e as figuras de Reia Sílvia e Acca Larentia (ausentes na cópia da praça). A fonte é um altar laico: das suas paredes, a água jorra de cabeças de loba, símbolo de Siena. Visitá-la é grátis e sempre possível; mas se quiser ver as verdadeiras obras-primas de Jacopo della Quercia, deve entrar no museu. Um conselho: à noite, a luz suave da praça torna a Fonte Gaia ainda mais mágica.
Batistério de São João: a joia sob a Catedral
No coração de Siena, escondido sob as arcadas da Catedral, há um lugar que muitas vezes escapa aos turistas apressados: o Batistério de São João. Construído entre 1316 e 1325 por projeto de Camaino di Crescentino, esta joia gótica foi projetada para sustentar o prolongamento do coro da catedral. Acede-se pela Piazza San Giovanni descendo uma escadaria que parece levá-lo a outra época.O interior, de três naves com abóbadas de cruzaria inteiramente afrescadas, é um esplendor de cores. O Vecchietta, entre 1447 e 1450, pintou os Doze Artigos do Credo nas abóbadas, enquanto Michele di Matteo Lambertini afrescou a abside com cenas da Paixão. A luz filtra através das biforas da fachada inacabada, criando uma atmosfera recolhida.
Ao centro, destaca-se a pia batismal hexagonal, obra-prima do Primeiro Renascimento. Realizada entre 1417 e 1431 em mármore, bronze e esmalte, contou com os maiores escultores da época: Donatello (as estátuas da Fé e da Esperança), Lorenzo Ghiberti (o Batismo de Jesus) e Jacopo della Quercia (a estátua do Batista). Os painéis em bronze dourado contam a vida de São João Batista: é impossível não parar para admirar cada detalhe.
Não percam outras obras: o políptico de Andrea Vanni, a Visitação de Rutilio Manetti e, no altar-mor, o Batismo de Jesus de Alessandro Franchi. O bilhete cumulativo com a Catedral permite visitar tudo com calma. Recomendo vir nas horas menos movimentadas para desfrutar da paz deste lugar extraordinário.

Basílica de São Francisco: entre história, arte e um milagre eucarístico
- Ir para a ficha: Basílica de São Francisco em Siena: gótico e milagre
- Siena (SI)
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- +39 0577 49406
Passeggiando por Siena, você se deparará com a Basílica de São Francisco, na praça São Francisco. Construída a partir do século XIII pelos frades franciscanos, foi ampliada em estilo gótico até 1475. O que você vê hoje, no entanto, é o resultado de uma restauração neogótica do final do século XIX: a fachada de tijolos é propositalmente sóbria, com um rosário quatrocentista de Francesco di Giorgio Martini e um portal de mármore que retrata São Francisco e São Bernardino. Ao entrar, você fica impressionado com a ampla nave única com telhado de treliças e as faixas de mármore branco e verde nas paredes, que lembram a Catedral. A planta em cruz egípcia é típica das ordens mendicantes: despida, para favorecer a oração. Mas o verdadeiro tesouro está ligado a um evento extraordinário. Em 14 de agosto de 1730, alguém roubou o ostensório com 351 hóstias consagradas. Três dias depois, foram encontradas na caixa de esmolas de Santa Maria in Provenzano. Apesar das condições higiênicas, decidiu-se guardá-las. Anos depois, as hóstias ainda estavam intactas: análises de 1914 e 2014 confirmaram a ausência de mofo ou bactérias, um fato cientificamente inexplicável. Hoje as Sagradas Partículas são guardadas em duas capelas (de verão e de inverno) e todo dia 17 do mês são expostas durante missas especiais. Entre as obras de arte, não perca os afrescos destacados de Ambrogio Lorenzetti na segunda capela e a Crucificação de Pietro Lorenzetti. Se você é um apaixonado por história, notará também as bandeiras das contradas penduradas nas paredes: a basílica está no território da Contrada da Girafa. Informações práticas: entrada gratuita, aberta todos os dias das 7:30 às 12:00 e das 15:30 às 19:00. Uma parada que une fé, arte e um toque de mistério.
Basílica de São Clemente em Santa Maria dos Servos
- Ir para a ficha: Basílica de São Clemente em Siena: Madonna del Bordone de 1261 e vista panorâmica
- Siena (SI)
- https://www.arcidiocesi.siena.it/
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- +39 0577 222633
Se você está em Siena e quer descobrir um lugar menos movimentado, mas rico em história, a Basílica de São Clemente em Santa Maria dos Servos é para você. Empoleirada na colina que domina a Valdimontone, esta igreja surpreenderá pela sua mistura única de estilos. As obras começaram em 1255 e se estenderam até 1537, com uma consagração em 1533. O exterior é deliberadamente simples, em linha com o espírito das Ordens mendicantes, mas no interior escondem-se verdadeiras obras-primas. A planta é em cruz egípcia com três naves e um transepto. O corpo longitudinal é renascentista, projetado por Ventura Turapilli, enquanto o transepto e as capelas terminais são góticas. O campanário, românico, foi restaurado em 1926 com a adição de pináculos que lembram os da Catedral. Não perca a Madonna del Bordone de Coppo di Marcovaldo, pintada em 1261 enquanto o artista era prisioneiro após a batalha de Montaperti. Na quinta capela à direita, a Strage degli Innocenti de Matteo di Giovanni vai deixá-lo sem fôlego. Para admirar também a Natività di Maria de Rutilio Manetti e o afresco da Madonna della Misericordia de Giovanni di Paolo. A basílica está aberta todos os dias das 8:30 às 18:30, com entrada gratuita. Fica na Piazza Manzoni 5. Da escadaria de acesso desfruta-se de uma vista panorâmica sobre Siena, com a Torre del Mangia e a cúpula da Catedral a surgirem entre os telhados. Um canto de paz longe da multidão do centro.
Palazzo Salimbeni: o coração medieval do banco mais antigo do mundo
- Piazza Salimbeni, Siena (SI)
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Com vista para a elegante Piazza Salimbeni, a dois passos da Via Banchi di Sopra, o Palazzo Salimbeni não é apenas uma das arquiteturas góticas mais fascinantes de Siena. É também a sede histórica do Monte dei Paschi di Siena, o banco mais antigo do mundo ainda em atividade, fundado em 1472 exatamente aqui. O edifício, erguido no século XIV ampliando um pré-existente castelo da família Salimbeni (séculos XII-XIII), ainda conserva hoje a atmosfera de uma fortaleza medieval: ameias, trifórios de arco quebrado e uma imponente fachada posterior em tijolo, apertada entre duas poderosas torres. A restauração neogótica do final do século XIX, obra de Giuseppe Partini, exaltou o estilo do trecento, enquanto no século XX Pierluigi Spadolini adicionou toques modernos como a escada em espiral em concreto armado. A praça é dominada pela estátua de Sallustio Bandini (1882) de Tito Sarrocchi, e nas laterais também se destacam o Palazzo Tantucci e o Palazzo Spannocchi. No interior, tesouros escondidos: uma pinacoteca com obras-primas de Pietro Lorenzetti, Sassetta e Beccafumi, e um arquivo histórico que guarda documentos bancários preciosíssimos. Infelizmente, não está sempre aberto ao público: você pode visitá-lo apenas em ocasiões especiais, como na manhã do Palio de Sant’Ansano (2 de julho), no dia 16 de agosto ou no primeiro sábado de outubro para “Invito a Palazzo”. A entrada é gratuita, mas leve um documento. O conselho? Pare para admirar a fachada da praça, talvez ao pôr do sol: é um espetáculo inesquecível.
Oratório de São Bernardino e Museu Diocesano: uma joia escondida
- Piazza San Francesco 9, Siena (SI)
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Se estiver em Siena e já tiver visitado a Catedral e a Piazza del Campo, não perca o Oratório de São Bernardino e o anexo Museu Diocesano de Arte Sacra, na Piazza San Francesco. Aqui, longe da multidão, encontrará um tesouro de obras-primas que contam séculos de fé e arte. O complexo tem origens tardo-medievais, mas foi remodelado no século XVI e dedicado a São Bernardino de Siena. A fachada em tijolo com o sol raiado JHS é o símbolo do santo pregador. O interior é um triunfo de afrescos: no oratório superior, a capela de Santa Maria dos Anjos é totalmente decorada com as Histórias da Virgem por Domenico Beccafumi, Sodoma e Girolamo del Pacchia, uma obra-prima única. O teto em caixotões com querubins dourados é de admirar de cabeça erguida. O oratório inferior, por sua vez, é afrescado por artistas seiscentistas como Ventura Salimbeni e Rutilio Manetti. O Museu Diocesano prossegue o percurso com uma coleção que vai do Duecento ao Setecentos. Entre as peças imperdíveis, a Madonna do Leite de Ambrogio Lorenzetti, um ícone de ternura trecentista, e a esplêndida Madonna de Tressa, uma das mais antigas tábuas senenses (1235). Não faltam obras de Giovanni di Paolo, Sano di Pietro e o Cristo Carregando a Cruz de Beccafumi. Pequena nota prática: o museu está aberto apenas no período de verão, de abril a outubro, todos os dias das 13h30 às 18h30 (última entrada meia hora antes). A entrada está incluída no Opa Si Pass, que também dá acesso à Catedral e outros monumentos. Recomendo chegar por volta das 14h, quando há menos gente, e dedicar todo o tempo necessário para observar os detalhes dos afrescos. Um lugar que sabe emocionar, mesmo para quem não é especialista em arte.
Jardim Botânico: um canto da natureza entre as muralhas de Siena
- Via Pier Andrea Mattioli, Siena (SI)
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Deixem para trás o caos da Piazza del Campo e mergulhem no silêncio do Jardim Botânico, uma joia verde escondida entre as muralhas medievais. Fundado como Horto dos Simples em 1588, hoje este jardim de 2,5 hectares abriga mais de duas mil espécies vegetais. Parecerá que deram um mergulho num mundo paralelo, longe do barulho dos turistas.O percurso divide-se em três setores. A Escola é uma sucessão de terraços ordenados com plantas medicinais e aromáticas – eu parei para observar o alcaçuz, que nunca tinha visto tão de perto. Mais abaixo, o Parque é dominado por árvores seculares: o Ginkgo biloba, as sequoias gigantes, o marmeleiro. Aqui os canteiros estão divididos por faixa vegetacional toscana, da costa à montanha. Não percam a Fonte do Pinheiro medieval, ainda funcional e encaixada no verde – um canto da história que parece suspenso no tempo.
Passem depois para o Podere, onde a paisagem se torna rural com videiras, oliveiras e um pomar de variedades antigas. Se gostam de ambientes particulares, não percam o jardim rochoso com os seus litossolos e o fetal húmido, uma raridade. E depois há as estufas: a Estufa quente de 1875, em ferro e vidros coloridos, que reproduz a humidade tropical com orquídeas e fetos epífitos; o tepidadrio com cactos e suculentas – uma coleção que parece saída de um deserto distante.
A entrada é gratuita (horários variáveis conforme a estação, fechado ao domingo). É o lugar ideal para uma pausa revigorante, talvez com um livro à sombra de uma árvore centenária.







