Castelo de Montechiarugolo: fortaleza e residência sobre o Enza

O Castelo de Montechiarugolo é um maniero medieval debruçado sobre o rio Enza, a poucos quilómetros de Parma, reconstruído no século XV por Guido Torelli e transformado em residência senhorial no século XVI. Visita-se com guia em cerca de uma hora, entre salões com frescos, o loggiato panorâmico e os caminhos de ronda, com bilhete inteiro de 10 euros. Faz parte do circuito Castelos do Ducado de Parma, Piacenza e Pontremoli e fica numa aldeia premiada entre as Aldeias mais belas de Itália.
• O loggiato do século XV com pequenas colunas de arenito sobre o parque do Enza
• O Salão das Festas e a Sala do Meio com a Anunciação
• Os caminhos de ronda com seteiras e a antiga prisão
• A lenda da Fada Bema, ainda hoje muito contada


Eventos nas proximidades


Copertina itinerario Castelo de Montechiarugolo: fortaleza e residência sobre o Enza
Castelo de Montechiarugolo sobre o Enza, perto de Parma: muralhas ameadas, salas com frescos e a lenda da Fada Bema. Visitas guiadas a 10 euros, aldeia entre as mais belas de Itália.

Informações importantes


Introdução: Castelo de Montechiarugolo, fortaleza e residência sobre o Enza

Montechiarugolo é uma daquelas aldeias que ficam connosco. Chega-se entre os campos do Val d’Enza, na fronteira entre a província de Parma e a de Reggio Emilia, e de repente vê-se o Castelo de Montechiarugolo erguer-se na margem esquerda do riacho: muralhas maciças, ameias gibelinas, dois pátios interiores e uma galeria que parece suspensa sobre o verde. Não é apenas uma fortaleza: é uma residência nobre, com salas com frescos, mobiliário, estátuas setecentistas e uma lenda que ainda hoje corre. A aldeia está entre as Aldeias mais belas de Itália, e percebe-se logo porquê: poucos metros, uma igreja antiga, o estacionamento fora das muralhas e o castelo ali, a dominar tudo. A visita guiada é a forma certa de entrar no piso nobre e nos caminhos de ronda. O bilhete inteiro custa 10 euros, reduzido 7 euros; as crianças dos 0 aos 5 anos entram gratuitamente. Um lugar perfeito para um passeio nos arredores de Parma, sem falsa monumentalidade: aqui, a história sente-se.

Notas históricas: Sanvitale, Torelli e a batalha de 1796

Os primeiros vestígios do presídio remontam a 1121, quando a família Sanvitale construiu uma fortaleza para defender a Val d’Enza. Em 1313, Giovannino Sanvitale rebelou-se contra os guelfos de Parma: o castelo foi cercado e destruído. Após a entrada de Parma no Ducado de Milão, os Visconti mandaram reconstruí-lo. Em 1406, Giovanni Maria Visconti concedeu Montechiarugolo e Guastalla a Guido Torelli, que iniciou a reconstrução em planta poligonal; em 1428 chegou o título de conde. No século XVI, Pomponio Torelli transformou o solar numa residência senhorial, mas em 1611-1612 o filho Pio foi acusado de conspirar contra Ranuccio I Farnese: condenação, confisco e fim do condado. Em 4 de outubro de 1796, o castelo foi palco da batalha de Montechiarugolo, com a derrota de uma coluna austríaca pelas tropas da República Reggiana. Sob Maria Luísa, tornou-se armazém militar e paiol; em 1864 passou para Antonio Marchi. Durante a Segunda Guerra Mundial, uma ala foi campo de internamento civil.

  • 1121 primeiro presídio Sanvitale
  • 1313 destruição
  • 1406 feudo para Guido Torelli
  • 1428 condado
  • 1612 fim dos Torelli
  • 1796 batalha
  • 1864 família Marchi

Muralhas, pontes e caminhos de ronda: a fortaleza no Enza

A primeira coisa que chama a atenção é a cerca: muralhas de tijolo coroadas por ameias gibelinas, um fosso e dois revelins. O castelo tem planta irregular e desenvolve-se em torno de dois pátios, o de honra e o do poço. No pátio de honra há um pórtico quatrocentista e, ao centro, duas estátuas setecentistas provenientes da Reggia di Colorno. O lado voltado para o vale é o mais cenográfico: uma loggia saliente com pequenas colunas de arenito, decorada com afrescos de brasões Torelli e Visconti, de onde se avistam o Enza e a paisagem até Montecchio e às Quattro Castella. Os caminhos de ronda são cobertos e cheios de seteiras; um alçapão conduz a uma prisão estreita, a Tombazza. Do pátio sobe-se ao Castellazzo, o baluarte transformado em jardim com sebes, roseirais e peónias. Não esperes um castelo abafado de museu: aqui ainda se sente a lógica da fortaleza, com a elegância renascentista que se lhe acrescentou depois.

Salas com frescos e a lenda da Fada Bema

As salas contam a passagem de fortaleza a residência. O Salão de Festas é decorado com frescos da escola de Cesare Baglioni, com grutescos e brasões; a Sala do Meio conserva uma Anunciação quatrocentista de âmbito gótico-lombardo. Depois há a Sala dos Quatro Elementos, também conhecida como das Sereias, com uma pintura de embarcação inspirada na Odisseia, e a Sala dos Gatos, decorada com losangos e o leão rampante dos Torelli. Na Sala Antiga, os frescos falam da vida do homem e das horas do dia. Mas o coração misterioso é a Salinha da Fada Bema, onde se conserva uma múmia egípcia que a tradição identifica como Bema. A lenda diz que, em 1593, a jovem previu a decapitação de Pio Torelli; depois, todos os anos, na noite entre 18 e 19 de maio, o seu fantasma apareceria na torre de menagem. Acreditem ou não, a atmosfera muda.

Porque visitá-lo

Três motivos concretos. Primeiro: é um castelo ainda privado e habitado, não um cenário vazio; a visita guiada dura cerca de uma hora e percorre salas, loggia e caminhos de ronda com um ritmo humano. Segundo: a aldeia de Montechiarugolo faz parte das Aldeias Mais Belas de Itália, e chegar a pé a partir do parque de estacionamento exterior, sem trânsito, já faz metade da viagem. Terceiro: é pet-friendly nas áreas abertas e nos caminhos de ronda, com cães com trela; os de pequeno porte podem ser levados ao colo nas salas, os outros esperam no pátio com uma tigela de água. Acresce que o castelo faz parte do circuito Castelli del Ducato di Parma, Piacenza e Pontremoli e que a visita é adequada também a quem tem pouco tempo: bilhete inteiro 10 euros, reduzido 7. Não é o habitual castelo de postal: é um passeio breve mas intenso.

Quando ir

O castelo abre de março a novembro, com visitas guiadas principalmente aos fins de semana e em alguns feriados. Se puder escolher, opte por um dia de luz límpida, quando da loggia se avista bem o vale do Enza e o perfil das colinas. O horário que acho mais sugestivo é o final da tarde: a luz rasante acende os tijolos, as salas estão mais tranquilas e os caminhos de ronda oferecem um panorama mais suave. Na primavera, os roseirais e as peónias do Castellazzo dão o seu melhor; no outono, com o ar fresco, o burgo é silencioso e o castelo parece ainda mais sólido. Evite as horas de maior calor, sobretudo se quiser desfrutar da loggia sem pressa. É melhor verificar sempre o calendário no site oficial, porque os horários variam de mês para mês e as visitas fora de programa exigem reserva.

Nos arredores

Se tiver meio dia extra, não fique apenas pelo solar. Nos arredores encontram-se os castelos de Sala Baganza e Torrechiara, duas paragens que falam a mesma língua de pedra e colina; Torrechiara é a combinação clássica para quem quer continuar o circuito das residências da região de Parma. Para continuar no verde, o Parque do Rio Enza oferece passeios junto à água e vistas sobre a paisagem rural, com o castelo a reaparecer de vez em quando entre as árvores. No burgo de Montechiarugolo pode experimentar a X-Scape Experience on the Road – Recordações do Passado, uma experiência ao ar livre que brinca com a história local. E se procura apenas relaxar, pare para olhar para a fachada ameada a partir de baixo: é a forma mais simples de perceber por que razão este lugar permaneceu tanto tempo no centro do vale do Enza. Sem distâncias em quilómetros, apenas ideias para prolongar a visita.

Itinerários nas proximidades


💡 Talvez você não soubesse que…

A lenda da Fada Bema ainda anima o solar: segundo a tradição, na noite entre 18 e 19 de maio, o seu fantasma aparece no torreão à espera do regresso de Pio Torelli. Na Saleta da Fada Bema conserva-se uma múmia egípcia, desde sempre considerada o seu corpo; a tradição popular gosta de repetir que quem não quer desgraças não a deve tirar da sua cama.