Teatro delle Muse: lírica e pano de boca único em Ancona

No coração de Ancona, a dois passos do porto, o Teatro delle Muse é o maior das Marcas e o 13.º na Itália em capacidade: 1.147 lugares, fachada neoclássica em pedra de Istria e um pano de boca corta-fogo único na Europa. Reaberto em 2002 após o bombardeamento de 1943, acolhe hoje ópera, prosa, ballet e concertos. Bilhetes de 15 a 50 euros para os eventos standard, com descontos para estudantes, idosos e assinantes.
• Sala em ferradura com acústica excelente
• Pano de boca de Trubbiani dedicado ao Triunfo de Trajano
• Temporada entre ópera, jazz e grandes eventos
• Localização central na Piazza della Repubblica


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Copertina itinerario Teatro delle Muse: lírica e pano de boca único em Ancona
O maior teatro das Marcas, na Piazza della Repubblica: 1.147 lugares, fachada neoclássica em pedra de Istria, pano de boca de Trubbiani e temporadas entre ópera, prosa e ballet.

Informações importantes


Teatro delle Muse: ópera lírica e cortina única em Ancona

Se há um edifício que conta Ancona melhor do que um guia, é o Teatro delle Muse. Encontra-o na Piazza della Repubblica, entre o porto e as ruas do centro, com a fachada neoclássica em pedra da Ístria que parece querer causar boa impressão a quem chega do mar. É o maior teatro das Marcas: 1.147 lugares, o décimo terceiro em Itália por capacidade. Lá dentro passa-se da lírica à prosa, do ballet aos concertos, com uma temporada que não se limita aos apaixonados pela ópera. Da primeira vez que se entra, porém, o olhar recai sobre a cortina corta-fogo de Valeriano Trubbiani, o “Triunfo de Trajano”: uma peça única na Europa, nada de um simples cenário de fundo. Não é um museu para se visitar em silêncio; é um teatro vivo, com uma atmosfera elegante, mas não rígida. E sim, a fachada exterior merece, só por si, uma caminhada pela praça.

Breve histórico

A história vem de longe: o primeiro teatro da cidade foi o Arsenal (1665), destruído por um incêndio em 1709. Depois, o Teatro della Fenice (1711), onde Giuseppe Tartini estudou o terceiro som. Após ter caído em degradação, escolheu-se o projeto neoclássico de Pietro Ghinelli em 1819. Construído entre 1822 e 1827, o teatro foi inaugurado em 28 de abril de 1827 com duas óperas de Rossini, Aureliano in Palmira e Ricciardo e Zoraide. A sala tinha formato de ferradura, com quatro ordens de camarotes e galeria superior. Em 1º de novembro de 1943, um bombardeamento danificou a cobertura: atividades suspensas por 59 anos. Nos anos 70, a sala foi demolida e reconstruída em betão armado, conservando as fachadas, a escadaria, o átrio e o salão de festas. Reabertura em 13 de outubro de 2002, com Riccardo Muti no pódio.

  • 1665: primeiro teatro no Arsenal
  • 1819: escolhido o projeto de Ghinelli
  • 1827: inauguração com Rossini
  • 1943: bombardeamento e encerramento
  • 2002: reabertura com Muti

A fachada e os interiores reinventados

A fachada é o cartão de visita: seis colunas jónicas, um pórtico com cinco arcos em pedra de Ístria e um frontão com o baixo-relevo de Giacomo De Maria que reúne as nove Musas, Apolo e Palémon. É uma alegoria do nascimento do teatro de Ancona e, vista da Piazza della Repubblica, não passa despercebida. Lá dentro, porém, a surpresa está no contraste: a restauração assinada por Danilo Guerri e Paola Salmoni preservou a escada de entrada e parte do átrio, mas reinventou os espaços com madeira, metal e tijolo. O resultado é uma espécie de praça coberta, moderna mas não fria. A sala principal tem forma de ferradura e conta com 1.147 lugares; o Ridotto tem cerca de 180 lugares. O palco tem cerca de 360 m², com fosso de orquestra móvel. E depois há o sipário de Trubbiani, o detalhe que não te sai da cabeça.

Uma estação que vai além da lírica

Aqui não se faz apenas ópera. A Fondazione Teatro delle Muse constrói um calendário que mistura lírica, prosa, ballet, música sinfónica, concertos e jazz. Em casa há realidades como o Teatro Stabile delle Marche, a Orchestra Filarmonica Marchigiana e a Corale Marchigiana Vincenzo Bellini, por isso o teatro vive também fora das estreias. Entre os compromissos recentes, a temporada lírica de 2026 com L’Elisir d’amore, de Donizetti, e um díptico que aproxima Cavalleria rusticana do poema sinfónico A Giacomo Leopardi, de Mascagni. Há também o Franco Corelli Award, prémio bienal com o nome do tenor de Ancona, e à entrada encontra-se o seu busto. Não faltam oficinas, encontros, projetos educativos e até eventos pop como as audições do Italia’s Got Talent em 2018. Em suma, um teatro que procura falar a públicos diferentes, não apenas a quem frequenta a lírica desde sempre.

Porquê visitá-lo

Primeiro motivo: a cortina corta-fogo de Valeriano Trubbiani, o “Triunfo de Trajano”, única na Europa. É o tipo de detalhe que não se encontra num teatro qualquer e que, por si só, justifica uma visita. Segundo: a capacidade de 1.147 lugares e a excelente acústica fazem com que até um espetáculo de prosa ou um concerto sinfónico tenham outro peso. Terceiro, prático: o teatro fica em pleno centro, perto do porto, e as visitas guiadas por marcação permitem ver espaços que permanecem fechados durante o espetáculo. A bilheteira atende pelo 071 52525; os bilhetes também se compram online na Vivaticket. As áreas públicas são acessíveis e há um bar interno para o intervalo. Atenção: nada de fotografias durante os espetáculos e é melhor chegar a horas, porque os atrasados só entram durante as pausas.

Quando ir

O momento que aconselho é uma noite de espetáculo, de preferência quando está frio lá fora e a cidade se recolhe um pouco. A fachada em pedra de Ístria ganha uma luz mais cálida e a entrada torna-se um pequeno ritual. Não é obrigatório que seja uma estreia: também uma peça de teatro ou um concerto de jazz podem mostrar a verdadeira dimensão do teatro. Se puder, fique na praça antes ou depois: o porto ali perto, as luzes e as pessoas a entrar criam metade da atmosfera. No final da primavera ou no outono o clima é muitas vezes mais ameno para um passeio, mas o calendário mais rico continua a ser o dos meses de inverno. Consulte sempre o site oficial e a newsletter, porque as datas mudam e algumas produções esgotam-se rapidamente. E não acredite na ideia de que o teatro é só para especialistas: a programação é mais variada do que parece.

Nas redondezas

Ao sair do teatro, não encerre o dia com demasiada pressa. Nas redondezas fica o Arco de Trajano, um daqueles monumentos que em Ancona se encontram quase por acaso e que merecem uma paragem. Ainda aqui, o Museu Arqueológico Nacional das Marcas é a escolha certa se quiser compreender melhor a história da cidade e do seu porto. Se preferir ficar ao ar livre, o Parque do Cardeto oferece uma vista diferente sobre Ancona e o mar. E há também a própria Piazza della Repubblica, com o vaivém do porto: não é uma praça de postal ilustrado estática, é um lugar que vive. Para quem viaja com crianças, o Museu Tátil Estatal Omero é uma ideia menos óbvia e muito interessante. Não é preciso fazer tudo: escolha um par de paragens e deixe que a cidade o surpreenda.

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💡 Talvez você não soubesse que…

Um detalhe que poucos conhecem: antes do teatro atual, no Teatro della Fenice, o violinista Giuseppe Tartini descobriu o fenómeno do terceiro som. E o pano de boca corta-fogo de Trubbiani, único na Europa, inspira-se no pano de boca oitocentista e representa o triunfo de Trajano: levantá-lo já é espetáculo.