Ferento: teatro romano e história etrusca

Ferento é um sítio arqueológico a cerca de 7 km de Viterbo, ao longo da Strada Teverina. A antiga cidade romana, nascida após o abandono de Acquarossa, conserva teatro, termas e o decúmano da via Ferentiensis. Destruída em 1172, hoje oferece visitas guiadas e o Ferento Teatro Festival.
– Teatro romano: cavea de 60 m, 3 000 espetadores e estátuas das Musas no Museu de Viterbo.
– Termas: mosaicos a preto e branco, frigidário, tepidário e caldário.
– Decúmano máximo: via lajeada com 3,60 m de largura, coração da cidade romana.
– Ferento Teatro Festival: espetáculos de verão no teatro antigo.


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Copertina itinerario Ferento: teatro romano e história etrusca
A 7 km de Viterbo, a antiga Ferento conserva teatro romano, termas, domus e decúmano. Visitas guiadas e Ferento Teatro Festival no verão.

Informações importantes


Ferento: teatro romano e história etrusca

Ferento não é o habitual sítio arqueológico de postal. Chegas pela Strada Teverina, deixas o carro e tens à tua frente um planalto de tufo com cerca de 30 hectares, suspenso entre os ribeiros Vezzarella e Acquarossa. Aqui, a antiga Ferentium viveu o seu máximo esplendor na época de Augusto: teatro, termas, fórum, domus e uma via lajeada que atravessava a cidade. Depois, em 1172, Viterbo destruiu-a e o silêncio tomou conta. Caminhar entre as ruínas é uma experiência física: o tufo é poroso, o sol bate forte, as lagartixas deslizam pelos blocos. O teatro romano, porém, continua lá, com as suas arcadas de peperino e a cavea que parece beber luz. E no verão, quando o festival acende o palco, Ferento volta a falar. Não esperes uma Pompeia cheia de gente: aqui, o belo é precisamente o contraste entre a grandeza antiga e a paisagem rural de Viterbo.

Apontamentos históricos: de Acquarossa à destruição de 1172

Ferento, lat. Ferentium, ergue-se na colina de Pianicara. Antes existia Acquarossa, um povoado etrusco destruído no final do século VI a.C.; os sobreviventes mudaram-se para aqui. Entre os séculos IV e III a.C. nasce o centro urbano romano; na época de Augusto atinge o máximo esplendor, com teatro, fórum, termas e anfiteatro. No século II d.C. é chamada civitas splendidissima. Foi berço de Otão e de Flávia Domitila. Na Idade Média é sede episcopal e município; em 1170 Viterbo ataca-a e em 1172 destrói-a. Eis os momentos-chave:

  • Século IX a.C.: primeiras ocupações
  • Século VI a.C.: destruição de Acquarossa
  • Séculos IV-III a.C.: centro romano
  • Século I d.C.: máximo esplendor
  • Século II d.C.: civitas splendidissima
  • 1172: destruição por Viterbo

O teatro romano: cavea, arcadas e Musas

O teatro é o ponto alto. Construído no século I d.C. e restaurado no século II, tinha uma cavea parcialmente escavada no tufo e capacidade para cerca de 3.000 espectadores. Hoje vê-se 27 arcadas exteriores em blocos de peperino, os degraus e a orquestra com mais de 20 metros. A frons scaenae conserva sete portas visíveis e vestígios da decoração escultórica: estátuas das Musas e o Pothos de Skopas estão no Museu Nacional Etrusco de Viterbo. No verão, o teatro volta a ganhar vida com o Ferento Teatro Festival: concertos, teatro e tributos, como o dedicado a Franco Battiato. Sentar-se ali ao pôr do sol, com a paisagem rural a escurecer, é algo completamente diferente de uma visita diurna. As arcadas não são apenas ruínas: são cenários naturais. Use sapatos confortáveis, a área é ampla e irregular.

Termas, decúmano e domus: o quotidiano de Ferento

Ferento não é só teatro. A leste estão as termas públicas do século I d.C., com frigidarium, tepidarium e calidarium, mosaicos geométricos a preto e branco e tubos para o aquecimento. Alguns espaços tinham entradas diretamente pelo decúmano. E há ainda o decumanus maximus, uma rua lajeada com 3,60 metros de largura, troço urbano da via Ferentiensis que ligava a Cassia ao Tibre. Ao longo do eixo reconhecem-se tabernae, soleiras de pedra e bases de colunas. A oeste do teatro destaca-se uma domus com átrio toscano com impluvium e cubicula, de época tardo-republicana e depois júlio-claudiana. Ao lado, uma cisterna pública com três compartimentos comunicantes em opus mixtum. Ao caminhar aqui percebe-se que Ferento era uma cidade verdadeira, não um santuário isolado: negociava, lavava-se, bebia e construía.

Acquarossa e as necrópoles: antes e depois de Ferento

Perto de Ferento está a outra peça: Acquarossa, na colina de San Francesco. Aqui as escavações do Instituto Sueco, iniciadas em 1966 com o patrocínio do rei Gustavo VI Adolfo, trouxeram à luz fundações de casas etruscas, um complexo político-religioso e a passagem da cabana para a casa de pedra. A cidade foi destruída no final do século VI a.C. e em 32 hectares não se construiu mais: por isso os vestígios se conservaram. Ao redor de Ferento encontram-se também necrópoles como Procoietto, Poggio della Lupa e Poggio della Lestra. Em Poggio della Lupa está a Tumba dos Salvi, família do imperador Otão; pouco distante, a Mina de Ferento, galeria de cerca de 50 metros para a extração da limonite. São detalhes que tornam a paisagem um arquivo a céu aberto.

Porquê visitá-lo: três motivos concretos

Primeiro: o teatro romano está entre os mais bem conservados do Lácio e, no verão, recebe espetáculos, por isso não é um monumento morto. Segundo: o sítio é vasto e pouco movimentado; podes percorrer o decúmano, as termas e as domus sem multidões, num contacto direto com as ruínas. Terceiro: compreende-se a história do território, desde o mundo etrusco de Acquarossa à Ferentium romana até à destruição de 1172, num único planalto. Além disso, a entrada é por donativo livre e a gestão está a cargo da Archeotuscia, que organiza visitas guiadas. Não é uma visita de “chegar, ver e fugir”: é melhor levar o teu tempo, ler os painéis e deixar-te surpreender pelas vistas sobre os riachos. Se gostas de arqueologia mas não suportas percursos museológicos demasiado assépticos, Ferento é a tua dimensão.

Quando ir: luz e estação certas

Qual é o melhor momento? Início da manhã ou final da tarde, quando o sol não bate no tufo e as sombras desenham as arcadas. Nas estações amenas está-se muito bem: temperaturas suaves, campo verde ou dourado e poucos visitantes. O verão é mais duro ao meio-dia, mas tem uma vantagem: o Ferento Teatro Festival acende o teatro nas noites de verão, e a área nesses dias pode abrir mediante reserva. Se procuras o silêncio, evita as horas centrais dos domingos mais movimentados. Eu voltaria lá em outubro, com uma luz baixa e um vento leve. Um conselho prático: leva água, chapéu e sapatos com sola ranhurada, porque entre pedras de basalto e terra batida nem tudo é liso. E verifica sempre os horários sazonais antes de partir.

Nos arredores: Viterbo e Bomarzo

A partir de Ferento, pode prolongar a visita até Viterbo, com o bairro medieval de San Pellegrino, e até Bagnaia, onde se encontra Villa Lante com os seus jardins à italiana. Outra paragem fácil é Bomarzo, famosa pelo Parque dos Monstros, um lugar que partilha com Ferento o uso do tufo, mas transforma-o em escultura bizarra. Se tiver tempo, Vitorchiano com os seus profferli é uma aldeia autêntica da Tuscia. Estes destinos combinam bem com a arqueologia: primeiro as ruínas romanas, depois as vielas e os jardins. Não é preciso correr: a zona merece uma exploração lenta, entre estradas de campo e povoações de pedra. E se ainda lhe apetecer comer, a cozinha viterbese é um bom motivo para parar.

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💡 Talvez você não soubesse que…

Em 1172, Viterbo destruiu Ferento com o pretexto da heresia. A palma, símbolo da cidade derrotada, foi acrescentada ao leão de Viterbo: ainda hoje a encontra no brasão. E no teatro romano, a cada verão, sobem ao palco espetáculos e recriações históricas.