O Castelo de Caidate é um solar do século XIV que se ergue numa elevação de Sumirago, na província de Varese, e domina o vale do Arno. De propriedade privada e não visitável, admira-se do exterior e chega-se a pé através de um percurso circular de 7,5 km que parte de S. Alessandro di Castronno. Nos dias límpidos, o olhar corre até ao Monte Rosa.
• Planta quadrilátera com pátio central e torre quadrada de origem tardo-romana
• Parque de estilo inglês setecentista de Balzaretto, entre tílias, castanheiros-da-índia e pinheiros-vermelhos
• História Visconti, Bigli e Confalonieri, até aos condes Barbiano di Belgiojoso (desde 1977)
• Percurso circular de 7,5 km entre bosques, lavadouros, palheiros e pequenas nascentes
Introdução
O Castelo de Caidate não é um daqueles solares que se espera encontrar a dois passos de Varese. Fica afastado da localidade de Sumirago e, de uma elevação, olha lá de cima para todo o vale do Arno. A primeira coisa que se nota é a torre: quadrada, maciça, de origem tardo-romana, fincada exatamente no canto que domina o vale. Depois, a fachada em pedra viva, o pátio interior, as ameias. Ainda parece um forte, mas na realidade nasceu como pavilhão de caça dos Visconti no século XIV. Hoje é propriedade privada e não se visita: deve ser visto de fora, com um pouco de respeito. O melhor é que se chega a pé, através de um percurso circular de 7,5 km que parte da localidade de S. Alessandro di Castronno. Bosques, lavadouros, pátios com antigos palheiros. E nos dias límpidos, por trás do solar, desponta o Monte Rosa.
Breves notas históricas
O solar nasce no
século XIV como residência de lazer para a caça, por vontade de um ramo dos Visconti ligado aos feudos de Albizzate. A torre angular é, no entanto, mais antiga: de origem
tardo-romana, fazia parte do sistema defensivo alpino do noroeste. Os Visconti permanecem proprietários até
1614, quando o castelo passa para os
Bigli, condes de Saronno, por ocasião do casamento de Baldassare Bigli com Giustina Visconti. No século XVII, inicia-se a transformação em villa residencial. Em
1775, Anna Bigli casa-se com Eugenio Confalonieri Strattman: a propriedade passa aos
Confalonieri, a família do patriota milanês Federico. No século XVIII e na segunda metade do século XIX ocorrem outras alterações. Desde
1977, pertence aos condes
Barbiano di Belgiojoso, que o herdaram de Maria Confalonieri.
- século XIV: residência de caça dos Visconti
- 1614: passagem aos Bigli, condes de Saronno
- século XVII: transformação em villa residencial
- 1775: casamento de Anna Bigli e Eugenio Confalonieri
- meados do século XIX: fachada oeste em pedra à vista
- 1977: herança aos Barbiano di Belgiojoso
A arquitetura: torre, ameias e pedra à vista
O castelo tem uma planta quadrilátera com um grande pátio central. No canto que dá para o vale ergue-se a torre quadrada de origem tardo-romana, a peça mais antiga do conjunto. A fachada principal, exposta a oeste, remonta a meados do século XIX: dois pisos acima do solo, tratados em pedra à vista, um material que confere um tom rugoso e sincero. Apesar das transformações, restam elementos de castelo: as torres circulares e as ameias sobre a cobertura, acrescentos oitocentistas atribuídos ao arquiteto Balzaretto. No interior do percurso de villa há também um pórtico de colunas geminadas, sinal da passagem de forte a residência. Visto de fora, percebe-se bem esta dupla face: metade solar, metade villa. Um detalhe de que gosto: a fachada oeste recebe a luz da tarde, e é aí que dá o seu melhor em fotografia.
O parque de estilo inglês e as casas rurais
O parque de estilo inglês é uma das surpresas do complexo. Foi projetado em meados do século XVIII pelo arquiteto Balzaretto, segundo a moda do jardim paisagístico. Lá dentro há tílias, castanheiros-da-índia e pinheiros-vermelhos: árvores que criam zonas de sombra e clareiras, o oposto do jardim à italiana, todo em geometria. Do complexo fazem também parte três casas rurais, Pianca, Villanova e ex-Chinetti: exemplos de arquitetura rural setecentista, com linhas simples e espaços interiores funcionais, pensados para o trabalho nos campos. A mim, estas construções agradam-me quase mais do que o castelo, porque contam a vida quotidiana de quem habitava esta colina. O parque e as casas rurais são, no entanto, propriedade privada: admiram-se caminhando ao longo do anel, sem entrar. Nos dias límpidos, acima das árvores, vislumbra-se a cordilheira do Monte Rosa.
O anel do CAI Varese: 7,5 km entre bosques e pátios
A caminhada é organizada pelo CAI Varese, com guias locais que contam anedotas sobre a zona. Parte-se do parque de estacionamento do Centro “Materia”, na via Confalonieri 5, em Castronno, freguesia de S. Alessandro; o ponto de encontro é o parque de estacionamento do cemitério de Castronno, com transporte próprio. O percurso é um circuito de cerca de 7,5 km, desnível 100 metros, dificuldade T (turística): viável para quem caminha um pouco, sem preparação especial. Durante o giro atravessam-se bosques e encontram-se lavadouros, velhos pátios com antigos palheiros e pequenas nascentes de água. Nota prática que ninguém te diz: água no percurso não há, por isso leva-a de casa. O castelo não é visitável no interior, mas chegar a pé até às suas muralhas, depois do bosque, tem um sabor totalmente diferente.
Porque visitá-lo
1. O panorama sobre o vale do Arno. O castelo fica afastado, no alto: de lá, o olhar percorre o vale e, nos dias claros, até ao Monte Rosa. 2. O anel do CAI Varese. 7,5 km fáceis, 100 metros de desnível, entre bosques, lavadouros e pátios antigos: uma forma de unir caminhada e história, com guias que explicam o que está a ver. 3. Uma paisagem rural rara. O parque à inglesa e as quintas Pianca, Villanova e ex-Chinetti mostram como um forte do século XIV se transformou, ao longo dos séculos, numa casa de campo. Acrescento um motivo muito prático: é um passeio que se faz em meio dia, sem equipamento. Mas atenção: o castelo é privado e não visitável: vem-se aqui pelo exterior e pela caminhada, não para uma visita guiada ao interior.
Quando ir
Não é preciso escolher uma data exata, mas o dia importa. O castelo dá o seu melhor com céu limpo, quando por trás da torre surge a cordilheira do Monte Rosa: é esse o momento em que vale a pena parar e olhar. Para o percurso, é melhor evitar as horas centrais dos dias mais quentes, porque o circuito atravessa bosques, mas também troços abertos. O outono é provavelmente a época mais sugestiva: as cores do parque mudam e a fachada oeste em pedra viva ganha um tom quente. A primavera também funciona bem, com as florações e as nascentes mais visíveis ao longo do percurso. Se forem lá à tarde, a luz incide sobre a fachada principal: perfeita para uma fotografia, antes de regressar a Castronno.
Nos arredores
Duas ideias reais para prolongar o dia. A primeira é o Parque Rile Tenore Olona, área natural na zona entre Castronno e Sumirago, com trilhos ao longo dos cursos de água: ótimo para manter o tema “caminhada e paisagem”. A segunda é o Sacro Monte de Varese, património UNESCO: a subida entre as capelas e a aldeia é uma experiência diferente, mais espiritual, mas combina bem com uma visita ao castelo para quem quer unir história e caminhada. Em alternativa, a aldeia de S. Alessandro em Castronno, de onde parte o percurso circular, com os seus pátios, merece um passeio antes ou depois do trekking. São lugares verdadeiros, não paragens turísticas artificiais. O conselho é combinar o castelo com um curso de água ou uma aldeia, sem fazer tudo à pressa.